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2.1.1- O início do processo educativo no Brasil

A educação no Brasil iniciou-se com a vinda dos jesuítas em 1549, com a chamada Companhia de Jesus, para as terras da recém descoberta colônia portuguesa. Nesse período a educação foi voltada para a catequização dos povos indígenas que aqui habitavam. Era uma educação pautada na conversão dos índios à fé cristã, para que os mesmos se tornassem mais dóceis e pudessem servir de mão-de-obra para futuros empreendimentos, tais como construção de instalações, de casas, estradas entre outros, fazendo assim dos jesuítas os primeiros professores do Brasil, tendo como principal nome José de Anchieta (1534 – 1597).

O ano de 1549 marca também a fundação da primeira instituição de ensino na então colônia, por padre Manoel da Nóbrega (1517 – 1570) na Bahia que objetivava educar além dos índios, os filhos dos colonos, que em relação aos índios tinham uma melhor estrutura de ensino pois contava com mais investimentos de acordo com Azevedo (2018). Nesse período a educação era pautada fortemente em ensinar a ler, contar e respeitar os preceitos católicos. Essa educação foi transmitida por aproximadamente dois séculos, findando com a expulsão dos jesuítas das terras brasileiras em 1759. A educação passa então a ser ministrada com cunho laico e com práticas educativas mais voltadas para o cotidiano.

Com a ruptura da educação ministrada pela Companhia de Jesus, o Estado passa a assumir a educação. Houve também uma mudança nos professores, que substituíram os jesuítas que foram expulsos. Foram introduzidas aulas de grego, latim e retórica, que eram ministradas por professores sem preparo e supervisionadas pela figura do diretor de estudos. Com essa mudança o nível de ensino foi rebaixado, mas as estruturas montadas pelos jesuítas se mantiveram dando continuidade as ações pedagógicas de acordo com Souza & Santos (2019).

No ano de 1808 o desembarque da Família Real trouxe para terras brasileiras um grande desenvolvimento cultural, mas a educação ainda era um privilégio para poucos. Mudanças no sistema educacional ocorreram nesse período e Romanelli aponta que:

“A principal delas foi, sem dúvida, a criação dos primeiros cursos superiores (não teológicos) na Colônia. Embora organizados na base de aulas avulsas, esses cursos tinham um sentido profissional prático. Dentre as escolas superiores, distinguiram-se a Academia Real da Marinha e a Academia Real Militar, esta mais tarde transformada em Escola Central e escola Militar de Aplicação, que tiveram a incumbência de formar engenheiros civis e preparar a carreira das armas. Os cursos médicos-cirúrgicos da

Bahia e do Rio de Janeiro foram as células das nossas primeiras Faculdades de Medicina” (Romanelli, 2014, pág.39).

2.1.2- Breve Histórico do ensino de ciências no Brasil

Ensinar ciências no Brasil começou de forma tímida, ganhando impulso no período imperial com a publicação de assuntos científicos em livros e revistas da época e com a inserção da disciplina ciências no ensino secundário do Colégio Pedro II. Já no século XX foi criado em São Paulo o Instituto Brasileiro de Educação, Ciências e Cultura (IBECC) na Universidade de São Paulo. Na década de 50 o ensino de ciências passou por algumas reformulações, mas ainda continuava com alguns problemas com relação a parte didática da disciplina. Com a concepção da LDB 4.204/61 instituiu-se a obrigatoriedade do ensino de ciências das últimas duas séries do ensino ginásio (atual ensino fundamental II) e um aumento nas horas no ensino colegial (atual ensino médio).

A década de 70 marca a inclusão de forma obrigatória do conteúdo de ciências em todas as séries do ensino fundamental a partir da LDB de 1971 Batista & Moraes (2019). Nessa década houve a inserção do ensino de ciências pelo método científico, onde o aluno deveria executar experimentos, que seria uma forma de melhorar o entendimento dos assuntos abordados. Na década de 70 também houve as primeiras discussões sobre os currículos, sobre sustentabilidade e a inserção de questões tecnológicas no ensino.

A década de 80 foi marcada pelo construtivismo de Piaget, com a elaboração de materiais didáticos com ênfase no processo experimental. Já a década de 90 marca a criação da LDB 9.394/96 e dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Batista & Moraes apontam que:

“[...] os dois documentos instruíam que a escola tinha papel de formar alunos capazes de exercer plenamente seus direitos e deveres na atual sociedade [...] (Ibidem, n.p).

