Praticamente todos os moradores possuem pequenas criações de animais domésticos. Segundo MING (2007), a presença de animais domésticos dentro do terreiro é prática normal dentro da colocação. As casas são construídas cerca de um metro acima do nível do solo e na parte abaixo do piso, os animais domésticos se abrigam. A criação de animais domésticos também é de pequena escala e voltada para a subsistência. As cria¬ções mais comuns são de aves (muitos galináceos e poucos gansos e patos), suínos, eqüinos e as menos comuns são de bovinos, caprinos, entre outros (PALMEIRA & BARRELLA, 2007). Observou-se que os animais são mantidos basicamente para subsistência, mas como visto no primeiro capítulo, grande parte dos seringueiros vendem o excedente como forma de incremento à renda da família.
O fato de apenas um morador ter citado a não presença de animais domésticos pode ser discutido sob a ótica de que talvez ele não quisesse participar da entrevista. Esta hipótese é corroborada pelo próprio comportamento do entrevistado, que não respondeu a nenhuma resposta seguinte e deu considerações apenas quando as pranchas ilustrativas foram apresentadas.
As criações não são muito grandes e o principal animal doméstico observado foi a galinha, apresentando maior média por morador. Outro animal que apresentou uma média significativa foi o cachorro. A presença deste animal citada por grande parte dos moradores pode estar ligada a função que o animal desempenha na moradia, sendo usado basicamente para proteção. A utilização de cachorros domésticos para proteger criações é relatada em diversos trabalhos (PALMEIRA & BARRELLA, 2007; MENDES et. al., 2005; OLI et. al., 1994).
A presença de cabeças de gado, ainda que em pequenas quantidades é relatada por MURRIETA et. al. (2008) somada à pesca e caça como fontes protéicas em comunidades ribeirinhas.
De acordo com COSTA (2001) apud DORIA (2004) nestas áreas, a criação de animais (pecuária) desempenha um papel de reserva de “recurso/poupança” para necessidades de emergência. Porém, como ressaltado pelo mesmo autor, a pecuária extensiva de corte requer substituição de floresta por grandes áreas de campos para pastagem, e geralmente são implantadas sem planejamento e sem tecnologia. De todas as atividades antrópicas que possa ocorrer nas RESEX, a pecuária é a que mais ameaça o ecossistema (DORIA, op. cit.).
A grande maioria dos entrevistados disse que suas criações são mantidas soltas. Apenas dois moradores que possuem porcos afirmaram prender estes animais, porém o resto da criação dos mesmos permanece sem tipo algum de cercado. Inclusive os dois informantes que disseram possuírem cabeças de gado mantêm a criação destes animais sem cercado.
Este fato corrobora o próximo ponto de discussão da pesquisa, relacionado aos ataques às criações domésticas, considerados como conflitos entre as comunidades e animais. Conflitos entre seres humanos e animais selvagens são relatados por diversas pesquisas (MENDES et. al., 2005; PALMEIRA & BARRELLA, 2007; GRAHAM et. al., 2005; GUSSET et. al., 2009). A predação de bovinos por mamíferos carnívoros é uma das fontes mais freqüentes do conflito entre humanos e vida selvagem em torno do mundo (GRAHAM et. al., 2005). Estudos sobre os problemas da predação de animais domésticos nos Estados Unidos têm mostrado que os proprietários tendem a atribuir a morte de seus animais aos predadores mais do que realmente acontece, e exageram em relação ao número de animais perdidos pela predação (GRAHAM, op. cit.). Para YODZIS (2001), a percepção tem sido de
que o predador sozinho reduz diretamente a densidade de presas disponíveis para os humanos e isto pode ser prevenido removendo os predadores do sistema.
Muitos dos grandes felinos têm experimentado o declínio de suas populações em torno do mundo dirigidas quase que totalmente por atividades humanas e/ou conflitos com humanos (MICHALSKI et. al., 2005). Em torno das fronteiras de desmatamento das florestas tropicais, grandes felinos freqüentemente trocam as presas naturais pelas domésticas por causa da proximidade com a agropecuária humana, o que aumenta a probabilidade de conflitos com humanos (OLI et. al., 1994). Viu-se neste estudo que os seringueiros vivem muito próximos a mata e inclusive mantêm cultivos e criações soltas.
