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1 INTRODUÇÃO

4.3 ASPECTOS AMBIENTAIS E SOCIAIS DO LITORAL PARANAENSE

Estandes (2003), ao tratar da riqueza natural e pobreza social do litoral do Paraná, aponta para o fato de que as literaturas em relação a ele descrevem que o litoral apresenta grandes variedades, sejam elas em relação ao ecossistema, às atividades econômicas ou à cultura das populações.

Ainda que abarcando tais características, o local se apresenta como uma das mais pobres regiões do estado, sendo esse fato agravado pela grande número de pessoas que o procuram em busca da melhora da qualidade de vida, aumentando o índice populacional sem a adequada oferta de trabalho e serviços.

Nesse sentido, tomar a ideia de um desenvolvimento sustentável, conforme exposto, apresenta-se como grande desafio. Para tanto, Estandes propõe o levantamento das condições socioeconômicas da região, de modo a gerar a compreensão da ocupação do solo e do uso dos recursos.

Os municípios do litoral formam a microrregião de Paranaguá, inserida na mesorregião metropolitana de Curitiba. Diante das características econômicas apresentadas pelos sete municípios do litoral, Estandes propõe a distinção dos grupos portuários (Paranaguá e Antonina), rurais (Morretes e Guaraqueçaba) e os praianos turísticos (Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná).

O autor aponta que tais municípios representam apenas 3% da superfície do estado do Paraná. Relembrando a questão histórica, descreve o fato de que até meados do século XVII essa área pertencia ao estado de São Paulo, tendo sido desmembrada, em 1648, em uma unidade administrativa sob o nome de Paranaguá.

Em relação à localização espacial da região, Estandes (2003) acrescenta o fato de que a proximidade e as possibilidades de acessibilidade, por meio de vias adequadas de transporte, apresentam-se como elementos dinamizadores ou inibidores das diversas atividades e uso do espaço.

Ao tomar as características dos municípios praianos, o autor aponta que eles guardam a quarta parte da superfície da região, totalizando 28% da população.

Porém, possuem o fenômeno turístico como fator de influência no número populacional, em especial no verão, nas festas de final de ano e carnaval. Assim, durante a temporada, a população estimada é de 1,5 milhão de pessoas, o que gera consequências ambientais e sociais.

Nos últimos trinta anos, a população do litoral foi duplicada. A região de Pontal do Paraná contava com 5.577 habitantes em 1991, sendo multiplicada em duas vezes e meia até o ano 2000, passando a 14.323 habitantes.

O crescimento populacional em cidades praianas vem sendo interpretado como resultado da procura por uma melhor qualidade de vida. No Paraná, o esvaziamento rural e de pequenos centros urbanos, que oferecem menores oportunidades, vem resultando em destinos como o litoral. O fluxo de pessoas pobres em idade produtiva saídas do interior do estado em busca de trabalho (relativos ao turismo) e moradia é um relevante fator desse fenômeno.

No que concerne às origens econômicas, o autor sublinha que no século XVIII desenvolveu-se a produção de arroz por meio da mão de obra escrava, tendo entrado em crise com a abolição da escravatura no final do século XIX. A partir da demanda externa da banana, um ciclo próspero acabou por gerar fluxos migratórios e processos de colonização que duplicaram a população entre 1890 e 1910. Tal expansão levou à intensificação do solo, gerando perda da fertilidade, produtividade e renda, somada à concorrência paulista, gerando uma crise na década de 1930.

Com isso, a produção de mandioca e farinha e a extração e comercialização do palmito apresentaram-se como alternativas. Porém, a crise estabelecida não pôde ser ao todo superada, gerando um fluxo migratório à cidade de Paranaguá, com seu porto em expansão.

Devido às políticas de incentivo às atividades agroflorestais, teve início a constituição de latifúndios de exploração de madeira e palmito, bem como para o cultivo do café e para a criação do gado, tendo sido melhorado o acesso à região por meio de estradas e rodovias. Até os anos 1980, esse fenômeno gerou a expulsão de agricultores e o desmatamento de áreas florestais. Em razão disso, nos anos 1980, o governo implantou uma política de proteção por meio da criação de unidades de conservação.

No que se refere às características parnanguaras, o autor aponta o fato de o porto localizado nesse município ser o maior do sul brasileiro e o primeiro da América do Sul em exportação de grãos, sendo que a cidade portuária concentra a maioria da população e atividades econômicas, tendo destaque a indústria de derivados de soja, além de um porto que mantém alto grau de exportação (70%) em relação à importação, estando fortemente ligado à economia do estado.

