CAPÍTULO 2: O INSTITUTO DA REPERCUSSÃO GERAL
2.4 Aspectos processuais e procedimentais da repercussão geral
O presente tópico de estudo passará a abordar questões processuais e procedimentais inerentes ao requisito da repercussão geral no recurso extraordinário.
Inicialmente, faz-se importante destacar que, de acordo à redação do art. 327 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal62, a alegação de repercussão geral deverá vir em preliminar formal e fundamentada63.
Ainda que reconhecida a repercussão geral da matéria do recurso em outro processo ou que decisão na origem seja contrária à jurisprudência dominante no STF, situação em que a lei presume a existência de repercussão geral, não fica a parte dispensada de formular a preliminar formal correspondente, nem deve o Tribunal de origem, à falta deste requisito objetivo, dar trânsito ao recurso, presumindo a respectiva presença.
Uma vez formalmente apresentada e fundamentada, cabe ao Supremo Tribunal Federal a decisão sobre o reconhecimento ou não da repercussão geral apresentada.
O §3º do artigo 102 da Constituição Federal, anteriormente citado, estabelece que o Supremo Tribunal Federal só poderá recusar o recebimento do recurso extraordinário por ausência de repercussão geral, pela manifestação de dois terços de seus membros. De outra monta, decidindo a Turma por, no mínimo, quatro votos, pela existência da repercussão geral, ficará dispensada a remessa do recurso ao Plenário, nos termo do § 4º, do artigo 543-A do Código de Processo Civil Brasileiro.
Trata-se de quórum prudencial64 ou qualificadíssimo, que encontra paralelo, no texto constitucional, apenas nos procedimentos para edição, revisão e cancelamento de enunciados da súmula vinculante.
De fato, não foi por acaso o estabelecimento de tão elevado quórum. No caso da repercussão geral, como já visto anteriormente, se está diante de um conceito jurídico indeterminado que encerra restrição a recurso de estatura constitucional. Dada esse sua
62 Art. 327. O Presidente do Tribunal recusará recursos que não apresentem preliminar formal e fundamentada de
repercussão geral, bem como aqueles cuja matéria carecer de repercussão geral, segundo precedente do Tribunal, salvo se a tese tiver sido revista ou estiver em procedimento de revisão.
§ 1º Igual competência exercerá o relator sorteado, quando o recurso não tiver sido liminarmente recusado pelo Presidente.
§ 2º Da decisão que recusar recurso, nos termos deste artigo, caberá agravo.
63 Esse entendimento foi aplicado na Questão de Ordem decidida no AI n. 664.567/RS, Sessão Plenária do STF
de 18.06.2007.
64 Denominação dada por Teresa Arruda Alvim em: A EC n. 45 e o instituto da repercussão geral. In:
WAMBIER, Teresa Arruda Alvim et al. (Coord.). Reforma do judiciário: primeiras reflexões sobre a Emenda Constitucional n. 45/2004. São Paulo: RT, 2005, p. 65.
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indeterminação conceitual, o elevado quórum serve como elemento compensador da natural redução da previsibilidade.
Deve-se observar que, ao exigir tal quórum, o constituinte derivado acenou à sociedade que a regra continua a ser o cabimento do recurso extraordinário. A exceção é a inadmissibilidade, e ela só ocorrerá, nesse caso, quando existir claro, para pelo menos oito ministros, que a questão constitucional em debate está fundamentada unicamente na irresignação do recorrente com o resultado desfavorável, sem qualquer perspectiva de que o julgamento seja estendido para além dos limites subjetivos das partes.
Ressalta-se, por fim, no que concerne ao quórum, que o fato da declaração da ausência de repercussão geral depender de voto de dois terços dos membros do Supremo Tribunal Federal não depõe contra a natureza de tal requisito. Trata-se, tão somente, de procedimento diferenciado para verificação desse requisito.
Assim, apresentado formalmente o requisito e observado o quórum, dar-se-á início à análise que resultará no reconhecimento ou não da questão constitucional debatida.
Toda decisão jurisdicional, por força constitucional, tem de ser motivada, levando-se em conta a necessidade de controle do poder jurisdicional, por parte da sociedade que é o sustentáculo da legitimidade dessa função em um Estado Constitucional.
Essa motivação deve ter um conteúdo mínimo essencial, sem o qual não se reputa atendida a ordem constitucional. A síntese desse conteúdo mínimo ocorre quando o julgador logra individualizar os fatos, as normas jurídicas incidentes aplicáveis ao caso concreto e as suas consequências, além de contextualizar os nexos de implicação e de ocorrência entre os enunciados fáticos legais e justificar esses mesmos enunciados racionalmente, reportando-se ao ordenamento jurídico.
