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Aspectos históricos

No documento 2007WilsonLuizArcari (páginas 35-37)

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.3 Município de São Sebastião do Caí

2.3.1 Aspectos históricos

São Sebastião do Caí é o segundo município mais antigo do Vale do Caí e o 32º (trigésimo segundo) a ser criado no Rio Grande do Sul, tornou-se independente em 1º de maio de 1875, transformou-se e conquistou a condição de referência regional.

Alceu Masson, no livro Caí (Monografia) publicado em 1940, desenvolveu um relato histórico sobre a ocupação inicial do município a partir da circulação, que se iniciou motivada pelo porto local, que influenciou significativamente na formação da malha viária local e da região e, a seguir descrito.

No tempo em que Caxias ainda era conhecida como “Campo dos Bugres”, descia

periodicamente a São Sebastião do Caí um italiano residente naquela colônia,

trazendo farinha de trigo em cargueiros, pois ainda não havia estradas de rodagem na região. Pioneiro do intercâmbio comercial de Caxias com São Sebastião do Cai. Um dia [...] o homem entrava na vila, sentado numa carreta puxada por três juntas de bois. Era o primeiro que conseguia fazer passar um veículo, pesado, pelos escabrosos e acidentados caminhos da região.

E assim foi inaugurado entre Caxias e São Sebastião do Caí o tráfego de carretas coloniais, que tanto viria contribuir para o desenvolvimento comercial deste município. (p.102)

Efetivamente, poucos anos depois, São Sebastião do Cai estava transformado num entreposto movimentado, donde os produtos coloniais, chegados por terra, seguiam por água, para Porto Alegre, para os portos intermediários e também, menos freqüentemente, para São Leopoldo. Isso ainda na época em que a navegação no rio Caí era muito dificultada, em grande parte do ano, pela falta d‘água.

Cresceu a tal ponto a importância de São Sebastião do Cai, como centro de exportação, que, em 1888, a assembléia provincial autorizou o presidente da província a contratar a construção da primeira secção da estrada de ferro de Caí, destinada a facilitar o transporte dos produtos da região até a sede do município. Surgiram dificuldades e a estrada não foi construída. (p.103)

Construiu-se, porem, depois, a barragem Rio Branco, cujas obras foram assentadas num trecho de aproximadamente 18 quilômetros, entre São Sebastião do Caí e Montenegro. (p.105)

Em 1906, depois de terminada a obra e que tornou o rio Caí praticável desde Porto Alegre até o porto de São Sebastião do Caí, numa extensão de 132 quilômetros, mesmo durante os períodos de pouca água, o movimento comercial do município tomou extraordinário incremento. (p. 108)

Por esse tempo estava em construção a linha Porto Alegre-Uruguaiana, da Viação Férrea do Rio Grande do Sul. O trecho de Neustad – atual rio dos Sinos – até Montenegro, que atravessaria a parte sul do município numa extensão de 85 quilômetros, ainda não fora terminado.

Mais tarde, quando os trens começaram a trafegar, organizou-se uma linha de diligências que transportava passageiros de São Sebastião do Caí a Capela de Santana, estação mais próxima da sede do município, e vice-versa.

Construído o ramal férreo de Caxias do Sul, decresceu a exportação dos produtos daquele centro colonial pelo entreposto de São Sebastião do Caí que se ressentiu logo da concorrência que lhe fazia a viação férrea, conduzindo quase toda a carga do município vizinho. (p.109)

Com o correr do tempo, o transporte de passageiros para as estações da viação férrea diminuiu consideravelmente. É que se multiplicavam as linhas diretas de ônibus para Porto Alegre, partindo de diversas cidades do norte do estado, mesmo das mais distantes, e de São Sebastião do Cai. Só a linha para Capela de Santana resistiu à concorrência, principalmente porque por ela vinham as malas do correio, que garantia renda fixa ao proprietário do ônibus.

Quanto ao transporte de carga em caminhões, este se foi generalizando com grande rapidez. Os produtos de Caxias do Sul voltam então a ser remetidos para São Sebastião do Caí, donde continuam as viagens por água até Porto Alegre. (p.111) O tráfego de ônibus e caminhões aumentou, assim, em 1931, depois de construída uma ponte de cimento armado sobre o arroio Cadeia, a dois quilômetros da sede do município. Antes se atravessava o arroio numa barca, ou então pelo vau, nas épocas de estiagem. (p. 112)

O tráfego de veículos tomou então novo impulso em todo o município, facilitando o escoamento da produção municipal para os mercados consumidores, e São Sebastião do Caí perdeu sua feição acanhada de vilarejo, tomando aspecto mais consentâneo com sua categoria de sede de um município importante. (p. 114)

Especialmente convocado por uma comissão organizadora, composta dos prefeitos de Caxias, Montenegro e São Sebastião do Cai, reuniu-se em 7 de novembro de 1937, o congresso de prefeitos da região colonial do estado. Era objetivo discutir o novo plano rodoviário a ser executado pelo estado sob a direção do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem, criado pelo decreto-lei nº 750, de 11 de agosto de 1937. (p.120)

A Júlio de Castilhos, que já é a estrada mais importante do estado, será finalmente asfaltada em toda a sua extensão, tornando-se então a melhor rodovia do Rio Grande do Sul. (MASSON, p. 121)

A rodovia RS-122, que em muitos trechos foi executada sobre o leito da Rua Júlio de Castilhos, começou então a receber melhorias permitindo melhor circulação dos veículos em direção a Serra Gaúcha e contribuindo novamente para o desenvolvimento do município e da região.

A construção da BR 116 desviou o eixo econômico do Estado que passava pela região, contribuindo para uma estagnação que afetou São Sebastião do Caí por muitos anos.

O município contava em 2005 com 2 (duas) rodovias estaduais, 42 (quarenta e duas) estradas, 4 (quatro avenidas), 163 (cento e sessenta e três) ruas, 6 (seis) travessas e 1 (um) beco totalizando 218 (duzentos e dezoito) vias.

As ruas são o esqueleto da cidade (ou do plano urbano), ou variando a imagem, as artérias da cidade, através das quais o sangue de comunicação circula.

As ruas têm dupla função: como vias de tráfego e como meio de acesso às moradias e outros edifícios. Foi só a partir do grande crescimento do transporte motorizado que essas funções entraram em conflito entre si. Portanto, toda área a ser urbanizada ou reurbanizada deve ter como uma das metas prioritárias a segurança.

Pedestres e tráfego de alta velocidade não podem se misturar em segurança. Essa é mais uma razão para separar o tráfego de passagem do tráfego local. (GUIMARÃES, 2004. p.149).

O tráfego de passagem é uma característica histórica de São Sebastião do Caí, exaustivamente constatado. Essa circulação e o convívio regionais ainda motivam relações comerciais, sociais, culturais e afetivas com uma ligação muito forte de urbanização – urbano/rural.

No documento 2007WilsonLuizArcari (páginas 35-37)