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4 TRAJETÓRIA METODOLÓGICA

4.4 ASPECTOS ÉTICOS

Este projeto foi executado de acordo com a Resolução do Conselho Nacional de Saúde 196/96, instrumento de natureza bioética que regulamenta a pesquisa com seres humanos. Foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa por meio da Plataforma Brasil (Anexo A), pelo parecer nº 205.490, de 26 de fevereiro de 2013.

Os seguintes aspectos éticos foram garantidos aos participantes da pesquisa: livre decisão para participar ou não da pesquisa; direito de desistir do consentimento livre e esclarecido em qualquer fase do estudo ou de anulá-lo, sem qualquer prejuízo pessoal; relevância social da pesquisa; garantia do sigilo e do anonimato, para que fique assegurada a privacidade dos participantes com relação aos dados confidenciais envolvidos na pesquisa.

Após esses esclarecimentos, os participantes foram convidados a participar do estudo e, ao aceitarem, foi solicitada uma autorização por escrito, por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em duas vias, ficando uma de posse da pesquisadora e outra do sujeito. Todos os instrumentos de coleta de dados usados na pesquisa ficarão guardados por cinco anos com a pesquisadora e depois serão incinerados. Para todos os participantes foram fornecidos os meios de contato com a pesquisadora, permitindo a desistência de participar da pesquisa a qualquer momento.

Para garantir o anonimato, os sujeitos foram identificados com as letras E, para enfermeiro e T, para técnico, seguido do número referente a sequencia das entrevistas.

5 RESULTADOS

Os resultados aqui apresentados são fruto de dados obtidos por meio de entrevistas realizadas com profissionais que trabalham em ambientes envolvendo as tecnologias radiológicas em três setores hospitalares distintos: centro cirúrgico, hemodinâmica e radiologia. Em um primeiro momento, para que se possa compreender os diferentes cenários da pesquisa, foi realizada uma breve descrição de como a tecnologia radiológica está inserida em cada um dos setores incluídos no estudo e, após isso, apresentamos as categorias resultantes da análise dos dados, as quais geraram dois manuscritos.

De acordo com o Ministério da Saúde, centro cirúrgico “é o conjunto de elementos destinados às atividades cirúrgicas, bem como à recuperação pós-anestésica e pós-operatória imediata” (BRASIL, 1977). O centro cirúrgico pesquisado possui três salas de cirurgia em funcionamento e duas desativadas, realiza em média 110 cirurgias por mês, possui em seu quadro cerca de 40 profissionais de Enfermagem distribuídos nas três categorias (enfermeiros, técnicos e auxiliares). Fizeram parte desse estudo 11 profissionais desse setor.

O uso da radiação ionizante no centro cirúrgico é proveniente do equipamento denominado Arco em C ou Arco cirúrgico, utilizado principalmente em cirurgias gerais, como de vias biliares, por exemplo, e em cirurgias urológicas. Trata-se de um equipamento de fluoroscopia e tem esse nome por possuir o tubo de raios x suspenso por uma armação em forma de C, o que permite um giro de até 360º ao redor do paciente. Hemodinâmica pode ser definida como uma técnica guiada por imagem, para o estudo dos caminhos percorridos por artérias e veias e possui como principal objetivo o tratamento das patologias cardiovasculares (FLÔR, 2010). O setor de hemodinâmica do hospital pesquisado foi reinaugurado e ampliado em outubro de 2006 para realizar procedimentos diagnósticos de cateterismo cardíaco e arteriografia. No ano de 2012 foi realizado convênio com a Secretaria do Estado e o serviço passou a realizar também procedimentos terapêuticos, envolvendo a colocação de endoprótese, por exemplo. São realizados, em média, cerca de 30 procedimentos por mês, e o setor possui em sua equipe de Enfermagem quatro profissionais fixos, sendo dois enfermeiros (as) e dois técnicos (as) em Enfermagem. Além disso, o setor conta com equipe de cobertura formada por 5 profissionais, sendo 1 enfermeiro, 1 residente em Enfermagem e 2 profissionais de

nível técnico. Nesse estudo foram entrevistados 7 profissionais desse setor.

Assim como no centro cirúrgico, o setor de hemodinâmica também possui como tecnologia radiológica um equipamento de fluoroscopia responsável pela aquisição das imagens em tempo real durante os procedimentos. Tanto o centro cirúrgico quanto o setor de hemodinâmica podem ser classificados como serviços de radiologia intervencionista, pois realizam procedimentos diagnósticos ou terapêuticos que compreendem intervenções invasivas, geralmente realizadas com anestesia local e/ou sedação, utilizando a imagem fluoroscópica para localizar a lesão ou local de tratamento, acompanhar o procedimento, inspecionar e documentar a terapia

(INTERNATIONAL COMMISSION ON RADIATION

PROTECTION, 2000).