Os ataques às criações neste estudo foram relatados por um número considerável de informantes, praticamente todos. A predação de animais domésticos pode ter íntima relação com as formas de manejo mantidas para as criações dos seringueiros. MENDES et. al. (2005) mostra em seu estudo que as populações sabem que seus animais muitas vezes são atacados pela forma extensiva como são mantidos, e propõe que trabalhos de educação ambiental e orientação dos moradores são necessários. Em PALMEIRA & BARRELLA (op. cit.), muitos entrevistados se mostraram relutantes em confinar suas criações porque a disponibilidade de alimentos é maior quando as criações são mantidas soltas, facilitando o manejo e diminuindo o custo econômico.
Dentre os animais relacionados aos ataques, a maior parte foi mamíferos, seguidos por répteis e aves. Os felinos e canídeos foram os mais apontados. E quando analisados separadamente, o gato-do-mato (Leopardus sp. Gray, 1842) foi citado por quase todos os informantes que disseram ter criações atacadas, seguido pela onça (Panthera onca Linnaeus, 1758). Os répteis foram pouco apontados, porém na classe das aves o gavião foi consideravelmente apontado. Carnívoros são apontados como causadores de conflitos em diversas partes do mundo (CONFORTI & AZEVEDO, 2003; OLI et. al., 1994; MISHRA, 1997; INSKIP & ZIMMERMANN, 2009).
Quando considerada a relação animal-presa atacada, observou-se que a onça foi a espécie com maior diversidade de presas, e dentre as mesmas encontramos as de maior porte, como o porco e boi. A presa preferida pelos animais foi a galinha, apontada como vítima de quase todos os ataques. A predação de animais domésticos realizada por espécies de carnívoros que não a onça-pintada e
o puma, geralmente ocorre sobre galinhas e patos (OLIVEIRA & CAVALCANTI, 2002). Segundo OLI et al. (1994) quando as criações são mantidas para subsistência e têm uma baixa produtividade, os prejuízos causados por predadores são maiores para estes criadores do que para produtores de grande escala.
Quando separados por comunidade, a relação predador-presa foi diretamente proporcional ao número de criações nas comunidades e ao número de espécies de predadores citadas por cada uma delas. Diante deste fato, Laranjal representou a comunidade com maior diversidade de animais domésticos e com maior diversidade de animais silvestres citados como predadores. Por conseqüência, foi também a comunidade que apresentou maior diversidade de espécies atacada. É evidente que há uma relação com a variedade de presa para predador, por isto esta comunidade apresentou elevados índices de ataque às criações.
As formas para se evitar ou suprimir os ataques mostraram uma variedade de atitudes direcionadas aos predadores. Dentre aqueles que tomam atitudes, a maioria espanta ou mata os animais. Porém, analisadas separadamente, espantar está entre as ações mais tomadas, já matar não representou uma ação muito praticada, pois muitos afirmavam que não dava tempo de “pegar” o animal. Como apontado em diversos estudos (MENDES et. al., 2005; OLI et. al., 1994), o uso do cachorro parece ser uma ferramenta eficiente usada pelas comunidades para driblar os ataques.
Conflitos homem-felinos tipicamente ocorrem quando os animais predam animais domésticos ou, eventualmente, atacam humanos, e as pessoas respondem aos ataques matando ou ferindo os animais, como medidas preventivas ou de retaliação (INSKIP & ZIMMERMANN, 2009). Matar animais que causam danos às criações é uma prática relatada em muitas pesquisas ao longo do mundo (OLI et. al. 1994; MENDES et. al., 2005; INSKIP & ZIMMERMANN, 2009; MICHALSKI et. al., 2005; PALMEIRA & BARRELLA, 2007; MISHRA, 1997).
Porém, neste estudo observou-se que a maioria dos informantes disse não tomar nenhuma atitude e esperar o animal ir embora. Esta afirmação pode refletir uma postura de apreensão em relação aos órgãos gestores das unidades. A Lei 9.985 (SNUC) de 18 de Julho de 2000, em seu parágrafo 6º do artigo 18, diz “são proibidas a exploração de recursos minerais e a caça amadorística ou profissional” nas reservas extrativistas. O Plano de Utilização (PU) da Unidade Estadual (PLANAFLORO, SEDAM, ITERON, OSR, 1997) permite a caça de animais para
proteção de roças e criações domésticas, porém impede o uso de cachorros em qualquer atividade de caça. Já o PU da Unidade Federal (OLIVEIRA, 2009) diz que no caso de um animal estar prejudicando a roça, animais domésticos ou a segurança do morador, este deverá comunicar ao ICMBio, para as devidas providências. Portanto, os moradores podem ter se sentido intimidados com as perguntas que direcionavam a estas práticas que são limitadas. Ou as respostas foram dadas a partir da intenção dos entrevistados de passarem a imagem que pretendiam ao pesquisador.
