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INTEGRAL

RESUMO

No presente estudo objetivou-se avaliar os aspectos comportamentais de tourinhos

Nelore x Limousin em confinamento, submetidos a quatro níveis do subproduto

gérmen de milho integral (GMI) na dieta (0, 15, 30, 45%), em oito períodos do dia em

esquema fatorial 4 x 8 com seis repetições, e em delineamento inteiramente

casualizado. Vinte e quatro tourinhos foram observados durante 24 horas para

avaliação dos tempos despendidos em: alimentação, ruminação, ócio, dormindo e

outras atividades, além da freqüência com que os animais procuraram ingerir água,

urinaram e defecaram. O fornecimento de alimento foi realizado duas vezes por dia

às 9 e 16 e 30 horas. A adição de GMI às dietas não influenciou os tempos

despendidos em alimentação, dormindo e outras atividades, nem as freqüências de

procura por água, micção e defecação(P>0,05). Contudo, os animais alimentaram-se

mais nos períodos em que foram arraçoados (p<0,05), apresentando tempo médio

diário de 134,73 minutos gasto com alimentação. Os animais tenderam a dormir

mais durante à noite, com 31,16% do tempo dormindo concentrado nos horários das

2 a 5 horas. O tempo despendido em outras atividades foi maior no horário de 17 às

20 horas (p<0,05). Os níveis de GMI influenciaram o tempo de ruminação dos

animais de forma quadrática, com maior tempo de ruminação observado para o nível

de 30% (28,30% do tempo diário). O tempo de ócio também apresentou

comportamento quadrático e o menor tempo de ruminação foi obtido no nível de

30% de GMI (42,24% do tempo diário). Os animais submetidos aos diferentes níveis

de GMI, apresentaram comportamentos distintos de ruminação e ócio para os

diferentes períodos do dia. A freqüência de ingestão de água, micção e defecação,

foram diferentes para os diferentes períodos de dia (p<0,05), sendo observado que

os animais ingeriram mais água nos horários mais quentes do dia.

BEHAVIOR ASPECTS OF FEEDLOT BULLS FED WITH DIETS CONTAINING

INTEGRAL GERM CORN

ABSTRACT

The study aimed to evaluated the behavior aspects of feedlot Nelore X Limousin

young bulls, submitted at four levels of the by-product integral germ corn (IGC) in the

diet (0, 15, 30, 45%), in eight periods of the day in factorial arrangement 4 x 8, with

six repetitions, and in completely randomized design. Twenty-four bulls were

observed for 24 hours for evaluation of the times spent in: feeding, rumination, idle,

sleeping and other activities, besides the frequency with that the animals tried to

ingest water, they urinated and they defecated. The food supply was accomplished

twice a day at 9 16 and 30 hours. The addition of IGC to the diets didn't influence the

times spent in feeding, sleeping and in other activities, nor them search frequency for

water, urination and defecation for the animals (p>0,05). However, the animals feed

more in the periods in that you/they were feed (p <0,05), presenting time medium

diary of 134,73 minutes expense with feeding. The animals tended to sleep more

during at night, with 31,16% of the time sleeping concentrated in the periods of the 2

at 5 hours. The time spent in other activities was larger in the hours of 17 at the 20 (p

<0,05).The rumination was influenced by the diets and periods of the day (p <0,05).

The IGC levels influenced the rumination time of the animals in a quadratic way, with

larger time of rumination observed for the level of 30% of inclusion of IGC (28,30% of

the daily time). The time of idle also presented quadratic behavior and the smallest

time of rumination was obtained in the level of 30% of IGC (42,24% of the daily time).

The animals submitted at the different levels of IGC, they presented behaviors

different from rumination and idle for the different periods of the day. The frequency

of water ingestion, urination and defecation, they were different for the different

periods in the daytime (p <0,05), being observed that the animals ingested more

water in the hottest hours of the day.

4.1 INTRODUÇÃO

A busca por produção eficiente tem incentivado a introdução de técnicas mais

produtivas aos sistemas convencionais. A terminação de bovinos de corte em regime

de confinamento tem sido praticada com mais freqüência elevando a produtividade

e, principalmente com o objetivo de manter a produção mais constante. Contudo, na

terminação de bovinos em confinamento a alimentação é muito onerosa e

corresponde até a 85% do custo total, sendo que o concentrado é o principal

limitante (LEME et al.,1999).

