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Aspectos facilitadores e limitadores para permanência

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 Caracterização do perfil pessoal e acadêmico dos estudantes

4.1.3 Aspectos facilitadores e limitadores para permanência

Nessa etapa de nossa investigação buscamos conhecer os aspectos facilitadores e limitadores para a permanência. Em estudo sobre a correlação entre o processo de adaptação ao ensino superior e o rendimento acadêmico, Cunha e Carrilho (2005, p. 216) apontam ser:

Necessário olhar o estudante de forma diferenciada e acolhedora, principalmente no momento do seu ingresso no curso superior, por ser o primeiro ano de graduação um período crítico para o seu desenvolvimento e o seu ajustamento acadêmico. Nesta fase, o estudante experiencia vários desafios provenientes das tarefas psicológicas normativas inerentes à transição da adolescência para a vida adulta que quando confrontadas com as exigências da vida universitária constitui-se um desafio a ser vencido (grifo nosso).

Coadunamos com a visão acima, de Cunha e Carrilho, e almejamos investigar sobre os primeiros dias de aula dos nossos pesquisados. Entre os entrevistados, quatro relataram terem sido muito bons os primeiros dias de aula. As falas abaixo refletem o que sentiram:

Foi maravilhoso, era meu sonho (Saulo, DF). Felicidade grande (Rômulo, DF).

A turma foi recepcionada com dinâmicas, com abraços, essas questões que nos levam a ser mais humanos e isso foi muito bom. Porque eu vi uma diferença desse curso agora para outro que fiz (Mathias, DF).

Foi interessante, teve a semana de integração, os veteranos apresentaram a universidade, apresentaram também alguns professores do meu curso, falaram sobre várias coisas da universidade, foi bem abrangente, bem acolhedor (Camily, DF).

Os estudantes que disseram ter encontrado dificuldades nos primeiros dias de aula relataram:

Os primeiros dias foram confusos, difíceis. Foi um choque porque eram pessoas diferentes, era um ambiente diferente, eu ficava perdida, eu ficava com medo até dos professores. Eu achava que todo professor de universidade eram pessoas mais fechadas, tipo não sabia nem os nomes dos alunos, tipo, achei que eu não ia receber tanta atenção (Alana, DV baixa visão).

Como eu vim de escola pública do interior, as coisas que eu vi aqui eram bem difíceis, bem diferentes das coisas do ensino básico e eu tive muita dificuldade e a primeira semana para mim, realmente, foi muito ruim (David, DV baixa visão)

Foi desafiador, os primeiros dias eu não conhecia ninguém e isso foi muito triste, sabe. Eu cheguei até a sentar num banco ali, começar a chorar e pegar no telefone para pedir o motorista que vem me deixar aqui, dizendo que ia desistir, que não ia ficar aqui (Jacó, DV cegueira).

Meio corrido, até porque eu estava doente e questão de informação, de você saber achar a localização aqui em Natal (Fábio, DF)

Eu vim com o mínimo do mínimo para me manter, contando de conseguir uma vaga na residência, um auxílio estudantil, um auxílio alimentação [...]os trinta primeiros dias eu dormi no chão em uma casa emprestada [...] Para mim foi extremamente traumático, difícil, complexo, não foi fácil, não fosse eu uma pessoa já adulta não teria conseguido, não teria a estabilidade psicológica para aguentar, mas como eu vim com um objetivo que é maior do que eu, porque tem outras pessoas que dependem de mim, eu já vim preparado que seria difícil, só não esperava que seria tão difícil (Amato, DF). Analisando as falas acima, vemos que fatores internos e externos colaboraram tanto para as dificuldades quanto para o sentimento de satisfação em relação a estar e pertencer à educação superior nos primeiros dias do ingresso. Quanto aos aspectos positivos, destacamos a menção às formas diferenciadas de acolhimento e a semana de integração como forma de favorecer o sentimento de segurança e pertencimento à educação superior. Ao que tange a aspectos negativos, tem-se desde sentimento de tristeza, medo relacionado ao fato de não conhecer ninguém e estar em um ambiente novo, problemas causados pela má possibilidade de estudo em anos anteriores ao ensino superior, dificuldades por barreiras impostas decorrentes de aspectos físicos, estruturais ou de logística da unidade de ensino, até a dificuldade financeira de permanecer em uma cidade nova, para os estudantes que tinham residência em cidades distantes do local de aulas.

