3.4 Luteólise
3.4.2 Aspectos Morfológicos e Atividade de Caspase-3
Estudos de microscopia eletrônica de Abel et al. (1975) demonstraram não haver
diferenças morfológicas entre CLs de cadelas gestantes e em diestro, durante o período
de formação e de regressão luteal. Os primeiros sinais de regressão luteal, por volta do
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lipídio intra-citoplasmáticas, grandes corpos densos ao redor do complexo de Golgi,
mitocôndrias que perderam o formato pleomórfico e com crista túbulo-vesicular reduzida
em número e gradualmente retornando ao formato lameliforme. Ao redor do D45,
núcleos picnóticos, gotas de lipídio fusionadas ou parcialmente digeridas, grandes
corpos densos e autofagossomas apresentavam-se presentes em toda a célula.
Todavia, o colapso do complexo de Golgi e do retículo plasmático liso não foi
visualizado até a metade do anestro.
Dore (1989) demonstrou que no dia 60 após o pico de LH, os corpos lúteos de
cadelas apresentavam características de regressão funcional, com acúmulo de lipídios.
Aos 120 dias pós pico de LH os corpos lúteos apresentavam células intactas com
acúmulo de lipídios, e aos 180 dias as células apresentavam características de autólise
e invasão por macrófagos. Entretanto, a autora citou que a luteólise funcional estava
completa no dia 120, e a luteólise estrutural teve grande avanço no dia 180, e
completou-se no dia 240.
Em várias espécies animais e no homem, o mecanismo de apoptose está
envolvido na regulação da luteólise (Juengel et al., 1993; Shikone et al., 1996;
McComarck et al., 1998; Rueda et al., 1999), entretanto, até o presente momento, não
há relatos para a espécie canina.
Apoptose, ou morte celular programada, é o suicídio ordenado de células na
ausência de uma reação inflamatória, e deve ocorrer em resposta a eventos fisiológicos
que regulam a homeostasia. Uma das reações iniciais associadas à apoptose é a
ativação de endonucleases cálcio-magnésio dependentes, resultando em clivagem do
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e Taylor, 1999). Ela envolve processos morfológicos e bioquímicos bem organizados
caracterizados por vesiculações (“blebbing”) de membrana, retração celular,
fragmentação do DNA e formação de corpos apoptóticos (Johnson e Bridgham, 2002).
Em humanos, as proteínas da família Bcl-2 estão envolvidas no processo de
apoptose. São onze proteínas, dentre as quais algumas promovem a apoptose e
algumas regulam negativamente o processo. Estas proteínas regulam a liberação de
citocinas do Citocromo C mitocondrial com conseqüente ativação de caspases
(proteases ICE-like, Ich-1 e Yama/CPP32). A caspase ICE cliva CPP32 em sub-
unidades 17 e 12-Kda da enzima, e CPP32 ativa realiza a clivagem e inativação da
poly-ADP-ribose-polimerase (PARP). Como a polimerase PARP suprime a ação de
endonucleases cálcio-magnésio dependentes, a sua inativação favorece a clivagem
internucleossômica de DNA, observada na apoptose (Terranova e Taylor, 1999).
A caspase-3 é uma proteína de vertebrados, homóloga à existente em genes que
codificam a morte celular no nematódeo Caenorhabditis elegans (Terranova e Taylor,
1999). Rueda et al. (1999) estudaram o envolvimento da caspase-3 no processo de
luteólise em ovinos e concluíram que a família das caspases se expressa durante a
luteólise, e que esta ocorre, em parte, por expressão destas proteases.
Sawyer et al. (1990) pesquisaram as alterações nucleares de células luteais de ovinos, com ou sem aplicação de PGF2α. A ocorrência de células com núcleos
condensados e/ou marginação nuclear não ocorreu de forma sincrônica nos diferentes
grupos de animais, havendo células normais ou com alterações nucleares
independentemente do momento examinado.
Juengel et al. (1993) estudaram a ocorrência de apoptose durante a regressão luteal espontânea e induzida por PGF2α em bovinos. Os autores não observaram
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fragmentos de DNA internucleossômicos em corpos lúteos de vacas que estavam nos
dias 10 ou 15 do ciclo estral (estro = dia 0), mas os mesmos foram observados nas células luteais de vacas no dia 19. No grupo tratado com PGF2α, foi observada a
presença de fragmentos de DNA quando a ovariectomia foi realizada 24 ou 48 horas após a aplicação de PGF2α, mas não nos ovários após 12 horas da aplicação. A
formação de oligonucleossomos não foi aparente até que as concentrações de P4
começaram a decrescer.
Shikone et al. (1996) sugeriram que a regressão luteal em humanos deve ser
mediada por apoptose, já que observaram aumento significativo de clivagem apoptótica
de DNA em corpos lúteos, do meio da fase luteal para o final, mas sem o mesmo
padrão para corpos lúteos no início do período gestacional.
Wuttke et al. (1997) demostraram ação do TNF-α no processo de apoptose de células luteais de suínos. Os autores demostraram que a produção de TNF-α por macrófagos pode ser estimulada pela PGF2α e que esta citocina possui efeito inibitório
direto sobre a função luteal e na estrutura do corpo lúteo.
Yuan e Giudice (1997) estudaram a ocorrência de apoptose em folículos em
diferentes estágios de maturação e em corpos lúteos humanos. Sinais de fragmentação
de DNA foram observados em folículos dominantes e em corpos lúteos em
degeneração, mais precocemente nas células luteais grandes.
McComarck et al. (1998) evidenciaram a ocorrência de apoptose na luteólise de
hamsters. Os sinais mais precoces de luteólise estrutural foram detectados no dia 3 do
ciclo estral. Os autores mostraram através de eletroforese em gel de agarose que
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espontânea nesta espécie.
Carambula et al. (2002) em estudos com camundongas de linhagens normais ou
caspase-3 deficientes, demonstraram haver necessidade funcional da caspase-3 para a
apoptose na regressão luteal, mas que a mesma não é mediadora da diminuição da
esteroidogênese associada à luteólise. Foi observada queda das concentrações de P4
Estudo 1 – Material e Métodos 39
ESTUDO 1
CONCENTRAÇÕES PLASMÁTICAS DE 13,14-DIIDRO-15-CETO-PROSTAGLANDINA F2-ALFA (PGFM), PROGESTERONA E ESTRADIOL EM CADELAS GESTANTES E
EM DIESTRO