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2 Referencial Teórico

TEORIA DE REDES REDES SOCIAIS

2.2 Aspectos de governança

Para este estudo é importante distinguirmos a governança corporativa. Esse termo é mais difundido nos meios organizacionais, referindo-se às relações desenvolvidas entre acionistas e executivos, nas mais diversas esferas da estrutura, de uma mesma organização, de acordo com Pound (2000). No caso específico do objeto de estudo desta dissertação, além de entenderem a governança como sendo a corporativa, poderiam ainda os entrevistados entenderem como a governança de TI, que consiste na estruturação das ferramentas e produtos de TI dentro de uma organização.

Os modelos de governança que envolvem mais de uma empresa ou organização podem ser classificados ainda como governança vertical ou horizontal, segundo Oliveira (2007). Na governança vertical, a rede é constituída de empresas que realizam atividades contínuas em diferentes etapas do processo de transformação dos materiais, o que implica em relações de suprimento – cadeia produtiva. Nesse modelo, a cooperação dá-se principalmente pelo fluxo de informação. Já na governança horizontal, mais comum entre micro, pequenas e médias empresas; tem-se uma rede formada por empresas que estão na mesma etapa de transformação dos materiais ou em um mesmo setor. Nesse modelo há menor formalização da governança, bem como maior participação nas tomadas de decisão por todas as empresas e maior simetria de poder econômico e político. Esta é classificação para os aglomerados de

software como o de Fortaleza, onde não há uma polarização de uma grande empresa nem um

sistema exclusivo e hierárquico de cliente fornecedor.

A governança tratada nesta pesquisa refere-se às relações entre entes (empresas e demais organizações) dentro de uma rede de relações sociais. É a uma abordagem próxima à defendida por Cassiolato e Szapiro (2003) que “parte da idéia geral do estabelecimento de práticas democráticas locais por meio da intervenção e participação de diferentes categorias de atores - Estado, em seus diferentes níveis, empresas privadas locais, cidadãos e trabalhadores, organizações não-governamentais etc. nos processos de decisão locais.”

O termo foi inicialmente utilizado por Williamson (1985) para o processo de coordenação dos atores econômicos, nas esferas pública e privada e nos níveis local e global. Para Silva (2005), a governança está ligada ao conceito de custos de transação. Ocorre transação quando há uma troca entre firmas com tecnologias distintas, em que se encerra um estágio e se inicia outro. A viabilização desta troca ocorre através de contratos, também entendidos como parcerias, que podem ser moldados a partir de quatro modelos: o planejado, o de compromisso, o competitivo e o governável. Sobre esse último, em que há racionalidade limitada, oportunismo e ativos específicos, a única forma de manter contratos que reduzam custos de transação é via governança de uma instituição privada sobre a(s) outra(s).

Já Fleury & Fleury (2001) ressaltam que a idéia central da análise das cadeias de produção é a identificação das estruturas de poder em que uma ou mais empresas coordenam e controlam atividades econômicas geograficamente.

As estruturas de governança em rede, na medida em que favorecem a sinergia e cooperação entre os atores, estimulam a inovação e aumentam a efetividade das políticas

públicas, para Charan (2000). Essas características estão intimamente relacionadas aos conceitos de aglomerados, principalmente os que estimulam a inovação.

Para Suzigan (2007), a governança surge quando as empresas decidem ir além das vantagens competitivas e estreitar suas interdependências, em iniciativas conjuntas, com o objetivo de alcançar uma eficiência coletiva, mais vantajosa do que o cenário de simples competição poderia prover. Essas iniciativas podem tomar diversas formas. Frequentemente convertem-se em cooperação em projetos logísticos, marcas conjuntas, consórcios de exportação, instituições de treinamento profissional, entre outras.

Ainda segundo Suzigan op cit, vários são os fatores que influenciam na forma que a governança tomará. Entre eles pode-se destacar o tamanho das empresas participantes (pequenas empresas são mais propensas a formar APL), tipo de produto, a forma como se organiza a produção local, a forma como as empresas locais se inserem nos mercados, a existência de empresas que dominem capacitações e ativos estratégicos, o contexto sociocultural e político, entre outros.

No entender de Garcia, Motta e Neto (2004), as estruturas de governança em rede podem fomentar um processo de aprendizado local. A interação com os responsáveis pelo monitoramento da produção leva as empresas locais a desenvolverem capacitações importantes nas suas funções produtivas, resultando em maior competitividade. Ressaltam também as características de hierarquia e comando presentes na governança.

O papel desempenhado pelo governo é de grande influência no desempenho e mesmo na forma de governança das redes. O governo tem a capacidade de legislar sobre as regras de competição (leis de proteção à propriedade intelectual, anti-truste, etc.), fornecer infra- estrutura de qualidade, desenvolver políticas de incentivo e estímulo ao crescimento dos

No que se refere a sistemas de inovação, e dentro deles os aglomerados de TI, Leydesdorff (2006) apóia-se no modelo da triple helix para afirmar que tais sistemas podem ser dirigidos por várias subdinâmicas nas mais variadas extensões. Nesse modelo, os principais entes do sistema baseado no conhecimento são a universidade, a indústria e o governo. Incorporando elementos da microeconomia clássica, a abordagem segundo a triple

helix considera a interação entre as unidades institucionais, as bases de comunicação e as

dinâmicas do mercado para analisar as diferentes potenciais dimensões dos sistemas de inovação.

Seguindo essa abordagem, é importante considerar os dois níveis de relação entre os entes do sistema, a saber, o nível institucional, no qual a ação de cada um é limitada pelos outros, e o nível funcional, no qual eles moldam as expectativas uns dos outros.

Alhures, Leydesdorff e Etzkowitz (1999) explicitam a relação metafórica do modelo da tripla hélice com o da dupla hélice de DNA apresentada por Watson e Crick em 1952. Eles salientam que não é incomum um pesquisador acadêmico abrir uma empresa de tecnologia ou uma indústria patrocinar pesquisas em universidades ou ainda o governo interferir diretamente nas empresas, seja através de políticas industriais ou mesmo de leis anti-truste que podem vir a dividir uma empresas em duas ou mais. Posto assim, explicitam a porosidade entre essas três esferas – universidade, empresa e governo -,bem como mostram que pode ocorrer de uma eventualmente desempenhar o papel da outra. O modelo da tripla hélice busca exatamente explicar essa relação dinâmica e complexa entre esses atores.

O pesquisador não estaria mais na sua “torre de marfim”, as relações com indústrias e governo têm-se intensificado e adensado. Para Fujino (2005), o argumento da tripla hélice vem sendo utilizado no Brasil para influenciar as políticas de ciência e tecnologia no sentido de aproximar a universidade das empresas. Buscar-se-ia, com a formação desse novo contrato

social, estimular a inovação e o desenvolvimento econômico do País no contexto da sociedade da informação. Por isso, o conceito de triple helix pode auxiliar na pesquisa sobre governança de arranjos com características de inovação, pois engloba o estudo das relações entre os principais atores, oficiais ou não, para o desenvolvimento do aglomerado.

3 Método

O método apresenta o posicionamento do pesquisador frente ao objeto de pesquisa. Cabe aqui verificar quais as formas mais adequadas para se observar o fenômeno, buscando entendê-lo através de técnicas e de ferramentas de pesquisa adequados.

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