2.3 Diretiva CEE de Potabilidade da água
2.3.1 Aspectos principais da diretiva do Quadro da água
A aprovação da Diretiva - Quadro, legislação que hoje dá suporte legal à política européia tem cerca de 30 anos de elaboração. O processo legislativo para
a temática hídrica, inicia-se em 1975 e até hoje se perdura, com muitas mudanças de abordagem e de alcance. Foram três gerações de diretivas:
A primeira geração corresponde aos anos setenta e oitenta. A base jurídica da legislação comunitária em matéria de ambiente é ainda precária e a unanimidade entre os Estados-membros permite apenas que essa legislação incida sobre matérias relacionadas com a construção do mercado comum e para proteção da saúde pública, tendo em vista as ameaças relativas às atividades econômicas, especialmente a da indústria. A preocupação com os agentes econômicos relativos aos vários países é que ambos estejam sujeitos aos mesmos condicionamentos de forma a que os custos ambientais sejam internalizados por todos de forma semelhante e a concorrência não seja distorcida. (JUNIOR, 2006)
A Diretiva nº. 75/440/CEE do Conselho, de 16 de junho 1975, relativa à qualidade das águas doces superficiais destinadas à produção de água para consumo humano, é a primeira destas diretivas. Outras vieram neste período até que com a Diretiva nº. 80/778/CEE do Conselho, de 15 de junho 1980, fica completo o conjunto de diretivas sobre à qualidade das águas destinadas ao consumo humano.
A Seção III do Decreto-Lei nº. 236/98 transpõe a Diretiva nº. 80/778/CEE, revogada pela Diretiva nº. 98/83/CEE, à publicação do Decreto-Lei nº. 243/2001, de 5 de Setembro.
A Diretiva - Quadro estabelece um quadro para o desenvolvimento de políticas integradas de gestão da água, pelos órgãos comunitários e pelas administrações nacionais e regionais dos Estados-membros, aplicando o princípio da subsidiariedade. A Diretiva envolve, designadamente:
• A revisão global da legislação comunitária relativa às águas (ver Figura 01), visando o reforço da recuperação e proteção da qualidade das águas, de superfície e subterrâneas, por forma a evitar a sua degradação.
• Uma nova definição unificadora dos objetivos de qualidade das águas de superfície, baseada na proteção dos ecossistemas aquáticos como elementos pertinentes do ambiente aquático.
• Integração das normas de recuperação e proteção da qualidade das águas subterrâneas com a salvaguarda da utilização sustentável dessas águas, através do equilíbrio entre a recarga dos aqüíferos e as captações de água.
• Eliminação progressiva da poluição das águas provocada por lançamento de efluentes, emissões e perdas de substâncias perigosas para a saúde humana e para os ecossistemas aquáticos. • Gestão integrada das águas no quadro de bacias hidrográficas
definidas pelos respectivos limites topográficos, independentemente dos limites territoriais dos Estados-membros e dos limites administrativos, englobando, assim, todos os meios hídricos de uma mesma bacia hidrográfica: rios e canais, lagos e aqüíferos, estuários e outras águas de transição e águas costeiras.
• Análise e a monitorização dos impactantes das atividades humanas sobre as águas,
• Análise econômica das utilizações das águas, e a aplicação de um regime financeiro às utilizações das águas,
• Implementação, no prazo de doze anos dos programas de medidas para atingir os objetivos de qualidade da água referidos, no horizonte temporal comum de quinze anos, como regra,
• Sistematização da recolha e análise da informação necessária para fundamentar e controlar a aplicação dos programas de medidas, a consulta e a participação do público.
A figura 01 que agora segue resume todas as normas e sua aplicação no cenário da Comunidade Econômica Européia.
Figura 01: Fluxo das aplicações das diretivas de utilização da água na CEE
FONTE: Adaptado de “DGXI Guide to the Approximation of European Union Environmental Legislation”, 1997.
