INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de diferenciar os aspectos gerais de uma espécie de verme parasita com importância médica considerável, que é o Wuchereria bancrofti que compreendem desde as relações patogênicas geradas pelo parasita no ser humano, até a manifestação da doença chamada de Filariose ou Elefantíase; compreendendo, então, aspectos de sua epidemiologia, como diagnosticar a doença e as possíveis formas de profilaxia e tratamento da mesma. Então, prontos para aprender mais?? Então vamos lá.
Aspectos gerais do parasita Wuchereria bancrofti
Os vermes parasitas, pertencentes a espécie Wuchereria bancrofti, são finos e delicados encontrados geralmente, nos vasos linfáticos, vasos sanguíneos, tecido subcutâneo. Eles pertencem a ordem chamada de Spiruruda e necessitam de um hospedeiro intermediário para completar o seu ciclo de vida. Além disso, esses vermes apresentam dimorfismos sexual, ou seja, a forma adulta da fêmea é morfologicamente distinta da forma adulta do macho. Segundo Neves (2002), esta espécie apresenta diversas formas morfológicas em seu ciclo de vida, nos hospedeiros vertebrados (humanos) e nos hospedeiros invertebrados (mosquitos vetores), são eles:
• Adultos machos: São vermes de aspecto translúcido. Apresentam uma estrutura corpórea delgada, medindo em média 4cm de comprimento. A sua extremidade anterior é afilada e a posterior se encontra enrolada ventralmente. Nessa região, estão dispostas papilas sensoriais em torna de sua cloaca. Seus órgãos copuladores estão representados por dois espículos de tamanho e forma desiguais.
• Adultos fêmeas: O corpo das fêmeas é delgado e de coloração branca, elas medem em média 10cm, sendo, portanto, maiores que os machos. Apresentam órgãos genitais duplos, com exceção da vagina, que é musculosa e se exterioriza em uma vulva bem próxima da extremidade anterior do animal. Na parte distal do útero estão localizados os ovos embrionados e na parte mais próxima da vagina estão as larvas alongadas.
• Microfilária: São formas bem diminutas, medindo cerca de 250 micrômetros. Podem ser conhecidas também como embrião.
Essas são revestidas por uma membrana delicada e flexível, chamada de bainha cuticular.
A forma adulta de fêmea grávida realiza a postura das formas de Microfilária ou embriões.
• Larvas: Estas formas são encontradas no inseto vetor. São formas pequenas medindo em média 300 micrômetros. Elas se diferenciam até chegar ao quarto estágio de desenvolvimento, quando são chamadas de larvas em estágio L4.
Figura 10: Desenho esquemático das formas corpóreas larvais (L1 aL5) do parasita Wuchereria bancrofti em (A); Foto em microscopia óptica de macho e fêmea em (B) e
Microfilária em (C).
Fonte: Imagem (A) Rey (2008, p. 650) e imagem (C) e (D) Rocha (2013, p. 269).
Esses vermes parasitas geralmente habitam, no hospedeiro humano, o espaço interno de vasos linfáticos, que estão distribuídos por todo o corpo. Uma vez que esses vasos também se comunicam com vasos sanguíneos, as microfilárias podem ser encontradas também no sangue circundante. Para completar seu ciclo de vida esses parasitas também se abrigam em mosquitos do gênero Culex. Na seção seguinte veremos mais detalhes sobre o ciclo de vida deste parasita.
Ciclo de vida
O ciclo de vida Wuchereria bancrofti é do tipo heteróxeno e envolve o hospedeiro intermediário a fêmea da espécie Culex quinquefasciatus e hospedeiro definitivo o ser humano. No ciclo de vida desse parasita, as fêmeas do mosquito Culex quinquefasciatus se alimentam do sangue de pessoas parasitas e ingerem as formas infectantes do parasita. As microfilárias, ao chegarem no estômago do mosquito, perdem a bainha e migram para a região torácica. Nos músculos, as microfilárias transformam-se em uma larva, de formato salsichóide ou de L. Cerca de transformam-seis a dez dias, após o repasto infectante, ocorre a primeira muda, originando a larva em estágio dois (L2). Essa cresce muito e, 10-15 dias depois, sofre a segunda muda, transformando-se em larva infectante ou L3, que migram pelo corpo do inseto, até alcançarem a região da probóscide.
Quando o inseto se alimenta novamente acaba ingerindo as larvas infectantes na pele do hospedeiro humano. Então, essas migram para os vasos linfáticos, onde transformam-se em vermes adultos. Em média, oito meses depois disso, o macho e a fêmea realizam a cópula, e as fêmeas grávidas produzem as primeiras microfilárias.
Descrição do ciclo baseado nos trabalhos de Neves (2002); Rey (2008) e Rocha (2013): O ciclo de vida do verme parasita Wuchereria bancrofti inicia-se a picada da fêmea do mosquito Culex quinquefasciatus e penetração de larvas infectantes L3 na pele (1). Essas larvas transformam-se em formas adultas no interior de vasos linfáticos (2). Após a cópula, as fêmeas grávidas liberam as microfilárias nos vãos sanguíneos e linfáticos (3). Quando o mosquito se alimenta do ser humano adquire as formas de microfilárias (4). No estômago do inseto, as microfilárias migram para
os músculos torácicos (5). Nos músculos, as microfilárias originam as larvas no primeiro estágio (L1) (6). Após um certo período, as larvas em L1 transformam-se em larvas em terceiro estágio infectantes (7). As larvas infectantes L3 migram para a probóscide do inseto (8). Quando o mosquito se alimenta de outra pessoa reinicia o ciclo do parasita.
Figura 11: Representação esquemática do ciclo de vida do parasita Wuchereria bancrofti.
Fonte: Imagem (A) Rey (2008), pp. 650 e imagem (C) e (D) Rocha (2013, p. 270).
Existe uma periodicidade nas microfilárias do parasita, que durante um certo período do dia migram para vãos sanguíneos mais superficiais. O pico dessas formas nos vasos periféricos coincide, na maioria das regiões endêmicas, com o horário preferencial de hematofagismo do principal inseto transmissor.
Os vermes adultos, machos e fêmeas, permanecem juntos nos vasos e gânglios linfáticos humanos, se reproduzindo. Eles vivem, em média, quatro a oito anos.
Transmissão
A Transmissão da Elefantíase acontece apenas por meio da picada da fêmea do mosquito Culex quinquefasciatus, a partir da disposição do estágio larval infectante (L3) na pele lesada do hospedeiro humano.
Existem alguns fatores que propiciam a saída das larvas da probóscide do mosquito para a pele humana, dentre eles o suor. Vale destacar que, o mosquito não insere a larva no hospedeiro, essa larva penetra por meio da lesão feita pela picada do mosquito.