O uso de alimentos alternativos como os subprodutos é uma alternativa,

atualmente muito buscada, na tentativa de reduzir custos com alimentação em

sistemas de produção que utilizam alimentos concentrados. Os subprodutos, de

forma geral, são resíduos da produção agroindustrial de alimentos para humanos

que apresentam algum potencial alimentar para animais, e são importantes

substitutos de alimentos convencionais como milho e soja.

Do processamento do milho para alimentação humana são originados vários

subprodutos com relevância na alimentação de ruminantes. O subproduto gérmen

de milho integral é originado do processamento por via seca do grão de milho, onde

não ocorre a extração do óleo da porção de gérmen. Desta forma, este subproduto

tem demonstrado excelente potencial nutricional como alimento energético, por

possuir elevados teores de extrato etéreo.

Novas técnicas de alimentação modificam o comportamento, não só

alimentar, como também o físico e metabólico do animal (ARMENTANO e PEREIRA,

1997). Com isso, Carvalho et al. (2004) consideram o que conhecimento do

comportamento ingestivo de animais que recebem subprodutos como parte da dieta

contribuirá na elaboração de rações, além de elucidar problemas relacionados com a

diminuição do consumo.

Segundo Polli et al., (1995) a Etologia como ciência, permite fornecer critérios

para o desenvolvimento e avaliação de técnicas criatórias capazes de propiciar o

bem estar aos animais, e consequentemente, melhorar substancialmente a eficiência

produtiva do rebanho.

Assim, o comportamento alimentar tem sido estudado com relação às

características dos alimentos, e a parâmetros seletivos como tempo de alimentação

ou ruminação, número de alimentações, períodos de ruminação e eficiência de

alimentação e ruminação (DULPHY et al., 1980). Para Van Soest (1994), os

períodos de alimentação de animais confinados, podem variar em função da dieta,

de uma a duas horas, para alimentos ricos em energia, até seis ou mais horas com

dietas de baixo teor de energia. Enquanto que o tempo de ruminação é influenciado

pela natureza da dieta, e parece ser proporcional ao teor de parede celular dos

alimentos volumosos.

As atividades diárias são caracterizadas por três comportamentos básicos:

alimentação, ruminação e ócio, e, sua duração e distribuição podem ser

influenciadas pelas características da dieta, manejo, condições climáticas e atividade

dos animais do grupo (FISHER et al., 1997). A taxa de ingestão de alimento é

definida por mecanismos orais e outras habilidades do animal, propriedades físicas e

mecânicas do alimento, disponibilidade de água, a qualidade nutritiva do alimento e

o efeito de distúrbios, tais como: medo de predadores, ataque de insetos e

competição com outros membros da espécie (FRASER & BROOM, 2002).

Desta forma, Mendonça et al. (2004) consideram o estudo do comportamento

ingestivo importante por possibilitar o ajuste do manejo alimentar para obtenção do

melhor desempenho produtivo.

O presente trabalho foi desenvolvido objetivando avaliar a influência da

inclusão do alimento gérmen de milho integral sobre o comportamento ingestivo

(alimentação, ruminação, ócio, dormindo e outras atividades), bem como caracterizar

a freqüência dos atos de procura por água, micção e defecação de bovinos machos

não-castrados terminados em regime de confinamento.

4.2 MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia

da Universidade Federal do Tocantins, Campus de Araguaína nas coordenadas

geográficas 07°11’28” de latitude sul e 48°12’26” de longitude oeste.

Foram testados quatro níveis de GMI (0, 15, 30, 45%) em oito períodos do dia

em esquema fatorial 4 x 8, com seis repetições e em delineamento inteiramente

casualizado. Utilizaram-se vinte e quatro tourinhos Nelore X Limousin com 20 meses

de idade e peso médio inicial de 321,25 kg. Os animais eram oriundos de regime de

criação a pasto até o início do experimento, quando foram identificados e tratados

com moxidectin a 1% para controle de endo e ectoparasitos e alojados em baias

individuais parcialmente cobertas (cobertura sobre os cochos), cercadas por arame

liso e com área de 12m

2

em piso de chão batido. As baias eram dotadas de cochos

individuais e bebedouros para cada dois animais.

