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Aspectos morfofuncionais do sistema renal

Sistema Renal

4.1 Aspectos morfofuncionais do sistema renal

Os rins são órgãos em par que apresentam formato em grão de feijão e locali- zam-se na região retroperitoneal, a cada lado da coluna vertebral acima da cin- tura e contra a parede posterior do abdome, protegidos de maneira parcial pela porção final do gradil costal (décima primeira e décima segunda costela).

CONCEITO

Região retroperitoneal: Região atrás do peritônio/cavidade abdominal.

Segundo Silverthorn (2010, p. 623), os rins são responsáveis por manter a concentração normal de íons e água no sangue por meio da regulação do vo- lume do líquido extracelular e da pressão sanguínea, pela relação da osmolali- dade, manutenção do equilíbrio iônico e, regulação homeostática do pH, pela excreção de resíduos e, ainda, pela produção de hormônios.

Os rins atuam de forma integrada com o sistema circulatório a fim de assegurar valo- res aceitáveis da pressão sanguínea e perfusão tecidual; realizam o balanço ideal entre ingestão e perda de urina pelo controle de íons sódio, potássio e cálcio; removem resí- duos metabólicos ou substâncias exógenas do organismo e podem atuar na síntese do hormônio eritropoietina, que regula a produção dos eritrócitos, e na liberação da renina, uma enzima que controla a produção dos hormônios relacionados ao balanço de sódio e homeostase da pressão sanguínea.

Cada rim adulto apresenta um peso médio de 130 a 150 gramas, medindo cerca de 5 centímetros de largura por 11 centímetros de comprimento, o corres- pondente ao tamanho de uma mão fechada.

Externamente, os rins são cobertos por uma cápsula fibrosa, ou cápsula re- nal, composta de tecido conjuntivo que tem como função fornecer proteção às infecções ou traumas, e que é revestida por uma camada de tecido adiposo. A fixação dos rins ao abdome posterior é possível por meio de uma fina camada de tecido conjuntivo denominada fáscia renal.

CONCEITO

Tecido adiposo: Tecido conjuntivo formado por células (adipócitos) que acumulam lipídios (gorduras).

Internamente, podemos observar por meio de um corte frontal nos rins o cór- tex, que consiste na área mais externa, e a medula,a interna. A medula é constitu- ída pelas pirâmides renais, cerca de 10 a 18 estruturas em formato de cone.

A base de cada pirâmide delimita o córtex e a medula e o ápice termina nas papilas renais, voltadas para o centro do rim, situadas no cálice menor. Os cá- lices menores compõem-se de estruturas em formato de funil (cerca de 8 a 20), que realizam a coleta de urina de cada papila e se unem em estruturas expandi- das (de 2 a 3) formando os cálices maiores (Figura 4.1). Estes realizam a drena- gem da urina para a pelve renal até o ureter, que conduz a urina para a bexiga urinária. Tal condução é realizada pela contração da musculatura lisa das pare- des dos cálices, pelves e ureteres (BERNE E LEVY, 2009 p. 562).

CONEXÃO

Para melhor visualizar a anatomia renal, acesse o link: https://www.youtube.com/watch ?v=7bpTiqe5R6c Figura 4.1 – Rins. © DE SIGNU A | DREAMSTIME.COM

A unidade funcional dos rins é o néfron. Cada rim humano apresenta cerca de 1,2 milhão de néfrons, que consistem em estruturas tubulares que filtram o sangue, ou seja, permitem a passagem de algumas substâncias enquanto res- tringem outras. Um néfron apresenta as seguintes estruturas: o corpúsculo re- nal (extremidade mais larga) e o túbulo renal (figura 4.2).

Os corpúsculos renais estão presentes no córtex renal e são compostos pela cápsula de Bowman e por uma rede de capilares glomerulares. Segundo Berne e Levy (2009, p. 562),

O túbulo proximal forma inicialmente diversas convoluções, seguidas por trecho reto que desce em direção à medula. O segmento seguinte é a alça de Henle, composta pela parte reta do túbulo proximal, pelo ramo descendente fino (que termina em curva em “U”), pelo ramo ascendente fino (somente em néfrons com alças de Henle longas) e pelo ramo descendente espesso. Perto do final do ramo ascendente espesso, o néfron passa entre as arteríolas aferente e eferente que o irrigam. Esse curto segmento do ramo ascendente espesso é chamado de mácula densa. O túbulo distal se inicia pouco depois da mácula densa e se estende até o ponto onde dois ou mais néfrons se unem, formando um ducto coletor cortical. O ducto coletor cortical penetra na medula e se transforma no ducto coletor medular externo e, em seguida, no ducto coletor medular interno.

Figura 4.2 – Néfron.

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GUNIIT

O túbulo proximal mede cerca de 14 mm de comprimento e 0,06 mm de diâ- metro e suas paredes compõem-se de epitélio cúbico simples, onde a superfície luminal das células apresentam várias microvilosidades e formam a superfície externa do túbulo ao se assentarem sobre a membrana basal. Os túbulos distais são mais curtos que os proximais, são compostos pelo mesmo tipo tecidual, porém com células menores e, portanto, menos microvilosidades. As alças de Henle consistem em prolongamentos dos túbulos proximais e compõem-se por um ramo ascendente e um descendente.

O glomérulo é irrigado por meio de uma arteríola aferente e drenado por uma arteríola eferente. Uma arteríola glomerular aferente se divide em uma rede de capi- lares denominada glomérulo renal, que seleciona a passagem de substâncias. Após a filtragem do sangue pelos glomérulos, os capilares se unem para formar uma ar- teríola de diâmetro menor: a arteríola glomerular eferente. De acordo com Tortora (2000, p. 489), “a situação das arteríolas glomerulares aferente-eferente é única, pois o sangue usualmente flui para fora dos capilares e para dentro das vênulas”.

O líquido filtrado pelos capilares glomerulares fluem do corpúsculo renal para o interior do túbulo proximal, que apresenta uma parede com grande nú- mero de microvilos de modo a proporcionar uma ampla região para troca de substâncias entre túbulos e vasos sanguíneos. A partir daí o líquido encami- nha-se à primeira porção da alça de Henle (ramo descendente) e, posteriormen- te, para seu ramo ascendente e então para o túbulo distal até o ducto coletor.

CONCEITO

Microvilos: Projeções presentes na superfície das células que servem como meio de au- mentar a região disponível para absorção de substâncias.

As células musculares lisas da arteríola aferente se modificam em células epiteliais cúbicas denominadas células granulares ou justaglomerulares de modo a formar uma bainha em torno da arteríola. Segundo Seeley, Stephens e Tate (2003, p. 964), “uma parte do túbulo distal encontra-se adjacente ao cor- púsculo renal, entre as arteríolas aferente e eferente.” Tais células especializa- das são conhecidas como mácula densa e estão em íntimo contato com as cé- lulas justaglomerulares constituindo, dessa forma, o aparelho justaglomerular (AJG), que auxilia no controle da pressão sanguínea renal.

As células da mácula densa fazem contato com as células extraglomerulares e com as células justaglomerulares das arteríolas aferentes, que derivam das cé- lulas do mesênquima metanéfrico e apresentam filamentos musculares lisos, importantes por produzirem, armazenarem e liberarem o hormônio renina, en- volvido na formação de angiotensina II e secreção de aldosterona. Dessa forma, o aparelho justaglomerular é importante no mecanismo de retroalimentação tubuloglomerular, envolvido na autorregulação do fluxo sanguíneo renal (FSR) e na intensidade de filtração glomerular (IFG) (BERNE E LEVY, 2009 p. 568).