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6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

6.9 ASPECTOS FACILITADORES E DIFICULTADORES DO PROGRAMA DE INTERCÂMBIO

Visando compreender o processo de aprendizagem e as contribuições da experiência internacional, buscou-se identificar quais foram os aspectos que facilitaram e os aspectos que dificultaram no período em que estiveram realizando faculdade fora do seu país de origem. Prezando a singularidade, os dados serão apresentados a partir de fala de cada sujeito participante da pesquisa.

Quadro 49 Aspectos facilitadores do programa de intercâmbio de Cecilia

(continua) Categoria: Aspectos Facilitadores do Programa de Intercâmbio Cecilia

Subcategoria 1 Subcategoria 2 U.C.E Facilitador Conhecimento do Idioma

"quando vcê conhece a língua [Italiano] muda completamente"

Grupo de ERASMUS

“Eles ajudam com cursos de línguas, ajudam na faculdade, perguntando sempre se tava precisando de alguma coisa, bem legal.”

Família

“[...]Ao mesmo tempo isso era muito bom pq eles [família] me davam muito apoio.”

Dificultador

Distância da família

“Saudade da família, ver foto das pessoas juntas no natal, ver foto da família e você no frio fazendo trabalho da faculdade, então, era difícil.”

Métodos Avaliativos da

Universidade

“As provas eram orais e em italiano. Se em português eu iria ficar nervosa, imagina em outra língua, até porque meu italiano não era aquilo tudo, então eu tinha que enfrentar.”

Documentação errada da faculdade

“chegando lá eles não aceitaram o documento que agente levou, foi terrível, terrível mesmo.”

(continuação)

Dificultador

Moradia

“Agente teve que correr a cidade inteira, ficamos em albergue por 15 dias, chorando.”

Aspecto climático “Eu fui em uma estão friorenta, com neve, era congelante, nem dava vontade de sair de casa”

Fonte: Elaboração da autora, 2012

Durante o período que esteve fora do país, Cecilia indicou como facilitador o conhecimento do idioma Italiano, o grupo ERASMUS e a sua família.

O grupo ERASMUS é um programa europeu, criado em 1987, com o objetivo de promover o intercâmbio e mobilidade entre alunos e professores de 27 países da comunidade Europeia. Entre os anos de 1987 e 2004 promoveu mais de um milhão de intercâmbios de alunos universitários (NOGUEIRA, AGUIAR,RAMOS; 2008). Ramos (2009) apresenta que a partir do ano de 2004, o programa começou a incentivar a mobilidade estudantil para países em desenvolvimento e para países de outros continentes.

Cecilia apontou que na universidade em que realizou o intercâmbio eram oferecidos cursos de idiomas para em participava do ERASMUS. Percebeu que na sala de aula as pessoas mais receptivas já tinham participado de um programa do ERASMUS, ajudavam na adaptação à faculdade e promoviam festas de integração entre os intercambistas.

Quanto as dificuldades apresentas por Cecília podemos observar a distancia da família, o método de avaliação da universidade, documentação errada da faculdade, a moradia e o aspecto climático.

Cecilia deparou-se com algumas situações inconvenientes como a documentação errada da faculdade e a moradia. Só percebeu que a documentação da faculdade estava errada quando chegaram na universidade, tiveram que entrar em contato com o Brasil pra que fosse viabilizado a documentação correta. Quanto a moradia é possível perceber que não ocorreu um planejamento, ocasionando o incidente apresentado “A gente teve que correr a cidade inteira, ficamos em albergue por 15 dias, chorando”.

Em relação ao aspecto climático, Cecilia considerou como um dificultador e apontou: “Eu fui em uma estão friorenta, com neve, era

congelante, nem dava vontade de sair de casa”. Como explicitado anteriormente, o clima do país ou da região que se fará o intercâmbio pode vir a ser um dos critérios para escolha do destino (Lima, Maranhão; s/d). Porém, por não ter aproveitado a cidade, Cecilia escolheu prorrogar seu intercâmbio para poder aproveitar a cidade de forma mais agradável.