As dietas foram formuladas segundo o NRC (1996) e corresponderam a 25%

de volumoso e 75% de concentrado. A proporção dos ingredientes nas dietas

experimentais e composição bromatológica são apresentadas na Tabela 12.

Tabela 12 – Proporção dos ingredientes nas dietas experimentais (% MS), em

função dos níveis de inclusão de GMI, e teores de MS, PB, FDN, FDA, HEM, CNF,

NDT, lignina, celulose, EE e cinzas das dietas experimentais, expressos em

porcentagem (%) da MS, NIDN e NIDA expressos em % do N total.

Dietas

Ingredientes 0% 15% 30% 45%

Silagem de sorgo 25.00 25.00 25.00 25.00

Farelo de soja 11.27 10.87 11.90 12.50

Milho grão moído 62.00 47.43 31.51 15.90

Gérmen de milho integral - 15.00 30.00 45.00

Suplemento mineral

1

0.92 0.90 0.91 0.92

Uréia 0.12 0.12 - -

Calcário 0.69 0.68 0.68 0.68

Composição bromatológica

MS 74,34 73,84 73,00 73,58

PB 11.53 11.20 11.33 12.29

FDN 25.05 28.09 29.70 29.79

FDA 10.87 11.88 11.54 12.80

HEM 14,18 16,21 18,16 16,99

CNF 55.34 51.11 52.09 46.62

NDT

2

78,70 80,20 81,70 83,50

Lignina 1,54 1,63 1,64 1,66

Celulose 9,30 9,79 9,92 10,92

NIDN 18,03 24,21 21,28 21,83

NIDA 9,83 10,08 10,80 11,59

EE 3.58 4.59 4.90 6.50

Cinzas 4.57 5.43 4.00 5.08

1 FosQuima Super, quantidades para 1000: Na – 150 g; Ca – 118 g ; P – 90 g; Mg – 7 g; S – 12 g; N – 10 g; Zn – 3.600 mg; Cu - 1.730 mg; Co – 200 mg; Mn – 1.000 mg; I – 150 mg; Se – 20 mg.

2 NDT estimado segundo as proporções de cada alimento nas dietas e respectivos conteúdos de NDT.

No balanceamento das dietas foram utilizadas como alimentos para a

composição dos concentrados, o gérmen de milho integral (GMI), o farelo de soja, a

uréia, o milho e suplemento mineral, e como volumoso utilizou-se silagem de sorgo

(Tabela 13). A dieta sem inclusão de GMI (0%) foi chamada de dieta padrão.

O GMI utilizado no ensaio foi obtido através do processamento do milho por

via seca, para obtenção de produtos utilizados como matéria-prima (grits,

canjiquinha e fubá) para fabricação de produtos para alimentação humana como

salgadinhos de milho e coloral, na COALTO – Indústria e Comércio de Alimentos do

Tocantins, localizada em Araguaína, TO. A porção gérmen do grão de milho não

recebe processamento para retirada do óleo e por isso possui altos teores de extrato

etéreo.

Tabela 13– Teores médios de matéria seca (MS) em %, proteína bruta (PB), fibra em

detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), hemicelulose (HEM),

carboidratos não fibrosos (CNF), nutrientes digestíveis totais (NDT), celulose, lignina,

extrato etéreo (EE) e cinzas, expressos em % da MS e nitrogênio insolúvel em

detergente neutro (NIDN), nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA),

expressos em % do N total.

Alimentos

Milho Farelo de soja GMI Silagem Sorgo

MS (%) 83.45 83.41 83.20 31.73

PB (%) 8.05 42.19 12.86 6.42

FDN (%) 11.34 20.57 21.20 47.16

FDA (%) 2.24 10.15 4.64 29.95

HEM (%) 9.10 10.42 16.55 17.21

CNF (%) 72.51 30.19 46.70 38.06

NDT (%) 88,70

1

81,4

1

98,77

2

57,75

2

Celulose (%) 2.17 9.97 4.57 23,26

Lignina (%) 0.17 0.17 0.34 4,85

NIDN (% N total) 15,20

3

4,70

3

21,2 32,34

NIDA (% N total) 6,95

3

3,20

3

5,11 13,03

EE (%) 6.61 1.52 15.63 1.67

Cinzas (%) 1.48 5.53 3.63 6.93

1Fonte: NRC (2001); 2NDT calculado segundo NRC (2001); 3Fonte: Costa et al.(2005).