Em particular, os Estados-membros têm de estabelecer padrões de qualidade ambiental para todas as águas, de superfície e subterrâneas, que constituam ou que venham a constituir origens de água para consumo humano. A qualidade da água na origem, de acordo com as normas de qualidade a definir pelos Estados-membros, deverá ser tal que, para o nível de tratamento de água instalado, deverão ser satisfeitos os padrões de qualidade da água potável, estabelecidos pela Diretiva 98/83/CEE (qualidade da água para consumo humano). A Diretiva-Quadro estabelece, no entanto, que a proteção das águas seja levada mais longe, por forma a que o nível de tratamento requerido possa ser diminuído. Constitui, assim, como objetivo da proteção das origens de água para consumo humano que a qualidade da água esteja de acordo com os níveis mínimos de tratamento de água para potabilização, com óbvias vantagens para saúde pública (HENRIQUES, 2000).
Conforme a Diretiva 98/83/CE é apresentado o Artigo 2º Definições, Inciso 1. Alínea b) o qual prescreve:
b) Toda a água utilizada numa empresa da indústria alimentar para o fabrico, transformação, conservação ou comercialização de produtos ou substâncias destinados ao consumo humano, exceto se as autoridades nacionais competentes determinarem que a qualidade da água não afeta a salubridade do gênero alimentício na sua forma acabada. (Diretiva 98/83/CE)
Conforme a Diretiva 98/83/CE é apresentado o Artigo 6º Limiares de conformidade, Inciso 1. Alínea d) o qual prescreve:
d) No caso da água utilizada numa empresa da indústria alimentar, no ponto em que a água é utilizada na empresa.
Portanto esta diretiva se aplica com exclusividade aos abatedouros e indústrias da carne em todos os países membros da Comunidade Econômica Européia.
Conforme a Diretiva 98/83/CE, do Conselho, de 3 de novembro de 1998, relativo à qualidade das águas destinadas ao consumo humano (de acordo com a Diretiva 80/778/CEE). Águas destinadas ao Consumo humano deverá se seguir os padrões descritos nas tabelas 06 e 07.
Tabela 06: Parâmetros Microbiológicos de controle da água conforme União Européia. Parâmetros
microbiológicos Valor paramétrico 98/83/CEE
Unidades Metodologia
Escherichia coli 0,00 Número/250 ml ISO 9308-1
Enterococos 0,00 Número/250 ml ISO 7899-2
Pseudomonas aeruginosa 0,00 Número/250 ml prEN ISO 12780 Unidades formadoras de
colônias a 22ºC
100,00 Número /ml prEN ISO 6222
Unidades formadoras de colônias a 37ºC
20/ ml Número /ml prEN ISO 6222
Tabela 07: Parâmetros Químicos de controle da água conforme União Européia.
Parâmetro Valor
paramétrico Unidades Notas
Acrilamida 0,1 µg /l Nota 1
Antimônio 5 µg /l
Arsênio 10 µg /l
Benzeno 1 µg /l
Benzeno (a) pireno 0,01 µg /l
Boro 1 mg/ l Bromatos 10 µg /l Nota 2 Cádmio 5 µg /l Cromo 50 µg /l Nota 3 Cobre 2 mg/ l Nota 3 Cianetos 50 µg /l 1,2-dicloroetano 3 µg /l Epicloridrina 0,1 µg /l Nota 1 Fluoretos 1,5 mg/ l Chumbo 10 µg /l Notas 3 e 4 Mercúrio 1 µg /l Níquel 20 µg /l Nota 3 Nitratos 50 mg/ l Nota 5 Nitritos 0,5 mg/ l Nota 5 Pesticidas 0,1 µg /l Notas 6 e 7
Pesticida – Total 0,5 µg /l Notas 6 e 8 Hidrocarbonetos
aromáticos policíclicos
0,1 µg /l Soma das concentrações dos compostos especificados; Nota 9.
Selênio 10 µg /l
Tetracloroetano e tricloroetano
10 µg /l Soma das concentrações dos parâmetros especificados Trialometanos – Total 100 µg /l Soma das concentrações dos
compostos especificados; Nota 10
Cloreto de vinilo 0,5 µg /l Nota 1
Nota 1: O valor paramétrico refere-se à concentração monomérica residual na água, calculada segundo as especificações da migração máxima do polímero correspondente em contato com a água.