Natural, pois, que os julgamentos do Supremo Tribunal Federal a respeito da configuração ou não da repercussão geral da questão debatida no recurso extraordinário sejam públicos e motivados. Longe disso, não há manejo de poder válido e eficaz no Estado Constitucional brasileiro.
Assim, pronunciando-se o Supremo Tribunal Federal, motivadamente, sobre a existência ou não de repercussão geral de determinada questão levada ao seu conhecimento, a súmula do julgamento constará de ata e será publicada no Diário Oficial, servindo esse publicação como acórdão.
Deve-se considerar, portanto, que a divulgação do julgado funciona, também, como condição de eficácia da decisão.
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Considerando essa necessidade de divulgação, deve-se analisar o procedimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no que concerne ao reconhecimento ou não da repercussão geral.
Desta feita o procedimento se inicia com o registro dos autos e distribuição ao relator, cabendo a ele a análise se o caso apresenta ou não a repercussão geral necessária ao conhecimento do recurso, encaminhando aos demais ministros, por meio eletrônico, cópia de sua manifestação65.
Deve-se destacar que a apreciação da presença ou não da repercussão geral das questões constitucionais ainda não decididas ou sem jurisprudência dominante no STF dar-se- á pelo Plenário Virtual, nos termos dos artigos 323 e seguintes do RISTF.
Recebida a manifestação do relator, os demais ministros terão 20 dias para se manifestarem sobre a questão, por meio eletrônico, nos termos do artigo 324, caput, RISTF. Decorrido o prazo sem manifestações suficientes para a recusa do recurso, ter-se-á por presente a Repercussão Geral.
Definida a existência de repercussão geral, o relator julgará o recurso ou pedirá dia para o seu julgamento.
Caso seja negada a existência da repercussão geral, nos termos do § 5º do artigo 543-A do Código de Processo Civil, após a divulgação da decisão motivada, tal decisão valerá para todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão indeferidos liminarmente.
Uma vez que o recurso verse sobre questão cuja repercussão já foi reconhecida pelo Tribunal, ou quando impugnar decisão contrária à súmula ou à jurisprudência presume-se a existência de repercussão geral, em virtude da relevância jurídica, nos termos do §1° do artigo 323 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.
A apreciação da presença ou não de repercussão geral de questões constitucionais já examinadas pela Corte em julgados anteriores que formam jurisprudência dominante será feita através de questão de ordem, a ser suscitada pelo Presidente, nos recursos não distribuídos, ou pelos Relatores, nos já distribuídos.
Assim, da Questão de Ordem sobre matérias com jurisprudência dominante poderá resultar: a) reconhecimento da repercussão geral; b) reafirmação da jurisprudência da Corte nos julgados anteriores; c) uma vez reconhecida a repercussão geral e reafirmada a jurisprudência quanto ao mérito, autorização para os Tribunais, Turmas Recursais e de
65 Caput do Artigo 323 do Regimento Interno do STF: “Art. 323. Quando não for caso de inadmissibilidade do
recurso por outra razão, o(a) Relator(a) ou o Presidente submeterá, por meio eletrônico, aos demais Ministros, cópia de sua manifestação sobre a existência, ou não, de repercussão geral”.
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Uniformização adotarem os procedimentos de retratação e reconhecimento do prejuízo aos recursos extraordinários e agravos de instrumento correspondentes que versem sobre a mesma questão constitucional; d) negada a repercussão geral, declaração de prejuízo aos recursos extraordinários e agravos de instrumento correspondentes, no STF ou na origem; e) reconhecida a repercussão geral, mas não reafirmada a jurisprudência, seguimento pelo procedimento comum de tramitação para o recurso extraordinário, ouvindo-se a Procuradoria Geral da República quando for o caso e solicitando-se oportunamente a inclusão em pauta do tema66.
Deve-se ressaltar, ainda, que em havendo necessidade, o relator do recurso extraordinário ou respectivo agravo de instrumento poderá suscitar o exame da repercussão geral das matérias ainda não decididas, por questão de ordem, no Plenário presencial67.
É possível, também , que o processo em que a repercussão geral foi reconhecida não possa ser levado a julgamento de mérito (em razão de homologação de desistência, por exemplo). Nesse caso, o Ministro relator poderá selecionar outro de matéria idêntica que lhe tenha sido distribuído para que nele encaminhe no exame da matéria de fundo68.
Deve-se ressaltar, de igual modo, a existência da possibilidade de se tratar sobre duas matérias em um mesmo processo. Assim, nos recursos em que são levantadas várias questões jurídicas, é possível que o Tribunal reconheça a repercussão geral quanto a um determinado tema, inclusive julgando o mérito, e rejeite a repercussão geral quanto a outro. Isto se verifica, por exemplo, quando parte da matéria é constitucional e parte é infraconstitucional.