O ensaio de desempenho teve duração de 83 dias, sendo 13 dias utilizados

para a adaptação dos animais às dietas e ao ambiente experimental, e 70 dias para

realização do ensaio. O desenvolvimento da observação comportamental dos

animais foi realizada no último dia do período experimental, durante vinte e quatro

horas consecutivas, no mês de setembro.

As dietas foram fornecidas em duas refeições diárias às 9:00 h e 16:30 h,

sendo que cada refeição correspondeu inicialmente a 50% do fornecimento diário,

com ajustes realizados para permitir sobras entre 5 e 10% do total diário. As sobras

de alimento do dia anterior foram coletadas e pesadas diariamente antes do primeiro

fornecimento alimentar e, semanalmente foram amostradas representativamente,

agrupando-se as amostras para cada período de três semanas.

Nas amostras de alimento fornecido e sobras foram determinados os teores

de matéria seca (MS), proteína bruta (PB) e extrato etéreo (EE), segundo descrito

por Silva & Queiroz (2002), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente

ácido (FDA) e hemicelulose conforme metodologia proposta por Van Soest et al.

(1991), e, carboidratos totais (CT) e carboidratos não-fribrosos (CNF) foram

calculados segundo Sniffen et al. (1992), onde CT = 100 - (%PB + %EE + % CZ) e

CNF = CT – FDN.

Para a silagem de sorgo, ingredientes utilizados e concentrados foram

determinados ainda os teores de lignina, nitrogênio insolúvel em detergente neutro

(NIDN) e nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA), segundo Van Soest et al.

(1991), e o NDT determinado pela equação do NRC (2001), com realização da

estimativa do NDT das dietas.

Os dados de consumo de MS, PB, FDN, FDA, HEM, CNF e EE e parâmetros

de desempenho são apresentados na Tabela 14.

A partir dos dados meteorológicos coletados, foi calculado o índice de

temperatura e umidade (ITU), segundo Buffington et al. (1982):

ITU = 0,8Ta + UR*(Ta – 14,3)/ 100 + 46,3

em que,

Ta – temperatura do bulbo seco, ºC;

UR – umidade relativa do ar, %.

Os dados das variáveis climáticas obtidas no dia do ensaio podem ser

observados na Tabela 15.

Tabela 14 – Valores estimados de consumos e parâmetros de desempenho, com

respectivas equações de regressão, coeficientes de determinação e variação.

Níveis de gérmen de milho

integral %

Item 0 15 30 45 Regressão CV%

Consumos em kg/dia

MS 9,56 9,55 10,06 10,52 =9,92 - 11,16

PB 1,13 1,09 1,15 1,29 =1,084 + 0,004* X

ni

0,17 12,55

FDN 2,32 2,46 2,83 3,18 = 2,252 + 0,020* X

ni

0,56 11,42

FDA 0,93 1,01 1,16 1,31

( )2,4

= 0,909 + 0,009* X

ni

0,53 12,78

HEM 1,39 1,44 1,67 1,87 =1,343 + 0,011* X

ni

0,55 11,00

CNF 5,38 5,13 5,03 4,87 = 5,10 - 11,09

EE 0,37 0,46 0,60 0,74 = 0,35 + 0,008* X

ni

0,88 10,05

Parâmetros de desempenho

GPD kg 1,89 1,79 2,19 2,28 = 1,801 + 0,010 X

ni

0,25 15,54

GPT kg 137,50 140,33 154,67 164,50 = 134,95 + 0,636X

ni

0,26 12,69

CA 4,33 4,35 4,64 4,65 = 4,49 - 14,50

ni – nível de inclusão de GMI;

Tabela 15– Variáveis climáticas obtidas durante no dia do ensaio de comportamento.