Apesar disso, destaca que o porto oferece cada vez menos empregos e a influência econômica imediata é cada vez menor. Tal fato é verificado mundialmente a partir das inovações tecnológicas e das especializações das atividades, assim como os novos métodos de transporte de mercadorias, que requerem cada vez menos mão de obra. Além disto, as mudanças no sistema de transporte e a introdução da informática fazem com que atividades realizadas na área portuária passem a ser realizadas em outros locais.

Há, assim, o chamado “divórcio” entre a cidade portuária e o porto. Em Paranaguá, isso resulta em consequências na qualidade de vida da população, por meio do desemprego, pobreza, informalidade, doenças por ausência de alimentos ou condições de higiene, prostituição, delinquência e ocupação de espaços públicos ou preservados, conforme apontaram Godoy, Gerhardt e Nazareno (2000 apud ESTANDES, 2003).

No caso dos municípios praianos, Estandes (2003) aponta que Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná não se diferenciaram das atividades agrárias da região. Nos anos 50 do século XX, mais intensamente nos anos 60 e 70, estabeleceu-se os balneários ao longo da orla, sendo a estrutura viária fundamental a tal acesso. Primeiramente foram ocupados os balneários do sul, ficando Pontal do Paraná ainda em situação de avanço para tal fim.

Em relação à questão econômica de tais municípios, os setores de maior movimento capital são o imobiliário e a construção civil, em geral em relação à especulação das classes média e alta. Com isso, a crítica a essa questão está relacionada à “desordem urbana” decorrente da especulação e ausência de capacidade financeira da administração pública capaz de constituir uma infraestrutura complementar.

Outro importante fator é o comércio, destinado ao abastecimento da indústria de construção e ao consumo turístico, sendo que este sofre grande influência da sazonalidade, o que nem sempre é suficiente para os gastos anuais, conspirando, assim, contra a estabilidade e melhoria dos investimentos, além de afetar o preço dos serviços. Por fim, o setor público apresenta-se como grande empregador e importante estabilizador da qualidade de vida da população permanente.

Analisando o peso do litoral em relação à economia estadual, o autor expõe que a participação medida pelo PIB (Produto Interno Bruto) é inexpressiva ou está em declínio.

No que se refere aos problemas ambientais da região, Estandes destaca os problemas socioeconômicos baseados nos erros ou ausências de políticas públicas, em detrimento ao crescimento demográfico ou dos movimentos migratórios.

Assim, conforme setores censitários, as taxas de crescimento encontram-se em sua maioria em setores menos valorizados ou próximos às ocupações informais, especialmente nas áreas opostas à praia. O maior número de imigrantes está localizado nas áreas de maior taxa de crescimento e menor renda. Em Pontal, as áreas de ocupação recente apresentam essa característica somada ao elevado número de chefes de família com baixa escolaridade, como é o caso das ocupações no entorno do lixão.

Com isso, segundo Estandes (2003), verifica-se que as atividades ligadas ao porto e ao turismo não resultam em benefícios para a população praiana, que acaba por viver da expectativa do que vem de fora. Ainda que diante de situações frustrantes, é persistente o fluxo da população imigrante. Os espaços ocupados por essa população são em geral juridicamente irregulares e localizados em áreas ambientalmente frágeis. São, assim, necessárias ações e políticas em direção à erradicação da pobreza.

Diante das considerações apresentadas, a Figura 8 ilustra o resultado obtido por meio da categoria argumentos e contra-argumentos.

FIGURA 8 – CATEGORIA ARGUMENTOS E CONTRA-ARGUMENTOS

FONTE: A autora (2016).

NOTA: Entrevistas com 7 atores envolvidos no processo de emancipação de Pontal do Paraná realizadas entre abril e junho de 2016. Organização de Ana Elisa Penha, Mayã Polo Campos e Edson

Armando Silva.

A categoria argumentos e contra-argumentos (Figura 8) foi pensada a partir dos discursos que baseiam as ações em direção ao processo de emancipação, bem como os argumentos contrários utilizados. Como se trata de uma disputa pelo território, a estrutura argumentativa utilizada apresenta-se como importante vetor do processo.