Esta discussão leva a outra, na qual um número elevado de entrevistados não responderam se fazem uso na alimentação das espécies predadoras, quando abatidas como conseqüência dos ataques. Dentre aqueles que responderam, pouquíssimos disseram fazer uso dos animais. Estas informações podem estar relacionadas com o fato de ataques a criações serem provocados por animais não considerados como caça, no caso são principalmente felinos e canídeos. Além disto, tais resultados podem ser discutidos com as próprias falas dos moradores, quando dizem: “gato ninguém costuma comer”; “ninguém come onça e gato” e “nóis não come porque a carne é fedida”. De acordo com CALOURO (1995) estes são considerados tabus alimentares e, dentre os tabus propostos pelo pesquisador em seu estudo, estes apontados pelos entrevistados são considerados “repugnância”.
A variação sazonal também foi considerada em relação aos ataques. O verão sendo a época apontada como a de maior aparecimento das espécies mostra um caráter oportunistas das espécies, pois no verão a disponibilidade de caça é maior que no inverno, quando muitas áreas são inundadas. Isto justifica outro fator de discussão, de que as criações mantidas soltas e a proximidade das moradias com as matas favorecem o aparecimento destas espécies de predadores. Em contrapartida, muitos outros seringueiros apontaram o inverno como sendo período de maior aparecimento das espécies. Esta observação pode refletir maior representatividade das perdas nesta época, ou seja, os prejuízos para os moradores podem ser maiores no inverno. ADAMS et. al. (2005) mostra uma variação sazonal na diversidade de itens consumidos nas unidades domésticas de comunidades ribeirinhas, sendo mais baixa no inverno, quando parte dos recursos é coberta pela cheia e a locomoção entre unidades domésticas é dificultada.
2.2- Roças
A presença de roças foi relatada por praticamente todos os informantes, sendo que apenas um relatou a não manutenção de pequenos cultivos. Para MING (2007) o roçado é o local onde se faz o plantio de culturas diversas e tradicionais, como milho, arroz, feijão, macaxeira, jerimum, etc. Tal sistema tem sido utilizado historicamente pelos indígenas brasileiros e passado aos outros povos que ocuparam os espaços territoriais brasileiros. O mesmo autor diz ainda que o roçado é feito em áreas de floresta primária ou em áreas de floresta secundária. As roças dos moradores desta pesquisa são pequenas, reforçando a utilidade das mesmas, que são para subsistência principalmente.
A mandioca foi o alimento mais citado, mostrando sua importância para os comunitários. Para ADAMS (2008) das espécies cultivadas em populações ribeirinhas, a mandioca é o recurso vegetal mais importante, constituindo a principal fonte de energia na dieta dessas populações. Diz ainda que a mandioca é usada para fabricação de farinha. Este fato revela a importância do vegetal como incremento de renda para as famílias. Segundo MING (op. cit.) para a fabricação de farinha, há mandiocas que são deixadas, após a colheita, por dezoito meses e outras por até trinta meses. Outro alimento de grande relevância para os seringueiros e citado por grande parte dos entrevistados é o milho que, segundo ADAMS (2008) é usado principalmente para alimentação da criação doméstica e de aves.
Ataques às roças foram relatados pela maioria dos moradores, porém o número de citações foi menor que para ataques às criações. Os ataques a roças também foram considerados conflitos entre as comunidades e a fauna de herbívoros do entorno. GILLINGHAM & LEE (2003) mostraram que nas comunidades do vilarejo de seu estudo as pessoas percebem os danos às culturas vegetais como uma restrição significativa em sua atividade econômica, a produção agrícola. Observamos que nenhuma roça apresentava cercados de proteção, portanto, os ataques por animais silvestres podem ter sido reforçados.