Após os documentos criados na década de 90, políticas educacionais foram traçadas a fim de melhorar a qualidade da educação no país. Os documentos mais recentes foram, as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica de 2013, o Plano Nacional de Educação (PNE) do ano de 2014 e a mais recente a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de 2018. A BNCC, com relação ao estudo das ciências, aponta que:

“Ao estudar Ciências, as pessoas aprendem a respeito de si mesmas, da diversidade e dos processos de evolução e manutenção da vida, do mundo material – com os seus recursos naturais, suas transformações e fontes de energia – do nosso planeta no Sistema Solar e no Universo e da aplicação dos conhecimentos científicos nas várias esferas da vida humana. Essas aprendizagens, entre outras, possibilitam que os alunos

compreendam, expliquem e intervenham no mundo em que vivem” (Brasil, 2018, pág.325).

2.1.3- Importância histórica da experimentação nas ciências

A Física nasceu da necessidade e interesse do homem entender os fenômenos que aconteciam a sua volta. Desde a antiguidade, passando pelas idades contemporânea e moderna, grandes nomes puderam contribuir com estudos de suma importância para o desenvolvimento da Física enquanto ciência. Nomes como Arquimedes, Aristóteles, Isaac Newton, Galileu Galilei, Michael Faraday, Albert Einstein entre tantos outros, desenvolveram pesquisas e teorias que ajudaram o homem a entender muitos dos acontecimentos naturais.

A evolução dos estudos em ciências naturais ocorreu com a inserção dos experimentos no século XVII, de modo que:

“[...] as leis formuladas deveriam passar pelo crivo das situações empíricas propostas, dentro de uma lógica sequencial de formulação de hipóteses e verificação de consistência. Ocorreu naquele período uma ruptura com as práticas de investigação vigentes, que consideravam ainda uma estreita relação da natureza e do homem com o divino, e que estavam fortemente impregnadas pelo senso comum. A experimentação ocupou um lugar privilegiado na proposição de uma metodologia científica, que se pautava pela racionalização de procedimentos, tendo assimilado formas de pensamento características, como a indução e a dedução” (Giordan, 1999, pág. 44).

Os estudos foram avançando ainda mais com o advento de novas tecnologias em maquinário e instrumentos, que proporcionaram melhores observações de fenômenos relativos às áreas da mecânica, óptica e eletricidade, por exemplo. Nessas pesquisas a experimentação, aliada as essas novas tecnologias, foi de suma importância, principalmente no século XIX, pois:

“Experiências em diversos campos descobririam fenômenos até então não identificados e para os quais a comunidade científica não encontrava esclarecimentos e respostas adequadas [...]. O extraordinário desenvolvimento experimental nessa fase evolutiva da Física geraria, assim, a própria necessidade de revisão, de reformulação e de inovação teórica de forma a estabelecer as regras, normas e leis de uma nova realidade de fenômenos” (Rosa, 2012, pág.160).

De acordo com Jardim & Guerra (2017) recorrer a história da ciência na busca da compreensão de como se construiu a ciência, possibilitará que haja uma percepção, por parte dos alunos, que os experimentos têm grande importância ao longo da história. Trazer para as salas de aula debates à cerca dos experimentos que ocorreram durante a história é um caminho que poderá despertar nos alunos interesse pelo conteúdo trabalhado.

2.1.4- A criação e evolução do Curso Normal no Brasil

O ano de 1822 marca a Independência do Brasil, onde a colônia passa a se tornar um império. O papel da educação no recém-formado império tinha como objetivo a instrução da população de homens, brancos e a população livre. Era balizada em um discurso segregacional, em que as classes dominantes eram privilegiadas e os mais pobres ficavam a margem do acesso ao conhecimento na época. Santos & Souza destacam também que nessa mesma época: “[...]

foi instituído o método Lancaster ou “ensino mútuo”, em que, após treinamento, um aluno (decurião) ficaria incumbido de ensinar a um grupo de dez alunos (decúria), diminuindo, portanto, a necessidade de um número maior de professores” (Souza & Santos, 2019, pág.04).