A criação do município possui forte ligação com a questão das dificuldades e está também fortemente ligada à prefeitura e câmara. Assim, observa-se a importância da estrutura composta pela prefeitura, como forma de acesso às políticas públicas, além da necessidade de criação do sistema legislativo no local.

Em razão de tais fatos, uma categoria discursiva desse mesmo grafo está

relacionada com atendimento, estrutura, saúde, educação, segurança e lixo.

Relacionada à forma de acesso aos serviços, encontra-se a ligação imposto, arrecadação e investimento. A questão do desejo e da autonomia são também aspectos presente nessa categoria. A distância aparece como outro fator importante, que é refletido não só como espaço físico, mas em relação à proximidade, ou não, dos governantes.

A ausência de estrutura, dos serviços em educação, saúde, segurança e sanitários, bem como a distância da sede administrativa, apresenta-se como argumento gerador do processo. Tal fato vai ao encontro do que apontou o estudo acerca das razões que levavam às emancipações, em que o grande índice se referia aos 54,2% dos municípios que justificavam o descaso por parte da administração de origem, conforme apontou Bremaeker (1992). Ao mesmo tempo, é refletido o fato de que os pagamentos de impostos não se davam de maneira contundente. O mesmo autor remete as consequências das emancipações como possibilidade de aumento dos recursos para a comunidade, a fim de prover melhorias em serviços como a educação e a saúde:

Mas eles, né? Não davam muita atenção. Era problema de educação, segurança não tinha […] Então tivemos problemas sérios aí com política, com a segurança, né? Com a educação, com saúde, com estrutura. […]

Porque Paranaguá abandonou isso aqui. Tinha loteamento, tinha tudo, mas ninguém pagava imposto, não pagava nada. […] pra eles era mais confortável atende Paranaguá, que era o porto, que tinha 30, 40 mil habitantes na época, né? E aqui na praia tinha 4 mil pessoas, né? […]. Eles investiam em Paranaguá. (COLABORADOR 1, Pontal do Paraná, 09 de abril de 2016).

A falta de estrutura… Nada, nada nós não tínhamos postos de saúde, nós não tínhamos nada […] então tudo dependia de Paranaguá, não tinha nem ambulância. […] nós tínhamos uma subprefeitura aqui, mas pra você imaginar nós não tínhamos nem coleta de lixo. (COLABORADOR 3, Pontal do Paraná, 05 de maio de 2016).

Na verdade, pela distância, pela necessidade de independência, uma administração mais próxima da população […] era um fator que realmente pesava a favor de Pontal do Sul […]. Portanto, era legítima a vontade da população local de querer a emancipação acreditando que isso ia trazer um novo ciclo de desenvolvimento pra região, para as praias […]. É um processo natural, né? As comunidades vão se organizando, sentindo desejo de ter autonomia e buscam a sua emancipação. (COLABORADOR 4, Paranaguá, 15 de abril de 2016).

Paranaguá não dava a mínima atenção; as praias eram abandonadas, as ruas ruins, os acessos eram terríveis, não tinha posto de saúde, não tinha creche, escola era uma ou outra por lá e tal. (COLABORADOR 5, Guaratuba, 13 de maio de 2016).

Esses colégios aí, quando por Paranaguá, sabe? Aqui num tinha colégio nenhum, não tinha […]. Às vezes o daqui não liga nem da gente daqui, imagino cara lá de fora. Porque aí você tem o direito, você tá toda hora de cara a cara com cidadão. Agora, se eu vou lá em Paranaguá falar com prefeito, tinha dia que você ia lá e não falava, né? Não falava. Amanhã você ia? Não ia. Então isso demora, a democracia muito difícil. Agora, aqui não.

Você vai na prefeitura hoje, encontra ele na rua. (COLABORADOR 7, Pontal do Paraná, 17 de junho de 2016).

A ausência de representatividade no lugar apresenta-se como um dos fatores ligado ao processo. Magalhães (2009) aponta também a ausência de representatividade da população local e, assim, a busca pela aproximação de seus representantes como dispositivo intensamente ligado aos processos emancipatórios.

Os atores colaboradores da pesquisa se referem ao fato de que a região não conseguia eleger vereadores e que devido a isso, a necessidade de representatividade tornava-se maior:

Foi tentado por duas vezes a gente tentar eleger um vereador aqui, mas nunca conseguimos. (COLABORADOR 3, Pontal do Paraná, 05 de maio de 2016).

