• Nenhum resultado encontrado

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E LEGISLAÇÕES

2.2. ASPECTOS DA RECICLAGEM EM ESCALA NACIONAL

Com a acelerada produção de resíduos sólidos nos centros urbanos, os gestores municipais vêm enfrentando grandes dificuldades quanto à gestão e o gerenciamento e assim efetivar a destino ambientalmente correto dos resíduos sólidos e dos rejeitos. A quantidade de resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil, no ano de 2014, correspondeu ao valor aproximado de 215 mil toneladas dia, correspondendo ao índice de geração per capita de 1,1 kg de resíduos, para uma população estimada em 203 milhões de habitantes (ABRELPE, 2014), a maior parte desses resíduos constitui os chamados materiais inorgânicos4, cujo destino final foi: aterros sanitários5, aterros controlados6 e “lixões” (vazadouros a céu aberto). Para Franz (2011), questões como a escassez de áreas para disposição final e a composição de materiais cada vez mais variada, correspondem a estímulos potenciais para pesquisas em coleta seletiva e reciclagem.

Em face desse problema, se buscou soluções para se atenuar a geração e a quantidade dos resíduos que são dispostos nos diferentes tipos de destinação adotada. Para isso, a PNRS em seu art. 6º (inciso XIII), reconhece que “resíduo sólido é reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania”. De acordo com Magera (2005), a problemática dos milhões de toneladas de resíduos sólidos produzidas pelos grandes centros urbanos espalhados pelo mundo à reciclagem se torna um das alternativas para dar a esses resíduos um destino ambientalmente correto, sendo ela uma alternativa social e econômica. Grippi (2001) afirma que a reciclagem é uma atividade econômica que deve ser encarada como um dos elementos dentro de um conjunto de soluções ambientais para se enfrentar a problemática da geração e gerenciamento dos resíduos sólidos e que está não pode ser vista como a principal solução.

Segundo a PNRS (art. 3º, inciso) a reciclagem é o “processo de transformação dos resíduos sólidos que envolvem a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos [...]”. Outras definições encontradas nas literaturas incluem além da definição supracitada, acrescentam os

4

“Os resíduos inorgânicos são principalmente, as embalagens dos produtos de uso doméstico. Entre os materiais que compõe as embalagens, os mais comuns são papéis, vidros, metais e plásticos” (HIWATASHI, 1998. Pág. 19).

5

Local para a disposição adequada dos resíduos sólidos urbanos. Antes de iniciarem suas atividades o terreno é preparado previamente com o nivelamento de terra e com o selamento da base com argila e mantas de PVC (Caderno de Educação Ambiental – HAZTEC, 2014).

6

“O aterro controlado é outra forma de deposição de resíduo, tendo como único cuidado a cobertura dos resíduos com uma camada de solo ao final da jornada diária de trabalho com o objetivo de reduzir a proliferação de vetores de doenças” (ZANTA e FERREIRA, 2003. Pág.2).

caminhos: separação dos resíduos sólidos pelos cidadãos, a coleta seletiva, triagem e preparação (enfardamento) do material recolhido em que esses resíduos passam até a sua transformação na indústria.

Antes de se implantar programas de reciclagem os gestores municipais têm que avaliar os quais os caminhos devem seguir para a segregação e coleta dos materiais. Consoante com CEMPRE (2000, pág.81), “antes de um município decidir se vai estimular ou implantar a segregação de materiais, visando a sua reciclagem, é importante verificar se existe mercado para esses materiais (vende ou doações)”. Segundo Grippi (2001), os caminhos para a separação desses resíduos são simples, porém importante para implantar um programa de reciclagem. O primeiro é a separação dos materiais na fonte geradora e com posterior coleta, realizada pela prefeitura e envio às usinas ou aos locais de triagem, ou a coleta dos materiais sem a separação na fonte geradora, nesta etapa as cooperativas que fazem a separação dos materiais.

Rodrigues e Cavinatto (2003) discutem em seu trabalho, que os projetos de reciclagem em países como Japão, Estados Unidos e no continente Europeu, tiveram início na década de 1950, e hoje são tradicionais, contando com a participação da população. E no Brasil, a reciclagem é uma atividade recente e somente agora estão surgindo mais pesquisa sobre o tema e as pessoas estão se conscientizando sobre os benefícios acarretados por ela. Para Magera (2003) os integrantes da cadeia de reciclagem no Brasil são os catadores, os sucateiros e as indústrias.

As estimativas de reciclagem para o Brasil, no ano de 2012, são de 97,9% das latas de alumínio, 44,7% de papel, 58,9% de plástico (PET), nas edições consultadas não foram divulgados os índices do setor de vidro, entretanto, em 2008, a taxa de recuperação do vidro foi de 47,0% (ABRELPE, 2013). Muitos desses resíduos só foram recuperados pela atividade dos catadores de materiais recicláveis de rua, e graças a eles que se reciclam quase 80% das latas de alumínio, 34% de vidro, 33% de papel, 20% de aço e 20% dos plásticos, resíduos estes que são coletados diariamente nas ruas, depositados nos aterros sanitários, “lixões” ou são levados às cooperativas de materiais recicláveis (CALDERONI, 1998).

Para Magera (2005) o desenvolvimento sustentável ocasionado pela reciclagem é um dos maiores benefícios que ela oferece, visto que proporciona a economia dos recursos naturais e reintegra no ciclo produtivo o material que viraria “lixo”. Já Calderoni (1998) expõe que com a reciclagem os benefícios envolvem um conjunto inter-relacionado de dimensões, tais quais, econômicas, tecnológica, ambiental, institucional, demográfica, social, espacial. E são esses pontos que ressaltam a importância de se instalar programas de

reciclagem de resíduos sólidos em centros urbanos, onde a sociedade, como um todo, ganha inúmeros benefícios.