De acordo com a V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos graduandos das IFES (2018), 32,7% de discentes de IFES pensaram em abandonar o curso por dificuldades financeiras e 10,3% já fizeram trancamento geral de matrícula por impedimento financeiro. Desta feita, buscamos saber que auxílios os discentes de nossa pesquisa estavam recebendo. O quadro abaixo revela os dados encontrados:

Quadro 14- Auxílios financeiros recebidos pelos discentes da UFRN aprovados no Processo Seletivo Sisu 2018 - UFRN nas vagas reservadas à pessoa com deficiência

Quantidade de Estudantes Auxílios

5 Auxílio Alimentação 15 Bolsa Acessibilidade 1 Auxílio em Competições 1 Auxílio Óculos 2 Auxílio Moradia 1 Auxílio Transporte 1 Residência Total 26

Fonte: elaborado pela autora, 2019.

Observa-se que mais de 50% dos discentes contemplados com auxílios recebem o auxílio financeiro denominado Bolsa Acessibilidade. Para compreensão desse auxílio, pontuamos o que é posto no Edital nº 003/2018.1-CAENE:

O Programa Bolsa Acessibilidade da UFRN, financiado com recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), é destinado aos estudantes com deficiência dos cursos da primeira graduação na modalidade de ensino presencial e que comprovem estar em situação de vulnerabilidade social e econômica. Os beneficiários dessa modalidade de bolsa compreendem os estudantes com deficiência física, auditiva, visual, intelectual, múltipla ou estudantes com transtorno do espectro autista, aliada à situação de vulnerabilidade social e econômica, regularmente matriculados na UFRN (UFRN, 2018).

A Bolsa Acessibilidade configura-se um marco e um apoio diferencial para os estudantes com deficiência de primeira graduação, pois entendemos que se intenciona a partir desse auxílio fortalecer a permanência com qualidade. Ressaltamos que um dos discentes entrevistados mencionou necessitar percorrer grande distância entre sua moradia e a cidade onde ocorrem suas aulas e a dificuldade que estava tendo com os gastos financeiros para a locomoção. O estudante disse ser fundamental esse auxílio, para custear seu deslocamento:

Eu pegava um moto táxi até a cidade (nome da cidade) - pagava 220 reais mensais - e de lá para a cidade (nome da cidade onde ocorre as aulas) - pagava 260 reais mensais – fora – 15 reais – duas vezes por semana para ir à tarde (Saulo, DF).

Além da dificuldade financeira, o discente mencionou na entrevista o desgaste físico que teve também ao perfazer numa motocicleta o trajeto até a cidade em que ocorriam suas aulas, fato que agravou sua condição física levando-o a solicitar Regime de Exercício Domiciliar31.

Perguntamos ainda aos discentes sobre as dificuldades ou barreiras que encontraram no primeiro semestre e as resoluções desenvolvidas para dirimi-las, com o objetivo de conhecer e compreender tanto o enfretamento pessoal quanto o institucional. Organizamos em três eixos, expostos no quadro abaixo, o que os discentes mencionaram:

Quadro 15 – Barreiras/dificuldades e resoluções

Eixos Dificuldades/barreiras na IES Resoluções para as dificuldades encontradas Dificuldades decorrentes da transição da Educação Básica para a Educação Superior

“Tive dificuldades em algumas disciplinas, por conta desse choque entre ensino médio e universidade” (Alana, DV baixa visão)

“Muitas vezes eu procurava ajuda de amigos, conselhos, procurava estudar... tive também uma professora que me ajudou muito”. (Alana, DV baixa visão)

“A questão da linguagem, tudo era diferente” (Saulo, DF)

“Assisti vídeos no YouTube e li artigos” ( Saulo, DF)

Dificuldades

decorrentes da condição de deficiência

“Tenho dificuldade em compreender, não tenho muita coragem de tá pedindo o professor para ficar repetindo”32. (Pietro, DA).

“Peço ajuda ao meu colega do lado. O Parecer da CAENE ajudou: os professores passaram a explicar mais devagar e a falar o que tinha nos slides”. (Pietro, DA).

31

Cf. Art. 263, da Resolução nº 171/2013-CONSEPE, sobre o Regime de Exercício Domiciliar.

32

O discente tem deficiência auditiva e não faz uso de aparelho auditivo, nem é usuário de Libras e nem de outra forma que o auxilie na compreensão do que é falado ao seu redor.