Para exemplificar, no RE 567.454, de relatoria do Ministro Carlos Britto, houve reconhecimento de repercussão geral no Plenário Virtual, quanto à questão da competência da Justiça Estadual e respectivos Juizados Especiais, para decidir sobre a possibilidade de cobrança de assinatura básica de telefonia. Por ocasião do julgamento de mérito, o Tribunal conheceu parcialmente do recurso, para negar-lhe provimento na parte conhecida, positivando a competência da Justiça Estadual e Juizados Especiais, deixando de conhecer da questão infraconstitucional - possibilidade da cobrança. Na sequencia, o Tribunal, por questão de ordem suscitada pelo Ministro Cézar Peluso, decidiu aplicar o regime da inexistência da
66 Nos termos das Questões de Ordem: QO-RE 579.431, QO-RE 582.650 e QO-RE 580.108, todas de Relatoria
da Ministra Ellen Gracie.
67 Conforme as Questões de Ordem: (QO-AI 664.567, de Relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, e QO-AI
715.423, de relatoria da Ministra Ellen Gracie.
68 De acordo com o despacho de 21/6/2008 no AI 716.509, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, substituindo
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repercussão geral à parte não conhecida do recurso, por se tratar de questão infraconstitucional.
Outro aspecto processual importante relacionado ao instituto da repercussão geral refere-se à intervenção de terceiros, quando da sua averiguação pelo Supremo.
O § 6º, do artigo 543-A, inserido pela Lei n. 11.418 de 2006, no Código de Processo Civil Brasileiro (anteriormente citado), permite que, no exame da repercussão geral, o relator admita a manifestação de terceiros.
Esse terceiro aludido pela lei é o amicus curiae, ou seja, é o sujeito processual que auxilia eventualmente o juízo na busca da melhor solução para a lide.
Cumpre ressaltar, inicialmente, que o interesse que o amicus curiae tem em intervir no processo é distinto do interesse jurídico. A justificativa da intervenção do amicus curiae está no interesse público que emerge da questão posta em juízo69.
A autorização para manifestação de terceiros tem vinculação direta com o efeito que a decisão exercerá sobre outros recursos que versem sobre a mesma questão e com o impacto que as questões em debate no recurso têm perante a sociedade.
No exame da repercussão geral, o amicus curiae não tem qualquer ônus além daquele que legitima a sua intervenção, qual seja, o de apresentar, de maneira imparcial, informações que auxiliem o deslinde da causa. Possui, entretanto, deveres, entre os quais estão a lealdade e a boa-fé processual, e poderes, como o de apresentar informações e memoriais, interpor embargos declaratórios e sustentar oralmente as suas decisões.
Segundo a redação da norma que enseja a participação do amicus curiae, pode-se inferir que cabe ao Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disciplinar a admissão e a intervenção dessa figura na análise da repercussão geral no recurso extraordinário.
Faz-se importante observar, ainda, que, embora o § 6º do artigo 543-A do Código de Processo Civil se dirija ao amicus curiae, pode-se vislumbrar a admissão da assistência simples no procedimento delineado pelo artigo 543-B do mesmo código. Nesse caso, o recorrente que se deparar com o sobrestamento da sua impugnação em razão da multiplicidade de recursos fundados em idêntica controvérsia terá interesse jurídico suficiente a embasar sua intervenção na qualidade de assistente simples daquele outro recorrente que tive o seu recurso extraordinário selecionado como representativo da controvérsia. A justificativa da intervenção aqui não é institucional, mas estritamente jurídica.
69 Para Cassio Bueno, o amicus curiae, seria todo aquele que “não pede ou em face de quem não se pede a
prestação da tutela jurisdicional”. BUENO, Cassio Scarpinella. Amicus Curie no processo civil brasileiro: um terceiro enigmático. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 359.
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Demonstrado o procedimento de intervenção de terceiros, faz-se oportuno destacar mais um ponto procedimental importante, qual seja o procedimento relativo aos processos com idêntica controvérsia.
De acordo com o caput do artigo 543-B do Código de Processo Civil, havendo multiplicidade de recursos extraordinários fundamentados em idêntica controvérsia.
Prevê o dispositivo em questão que caberá ao tribunal a quo, por seu presidente ou vice-presidente, selecionar casos representativos da controvérsia para a remessa ao Supremo Tribunal Federal e sobrestar os demais até ulterior decisão dessa Corte.
Sob esse prisma, passou a se fazer necessária a fixação de critério de análise, por parte do tribunal a quo, que leve em conta a robustez e a completude de argumentos na tentativa de demonstração da repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso.
De acordo com o procedimento de sobrestamento acima disposto, haverá a projeção dos efeitos da decisão sobre a existência ou não de repercussão geral nos recursos que discutem matéria idêntica, pois, uma vez negada a repercussão, os recursos sobrestados serão automaticamente não-admitidos, de acordo com a redação do § 2º do artigo 543-B.