Novamente os mamíferos foram os animais mais citados, somados às aves. E dentre estes, o cateto foi o animal com citação mais representativa, e esteve relacionado principalmente a ataques a mandioca e milho. Danos a culturas por aves foram relatados em GILLINGHAM & LEE (2003), durante monitoramento de áreas
cultivadas. Os ataques à roças se direcionaram principalmente às culturas de mandioca e milho, que segundo ADAMS (op. cit.) são as mais importantes para estas comunidades. Para WELADJI & TCHAMBA (2003), danos às culturas podem afetar a segurança alimentar, principalmente quando as culturas mais importantes são também as mais afetadas.
Este fato pode gerar sentimentos negativos nas populações em relação a estas perdas, e intensificar as medidas de retaliação. O que corrobora esta discussão são as respostas dadas pelos moradores quando foram perguntados se consideravam estes ataques como prejuízos financeiros. Dentre aqueles que responderam a pergunta, a grande maioria afirmou considerar tais ataques como prejuízos, e este sentimento em relação à mandioca é assegurado em algumas respostas como:
“Rapaz, é um pouco sim. Porque a macaxeira eles estraga. O milho porque estraga muito. Roe tudo, aí fica exposto e quando chove fica tudo querendo nascer no pé, aí
estraga”;
“Sim, porque a gente planta sabendo mais ou menos quantos saco de farinha vai dá. Aí eles come e ao invés de vinte a quarenta saco, sai uns quinze”.
Quando os ataques foram analisados em cada comunidade, separadamente, observou-se que apesar da Canindé ter citado maior número de espécies nas roças, os danos se mostraram maiores, proporcionalmente, para a comunidade Cajueiro que, apesar de possuir roças menos variadas, apresentou porcentagem maior de culturas atacadas. Portanto, pode-se dizer que o conflito, neste caso, foi maior para a comunidade Cajueiro.
De acordo com os informantes, as espécies aparecem o ano todo, sem distinção de época. Porém, para aqueles que fizeram tal distinção, o inverno foi a época mais apontada. Tal situação é justificada pelo fato de que no inverno muitas áreas são inundadas devido às chuvas, o que desfavorece os animais silvestres que então intensificam seus ataques às roças. Segundo MING (op. cit.) as áreas a serem cultivadas são escolhidas em áreas com determinado tipo de vegetação que não são inundadas.
Quanto às atitudes direcionadas aos animais, foram notadas as mesmas medidas direcionadas aos ataques às criações. O uso de cachorros como medida de
espanto foi pouco relatado neste caso, sendo o barulho a medida mais usada como forma de espantar os animais. Porém, neste caso, observou-se que matar os animais foi a medida mais adotada para suprimir o conflito, principalmente quando as categorias foram analisadas separadamente. Apesar da arma de fogo ser o principal método utilizado para matar, o uso de cachorros para este fim também foi citado.
Esta situação é justificada pelo fato de que, dentre os mamíferos citados como causadores de danos, todos estão entre os animais comumente caçados e utilizados na alimentação de comunidades ribeirinhas da Amazônia, de acordo com MARTINS, 1993 e BELCHIOR (2011, capítulo 1). KRÜGER (1999) apud GEHARA et. al. (2009) encontrou em seu estudo que os animais que danificam as plantações eram muitas vezes caçados; nesse sentido, estas plantações serviriam como forma de atrair espécies cinegéticas (de interesse para caça). GEHARA et. al. (2009) diz que, segundo declarações dos informantes em sua pesquisa, as plantações de feijão, milho, mandioca e batata, serviriam como atrativo para os cervídeos estudados. Portanto, discute-se a real dimensão do conflito em relação aos ataques às roças. O conflito existe do ponto de vista financeiro, pois culturas importantes economicamente para os seringueiros, como a mandioca e o milho, são geralmente as mais afetadas. Porém, do ponto de vista de incremento de proteína à alimentação, os ataques às plantações podem servir para atrair as espécies comumente caçadas, o que mostra ser um caráter oportunista das comunidades em relação a praticidade de se obter a caça
2.3- Intensidade dos Conflitos e Opinião dos Entrevistados
Como visto acima, os conflitos foram analisados, em primeiro momento, separadamente de acordo com o tipo de produção. Porém, buscamos atribuir níveis de intensidade para os conflitos, a fim de gerar discussões sobre os sentimentos das comunidades em relação aos mesmos.
