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3.5 INFILTRADO LINFOCITÁRIO TUMORAL (TIL) NO MELANOMA

3.5.2 Aspectos Moleculares e Imunomarcação do TIL

A progressão do melanoma humano é associado com mudanças no fenótipo antigênico das células tumorais. BROCKER e col. estudaram 146 melanomas cutâneos em diferentes estágios de progressão, para estabelecer quando o infiltrado inflamatório no melanoma em progressão também muda. Foram aplicados in situ anticorpos monoclonais contra subpopulações de linfócitos e macrófagos, receptor de IL-2, IFN-У, antígenos de progressão associados ao melanoma HLA-DR e gp89. Durante o curso da progressão do melanoma, quantidades decrescente de células T peritumorais, linfócitos exprimindo receptores de IL-2 e células dendríticas foram encontradas, enquanto crescente número de células T intratumorais e macrófagos foram associados com progressão local de melanomas primários. Nas metástases, a presença da maioria dos componentes do infiltrado foi rara. Correlações positivas foram observadas entre: células T6+ dérmicas e linfócitos IL-2R+, e presença de IFN-У no infiltrado e HLA-DR e gp89 antígenos nas células tumorais. Em todos estágios, a expressão do HLA-DR nas células tumorais foi correlacionada com um deslocamento dos linfócitos T8+ no infiltrado e perda

da expressão do receptor de IL-2. Os dados obtidos sugeriram influência mútua entre células de melanoma e infiltrado celular mononuclear in situ (BROCKER et al., 1988).

PIERARD-FRANCHIMONT et al. (1998), objetivando determinar quando a imunoreatividade dos antígenos de diferenciação dos melanócitos (MDA) está associada com aumento do TIL, fizeram um estudo restrospectivo com 30 melanomas cutâneo que haviam desenvolvido evidência clínica de metástases após 3 anos da excisão cirúrgica do melanoma primário. Utilizaram análise imunohistoquímica e imagem computadorizada para quantificar as células MDA positivas (Melan A / MART-1, gp100 / Pmel 17 / HMB45, tirosinase), TIL CD45R0-positiva e infiltração tumoral por macrófagos (TIM) proteína LI positiva. Evidenciaram uma relação direta entre a imunoreatividade dos antígenos de diferenciação de melanócitos e as densidades em TIL e infiltração tumoral por macrófagos, e uma relação inversa entre infiltração linfocitária e macrofágica, e não encontraram padrão específico de imunoreatividade do melanoma cutâneo primário para MDA, TIL e TIM possível de predizer metástases.

O TIL pode ter alterações durante a progressão do melanoma, como foi sugerido por CARCELAIN et al. (1997) no seguimento clínico de um paciente com melanoma cutâneo primário regressivo, que desenvolveu metástases em estômago e em linfonodo axilar 3 e 4 anos depois do tratamento da lesão primária. Quando da lesão primária, a análise de receptor de células T (TCR) demonstrou amplificação in situ de certos linfócitos. Dois destes podiam ser clonados e caracterizados como linfócitos T citotóxicos restritos a CD8+HLA- classe-I. Foram estabelecidas linhagens de células de melanoma derivadas das duas lesões metastáticas, e foi encontrado que estas células metastáticas mantiveram expressão de ambas as moléculas HLA-I e antígenos peptídicos reconhecidos pelos 2 clones amplificados no sítio primário. Porém, os linfócitos T correspondentes foram ou indetectáveis ou pobremente representados tanto

na lesão gástrica como na axilar. Estes resultados sugeriram que alterações substanciais na qualidade do TIL ocorreram durante a progressão do melanoma, apesar de uma aparente estabilidade de apresentação dos antígenos associados ao tumor, que inicialmente provocava uma resposta de rejeição positiva.

O comportamento biológico do TIL pode não ser uniforme para um mesmo melanoma. Pensando nesta hipótese, YAZDI et al. (2006) estudaram 56 melanomas cutâneos primários utilizando uma técnica de microdissecção com captura a laser para isolar diferentes classes de TIL objetivando determinar quando o melanoma primário era infiltrado somente por um simples clone ou quando os antígenos associados ao tumor poderiam atrair várias populações de células T. Como a clonalidade do receptor de células T (TCR) é um instrumento útil para demonstrar a clonalidade de células T, foram analisadas as lesões quanto a rearranjos do gene de cadeia γ TCR. Evidenciaram diferentes clones de células T em várias regiões de um mesmo melanoma primário. Seus resultados trouxeram uma nova luz no paradoxo de como pode haver grandes infiltrações linfocitárias tanto em áreas de regressão tumoral como em áreas de progressão tumoral de um mesmo melanoma maligno (THOR STRATEN et al., 2000). Como foi previamente mostrado que diferentes populações de células T têm diferentes efeitos no crescimento tumoral (EGETER et al., 2000; MOCIKAT et al., 2003), os dados obtidos por YAZDI et al. (2006) sugerem que diferentes tipos de infiltrações linfocitárias podem tanto inibir como promover o crescimento do melanoma em diferentes áreas do tumor.

As células T CD3+CD4+ têm um papel crítico na geração e manutenção de fortes respostas imunes contra antígenos associados ao melanoma. Vários antígenos expressos no melanoma contêm determinantes reconhecidos pelos linfócitos T CD4+ e CD8+. A integração destes antígenos e seus peptídeos derivados em estudos sobre vacinas permitem aumento eficaz da resposta

imune anti-melanoma das células T CD4+ e CD8+ em um cenário terapêutico. Vários estudos têm mostrado que as células CD4+ são associadas com regressão em melanoma primário e rejeição de tumores em modelos de transferência adotivos. O mecanismo pelo qual CD4+ medeiam seus efeitos anti-tumorais envolve interação Fas/Fas-ligante e secreção de várias citocinas como fator de estimulação de colônias de granulócitos/macrófagos (GM-CSF), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), e gama interferon (γ-IFN) (TAKAHASHI et al., 1995; THOMAS et al., 1998). Por outro lado, as células T citotóxicas têm sido implicadas no controle da progressão do melanoma humano. O linfócito CD3+CD8+ citotóxico é um importante efetor celular contra as células de melanoma (MARKUS et al., 1995; MORISAKI et al., 1994).