• Nenhum resultado encontrado

3 O CONSELHO DE ACOMPANHAMENTO E CONTROLE SOCIAL DO FUNDEB

3.1 Aspectos gerais do município de Mossoró-RN e o Fundeb

A cidade de Mossoró está situada a oeste do Estado do Rio Grande do Norte, na região Nordeste do Brasil. Em que pese ser o maior município em extensão territorial com uma área um pouco superior a dois mil quilômetros quadrados, está em segundo lugar - considerando critérios econômicos - no Estado, atrás apenas da sua capital, Natal.

A cidade ocupa igualmente o segundo lugar no Estado no critério populosidade, contando com uma população estimada, em 2018, de 294.076 habitantes e, consequentemente, 140,1 habitantes por quilômetro quadrado.

A sua localização é de relativo privilégio por estar no meio da rota entre as duas capitais da região, Natal e Fortaleza (capital do Ceará), distando 245 km desta e 278 km daquela. Nas suas fronteiras, estão municípios do RN e do CE: ao norte, Tibau, Grossos e Aracati-CE; ao leste, Areia Branca, Serra do Mel e Assú; ao sul, Governador Dix-Sept Rosado e Upanema; e a oeste, Baraúna, conforme se vê com maior precisão no mapa abaixo:

Mapa 01. Localização do município de Mossoró no Rio Grande do Norte.

Fonte: Da Silva, 2017.

Conforme dados obtidos a partir do Censo Demográfico de 2010, mais de 90% da população mossoroense vive na zona urbana. Todavia, essa conformação se deu paulatinamente a partir da década de 1960, momento em que a economia passou a migrar da salinicultura rudimentar e da extração de matéria-prima para a agroindústria e a pecuária para o ramo de serviços e venda de produtos, o que ocasionou o mencionado êxodo rural (FELIPE, 2001).

Atualmente, a base econômica de Mossoró se assenta em três atividades principais, quais sejam, a salinicultura, a exploração do petróleo, a fruticultura irrigada e as atividades terciárias, que compreendem o comércio e os serviços (DA SILVA, 2017).

Com a sua pirâmide etária concentrada na população com idades entre 20 e 44 anos, a cidade apresenta uma média de salário mensal dos trabalhadores formais de 2,4 salários mínimos, com 22,3% da população ocupada em 2016, segundo último dado disponível pelo IBGE (2016).

No aspecto educação, em que pese apresentar uma taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade de 97,7% – dados de 2010 – o seu IDEB relativo aos anos finais do ensino fundamental é de 3,7, o que lhe confere a posição 3699º dentre os municípios do país e 42º no Estado do Rio Grande do Norte, contrapondo-se ao fato de estar em segundo lugar no critério populosidade e economia no Estado (IBGE).

Ainda com relação ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, vejamos os dados a partir de 2013 (ano inicial do nosso estudo), comparando os números do município de Mossoró com a média do país:

Gráfico 01. Relação entre o IDEB do município de Mossoró-RN e a média brasileira

Fonte: BRASIL (2019). Organizado pelo autor.

Como percebemos, a partir dos dados trazidos pelo gráfico, o município de Mossoró está sempre aquém da média nacional, e essa inferioridade se destaca quando a comparação considera os anos finais do ensino fundamental.

Podemos inferir, portanto, que o transcorrer do ensino fundamental tem apresentado fragilidades na relação ensino-aprendizagem, sendo possível que isso se dê pelos mais variados motivos, dentre eles a malversação do dinheiro público destinado à educação básica, o Fundeb. Desse modo, mostra-se oportuno entender um pouco mais sobre ele.

A Constituição Federal promulgada em 1988, no seu art. 212, garante aplicação mínima de recursos provenientes de todas as instâncias da federação à manutenção e ao desenvolvimento do ensino, com prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório referentes à universalização e à garantia do padrão de qualidade e equidade.

Em 2006, a Emenda Constitucional nº. 53 modificou o art. 60 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, determinando que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deveriam destinar parte dos recursos à remuneração condigna dos trabalhadores da educação.

Para acompanhar e fiscalizar os referidos recursos, fez-se necessária a criação, em cada Estado e no Distrito Federal, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - Fundeb, caracterizado como um Fundo especial, de natureza contábil e de âmbito federal, estadual e municipal e constituído, na sua maior parte, por recursos provenientes dos tributos e transferências das instâncias federativas vinculadas à educação, em acordo com o já mencionado art. 212 da Constituição Federal.

2013 (anos iniciais) 2013 (anos finais) 2015 (anos iniciais) 2015 (anos finais) 2017 (anos iniciais) 2017 (anos finais) Mossoró 4,8 3,7 5,2 3,7 5,3 3,7 Brasil 5,2 4,2 5,5 4,5 5,8 4,7 0 1 2 3 4 5 6 7 Mossoró Brasil

Segundo o sítio eletrônico do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o aporte de recursos provenientes do Governo Federal ao Fundeb, que era de dois bilhões em 2007, passou para 3,2 bilhões em 2008 e 5,1 bilhões em 2009; a partir de 2010, o valor de recursos ao Fundo passou a corresponder a 10% da contribuição total dos estados e municípios de todo o país. Os investimentos realizados pelos governos dos estados, Distrito Federal e municípios e o cumprimento dos limites legais da aplicação dos recursos do Fundeb são monitorados por meio das informações declaradas no Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (SIOPE).

Segundo o FNDE, a distribuição dos recursos do Fundeb consideram as matrículas nas escolas públicas e conveniadas, apuradas conforme o último censo escolar, o qual é realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), e os alunos considerados e atendidos são os que estão na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio, na modalidade regular de ensino, na educação especial, na educação de jovens e adultos e no ensino profissional integrado, em escolas localizadas na zona rural ou na urbana e com regime de atendimento em tempo integral ou parcial (SIOPE).

Assim, entendemos que a distribuição de receitas do Fundeb é pautada em determinados critérios, aparentemente objetivos, e que cada ente da federação contemplado com tal repasse deve contar com um Conselho próprio para, dentre outras funções, fiscalizar a utilização desses recursos, conforme veremos adiante.