“Senti dificuldade nos Laboratórios [...] nos slides que também era difícil de entender, de ver, no momento de provas práticas, em duas disciplinas”33. (Tásia, DV baixa visão)

“Estudei na página do curso, no facebook, ...e o professor de uma disciplina me deu um tempinho a mais”. (Tásia, DV baixa visão)

Dificuldades decorrentes das condições arquitetônicas/ metodológicas/ burocráticas da IES

“Muitos buracos no percurso, no meu caminho, até a sala de aula; [...] na leitura dos materiais, e tive dificuldade em uma disciplina de cálculo” (Jacó, DV cegueira)

“A acessibilidade no circular (ônibus), pela ineficiência dos elevadores, que muitos não funcionavam e também a questão da sala não ser tão perto do banheiro. [...] Como sequela da minha condição eu não consigo ter domínio da urina e de fezes”. (Jhon, DF)

“Os buracos, ainda tem lá, mas estão na reforma [...] recebi treinamento de Orientação e Mobilidade e o laboratório34 tem me ajudado muito transcrevendo o material em áudio. O tutor está me ajudando na disciplina, estou conseguindo me dar bem” (Jacó, DV cegueira)

“Basicamente continua do mesmo jeito, até motorista que não são treinados a atuar nessa situação (transportar estudante em cadeiras de roda) findam agindo de forma errada e dificulta bastante [...] quanto à sala eu fui atendido e mudaram a sala”. (Jhon, DF)

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

Vemos pelas falas acima tanto esforços pessoais quanto institucionais para atender às necessidades surgidas nesse primeiro contato com a educação superior. Enxergamos através dos relatos o protagonismo de amigos, professores, coordenadores, diretores de centros e unidades acadêmicas, profissionais de serviços de apoio ao discente e colegas de turma em atuação efetiva frente às dificuldades nas disciplinas e na aprendizagem de conteúdo, na troca de sala para localizá-la próximo aos banheiros, na adaptação de materiais textuais. Porém, gostaríamos de desnudar alguns pontos encobertos em algumas falas que nos chamou a atenção. Quando o discente Saulo, DF, falou: “A questão da linguagem, tudo era diferente” ressaltamos que aqui ele referia-se ao contato com o léxico universitário e o distanciamento entre esse e o léxico utilizado em sua vida cotidiana. Mencionou que recorreu a vídeos e a leitura de artigos que o ajudassem a inserir-se na linguagem do mundo acadêmico. Vemos com isso o impacto causado pela inserção desse sujeito na Educação Superior, que vai além do que pudemos supor correlacionado à sua condição de deficiência, uma vez que no caso em

33

A discente só solicitou apoio a CAENE ao fim do primeiro ano de curso e relatou queixas, tais como o tamanho da fonte que poderiam ter sido dirimidas caso estivesse em acompanhamento.

34

tela, o discente possui a condição de deficiência física e relatou como muito impactante o seu distanciamento em relação à linguagem acadêmica.

No caso do estudante Pietro, com deficiência auditiva, que relatou “Tenho dificuldade em compreender, não tenho muita coragem de tá pedindo o professor para ficar repetindo”, nas entrelinhas de seu relato, extraída durante a entrevista, está também a dificuldade de aceitar sua condição biológica, uma vez que não faz uso de aparelho auditivo, não é usuário de Libras e nem de outra forma que o auxilie na compreensão do que é falado ao seu redor, mesmo tendo orientação de um fonoaudiólogo quanto à necessidade de uso de algum recurso que o ajude na comunicação. Depreende-se, então, que essa problemática, que certamente impacta na permanência, perpassa por aspectos pessoais que somente quando acompanhados de perto, por profissionais atentos, tem chance de resolução. Outras medidas para a permanência, de ordem prática, podem e devem ser efetivadas, tais como a conservação das calçadas, a qualificação de profissionais que prestam serviços de apoio ao discente, dentre os quais motoristas e até mesmo outros estudantes.

Trazendo os apontamentos de Teixeira et al (2008, p. 199) sobre adaptação a universidade em jovens calouros, concordamos que

é preciso oferecer serviços especializados que possam dar atenção àqueles estudantes que venham a se deparar com maiores dificuldades de adaptação, seja por estarem longe da família, por não se sentirem eficazes para fazer amigos, por não conseguirem se organizar para dar conta das exigências acadêmicas ou mesmo por apresentarem outros problemas pessoais que possam interferir no seu funcionamento cotidiano.