Horários

Variáveis climáticas 9 H 15 H 21 H médias

TBS (ºC) 29,4 35,4 28,8 31

TBU (ºC) 22,8 24,2 22,4 23

UR % 55 37 55 49

ITU 78,13 82,42 77,31 79

Temperatura máxima

35,8ºC

Temperatura mínima

19,1ºC

Insolação direta

10,1 horas / 24h

O período de observação comportamental iniciou-se às 8:00 horas e as

avaliações foram feitas para dois grupos de atividades: alimentação, ruminação,

ócio, dormindo e outras atividades, as quais foram medidas durante 24 horas do dia,

tomadas de forma intermitente a cada 5 minutos. O outro tipo de mensuração,

chamado de conjunto de atividades pontuais (urinando, defecando e procura por

água) as quais foram tomadas sempre que ocorressem.

Os animais foram considerados em outras atividades quando se

movimentavam pela baia (caminhando), quando observavam, brincavam ou

executavam alguma atividade, excetuando alimentando-se ou ruminando. A

atividade dormindo foi considerada quando os animais permaneciam imóveis e com

os olhos cerrados.

As observações foram realizadas de forma visual e individualmente para cada

animal, com dois observadores designados para o grupo de seis baias, revezando

entre si em turnos de três horas (oito revezamentos). Os dados relativos à

alimentação, ruminação, ócio, dormindo e outras atividades, foram analisados como

o percentual estimado do tempo de cada intervalo de três horas. Já as atividades

chamadas de pontuais, foram tabuladas na forma de freqüência, ou seja, número de

vezes que cada animal efetuou dada atividade durante o período de três horas.

Os dados foram avaliados por análise de regressão protegidas por análise de

variância ao nível de 5% de significância, pelo programa estatístico SAS (SAS

Institute, 2001). O procedimento REG foi utilizado para avaliação das variáveis

alimentação, ruminação, dormindo e outras atividades, considerando como variáveis

independentes os níveis de inclusão de GMI e os períodos do dia, além da interação

níveis x períodos. Quando não foi observada interação entre as variáveis

independentes, o fator período foi analisado como variável classificatória, com

utilização do procedimento GLM e comparação de méias pelo teste de Tukey, ao

nível de 5% de significância. Para as variáveis ócio e ruminação foi observado efeito

da interação entre níveis x períodos, ambas originando equações de regressão

múltiplas. Contudo, a variável ócio foi analisada por meio do procedimento RSREG,

enquanto para a variável ruminação foi usado o procedimento REG do SAS.

As variáveis comportamentais “defecação”, “micção” e “procura por água”

foram avaliadas mediante processo de freqüência, em forma de dados de contagem.

Com isso, admitiu-se que estas variáveis seguiam uma distribuição de Poisson. A

parte sistemática do MLG, denotado por η, pode ser descrita como

ij j i

+γ +αγ

α

+

µ

=

η , em que µ é uma constante inerentes aos dados; α é o efeito do

i-ésimo tratamento (i=1,...4); γ é o efeito do j-ésimo período e αγ

ij

é o efeito da

interação entre os níveis i e j dos fatores. A significância dos efeitos de tratamento e

período foi testada utilizando a análise de deviance (McCULLAGH & NELDER,

1989). A estimativa dos efeitos e a análise de deviance foram realizadas por meio do

procedimento GENMOD do software SAS (SAS Institute, 2001). Na comparação das

freqüências médias obtidas de cada atividade entre períodos e entre os níveis

utilizou-se a comparação por contrates, e significância de 5% para a análise

variância.

4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não foi observado efeito da inclusão de GMI sobre o comportamento dos

animais para as variáveis alimentação, dormindo e outras atividades (p>0,05). As

médias de tempo diário estimado para as variáveis são apresentadas na Tabela 16.

Já era esperado que a inclusão de GMI às dietas não influenciasse o tempo

de alimentação para os diferentes níveis, haja visto que este fator também não

influenciou o consumo de MS como pode ser visto na Tabela 14. Um outro fator que

pode ter colaborado para semelhança de comportamento ingestivo dos animais

submetidos às diferentes inclusões de GMI é a semelhança física que as dietas

apresentavam, além da relação volumoso:concentrado ter sido a mesma.

Quanto à variável dormindo, de acordo com Albright (1987) e Coe et al.

(1990), citados por Damasceno et al. (1999), bovinos gastam bem menos tempo

dormindo que outras espécies como o homem, o cão e o eqüídeo, porém os

estímulos da ruminação podem permitir descanso fisiológico e a recuperação física

normalmente providenciados pelo sono profundo em outras espécies. Isto explica o

fato dos ruminantes realizarem períodos muito pequenos de sono durante o decorrer

do dia, conforme a observado na tabela 16 e, provavelmente só uma carga de

estresse elevada modificaria o comportamento desta variável.