Ao mesmo tempo, é apontada a influência da chegada das empresas na região como um fator estimulante para o processo:

Com certeza, a vinda das empresas também motivou a gente entrar nesse trabalho, esse trabalho de emancipação. (COLABORADOR 1, Pontal do Paraná, 09 de abril de 2016).

Os atores apontam como a criação do município gerou possibilidades de acesso aos serviços públicos. As afirmativas fazem menção ao que propôs Tomio (2002), sobre os interesses das lideranças locais no processo, que em geral referiam-se à ampliação no atendimento:

Hoje a gente tem um município, uma receita boa aí, né? Tem escola, tem tudo. Nós não tinha escola, não tinha nada. A gente não tinha posto de saúde. Complicado. (COLABORADOR 1, Pontal do Paraná, 09 de abril de 2016).

Você for pensar, 20 anos é muito pouco numa história de um município.

Mas acho que a gente já construiu bastante coisa, de infraestrutura, principalmente. Hoje a nossa estrutura na educação, na saúde, já tem sistema viário também, já melhorou bastante. (COLABORADOR 3, Pontal do Paraná, 05 de maio de 2016).

Essa expansão mesmo só se deu depois que nós se emancipamos, depois que nós fizemos donos de nós mesmos. Eu posso me voltar na linha do tempo e pensar, assim, se hoje nós tivéssemos que depender de Paranaguá o quanto seria ruim pra nós. (COLABORADORA 6, Pontal do Paraná, 06 de maio de 2016).

As coisas da prefeitura que o município tinha, aqui não tinha documento. A emancipação foi um troço que serviu para melhorar a luz, a água, sabe? As ruas que você não tinha hospital, escola, hoje nós temos bastante colégio.

(COLABORADOR 7, Pontal do Paraná, 17 de junho de 2016).

É apontado o fato de que haviam moradores locais que argumentavam que a emancipação serviria como impulso para alguns futuros políticos:

Ele (ator local) sempre dizia para nós: “Vocês ainda vão se arrepender emancipar isso aqui, vocês vão ver no que vai virar isso. Que isso aqui ia virar uma meia dúzia de gente pra cuidar e ia ficar meia dúzia de família aqui, e que as pessoas que iam administrar a cidade iam mais ganhar do que cuidar da cidade, ele sempre dizia isso. (COLABORADOR 2, Pontal do Paraná, 11 de abril de 2016).

O mesmo ator afirma que a limpeza dos canais era melhor administrada durante a administração parnanguara:

Que na realidade enquanto foram prefeitos em Paranaguá os canais nosso eram limpos. Hoje não é limpos os canais nosso... É uma maravilha para você ir pescar, era uma maravilha. Hoje já não é mais; é um matagal.

(COLABORADOR 2, Pontal do Paraná, 11 de abril de 2016).

Os contra-argumentos, apresentados por Paranaguá, estariam baseados em aspectos simbólicos, ou seja, ao fato de não perder parte de seu território:

A questão de Paranaguá era uma questão mais simbólica, não perder uma parte de seu território, embora a gente tivesse investido lá, fizemos escola, postos de saúde, dado o atendimento que era necessário e possível pela prefeitura, coleta de lixo, tudo isso […]. Mas eu insisto em dizer o seguinte, que na verdade, pra nós, era uma questão mais de orgulho, de não perder parte de seu território, do que uma questão administrativa. [...] E tem essa questão desse envolvimento emocional, de você ter um município que tem praias. (COLABORADOR 4, Paranaguá, 15 de abril de 2016).

Os contra-argumentos do grupo acerca de Paranaguá se referem ao fato de que os serviços eram oferecidos, bem como da dificuldade de manutenção do novo município:

[…] Mas ao mesmo tempo a gente sabia que as dificuldades econômicas, a sustentação financeira do município era uma questão muito difícil, como

ficou provado. Aliás, até hoje Pontal se bate com a dificuldade financeira do município, continua dependendo […]. Na verdade, Paranaguá gastava com as praias muito mais do que arrecadava, essa que é a verdade.

(COLABORADOR 4, Paranaguá, 15 de abril de 2016).

O mesmo ator discute o custo acarretado pela criação de um novo município e de que sendo administrado pelo município de origem, não haveria gastos com a máquina administrativa, o que passa a ocorrer a partir dessa nova criação.