Um equipamento fluoroscópico, de forma simples, consiste em um equipamento de raios X que possui um intensificador de imagens capaz de gerar as imagens radiográficas “instantâneas”, que são visualizas por meio de um monitor digital. O tubo de raios X do equipamento de fluoroscopia gera um feixe que atravessa o paciente com um poder de penetração variável. Devido ao longo tempo de exposição, a fluoroscopia torna a equipe de trabalhadores envolvidos nesses procedimentos mais vulnerável aos efeitos da exposição às radiações ionizante (SANTOS, 2011; MARTINS; PAULA, 2011).

Outro setor pesquisado foi o serviço de radiologia, que também realiza procedimentos relacionados à radiologia intervencionista, por meio de exames contrastados obtidos com o apoio do equipamento de fluoroscopia. Porém, esse setor, entre os três pesquisados, é o que possui características mais heterogêneas por possuir diferentes modalidades que utilizam as tecnologias radiológicas. Isso é perceptível na seguinte fala:

Nós temos exames contrastados que são: enema opaco, uretrocistografia, trânsito delgado e seriografia. Às vezes tem colangiografia ou algumas outras derivações que não são tão comuns. Nós temos tomografia, ultrassonografia, nós temos a biópsia. A gente auxilia em biópsias hepáticas também. Que outros exames a gente tem... a gente tem mamografia, a gente tem também uma agenda de biópsia de mama por meio da estereotaxia, e tem as corebiópsias que são feitas na ultrassonografia. Tem ainda na tomografia as biópsias de pulmão, as biópsias torácicas que são feitas pra paciente internados (E1).

O serviço de radiologia possui apenas 4 profissionais de Enfermagem, sendo 1enfermeira, 1 técnica e 1 auxiliar em Enfermagem e 1 auxiliar de saúde. Responderam a entrevista 2 profissionais desse setor. O setor possui uma sala de fluoroscopia para os exames contrastados, uma sala de tomografia computadorizada, uma sala de ultrassonografia, uma sala de mamografia, duas salas para exame de raios X convencional, sendo que uma delas estava inoperante no período pesquisado, além das salas de apoio administrativo, copa, laudos e recepção.

Ainda, é importante salientar que o hospital pesquisado também possui um setor de radioproteção, de acordo com o que preceitua a Portaria 453 (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 1998). O setor de radioproteção deve ser composto por um supervisor de radioproteção, um representante da direção do hospital e um médico especialista de cada uma das unidades que utilizem as tecnologias radiológicas (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 1998) e tem como principal objetivo promover a segurança dos trabalhadores que atuam com as tecnologias radiológicas, em especial a radiação ionizante.

Apesar de não fazer parte dessa pesquisa, esse setor foi mencionado por diversas vezes durante as entrevistas, quando os profissionais referiam a ser desse setor a responsabilidade do monitoramento das doses de radiação recebidas. Porém, as funções do setor de radioproteção vão muito além do monitoramento de doses ocupacionais e devem incluir ações de treinamentos periódicos da equipe multiprofissional, controles de saúde, controle de áreas físicas, assentamentos, entre outros (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 1998).

Ainda, cabe informar que existem outros setores/unidades hospitalares expostas à radiação ionizante, como é o caso da unidade de terapia intensiva, serviço de emergência e unidades de internação. Nesses locais a exposição ocupacional da equipe de saúde acontece principalmente por meio do equipamento móvel de raios X que é utilizado para realizar exames em pacientes acamados, que não possuem condições de serem deslocados até o setor de radiologia. Por meio da utilização de tecnologias radiológicas em saúde não somente os trabalhadores estão expostos aos desgastes provocados pela radiação ionizante, mas também, os demais pacientes da unidade, caso as diretrizes de proteção radiológica não forem repeitadas.

Percebe-se que o contado da equipe de Enfermagem com as tecnologias radiológicas está intimamente relacionado com a exposição

desses profissionais à radiação ionizante. Por meio da análise dos dados, foi possível chegar a duas categorias de resultados, a saber: invisibilidade da radiação ionizante e competências da Enfermagem radiológica. Essas categorias deram origem a dois manuscritos que são apresentados a seguir: Processo de Trabalho na Enfermagem

Radiológica: a invisibilidade da radiação ionizante e Saberes e Competências da Enfermagem Radiológica.

5.1 MANUSCRITO 1 - PROCESSO DE TRABALHO NA