Castro (2007) observou período de sono médio de 66,6 minutos por dia para

novilhas submetidas a dieta contendo GMI em substituição ao milho, tempo ainda

inferior ao observado neste trabalho. Contudo deve-se ressaltar que naquele

experimento, os animais foram alojados em grupos de 7, enquanto neste, os animais

estavam em baias individuais.

Animais alojados em grupo tendem a possuir menores períodos de descanso

(ócio, dormindo) por passarem mais tempo interagindo entre si, principalmente em

disputas por liderança, (MARQUES et al. 2005). Como as dietas eram fornecidas ao

mesmo tempo, os animais após alimentarem-se, tendiam a caminhar pela baia,

observar e entrar em contato físico (brincar) com o vizinho, visto que as baias eram

separadas apenas por arame. Desta forma todos os animais tendiam a exercer

outras atividades em tempos semelhantes.

Tabela 16 – Valores médios diários obtidos para as variáveis alimentação, dormindo

e outras atividades, expressos em %, minutos.

Alimentação Dormindo Outras atividades

% / dia

9,52 7,75 9,59

C.V.

87,10 115,49 119,15

Minutos/ dia

137,10 111,60 138,10

Os animais apresentaram comportamentos diferentes em função dos

períodos do dia para as variáveis: alimentação, dormindo e outras atividades. Na

tabela 17 podem ser observados os percentuais médios de tempo que cada

atividade ocupou dentro de cada períodos.

O maior tempo despendido em consumo de alimento foi observado durante o

período diurno (8 às 17 horas), correspondendo a 62,43% do tempo despendido em

alimentação dentro de 24 horas. A atividade de alimentação foi realizada

principalmente após o fornecimento do alimento, nos períodos das 8 às 11 horas e

das 14 às 17 horas, conforme pode ser visto na Tabela 17, quando os animais

sentiram-se mais estimulados a ingerir pelo alimento fresco.

No período das 8 às 11 horas os animais despenderam mais tempo em

ingestão de alimento que no período de 14 às 17 horas (p<0,05), certamente porque

o trato gastrointestinal dos animais encontrava-se mais vazio estimulando o

consumo de alimento, enquanto no período de 14 às 17 horas os animais já estavam

saciados. Outro fator que vem influenciar no comportamento ingestivo dos animais é

o fato dos alimentos serem oferecidos em horários pré-determinados. Normalmente

os animais tendem a concentrar a atividade de alimentação imediatamente após o

fornecimento dos alimentos (MARQUES et al., 2007; ORTÊNCIO FILHO, 2001).

Os períodos de 11 às 14 horas e de 17 às 20 horas foram inferiores em tempo

gasto com alimentação quando comparados aos períodos de 8 às 11 horas e 14 às

17 horas (p<0,05), no entanto, por serem períodos que se seguem imediatamente ao

fornecimento de alimento, foram superiores aos períodos noturnos (p<0,05) das 20

às 8 horas, correspondendo a 25,84% do tempo gasto com ingestão diária. De

acordo com Fisher et al. (2000) ruminantes em confinamento arraçoados duas vezes

ao dia apresentam duas refeições principais após o fornecimento da ração, de uma

a três horas, além de um número variável de refeições entre elas.

Nos períodos noturnos das 20 às 5 horas, e no início da manhã da 5 às 8

horas, a alimentação teve menores participações nas atividades dos animais, pois,

nestes períodos os animais têm preferência por ruminar, permanecer em ócio ou

dormir (Tabela 17).

O período das 20 às 23 (à noite) mostrou tempo de consumo semelhante

(p>0,05) ao período das 11 às 14 horas (pela manhã).

Mendes Neto et al. (2007) observaram que novilhas leiteiras alimentadas com

polpa cítrica em substituição ao capim-tifton 85, também alimentaram-se

essencialmente durante o dia, com 75,68% do tempo gasto com alimentação diária

nos horário das 6 às 18 horas. Comportamento semelhante foi relatado por Miranda

et al. (1999), onde o tempo gasto com consumo de alimento durante o dia

representou 84,96% do tempo total diário, fornecendo alimento apenas uma vez ao

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