8 % 8" ! Obrigações dos homens de negócio em buscar as políticas,
1.2. Um modelo teórico de Desenvolvimento Sustentável
1.2.3 Aspectos ambientais do Desenvolvimento Sustentável
Os aspectos ambientais formam o terceiro ponto do desenvolvimento sustentável considerado para este trabalho.
Sua consideração parte do fato de que a crise ambiental atual é resultado de um efeito cumulativo da negligência humana deliberada frente à escassez ou finitude de recursos, o que resulta em sistemas falhos de retorno da natureza (Mebratu, 1998). Desse ponto de vista, cabe a menção a Georgescu Roegen quando afirma que o processo econômico é em sua essência fisicamente entrópico18 e que os estoques de recursos tendem a se exaurirem e os estoques de rejeitos a aumentarem de forma crescente. Segundo Amazonas (2002), essa exaustão leva à contestação tanto das possibilidades de um desenvolvimento econômico irrestrito (“a qualquer custo”), quanto da ideia de que seja possível uma preservação ambiental radical.
Para Georgescu Roegen (1973, apud Amazonas, 2002) o caminho da diminuição da depleção natural não está ligado ao progresso técnico, à substituição de insumos, ou mesmo à reciclagem, mas sim a um retardo da produção por meio da utilização racional de recursos. Nesse sentido, urge repensar as relações de investimento, consumo e produção a fim de acomodar a natureza como um stakeholder importante das empresas. Cabe, portanto, a seguinte pergunta:
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18
Tal entropização significa extrair e transformar massa e energia para produzir algo e com a sua circulação e degradação. Pelas leis da termodinâmica, há a geração de transformação de energia em calor (estado de baixa entropia para alta entropia), que, segundo Roegen, é a forma mais degradada,irreversível e irrecuperável de energia.Tal preceito, advoga Leff (2010), pressupõe a irreversibilidade dos processos naturais, a degradação e a perda inelutável de energia,e a impossibilidade de uma reciclagem completa da matéria transformada.
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$% 1& (Arida, 2010, pg. 242)
Para isso Pearce e Turner (1990) advogam que há duas tendências como respostas para a reversibilidade dos processos de degradação ambiental:
1) A primeira tendência é o tecnocentrismo. Essa perspectiva se assenta em um “esverdeamento” da economia a fim de modificar o crescimento econômico orientado pelo mercado e pelas restrições relativas aos recursos naturais. Assim, o desenvolvimento dos processos científicos e tecnológicos seria utilizado para limitar as externalidades negativas em relação ao meio ambiente, em função de sua transformação em uma < Para Mebratu (1998), o primeiro estágio deste esverdeamento seria determinar o preço das commodities ambientais pela construção de curvas de oferta e demanda baseada no resultado da aplicação de diferentes técnicas de avaliação, o que poderia ajudar na identificação de níveis ótimos de proteção ambiental. Um segundo estágio é imputar isso aos preços através de sua mudança quando das atividades de mercado existentes pela taxação do dano ao meio ambiente, ou pela criação de mercados para bens ambientais a partir das negociações de permissões entre empresas e/ou consumidores. Dessa posição, dois desafios merecem menção: produzir a preços competitivos e ao mesmo tempo reduzir progressivamente o impacto ambiental a fim de equilibrar adequadamente a disponibilidade física de commodities (água, óleo, metais etc.) diante da capacidade de absorção do planeta (Almeida, 2007; Pogutz, 2008).
2) A segunda posição é a ecocêntrica. Esta posição tem como princípio uma regulação mais radical dos recursos naturais, a partir da diminuição do crescimento econômico e uma visão mais sistêmica da atividade humana sobre a Terra. Nessa posição, a natureza é um sistema auto organizado que muda, responde, e evolui no tempo. Essa proposta reconhece o ser humano como parte de um sistema global e sofre influência de um balanço rigoroso entre padrões biológicos e necessidades (Mebratu, 1998; Tilley, 2000). A Terra é como um organismo e não uma máquina. Disso
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acarreta que a humanidade não é mais, e nem menos, importante que todas as outras espécies existentes no planeta.
Numa posição mais centralizadora, não se pode considerar que os limites impostos pelos recursos naturais poderão ser sempre contornados pela substituição entre recursos exauríveis por recursos reprodutíveis ou pelo aumento da eficiência técnica no uso dos recursos, como na economia convencional (Amazonas, 2002). Em contrapartida também não se pode preservar o capital natural apenas pelo seu valor estético, ou ainda que “não há fatores materiais fora dos recursos naturais”, como afirma Georgescu Roegen (1989, apud Amazonas, 2002). Tais premissas negariam o desenvolvimento das relações materiais saudáveis e complementares entre capital natural e capital artificial para a própria existência humana. Assim, o que se busca é a ampliar a capacidade do planeta por meio da utilização do potencial encontrado nos diversos ecossistemas considerando um nível mínimo de deterioração dos mesmos e ainda um equilíbrio entre os sistemas dinâmicos econômicos, sociais e ambientais (Van Bellen, 2005).