A formação de professores se mostrou necessária de acordo com a lei das Escolas de Primeiras Letras que D. Pedro I (1798 – 1834) sancionou em 1827, o método de Lancaster, onde um professor poderia atender vários alunos, o que seria viável para a instrução de alunos de baixa renda, pois de acordo com essa lei houve a criação de escolas em todas as cidades e vilas populosas do Império de acordo com Marchelli (2017). Com a necessidade de atender a demanda de alunos foi criada em 1835 a primeira escola Normal do país na cidade de Niterói no Rio de Janeiro, com predominância de homens no curso conforme aponta Tanuri (2000).

O fomento ao curso Normal entre os anos de 1835 a 1883 contou com escolas espalhadas pelo Império sendo que muitas escolas fecharam e reabriram nesse período. O motivo dessa abertura e fechamento foi a falta de interesse da população (que em sua maioria era agrária) pela carreira do magistério e marcada também pela escravidão, conforme aponta Bertotti &

Rietow (2013).

O Curso Normal tinha a duração de 4 anos com a admissão dos concluintes do curso da Escola Primária Superior e que possuíam a fluência em idiomas como francês, inglês ou alemão.

O curso tinha a finalidade de capacitar o futuro professor na ciência de educar e de se integrar nas disciplinas que eram ministradas na escola primária. Havia também uma diferenciação no curso entre a prática masculina e feminina, o que mostrava uma segregação entre os gêneros na época. Com relação a estrutura física das escolas que ofertavam o Curso Normal: “[...] a infra-

estrutura disponível, tanto no que se refere ao prédio, como a instalação e equipamento, é objeto de constantes críticas nos documentos da época” (Tanuri, 2000, pág. 65).

No século XX, por volta da década de 30, houve grandes transformações no processo educacional do país, como por exemplo a criação do Ministério da Educação. Nascimento et al destacam que: “O período trouxe melhores perspectivas no campo educacional e foi favorecida por um momento de crescimento brasileiro que exigia mão de obra qualificada e por tanto, mais investimento no ensino nacional” (Nascimento et al, 2012, pág. 08). Nesse mesmo período houve a criação do Instituto Nacional de Pedagogia que depois se tornou o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), também da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a idealização da escola pública por Anísio Teixeira (1900 – 1971).

Nas décadas seguintes, não houve grandes avanços no que tange ao processo professores orientadores, supervisores e administradores escolares destinados ao ensino primário, e o desenvolvimento dos conhecimentos técnicos relativos à educação da infância”.

(Brasil, 1961, pág. 10). Com relação à formação, o Curso Normal era em um período de 4 anos com disciplinas obrigatórias do chamado curso secundário ginasial além das disciplinas pedagógicas.

Na década de 70, em seu início, tem-se uma nova lei, 5.692/71, trazendo para o Curso Normal um cunho tecnicista para dentro das salas de aula. A lei foi específica para dois segmentos de ensino, o primeiro e o segundo graus o que é conhecida hoje como educação básica. O primeiro grau, obrigatório, passou a ter 8 anos de duração e o segundo grau, em caráter técnico, que em alguns casos teria duração de 3 ou 4 anos dependendo do curso. No caso do Curso Normal, Romanelli frisa que teria: “[...] duração de 3 anos, destinados a formar professor polivalente das quatros primeiras séries do 1º grau, portanto, destinado a lecionar matérias do núcleo comum1” (Romanelli, 2014, pág. 260).

Em meados da década de 80 e início da década de 90 foram marcadas pela introdução a aprendizagem baseada nos estudos de Jean Piaget (1896 – 1980). O construtivismo passou a

1 Núcleo Comum: Comunicação e expressão; Integração social; Iniciação às Ciências, fixadas pelo Conselho Federal de Educação (Romanelli 2014).

nortear a prática dos professores em sala de aula, em especial das séries iniciais, onde o conhecimento prévio do aluno passou a ser o ponto inicial da aprendizagem. Outro fator importante que ocorreu na década de 90 foi a criação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 9.394/96 que vigora até os dias atuais. Em seu artigo 62, Pinto et al aponta que: “[...] estabelece que os docentes que atuarão na educação básica deverão ser formados em nível superior, em cursos de licenciatura plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas primeiras séries do ensino fundamental, aquela fornecida na modalidade Normal” (Pinto et al, 2007, pág. 60). Com isso o intuito do legislador era que somente existissem professores com formação superior lecionando na educação básica até o ano de 2007, levando assim a extinção do Curso Normal a nível médio.

