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ASPECTOS CONSTITUCIONAIS

No documento FACULDADE BAIANA DE DIREITO (páginas 65-68)

14. ASPECTOS DA CONCESSÃO ADMINISTRATIVA

14.1. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS

A Administração Pública dos Municípios é, inquestionavelmente, a usuária indireta dos serviços, haja vista o intuito principal de garantir ao funcionamento regular da infraestrutura do Sistema de Manejo e Gestão de Resíduos Sólidos dos referidos Municípios.

A Constituição Federal merece atenção, especialmente em razão da divisão de competências entre os entes federados. O artigo 3078 da CF/88 define as competências dos Municípios, sendo que o serviços de manejo e Gestão de Resíduos Sólidos municipais diz respeito à assunto de interesse local.

78 Art. 30. Compete aos Municípios:

I - legislar sobre assuntos de interesse local;

II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;

III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;

IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;

V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação pré-escolar e de ensino fundamental;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental;

VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população;

VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.

BRASIL. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 5 out. 1988. Disponível em:

<httphttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 09/12/2018.

66 Outrossim, o artigo 37, caput79 e XXI da CF/88, ainda, delineia os princípios a serem obedecidos pela Administração Pública e a necessidade de realização de procedimento licitatório para as contratações públicas.

Nesse contexto, a Constituição Federal preceitua que incumbe à Administração Pública, na forma da lei, a prestação de serviços públicos diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, e diz que a lei disciplinará as concessões. Confira-se:

Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.

Parágrafo único. A lei disporá sobre:

I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão;

II - os direitos dos usuários;

III - política tarifária;

IV - a obrigação de manter serviço adequado.

Considerando que o objeto a ser licitado compõe os serviços de Saneamento Básico e tendo em vista que os Municípios são os titulares desses serviços públicos80, constata-se que a própria norma legal estabeleceu a competência dos Municípios em implementar os multicitados serviços.

79 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:

XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.

BRASIL. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 5 out. 1988. Disponível em:

<httphttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 09/12/2018.

80 Art. 8º-A. Os Municípios e o Distrito Federal são os titulares dos serviços públicos de saneamento básico.

§ 1º O exercício da titularidade dos serviços de saneamento básico pelos Municípios e pelo Distrito Federal fica restrito às suas respectivas áreas geográficas. (Incluído pela Medida Provisória nº 844, de 2018)

§ 2º Na hipótese de interesse comum, o exercício da titularidade dos serviços de saneamento básico será realizado por meio: (Incluído pela Medida Provisória nº 844, de 2018)

(...)

II - de instrumentos de gestão associada, por meio de consórcios públicos ou de convênios de cooperação, nos termos estabelecidos no art. 241 da Constituição.

67 Ademais, promovendo-se uma análise conjunta do art. 175 da CF/88 e do art. 8º da Lei de Saneamento Básico, tem-se que o Poder Executivo municipal tem a discricionariedade de delegar a concessão dos serviços públicos de manejo e gestão de resíduos sólidos.

O art. 21, inc. XX da Constituição Federal de 1988 atribuiu competência privativa à União para instituir diretrizes sobre saneamento básico, nos seguintes termos:

Art. 21 - Compete à União:

XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos;81

No exercício desta competência foi editada a Lei nº. 11.445/07 que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico (art. 1º), abarcando, portanto, o serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, objeto do presente estudo.

No art. 23 da supracitada norma, o legislador constituinte conferiu à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a competência comum para promover a melhoria das condições habitacionais e de Saneamento Básico.

Assim, os Estados, mesmo não sendo titulares do serviço de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos em questão, têm competência para planificar no âmbito do seu território as políticas públicas voltadas para a melhoria das condições de saneamento básico.

Em que pese à referida indefinição do papel dos Estados membros é sabido de todos que os mesmos podem atuar para estimular a adoção pelos Municípios de modelos de gestão associada voltados para a otimização do uso dos recursos financeiros e naturais (solo), objetivando uma maior eficiência do serviço prestado, e a universalização de serviços de qualidade.

Além disso, a Constituição Federal em seu artigo 25, § 3º82, confere aos Estados a competência para, mediante lei complementar, instituir de forma compulsória regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, regime este denominado

81 BRASIL. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 5 out. 1988. Disponível em:

<httphttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 09/12/2018.

82 BRASIL. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 5 out. 1988. Disponível em:

<httphttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 09/12/2018.

68 pela doutrina de coordenação federativa, já que não pressupõe a participação paritária de entes federados e sim a atuação do Estado como ente de coordenação.

Nesse contexto, o serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos urbanos figura como um serviço público de interesse local, sendo, portanto de competência do Município.

Outrossim, a Constituição Federal, em seu art. 17583, incumbe à Administração Pública, na forma da lei, a prestação de serviços públicos diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, e diz que a lei disciplinará as concessões.

Tem-se, assim, que o serviço em destaque, cuja competência é claramente municipal, pode ser prestado pelo Município direta ou indiretamente (por concessão ou permissão, precedida, em geral, por processo licitatório); ou ainda, como disciplinam o art. 14 e seguintes da Lei de Saneamento Básico, por meio de consórcio público ou convênio de cooperação para gestão associada – ou prestação regionalizada, objeto deste trabalho.

Na fase interna da licitação, cumpre à Administração definir quais os requisitos de habilitação serão exigidos no instrumento convocatório. As exigências da fase de habilitação devem guardar proporcionalidade com o objeto licitado, de sorte a proteger a Administração de interessados inexperientes ou incapazes para prestar/executar o objeto desejado. De acordo com o art. 37, XXI84, da Constituição Federal, as exigências de qualificação técnica e econômica serão aquelas indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.

No documento FACULDADE BAIANA DE DIREITO (páginas 65-68)