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Aspectos educacionais e de profissionalização

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CAPÍTULO III MULHERES SOROPOSITIVAS E A INSERÇÃO NO MUNDO DO

3.2 A relação das mulheres do Grupo AAVE com o trabalho – os limites

3.2.4 Aspectos educacionais e de profissionalização

O nível de escolaridade de grande parte da população brasileira adulta, historicamente, tem se revelado inadequado. Somente nas últimas décadas a universalização da educação assegurou matrículas na rede básica de educação para a quase totalidade de crianças em idade escolar, contudo, grande parte dos adolescentes e, sobretudo, a população adulta ainda permaneceram inalcançáveis por ações dessa política. A realidade revelada pela pesquisa não contrapõe esse quadro, uma vez que 85,0% das mulheres entrevistadas não estão estudando, como demonstra a Tabela 22, sendo que a grande maioria (76,4%) das que não estudam ficou retida no Ensino Fundamental. Os 23,0% restantes chegaram ao Ensino Médio, destas 5,8% não o concluíram (Tabela 24). Daquelas que continuam os estudos (três), 66,6% estão cursando o ensino médio e 33,3% estão cursando o ensino superior. (Tabela 23)

Tabela 22

Mulheres chefes de famílias inscritas no Grupo AAVE que estão estudando

Se estão estudando Nº %

Sim 3 15,0

Não 17 85,0

Total 20 100,0

Fonte: Pesquisa primária realizada pela pesquisadora no Grupo AAVE- Goiânia/2012

Tabela 23

Série que está sendo cursada pelas Mulheres chefes de famílias inscritas no Grupo AAVE

Série que está sendo cursada Nº %

Ensino fundamental 2 66,6

Ensino superior 1 33,3

Total 3 100,0

Tabela 24

Grau de escolaridade das mulheres chefes de famílias inscritas no Grupo AAVE

Grau de escolaridade Nº %

Ensino fundamental completo 2 11,7

Ensino fundamental incompleto 11 64,7

Ensino médio completo 3 17,6

Ensino médio incompleto 1 5,8

Total 17 100,0

Fonte: Pesquisa primária realizada pela pesquisadora no Grupo AAVE- Goiânia/2012

No que se refere à escolaridade e a soropositividade, Fonseca et. al. (2003), baseados em dados informados ao Sistema Nacional de Atendimento Médico (SINAM), constatam que de 1989 a 1997, as mulheres soropositivas apresentavam índices de escolaridade maiores do que os dos homens.

No entanto, Santos et al. (2002), diz que com o passar dos anos a escolaridade feminina diminui. Constata-se que a política pública de educação não está alcançando população de baixa renda de forma adequada.

Contudo, essa baixa escolaridade dificulta a inserção das mulheres no mercado de trabalho, afetando também ações de prevenção e assistência a Aids, pois o acesso limitado à educação impede o acesso as mensagens educativas.

Diante do exposto, percebe-se que um dos motivos que levou as mulheres entrevistadas a pararem de estudar foi às dificuldades enfrentadas em razão da sorologia positiva (41,1%). 11,7% deixaram de estudar devido ao trabalho, e o mesmo percentual revelou que tinha que cuidar dos filhos, pois não tinha com quem deixa-los enquanto estavam na escola. Outro dado importante revelado pela pesquisa é a percentagem de 11,7% que responderam não ter motivação para estudar. Os outros motivos variaram entre dificuldade de aprendizagem; conflitos familiares; mudança de endereço e falta de condições financeiras, com 5,8% cada (Tabela 25). É importante ressaltar que esses motivos relacionados acima estão relacionados a falta de interesse, a questão financeira fator importante na vida dessas mulheres, cuidados com os filhos e também a questão do HIV, pois todas as entrevistadas tiveram sua qualidade de vida alterada após o diagnóstico positivo.

Tabela 25

Motivos pelos quais as mulheres chefes de famílias inscritas no Grupo AAVE pararam de estudar

Motivos Nº %

Doença HIV/Aids 7 41,1

Trabalho 2 11,7

Cuidar dos filhos 2 11,7

Desmotivação/falta de interesse 2 11,7

Mudança de endereço 1 5,8

Dificuldade de aprendizagem 1 5,8

Conflitos familiares 1 5,8

Falta de condição financeira 1 5,8

Total 17 100,0

Fonte: Pesquisa primária realizada pela pesquisadora no Grupo AAVE- Goiânia/2012

Ainda que a baixa escolaridade predomine no grupo, os dados da Tabela 26 revelam que 55,0% das entrevistadas realizaram algum curso profissionalizante com o intuito de se qualificar para o mercado de trabalho.

Tabela 26

Se as mulheres chefes de famílias inscritas no Grupo AAVE realizaram algum curso profissionalizante

Realização de curso Nº %

Sim 11 55,0

Não 9 45,0

Total 20 100,0

Fonte: Pesquisa primária realizada pela pesquisadora no Grupo AAVE- Goiânia/2012

Dentre os cursos profissionalizantes realizados os que mais se destacam são aqueles relacionados trabalho em escritórios, à administração e à secretaria com 45,5%, seguidos pelo curso de informática, com 36,3, que é oferecido pelo Grupo AAVE gratuitamente. Para que haja adesão ao curso, o Grupo oferece Vales Transporte para que retornem na aula seguinte. Os cursos de corte e costura aparecem com 18,1%. Cursos relacionados ao trabalho estético (cabeleireira, manicure etc.) foram realizados por 27,2% delas. Os cursos relacionados ao trabalho artesanal figuram com 27,2%. (Tabela 27).

Os dados relacionados aos cursos revelam que há uma tendência à realização de cursos que proporcionaram às mulheres o trabalho como autônoma, uma vez que, dessa forma, elas não precisam enfrentar o mercado de trabalho em busca por emprego e tampouco se expor ao preconceito nos ambientes de trabalho.

Tabela 27

Tipos de Cursos profissionalizantes realizados pelas Mulheres chefes de famílias inscritas no Grupo AAVE

Tipos de curso Nº %

Cursos relacionados à escritório/

administração/secretaria 5 45,5

Informática 4 36,3

Cursos relacionados à estética

(manicure/depiladora/cabeleireira) 3 27,2

Cursos relacionados ao artesanato 3 27,2

Cursos relacionados à corte e costura 2 18,1

Outros 4 36,3

Fonte: Pesquisa primária realizada pela pesquisadora no Grupo AAVE- Goiânia/2012

Manifestações ambíguas foram demonstradas pelas mulheres no que diz respeito à capacitação para o trabalho. Algumas referiram se sentir capacitadas, embora reconheçam que falta mais qualificação, e outras afirmam que não. “Me sinto capacitada para trabalhar, mais falta qualificação, falta mais cursos” (Carla). Já Flora não se sente capacitada, porque não tem nenhum curso profissionalizante, como pode ser evidenciado em sua fala, “não me sinto capacitada para o mercado de trabalho, porque eu não fiz nenhum curso profissionalizante” (Flora).

O que de fato os dados revelam é a baixa escolaridade como um dos fatores que dificulta a qualificação profissional, o que também se constitui em empecilho à inserção de mulheres de baixa renda no mercado de trabalho. Associado a isso se depara com a escassa oferta de cursos profissionalizantes públicos, adequadamente estruturados e voltados aos reais interesses dessas mulheres, principalmente considerando-se suas condições peculiares.

3.2.5 Aspectos relacionados ao trabalho e à precariedade de vida das mulheres

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