Em um levantamento feito no ano de 1996 Tanuri observa que havia:

“[...] 5.276 Habilitações Magistério em estabelecimentos de ensino médio, das quais 3.420 em escolas estaduais, 1.152 em escolas particulares, 761 em municipais e 3 federais. Quanto aos cursos de Pedagogia, dados de 1994 indicavam a existência de apenas 337 em todo o país, 239 dos quais de iniciativa particular, 35 federais, 35 estaduais e 28 municipais” (Tanuri, 2000, pág. 85).

Diante do quadro apresentado acima vê-se que o Curso Normal era bem difundido no país quando a lei foi promulgada. Porém a lei deixou interpretações com relação a formação e atuação do professor, na educação infantil e 1º fase do ensino fundamental. Houve a interpretação do artigo 87 parágrafo 4° da LDB que até o ano de 2007, todos os professores da educação básica deveriam ter a formação em nível superior, porém o CNE2, manteve a possibilidade de formação de professores a nível médio para atuar na educação infantil e nas séries iniciais da educação básica conforme aponta Pinto et al (2007).

De acordo com a interpretação do artigo 87 da LDB, alguns estados deixaram de oferecer e aceitar o Curso Normal. Porém, o parágrafo 4º do artigo supracitado, foi revogado no ano de 2013 pela lei 12.796. No caso do estado do Rio de Janeiro o curso é aceito e ofertado pela rede estadual de ensino com duração de 3 anos e em caráter integral que visa a formação dos professores para atuar na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental em consonância com a LDB nº 9.394/96 Rio de Janeiro (2015). O curso conta com uma Base Nacional Comum onde o aluno adquire conhecimentos e competências previstos para essa fase

2 CNE: Conselho Nacional de Educação

de estudo; uma parte diversificada com estudo de língua estrangeira e integração com mídias e novas tecnologias; a construção de habilidades específicas para a prática docente bem como as práticas aplicadas desde o início do curso onde, o aluno pode vivenciar situações no que concerne ao mundo do trabalho.

2.2- Aspectos Pedagógicos

2.2.1- O ensino de Física no Curso Normal do estado do Rio de Janeiro

O Curso Normal no estado do Rio de Janeiro tem disciplinas relativas ao ensino das ciências naturais presente nos 3 anos do curso dividido da seguinte forma: no 1º ano do ensino médio com as disciplinas de Física, Química e Biologia; no 2º ano do ensino médio com as disciplinas de Química e Biologia e no 3º ano a disciplina de Física. Observa-se que as disciplinas não estão nos 3 anos do ensino médio e também a disciplina de Física está intercalada no 1º e 3º anos. O curso ainda conta em seu 3º ano com a disciplina Vida e Natureza, que em seu 3° bimestre tem o tópico que trata da interdependência entre Matemática, Física, Química e Biologia.

A Secretária Estadual de Educação (SEEDUC – RJ) elaborou no ano de 2013 um currículo para o Curso Normal, chamado de currículo mínimo.

“O currículo mínimo tem como objetivo estabelecer orientações institucionais aos profissionais do ensino sobre as competências mínimas que os alunos devem desenvolver a cada ano de escolaridade e em cada componente curricular, imprimindo-se, assim, uma constante linha de trabalho, focada em qualidade, relevância e efetividade, nas escolas do Sistema Público estadual do Rio de Janeiro”

(Rio de Janeiro, 2013, pág. 02).

Os primeiros assuntos tratados no início do Curso Normal em Física no 1º e no 2º bimestres, são assuntos relativos ao estudo da astronomia, sobre os modelos geocêntrico e heliocêntrico, as constelações e sua importância para os povos antigos, os fenômenos naturais como as estações do ano, dia e noite bem como o movimento dos planetas e a lei da gravitação.