Quadro 50 Aspectos facilitadores do programa de intercâmbio de Giovanna Categoria: Aspectos Facilitadores do Programa de Intercâmbio de Giovanna

Subcategoria U.C.E

Aspectos facilitadores

Companhia “[...]O que facilitou foi ter ido com amigas e depois com o namorado”

Conhecimento

do Idioma "saber a língua [Italiano] muda completamente"

Aspecto Dificultadores

Cultural

“O conhecimento da língua também dificultou porque eu só falava inglês, as pessoas não são abertas com quem não fala a língua deles.”

Distância da família

“O que dificulta é estar longe da família, dos amigos, porque sempre fui uma pessoa mais afetiva”

Fonte: Elaboração da autora, 2012

Ao relatar sobre o processo de experiência internacional, Giovanna considerou como facilitador a companhia de suas amigas, posteriormente a companhia do namorado. A relação estabelecida entre Giovanna com seus amigos e namorado pode estar relacionada a ideia de Chalon (2010).

Este autor indica que fazer intercâmbio em grupo é uma opção tendo em vista que através deste tipo de participação pode-se reduzir o nível de incerteza com relação à experiência em um país e cultura diferente. Viajar em grupo de amigos ou parentes permite o compartilhamento de experiências de uma forma mais abrangente, principalmente para quem possui dificuldades para fazer novas amizades em um ambiente dito como estranho.

Giovanna considera que a partir do momento que há o conhecimento do idioma o programa de intercâmbio torna-se mais efetivo, porém percebe que quando estava adquirindo a fluência no idioma o programa de intercâmbio já estava no fim. O idioma é apontado por Giovanna também como dificultador, pois quando chegou na Itália sabia falar somente o português e o inglês, procurava comunicar-se com o inglês e percebeu que os italianos não eram receptivos quando comparado aos momentos em que já falava italiano. Outro aspecto considerado como dificultador por Giovanna foi a distância da família.

Quadro 51 Aspectos facilitadores do programa de intercâmbio de Enzo Categoria: Aspectos Facilitadores do Programa de Intercâmbio de Enzo Subcategoria 1 Subcategoria 2 U.C.E

Facilitadores

Conhecimento do Idioma Inglês

“Por falar inglês consegui minha moradia e tive os primeiros contas na Itália.”

Facilidade de adaptação

“Eu tenho facilidade em me adaptar, mas eu consigo conhecer as pessoas, não que ela seja meu melhor amigo, mas consigo conhecer ela”

Dificultadores

Idioma

“Sempre tem a barreira linguística, eu fiz aula antes de ir, mas quando cheguei no avião, parecia que não sabia uma palavra.”

Distância da

família

“O que aperta mais é a saudade da família [...] mas eles foram me visitar.”

Solidão

“Tu vê os jovens querendo viajar, tudo com a mesma ideia, e daí tu vê como a pessoa é sozinha no mundo, como é importante tu não ser sozinho, mas as vezes bate uma solidão.”

Insegurança “Quando você fica sozinho, inseguro, sensível a tudo.” Fonte: Elaboração da autora, 2012

Enzo considera como facilitador ao intercâmbio o conhecimento no idioma inglês, através deste conhecimento conseguiu seus primeiros contatos na Itália através da internet, já que antes não dominava o idioma, italiano.

Outro aspecto facilitador refere-se à facilidade de adaptar-se e conhecer pessoas. Como aspectos dificultadores do programa de intercâmbio, o idioma, família, solidão e insegurança são apresentados.

Murphy-Lejeune (2003 apud RAMOS, 2008) considera que algumas pessoas possuem pré-disposição a “uma abertura á alteridade”, tem curiosidade para aprender coisas novas, sociabilidade, atitudes de conectar facilmente com os indivíduos que se encontra. Esta característica é presente no comportamento de John durante o programa de intercâmbio, o que justifica a sua facilidade de adaptação.

Quadro 52 Aspectos facilitadores do programa de intercâmbio de Bianca

Categoria: Aspectos Facilitadores do Programa de Intercâmbio de Bianca

Subcategoria 1 Subcategoria 2 U.C.E

Facilitadores Conhecimento do Idioma

“O aprendizado da língua, por ser de origem latina possui muita coisa semelhante com o português e isso me ajudou um pouco o fato de falar inglês também foi facilitador porque eu não dominava muito bem o italiano, então me ajudou bastante.”