Nota 2: Quando possível, e sem com isso comprometer a desinfecção, os Estados-membros deverão procurar aplicar um valor mais baixo.
Quanto à água a que se refere o n.º 1, alíneas a), b) e d), do artigo 6.º, este valor deve ser respeitado o mais tardar 10 anos civis após a data de entrada em vigor da presente diretiva. No período compreendido entre cinco e 10 anos após a entrada em vigor da presente diretiva, o valor paramétrico para os bromatos será de 25 µg/l.
Nota 3: O valor aplica-se a uma amostra de água destinada ao consumo humano obtida na torneira, por um método de amostragem adequado, e recolhida de modo a ser representativa do valor médio semanal ingerido pelos consumidores. Sempre que apropriado, os métodos de amostragem e de controlo serão postos em prática de maneira harmonizada, a elaborar de acordo com o n.º 4 do artigo 7.º. Os Estados-membros tomarão em consideração a ocorrência de picos de concentração suscetíveis de provocar efeitos adversos na saúde humana.
Nota 4: Quanto à água a que se refere o n.º 1, alíneas a), b) e d), do artigo 6.º, este valor deverá ser respeitado o mais tardar, 15 anos civis após a data de entrada em vigor da presente diretiva. No período compreendido entre cinco e 15 anos após a entrada em vigor da presente diretiva, o valor paramétrico para o chumbo será de 25 µg/l.
Os Estados-membros garantirão a aplicação de todas as medidas necessárias para reduzir, tanto quanto possível, a concentração de chumbo na água destinada ao consumo humano durante o período necessário ao cumprimento do valor paramétrico.
Ao aplicarem as medidas para garantir este valor, os Estados-membros deverão dar progressivamente prioridade aos pontos em que as concentrações de chumbo na água destinada ao consumo humano são mais elevadas.
Nota 5: Os Estados-membros assegurarão a observância, à saída das estações de tratamento da água, da condição [nitratos]/50 + [nitritos]/3 <=1, em que os parênteses retos representam as concentrações em mg/l para os nitratos (NO3) e os nitritos (NO2), bem como do valor-limite de 0,10 mg para os nitritos.
Nota 6: Entende-se por «pesticidas»: - inseticidas orgânicos, - herbicidas orgânicos, - fungicidas orgânicos, - nematocidas orgânicos, - acaricidas orgânicos, - algicidas orgânicos, - rodenticidas orgânicos,
- controladores orgânicos de secreções viscosas («slimicides»),
- produtos afins (nomeadamente, reguladores do crescimento), e seus metabólicos, produtos de degradação e de reação importantes.
Só necessitam de ser controlados os pesticidas cuja presença é provável num determinado abastecimento de água.
Nota 7: O valor paramétrico aplica-se individualmente a cada pesticida. No caso da aldrina, da dialdrina, do heptacloro e do epóxido de heptacloro o valor paramétrico é de 0,030 µg/l.
Nota 8: «Pesticidas - Total» significa a soma de todos os pesticidas detectados e quantificados no processo de controle.
Nota 9: Os compostos especificados são: - benzo [b] fluoranteno,
- benzo [k] fluoranteno, - benzo [ghi] perileno, - benzo [1,2,3-cd] pireno.
Nota 10: Quando possível, e sem com isso comprometer a desinfecção, os Estados-membros deverão procurar aplicar um valor mais baixo.
Os compostos especificados são: clorofórmio, bromofórmio, dibromoclorometano, bromo diclorometano.
Quanto à água a que se refere o n.º 1, alíneas a), b) e d), do artigo 6.º, este valor deve ser respeitado o mais tardar, 10 anos civis após a data de entrada em vigor da presente diretiva. No período entre cinco e 10 anos após a entrada em vigor da presente diretiva, o valor TAM total será de 150 µg/l.
Os Estados-membros garantirão a adoção de todas as medidas necessárias para reduzir, tanto quanto possível, a concentração de TAM na água destinada ao consumo humano durante o período previsto para o cumprimento do valor paramétrico.