Ante o exposto, três aspectos permeiam como intersecção as posições ecocêntrica e tecnocêntrica (Dangelico & Pujari, 2010; Arida, 2010):
1) 5 $#
K $# Lee (2009) afirma
que a correlação positiva entre desempenho econômico e desempenho ambiental só é possível a partir do entrelaçamento de inovação tecnológica, reestruturação organizacional e de recursos humanos, demanda do consumidor e legislação ambiental. Veiga (2010) aponta, além disso, que é necessária a preservação do potencial da natureza. Nesse caminho, Shrivastava (1995) propõe, por exemplo, um gerenciamento ambiental de qualidade total em que há: a) redução do uso de energia e de materiais virgens por meio de redesenho de produtos; b) aumentar o uso de materiais renováveis; c) substituir fontes de energia; d) desenvolver políticas de consumo sensíveis à ecologia. Nesse sentido o consumo pessoal passa a ser repensado
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como parte de cultura, da identidade de coesão, da produção e da reprodução de valores sociais.
2) > $#
. Face à impossibilidade de integração total desses custos, um dos caminhos é a ampliação da funcionalidade e da flexibilidade de produtos e serviços com a integração do custo de uso não somente em face da depleção de recursos não renováveis, mas também a capacidade de assimilação pelo ambiente, tal como a possibilidade de um rio transportar resíduos ou da atmosfera absorver CO2 (Veiga, 2010). Tal mudança na base da taxação induz maior eficiência no uso de recursos naturais e internaliza as externalidades de depleção e poluição.
3) 2 K . Shrivastava (1995) argumenta que
a transferência de tecnologia entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento poderia minimizar a degradação ambiental destes últimos. Para o autor, a falta de tecnologia aliada à falta de infraestrutura dos países em desenvolvimento limita uma integração ecologicamente sustentável aos processos de produção.
Em termos empresariais, Shrivastava (1995) propõe que em decorrência dessa posição sustentável, podem ocorrer as seguintes vantagens:
1. Diminuição de custos pela exploração das eficiências ecológicas da produção (redução de perdas, conservação de energia, reutilização de materiais, entre outros).
2. Criação de vantagem competitiva em função do aumento do mercado verde.
3. Criação de uma melhor imagem e ainda de melhores
relações com os .
4. Benefício ao ecossistema e ao ambiente das comunidades onde as empresas operam
Exemplo dessas vantagens é destacado por Lee (2009). O autor cita o caso de uma empresa sul coreana de fabricação de circuitos eletrônicos,
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com 250 empregados, que obteve a partir de um investimento de € 96.411 em mudanças no processo de produção com novos equipamentos, em melhoria no tratamento ambiental e em novos procedimentos de instalação de equipamentos, um aumento de vendas de € 2,24 milhões e uma redução de custos de € 264,8 mil (24% da água utilizada são recicladas; a demanda por água na produção diminuiu 21%; o consumo de material para a produção diminuiu em torno de 13%).
No tocante à mensuração dessa sustentabilidade ambiental foram contemplados na pesquisa os indicadores apresentados pelo F5>19. Divididos em quatro aspectos, esses indicadores servem apenas como parâmetros dado que para uma gestão ambiental abrangente são necessários planos, políticas ambientais claros na empresa.
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"& " ! • Materiais usados por peso ou volume e os que são
provenientes de reciclagem.
% " • Consumo de energia direta e indireta por fonte primária;
energia economizada em função de melhorias e de eficiência; iniciativas para fornecer produtos e serviços com baixo consumo de energia, ou que usem energia por recursos renováveis; iniciativas para reduzir o consumo de energia indireta
" • Total de água retirada por fonte; fontes hídricas afetadas
significativamente; percentual de água reciclada e reutilizada.
$ ! " • Localização e tamanho da área possuída, arrendada ou
administrada dentro de áreas protegidas; descrição de impactos significativos na biodiversidade de atividades, produtos e serviços em áreas protegidas; habitats protegidos ou restaurados; planos para a gestão de impactos na biodiversidade
Portanto, a sustentabilidade ambiental está atrelada ao efeito cumulativo da negligência humana deliberada frente à escassez ou finitude de
19
Disponível em http://www.globalreporting.org/NR/rdonlyres/4855C490 A872 4934 9E0B 8C2502622576/5281/IP_EN_Portuguese_BR.pdf Acesso em 28 de julho de 2011.
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recursos, o que resulta em sistemas falhos de retornos da natureza. Essa sustentabilidade pode ser medida pelo consumo de recursos naturais frente à capacidade de regeneração com essa quantidade coletada. Das duas tendências para essa reversibilidade de degradação ambiental pode se dizer que três aspectos são importantes: 1) redução do consumo de recursos, minimizando o uso de energia e insumos e aumentando a eficiência na produção; 2) Integração das externalidades ao valor dos produtos face ao escasseamento do capital natural e; 3) Transferência de tecnologia. Nesta esteira, cabe dizer que para este trabalho serão considerados os seguintes indicadores de sustentabilidade ambiental: volume físico do fluxo de matéria e energia empregado na produção e ainda o manejo do impacto ambiental da produção.