Dificultador

Idioma

“Eu cheguei lá não falava italiano, eu sofri um pouco, o pessoal não é tão aberto, mas depois agente faz amigos”

Receptividade “Eu sofri um pouco, o pessoal não é tão aberto.”

Métodos Avaliativos

“Os exames ocorrem somente no fim do semestre e a avaliação é com todo o conteúdo estudo e oral[...] como não é uma língua que eu domino como o português eu estudava muito [...] não fazia muita coisa alem dos estudos.”

Fonte: Elaboração da autora, 2012

Ao relatar sobre as facilidades e dificuldades encontradas no programa de intercâmbio Bianca considera que o idioma é tanto facilitador quanto dificultador, ela reconhece que é necessário um conhecimento prévio do idioma antes de fazer o intercâmbio, porém percebe que o Italiano possui a mesma origem que a língua portuguesa , sendo assim, seu aprendizado torna- se facilitador.

Quando as dificuldades apresentadas, Bianca considerou a receptividade da cultura italiana, percebe que não ocorreu uma abertura condizente com a sua expectativa. O método avaliativo da faculdade também foi considerado como um dificultador, as avaliações são diferentes do Brasil, as provas são orais e como não há fluência no idioma Bianca teve que estudar por mais horas.

Quadro 53 Aspectos facilitadores do programa de intercâmbio de John Categoria: Aspectos Facilitadores do Programa de Intercâmbio de John Sucategoria

1

Subcategoria

2 U.C.E

Facilitadores

Companhia “No meu primeiro dia ele me levou pra faculdade, me facilitou muito, não tive grandes dificuldades”

Experiência Anterior

“Foi o fato de já ter viajado, já conhecer, eu cheguei lá eu já tinha o telefone do pessoal, já tinha o suporte”

Dificultadores Não apresentou aspectos que dificultou o programa de intercâmbio

“Não tive grandes dificuldades, tudo ocorreu dentro do esperado.”

Fonte: Elaboração da autora, 2012

Como facilitador para a realização do intercâmbio, John considerou a companhia e a experiência anterior. Através de sua rede de relações, no Brasil, conheceu um americano que estudava na faculdade onde realizou o intercâmbio, assim que chegou aos Estados Unidos, o colega levou John para a faculdade, apresentou os processos da faculdade e inseriu John em sua rede de relações.

A experiência anterior em um programa de intercâmbio a parece como facilitador, tendo em vista que optou pelo mesmo país de destino, Estados Unidos, possui uma rede de relações neste país, não estava sozinho. O fato de não apresentar dificuldades durante o intercâmbio, pode estar relacionados aos aspectos citados anteriormente.

Através do discurso dos participantes da pesquisa, percebe-se que os principais elementos que dificultaram o programa de intercâmbio foram: idioma, cultura e distância da família. Sabben (2001) considera que no inicio da emigração, pode ocorrer uma desorganização no individuo, pois ele é “devorado” por uma nova cultura e em paralelo “despedaçado” por sua cultura. A mesma autora afirma que a comunicação influência no modo de pensar, sentir e raciocinar do migrante, pois ao mesmo tempo em que comunica, faz com que o intercambista crie uma nova realidade e resignifique conceitos, tendo em vista que a linguagem viabiliza uma imagem subjetiva, em que, quando é estabelecido um diálogo com o outro, torna-se objetiva.

Este processo de objetivação da comunicação é corroborado pela fala de Cecilia: “ quando você conhece a língua, muda completamente”(sic), de Giovanna que considera que “Saber a língua muda completamente.” ou ainda a fala de Enzo:” sempre tem a barreira linguística [...] mas quando cheguei parecia que não sabia uma palavra” (sic).

Quanto à subcategoria “distância da família”, Sabben (2001) considera que intercambistas introvertidos são mais suscetíveis a sentir saudades e que a saudade pode ser classificada como: positiva e negativa. A saudade positiva se refere a um passado que o sujeito deseja e a saudade negativa refere-se a um presente e um futuro que o sujeito não deseja. Através do discurso de Cecilia pode-se perceber a saudade positiva “ sentia saudade da familia, ver foto das pessoas juntas no natal e você no frio fazendo trabalho”(sic). Assim como na fala de Enzo: “ O que mais aperta é a saudade da família [...] mas eles vieram em visitar” (sic).