Entretanto, no caso do reconhecimento da repercussão geral, os recursos sobrestados serão apreciados pelo juízo a quo, que poderá declará-los prejudicados ou exercer juízo de retratação (parágrafo 3º do mesmo artigo), colocando a sua decisão em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Somente se mantida a decisão originária, o recurso extraordinário será remetido para apreciação no Supremo Tribunal Federal.
Caso haja a aplicação indevida do artigo 543-B, ou seja, se o tribunal a quo determine indevidamente o sobrestamento do recurso extraordinário, com fundamento em identidade da controvérsia em outros casos múltiplos, restará à parte se insurgir contra essa decisão por agravo de instrumento, nos mesmos moldes do que já ocorre quando o recurso extraordinário é indevidamente retido. Tal agravo terá o objetivo de demonstrar que não há identidade entre o caso em tela e os demais casos que se encontram sobrestados.
A técnica do procedimento adotado nos citados parágrafos do artigo 543-B é de suma importância para a diminuição do número de recursos extraordinários levados à apreciação do Supremo Tribunal Federal, o que corrobora com a função precípua da implementação do instituto da repercussão geral no recurso extraordinário.
Assim, apreciada e reconhecida, pelo Supremo Tribunal Federal, a relevância de determinada controvérsia constitucional, aplicam-se igualmente aos recursos extraordinários anteriores a 3 de maio de 2007 os mecanismos previstos nos parágrafos 1º e 3º do art. 543-B,
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do CPC (sobrestamento, retratação, reconhecimento de prejuízo), sendo expressa ressalva quanto à inaplicabilidade, nessa hipótese, do teor do parágrafo 2º desse mesmo artigo, que trata da negativa de processamento fundada em ausência de repercussão geral.
Dessa maneira, os Tribunais, Turmas Recursais e Turmas de Uniformização estão autorizados a adotar, quanto aos recursos extraordinários interpostos de acórdãos publicados anteriormente a 03 de maio 2007, e aos seus respectivos agravos de instrumento, os mecanismos de sobrestamento, retratação e declaração de prejuízo, previstos no art. 543-B, do CPC70.
Quanto aos recursos extraordinários já distribuídos, interpostos de acórdãos publicados antes de 03 de maio de 2007, estes poderão ser devolvidos para sobrestamento, retratação ou reconhecimento de prejuízo na origem, desde que a questão constitucional neles suscitadas tenha repercussão geral reconhecida71.
Nesse momento, é de observar a necessidade de uma análise sobre a eficácia do reconhecimento e do não reconhecimento da repercussão geral na questão debatida.
Uma vez sendo reconhecida a relevância da questão apresentada, caracterizando, assim, a declaração de repercussão geral, e presentes os demais requisitos inerentes ao juízo de admissibilidade do recurso, deve o Supremo Tribunal Federal conhecer o recurso extraordinário, ou seja, admiti-lo, dando seguimento com a finalidade de apreciar o mérito. Assim, o Supremo Tribunal Federal vai, então, julgar o mérito do recurso, dando ou negando provimento72.
Ocorre que, independente do resultado desse julgamento de mérito do recurso, a decisão recorrida, passará a ser substituída pela decisão a ser prolatada pelo Supremo Tribunal Federal ao final do processo decisório.
Essa substituição influencia, de maneira exemplificativa, para efeitos da determinação de competência para interposição de ação rescisória do julgado, de maneira que, uma vez conhecido o recurso, a ação deve ser direcionada para a desconstituição da decisão do Supremo Tribunal Federal; enquanto que, caso não seja conhecido o recurso, a decisão atacada deve ser a objeto do recurso extraordinário não admitido.
70 Como explanou a Ministra Elen Gracie na Questão de Ordem - QO-AI 715.423..
71 Nos termos do pronunciamento do Ministro Cezar Peluso na Questão de Ordem - QO-RE 540.410.
72 Os assuntos cuja repercussão geral for reconhecida e estes forem submetidos ao Plenário Virtual, após
julgados, pode resultar na edição de súmulas vinculantes. Entre as súmulas já elaboradas em decorrência de julgamentos com reconhecimento de repercussão geral estão as que proíbem a cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas e o uso do salário mínimo como indexador de vantagem para servidor público ou empregado.
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Outro efeito do que se pode citar é que, uma vez reconhecida a repercussão geral, passa a ser de competência do Tribunal de origem conhecer e julgar ação cautelar tendente a dar efeito suspensivo ao recurso extraordinário sobrestado em razão daquela matéria.
Em contra partida, decidindo o STF pela não declaração da repercussão geral no caso analisado, o recurso terá seguimento negado, de modo que a decisão do Supremo Tribunal Federal não passará a substituir a decisão recorrida.
Como efeito desse não reconhecimento, os outros recursos fundados em idêntica matéria e sobrestados na origem não serão conhecidos, tendo o seu seguimento negado liminarmente.