Magalhães (apud CITADINI, 2009) apontou como a partir da Constituição os municípios passaram a depender das esferas estaduais e federais, sendo os problemas nestas o fator de desequilíbrio no orçamento municipal. O mesmo ocorre em relação às dificuldades na cobrança de impostos devidos, como o IPTU e o ISSQN:

Mas do ponto de vista administrativo, a gente viu que houve muita pouca mudança, que cada município desse criado sem uma arrecadação própria e uma estrutura de poder que tem que ser mantida uma câmara, prefeitura.

São cargos, são empregos e efetivamente o dinheiro que era investido lá […] quando Pontal fazia parte do município de Paranaguá, era um dinheiro que entrava só investimento lá, sem esse custo da máquina administrativa que hoje. […] Pontal praticamente só representava custo, porque o que se arrecadava lá, porque primeiro é uma sonegação enorme na questão do IPTU, do descontrole, culpa da prefeitura também daqui, mas era assim.

Você não tinha uma fiscalização, um olhar mais constante, um acompanhamento do que estava acontecendo lá. Mas, basicamente, o que a gente investia lá era mais do que arrecadava, com certeza.

(COLABORADOR 4, Paranaguá, 15 de abril de 2016).

O ator complementa sobre os ajustes e investimentos necessários para que houvesse a manutenção da estrutura inicial, através da possível construção de uma estrada, bem como da eficaz oferta dos serviços. Conforme discutido, Magalhães (2009) aponta a necessidade de melhoria nos atendimentos a fim de diminuir as emancipações:

A gente tinha uma pretensão de fazer uma estrada mais próxima aqui de Paranaguá, que unisse o centro mais ou menos na altura de Ipanema.

Trazer uma avenida, uma pista que viesse até Paranaguá para aproximar mais esses dois agrupamentos humanos […]. Recuperar isso construindo várias escolas, que eram pleito do pessoal de lá, postos de saúde […] a coleta de lixo, inclusive visando evitar esse desgaste, esse inconformismo da população com a falta de atendimento da prefeitura […]. Se fizesse uma consulta em Paranaguá, a grande maioria não gostaria que se perdesse as praias, mas é nesse contexto que muita coisa teria que ser feita realmente.

(COLABORADOR 4, Paranaguá, 15 de abril de 2016).

Utilizando a mesma proposição, ou seja, de que as arrecadações se voltavam a Paranaguá e não a Pontal do Paraná, o Ator 5 faz uso do mesmo argumento. Nesse sentido, interessa retomarmos o apontamento de Magalhães (2009) sobre a consideração de que o direcionamento às pequenas e pouco exploradas regiões é capaz de gerar o desenvolvimento das potencialidades locais e evitar o êxodo às cidades maiores, sendo que estas deixam de ter gastos decorrentes do processo emigratório:

Paranaguá mais se aproveitava do IPTU que recebia daquela região do que o que ele dava em troca, isso para as praias […]. Foi a redenção naquela região porque Paranaguá não tinha o mínimo interesse. Hoje Paranaguá está livre daquilo, maquinário que ia pra lá hoje fica todo em Paranaguá […], arrecadavam IPTU que não sabiam pra onde era investido. […] Hoje Paranaguá cuida de Paranaguá, Pontal do Paraná cuida de Pontal do Paraná e pronto acabou. (COLABORADOR 5, Guaratuba, 13 de maio de 2016).

Entretanto, o mesmo ator aponta a possibilidade de junção dos municípios, como o de Pontal do Paraná e Matinhos, em razão do gasto administrativo.

Magalhães (2009) apontou como a fusão com outros municípios pode vir a aprimorar a estrutura político-administrativa nos casos em que a autonomia se torna inviável:

Todos deveriam ser uma coisa só; isso enxugaria bastante, sabe? Porque a despesa é muito grande, a máquina administrativa é muito pesada, muito pesada, às vezes não compensa. (COLABORADOR 5, Guaratuba, 13 de maio de 2016).

Little (2015), em sua conceituação sobre território em seu sentido antropológico, reflete como o processo de emancipação é fenômeno diretamente relacionado ao conceito, já que este é o resultado das expressões e ações de grupos em contexto histórico específico. Essa afirmação faz mais sentido ainda a

Little (2015), em sua conceituação sobre território em seu sentido antropológico, reflete como o processo de emancipação é fenômeno diretamente relacionado ao conceito, já que este é o resultado das expressões e ações de grupos em contexto histórico específico. Essa afirmação faz mais sentido ainda a