No caso dos discentes com deficiência, é preciso, além de tudo exposto acima, atentar para as potencialidades e habilidades de cada sujeito, ajudá-los no desenvolvimento de uma auto-identidade positiva (STAINBACKet al, 1999), pois por muitas vezes se enfatiza o que eles não podem fazer e isso é danoso.

Outro fator que pode contribuir sobremaneira para a permanência e ambiência na Educação superior é a satisfação em relação ao curso. A V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos graduandos das IFES (2018) aponta que 18,4% dos estudantes das IFES já pensaram em abandonar o curso devido à insatisfação em relação à qualidade do curso, 18,8% por incompatibilidade com o curso e 11,2% já realizaram o trancamento geral de matrícula por insatisfação com curso. Esse, então, é um ponto importante a ser investigado como um indicador do desejo e possibilidades de permanecer na IES.

Quando questionamos os discentes de nossa pesquisa a esse respeito, todos os discentes entrevistados disseram estar satisfeitos em relação ao curso, mesmo os que ingressaram na segunda opção de curso. Para Teixeira et al (2008, p. 197), o grau de motivação para o curso específico, bem como características mais gerais de personalidade (como proatividade), podem ser fatores que diferenciem aqueles que persistem nos cursos, dos que desistem frente às dificuldades.

De acordo com Teixeira et al (2008), o ajustamento à universidade entre os calouros perpassa por um conjunto de aspectos que faz com que eles se sintam pertencentes ao curso e à instituição. Tais aspectos são fatores importantes na experiência de adaptação e se relacionam a vínculos afetivos com os colegas, as relações com os professores, as atividades extraclasse e com o desenvolvimento de estratégias que os ajudem a lidar com as frustrações e dificuldades.

Abaixo, estão expostas falas que registram o que os discentes de nossa pesquisa relataram sobre os colegas:

O relacionamento sempre é positivo, mas não tem como evitar o choque de gerações. Eu sou o tiozão da turma (Amato, DF).

Os colegas são bem legais tem uns que nem percebem que eu tenho deficiência (Rômulo, DF).

Sempre que eu estou com alguma dúvida, eu peço ajuda a eles, principalmente aos que eu já conhecia (Guto, DA).

Peço ajuda ao meu colega, ele me ajuda... os colegas que estudaram comigo semestre passado, porque alguns reprovaram, e pagam a mesma matéria que eu, basicamente sempre me tratam normal, não tem nenhum problema (Pietro, DA).

Boa relação com todos eles. No meu caso, eu sou bem na minha, calada, mas isso não limita a ter uma boa relação com eles. Dúvidas ou momentos que a gente tá em discussão, a gente tem esse momento de estudo e é bem legal (Viviane, DF).

A minha deficiência não é tão visível, então eu acredito que muitos não percebam, apesar de na aula eu só me sento na frente, porque se eu sentar mais para trás eu não consigo ver os slides. Assim na aula eu presto atenção e isso chama muito atenção dos meus colegas. Sem contar que eu não sou muito da faixa etária deles, eu já tenho 45 e o pessoal tem uma média de 18, 20 anos. Eu acho que eles me acham um pouco diferente [...] mas eles colaboram sim (Tásia, DV baixa visão).

Acima, vemos falas que expõem um pouco desse relacionamento entre os discentes, e é interessante perceber que quando há uma diferença na faixa etária, ela é mencionada pelo participante da entrevista de forma sútil como uma possível barreira ou algo que pode causar um truncamento nas relações. Em algumas falas, faz-se menção a não percepção e invisibilidade da deficiência, isso muitas vezes, apesar de parecer ser positivo para alguns

deles, na verdade pode se configurar como ponto negativo, uma vez que não percebendo as diferenças, trata-se igualmente quem necessitaria ser visto em sua singularidade para ter sua unicidade respeitada.

Um fator também importante para a permanência é o relacionamento entre docentes e discentes. A premência de investigar a relação professor-aluno pode ser analisada a partir da visão de Teixeira et al (2008, p. 194) acerca da importância do papel do professor na vida dos discentes:

A importância dos professores para a adaptação à vida acadêmica dos calouros é percebida em dois planos: o acadêmico e o pessoal. Os alunos notam que o desempenho em sala de aula, a competência e a capacidade de ensinar do professor são aspectos que contribuem para gostar do curso e envolver-se nas atividades. Quando isso não ocorre, o sentimento é de frustração. Porém, além dessa dimensão acadêmica do papel docente na adaptação, os professores também podem cumprir uma importante função no aspecto pessoal do ajustamento à universidade. Esse segundo papel, embora não pareça central, é percebido pelos alunos como uma demonstração de interesse que vai além do aprendizado formal.