Os conflitos foram “consideráveis” na maioria dos casos. Foram poucos os conflitos “baixos” e inexistentes os conflitos “severos”. Este caráter “considerável” dos conflitos pode ser importante na tomada de medidas de retaliação dos ataques por parte dos moradores. A predação é considerada mais importante
economicamente para os pequenos produtores que podem vir a perder seu único animal (PALMEIRA & BARRELLA, op. cit.).
Apesar de não haver relatos sobre ataques de animais silvestres aos humanos, o medo de que isto ocorresse ficou bem claro com a citação de um informante que discorreu sobre o ataque de jacaré a uma criança em Guajará-Mirim, e que veio a falecer. Além disto, deixou bem claro sua indignação com os órgãos federais que prenderam a pessoa que matou o jacaré envolvido. De acordo com PALMEIRA & BARRELLA (op. cit.) os ataques causados por onças têm gerado um intenso conflito socioambiental devido à presença destes predadores nas proximidades das residências dos qui¬lombolas, e em sua pesquisa mostraram que todos os entrevistados relataram temer serem atacados por onças.
Outro fator de grande interesse para discussão e que intensifica o conflito foram as respostas dadas pelos informantes apontando se os danos causados pelos animais eram considerados prejuízos. A grande maioria afirmou que sim, e as respostas transcritas mostraram que os danos maiores são causados pelos herbívoros, principalmente o cateto, apesar de algumas respostas apontarem prejuízos às criações também. Uma resposta ilustra claramente o prejuízo para ambos os casos: “Muito! Porque você tem um plano, aí eles vem e destrói. Aí você não tem farinha e a mandioca e tem que comprar. E o bicho a mesma coisa, as vezes você tem pra vender e o bicho come”.
A responsabilidade dos ataques foi atribuída principalmente aos próprios moradores e ao governo. Em PALMEIRA & BARRELLA (op. cit.) mais da metade dos moradores atribuíram ao governo seus prejuízos por ataques de animais. Esta situação reflete uma falta de preocupação do governo com as RESEXs, pois segundo os informantes falta apoio dos órgãos federais, seja apoio financeiro bem como estrutural. OLIVEIRA & CAVALCANTI (2002) dizem que a falta de uma política regional para o manejo das criações, que vise a diminuição da freqüência de predação por carnívoros, faz com que os proprietários rurais resolvam este problema, muitas vezes, eliminando os predadores. Esta situação pode ser estendida ainda para os animais herbívoros que, como visto neste estudo, também são causadores de prejuízos aos seringueiros.
Dentre as opiniões dadas para se diminuir ou evitar os ataques estão fazer cercado, plantar mais, espantar com sacos e roupas. Fazer cercado apareceu na maior parte das respostas e um morador disse que para fazer cercado o governo
teria que dar apoio. Este é um dado importante que mostra que os moradores procuram soluções para evitar os ataques. Em PALMEIRA & BARRELLA (op. cit.) os proprietários desenvolveram técnicas próprias para manejar seus rebanhos e muitos entrevistados também se mostraram relutantes em confinar suas criações porque a disponibilidade de alimentos é maior quando as criações são mantidas soltas, facilitando o manejo e diminuindo o custo econômico, além de acreditarem que é impossível evitar os ataques quando as criações estão confinadas. OLI et. al., (op. cit.) aponta que melhorias nas práticas de manejo podem ser a melhor opção para diminuir os ataques. MENDES (2005) discute ainda que mesmo a população estando ciente de que seus animais domésticos estão sendo predados pela forma extensiva como são criados, é necessária a realização de trabalhos mais intensivos de educação ambiental e de orientação dos moradores do local de estudo.
Para reduzir o conflito entre habitantes e os grandes felinos, têm sido sugerido a criação e manutenção de fundos de indenização financeira específicos para as famílias de comunidades tradicionais residentes em áreas protegidas (PALMEIRA & BARRELLA, op. cit.). Um esquema de compensação financeira pela perda de estoques por ataques de animais silvestres tem sido implementado na América do Norte (OLI et. al., op. cit.). WELADJI & TCHAMBA (2003) recomendam co-manejo dos conflitos homem-vida selvagem como uma abordagem para