As redes TCP/IP ou simplesmente, redes IP, têm uma imensa base instalada com milhões de computadores que continuam crescendo em praticamente todo o mundo.
O forte crescimento e a aceitabilidade das redes IP, ocorre em função de fatores importantes, como o crescimento da rede de Internet e a aceitação cada vez maior pelas empresas da base tecnológica TCP/IP como plataforma de suporte às suas aplicações em rede. Isso decorre em parte do sucesso da capilaridade da Internet e do seu potencial.
A rede TCP/IP foi desenvolvida tendo como uma de suas premissas básicas, o requisito de poder ser utilizada com os diversos tipos de meios físicos e tecnologias existentes na época de sua criação ("IP sobre Tudo" - Anos 70), de forma a viabilizar a comunicação entre as aplicações fim-a-fim em rede.
Usualmente, a rede IP foi desenvolvida de forma a ser capaz de comutar sobre meios físicos e tecnologias de nível dois confiáveis, não-confiáveis, de alto desempenho ou de baixo desempenho. Mas de certa forma o paradigma mudou e a questão que segue, vem a ser a identificação das eventuais limitações do IP e procedimentos necessários para adequá-lo à nova realidade das redes.
A qualidade de serviço em redes IP, não é necessariamente resolvida com um único protocolo ou algoritmo, mas na maioria dos casos e dependendo da necessidade das aplicações, um conjunto de novos recursos deve ser utilizado.
A qualidade de serviço (QoS) nas redes IP é um aspecto operacional fundamental para o desempenho fim-a-fim dos novos conceitos de aplicações.
Assim sendo, é importante o entendimento dos seus princípios, parâmetros, mecanismos, algoritmos e protocolos desenvolvidos e utilizados para a obtenção de uma qualidade de serviços para as redes, que usam bases de protocolo TCP/IP facilitando a análise e confecção de um SLA a nível de redes.
A Qualidade de Serviço (QoS) é um requisito das aplicações, para a qual exige-se que determinados parâmetros como atrasos, vazão, perdas estejam dentro de limites bem definidos de valor mínimo e valor máximo.
Do ponto de vista dos programas de aplicação, a QoS é tipicamente expressada e solicitada em termos de uma Solicitação de Serviço ou Contrato de Serviço sendo que a solicitação de aplicação é denominada tipicamente de SLA (Service Level Agreement) em nosso caso será o ANSi (Nível de Serviços Acordados Internamente).
O SLA interno deve definir claramente quais requisitos devam ser garantidos para que as aplicações possam ser executadas com qualidade, do ponto de vista dos usuários, tem-se normalmente que a qualidade obtida de uma aplicação pode ser variável, a qualquer momento, pode ser alterada ou ajustada para melhor ou pior.
Sabe-se que este comportamento pode ser dinâmico do ponto de vista dos usuários finais e do ponto de vista das redes, os SLA internos são estáticos e eventualmente, podem ser alterados.
A alteração de um SLA interno implica normalmente em uma nova solicitação de qualidade de serviço da rede em questão.
Do ponto de vista de um gerente, administrador de redes ou do departamento de informática, a percepção da qualidade de serviço é mais orientada no sentido da utilização de mecanismos, algoritmos, ferramentas e protocolos de QoS em benefício de seus clientes e para o suporte das aplicações, ou seja, como efetivamente a rede e seus componentes, podem garantir os inúmeros SLAs definidos para diversos usuários e aplicações, ou para todo o ambiente.
Outros aspectos importantes, do ponto de vista gerencial são a escalabilidade e a flexibilidade da solução implementada, sendo a escalabilidade dos protocolos, algoritmos e mecanismos de QoS um assunto de pesquisa (P&D), que se torna particularmente relevante quando consideramos a possibilidade de estender a garantia de QoS através de múltiplos domínios administrativos IP.
A flexibilidade dos mecanismos de controle de QoS, aplicados a um SLA interno é um fator determinante, na aceitabilidade dos mesmos, pela comunidade de usuários dessa rede.
A qualidade de serviço é necessária às aplicações, e pode ser definida em termos de um SLA onde em suas especificações são os parâmetros de qualidade de serviço, que inicialmente, faz-se necessário considerar que dentro de uma rede, não são todas as aplicações que realmente necessitam de garantias fortes e rígidas de qualidade de serviço para que seu desempenho seja satisfatório.
Os parâmetros da qualidade de serviço são normalmente considerados durante a fase de projeto e implantação da rede e corresponde a um domínio de conhecimento bem discutido e relatado na literatura técnica, pois uma vez identificado os parâmetros relacionados com a qualidade de serviço das aplicações, discute-se os protocolos, mecanismos, ferramentas e algoritmos utilizados na implementação efetiva da qualidade de serviço, para que se possa confeccionar um SLA da melhor forma possível.
As redes IP já são e deverão continuar sendo uma plataforma cada vez mais importante para as aplicações. Partindo deste contexto, a garantia da qualidade de serviço em redes IP é um aspecto fundamental de sua operação, principalmente se esta estiver com bases de um SLA.
Globalmente, a garantia de QoS em redes IP envolve vários níveis de atuação em diversos tipos de equipamentos e tecnologias, embora não seja uma atividade complexa, a gerência da qualidade de serviço, exige principalmente um entendimento claro dos componentes e parâmetros envolvidos, e de uma metodologia de implementação de protocolos, algoritmos, ferramentas e mecanismos que garantam a qualidade, mas tudo isto depende de um bom e flexível acordo de nível de serviço (SLA).