No 3º bimestre fazem parte do currículo os assuntos relacionados ao calor, temperatura e energia interna de um corpo, suas definições de acordo com o modelo atomista da matéria, a transmissão de calor e as mudanças de estados físicos da matéria. No 4º bimestre o assunto energia é abordado com ênfase nas matrizes energéticas do Brasil, compreendendo o funcionamento e observando as vantagens e desvantagens de cada uma delas.

O 3º ano do Curso Normal trata em seu início sobre o estudo da luz, como parte do espectro eletromagnético, atribuindo a mesma o caráter dual, bem como os instrumentos ópticos e sua construção ao longo do tempo. Um ponto que merece destaque é a falta de tratar sobre fenômenos ópticos que são de grande importância para entender o funcionamento dos instrumentos ópticos. No 2º bimestre o assunto ondas e energia fazem parte dos conteúdos trabalhados, como a diferenciação de ondas mecânicas de eletromagnéticas, a importância dos fenômenos ondulatórios para a comunicação e as unidades relativos as oscilações. O 3º e 4º bimestres tratam do eletromagnetismo, sobre a corrente elétrica, os estudos de ímãs, o funcionamento dos motores elétricos, campo magnético terrestre e seus polos.

Ao analisar o currículo nota-se a falta de alguns conteúdos importantes na formação do futuro professor das séries iniciais, principalmente em virtude de já vigorar a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino fundamental, onde alguns tópicos de Física já são trabalhados nessas séries iniciais e que não estão contemplados no currículo como também de assuntos que podem contribuir para a formação do conhecimento científico necessário, para que o aluno do Curso Normal possa prosseguir seus estudos a nível superior.

A falta de um material didático voltado para o Curso Normal torna-se em muitos casos um grande complicador na hora de trabalhar determinados conteúdos, pois o principal material utilizado nas aulas é o livro didático que é o mesmo do ensino regular. Plauska aponta que:

“Não existem livros didáticos da disciplina adequados, com metodologia específica para aqueles que têm que aprender a repassar os conteúdos para as crianças” (Plauska, 2016, pág.

24). Aliado a isso o currículo não sugestiona ao professor um trabalho diferenciado com as turmas do Curso Normal, tais como experimentos, seminários, ficando assim por conta do professor regente buscar e utilizar tais recursos.

2.2.2- O ensino de ciências no ensino fundamental I

Os professores formados através do Curso Normal, são habilitados a trabalhar com as séries iniciais do ensino fundamental, nas mais variadas disciplinas, incluindo a disciplina de ciências. Este trabalho fará uma breve análise acerca do ensino de ciências no ensino fundamental I.

O ensino de ciências nas séries iniciais é certamente um processo em que o professor se sente desafiado, pois precisa trabalhar o conteúdo de forma criativa e dinâmica. Diante de tal desafio surge um questionamento: Qual a finalidade de ensinar ciências? Segundo Soares, Mauer & Kortmann: “Ensinamos ciências para formar um cidadão crítico e participante da sociedade, consciente de seus direitos e deveres, para tornar saudável o meio onde vive”

(Soares, Mauer & Kortmann, 2013, pág. 50). Chassot (2006) aponta ainda que o ensino de ciências forma homens e mulheres mais críticos.

Desde a tenra idade a criança tem curiosidade ao que está a sua volta, desejando compreender alguns fatos que ocorrem e que lhe são familiares, como por exemplo os aspectos astronômicos, calor e transmissão de energia, de acordo com Lima (1995). Essa curiosidade serve de mola propulsora para que o professor possa abordar os conteúdos de ciências propostos pelo currículo, fazendo com que a o aluno das séries iniciais possa dar seus primeiros passos no conhecimento das ciências.

O desenvolvimento do ensino de ciências nas séries iniciais deve ser feito de modo cuidadoso, uma vez que o aluno, ainda em pouca idade, não possui o conhecimento da linguagem científica adequada, cabendo ao professor planejar a abordagem do assunto. O mesmo ainda deve ter a consciência que o ensino de ciências ainda pode ocorrer fora do ambiente escolar já que: “Atualmente, os alunos trazem para a sala de aula suas próprias experiências e vivências de situações cotidianas, desenvolvendo concepções não aceitas cientificamente, concepções cuja existência não pode ser desconsiderada pelos professores”.

(Portela & Higa, 2009, pág. 02).

O ensino a partir de 2018 passa a ser balizado pela nova BNCC proposta para o ensino

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