Coadunamos com os autores supracitados quanto à capacidade docente em interferir tanto no âmbito pessoal quanto no âmbito acadêmico, porém, ressaltamos que muitas vezes no seu fazer profissional o professor não tem consciência disso. É preciso não colocar todo peso da adaptação sobre o professor, é preciso enxergá-lo como alguém que vive um contínuo processo de aprender e ensinar. E no caso dos docentes da educação superior, eles têm iniciado nos últimos anos o aprender a atuar frente à diversidade, uma vez que cada vez mais grupos minoritários têm chegado a esse nível de ensino.

No âmbito de nossa pesquisa quanto ao relacionamento com os docentes, os discentes relataram:

Graças a Deus eu tive uma professora que me ajudou muito, nos últimos dias do primeiro período e me ajudou bastante. Quer dizer, duas professoras, de duas disciplinas. Eu estava com muita dificuldade, minha nota não estava tão boa assim, mas tipo eu não era uma pessoa de relaxar, de não estudar, eu sempre fui estudiosa, e os professores viam isso (Alana, DV baixa visão). O meu professor, ele passou um trabalho de entrevista e como tinha que transcrever ele ajudou a encontrar alguém para fazer o trabalho comigo, ele me ajuda bastante. E o outro professor da outra disciplina também (Guto, DA).

Os professores são bons, mas eles não estão preparados para atender o deficiente visual. Não sei nas outras deficiências, mas na deficiência visual não. O professor da disciplina (nome da disciplina) disse pra mim: Jacó eu não sei o que fazer com você, eu não tenho nem ideia. Mas já tá mudando, mudou muito (Jacó, DV cegueira).

Os professores estão mais receptivos no segundo semestre, no primeiro foi mais difícil. E no primeiro eu fiquei uma parte em regime domiciliar e não tinha muito retorno deles (Saulo, DF).

Todos os que eu procurei e disse da minha condição procuraram me ajudar (Tásia, DV baixa visão).

Vemos através das falas o esforço de alguns professores em buscar atender às necessidades dos discentes, mesmo quando não sabem bem o que fazer. Percebemos, também, comportamentos que indicam antagonismos entre ser resistente e ser flexível, não estar preparado versus buscar ajudar. Martins (1999, p. 138) já alertava para o fato de que mesmo com todo o avanço da ciência e da educação, coexistem (ainda hoje) atitudes que denotam antigas superstições, medo e preconceito frente à pessoa com deficiência, assim como comportamentos que demonstram efetiva preocupação com sua educação e inclusão social. Nesse sentido, a autora aponta a necessidade de convivência plena entre pessoas com e sem deficiência, importância de formação inicial e continuada dos profissionais da educação quanto a aspectos educacionais inclusivos e de um fluxo contínuo, intenso e sistemático social sobre as condições, possibilidades e direitos das pessoas com deficiência em toda a sociedade (MARTINS, 1999, p.139).

Outra variável desejada por nós para ser observada diz respeito às expectativas dos discentes. Buscamos investigar as expectativas trazidas em relação a permanência na UFRN até a conclusão do curso, bem como as expectativas que traziam sobre a diplomação. Quanto às expectativas para a permanência, os discentes expuseram:

Assim sabe, que muitas pessoas com deficiência ainda vão entrar aqui. Como a UFRN está se comportando, eu acredito que muitos deficientes vão entrar. Inclusive tem uma amiga com deficiência que vai fazer o Enem com intenção de vir de estudar aqui também (Jacó, DV).

Eu espero que eu possa concluir o meu curso, aprender e conseguir ter uma boa carreira no futuro (Camilly, DF).

Minha expectativa é a melhora da acessibilidade, questão física. Como que eu posso dizer mais?[...] Espero que nenhuma dificuldade que apareça na frente me impeça de seguir no curso, que eu possa concluir pra que eu possa repassar o conhecimento adquirido aqui na escola, na UFRN, na verdade, e que mais pessoas busquem. Mais pessoas com deficiência, ou sem mesmo, que tenha vontade de seguir em qualquer curso, não só em música (Joseph, DV cegueira).

Tenho altas expectativas quanto ao meu curso (Amato, DF).

Que mais pessoas como eu entrem e não tenham as mesmas dificuldades que

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