GERAÇÃO DE EMPREGOS
1 O PRODETUR/NE I é designado ainda, como PROGRAMA DE AÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO
3.2. Aspectos Relevantes e Resultados Alcançados
O PRODETUR/NE I integrava a estratégia de desenvolvimento e abertura da economia brasileira ao mercado internacional, adotado pelo governo federal e estava atrelado ao Programa Avança Brasil. Era composto de 24 programas e despontou no cenáriobrasileiro com o objetivo de consolidar o futuro da indústria nacional de turismo e contribuir para a redução das desigualdades regionais
Para seus críticos, a proposta do PRODETUR/NE I é desenvolvimentista, pois concebida numa lógica ajustada à competitividade das frações do espaço nacional, articulando-as aos interesses do capital internacional. Esta proposta desenvolvimentista se reflete na exclusão da sociedade em seu planejamento, no pouco investimento na qualificação e preparação da comunidade beneficiada.
Araújo (2000, p.87) considera que a busca da melhoria das áreas dinâmicas do país, privilegiou os Vales Úmidos da fruticultura, o oeste graneleiro e o litoral do turismo. Na prática, a política destinada às áreas dinâmicas do país, acentuava internamente as desigualdades socioeconômicas, como no caso do Nordeste. Coriolano (2006, p.106), corroborando com essas críticas, destaca como falhas no Programa: a falta de inclusão da comunidade no processo de elaboração de seu planejamento e a falta de investimento do capital humano, sendo essa considerada como sua principal falha.
De qualquer modo, durante o períodoem que recebeu investimentos oriundos do PRODETUR/NE I, a atividade turística no Nordeste experimentou considerável avanço, principalmente no campo econômico. Ocorreu o aumento do fluxo turístico, do número de empresas ligadas ao setor, dos empregos gerados e do aumento da receita e impacto no PIB. Em decorrência de seu rápido crescimento, a atividade passou a ser priorizada e gerar grandes expectativas para governantes, empresários e a população, passando a compor o discurso desses atores, como ferramenta capaz de mudar as estruturas econômicas e sociais da região.
Embora haja o reconhecimento da importância do turismo para o desenvolvimento socioeconômico do Nordeste, a Organização Mundial do Turismo, as instituições públicas ligadas ao setor, os órgãos reguladores do governo federal e teóricos consideram difícil a mensuração da dimensão dos efeitos produzidos pela atividade, de forma segura e adequada. Isso se deve, dentre outros fatores, à carência das estruturas institucionais na captação de informações e de uma metodologia específica que consiga separar os efeitos gerados pelo turismo de outras atividades.
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O Banco do Nordeste, no documento de prestação de contas do PRODETUR/ NE I, encaminhado ao BID, faz uma análise dos fatores críticos para avaliação do Programa, apontando a inexistência de uma metodologia e de um sistema de dados para a avaliação e monitoramento dos resultados alcançados (BNB, 2005, p.48). Já o Tribunal de Contas da União-TCU destaca em seu relatório que tanto o BNB como o BID limitaram-se a avaliar o Programa em sua primeira etapa, no aspecto das metas físicas, sendo os efeitos socioeconômicos analisados de forma secundária.
Analisando o desempenho do turismo a partir da década de 90, o TCU observa a dificuldade em separar os efeitos do turismo das demais atividades relacionadas e pelo fato dos bens e serviços serem consumidos por visitantes e residentes. Este relatório enfatiza que setor de turismo apresentou melhor desempenho que as outras atividades no Nordeste, gerando aumento de empregos formais e aumento de ocupações por conta própria para as mulheres. Por outro lado, o TCU assegura que os dados existentes não permitem afirmar que esses resultados tenham sido decorrentes dos investimentos realizados pelo PRODETUR/ NE I. (TCU, 2004, p.28).
Na visão do TCU, os resultados alcançados pelo PRODETUR/NE I são considerados presumíveis, tendo a ampliação da infraestrutura de aeroportos, sistemas de esgotamento sanitário e a modernização de estradas, reflexos positivos no fluxo de turismo da região, além de ter estimulado os agentes econômicos do turismo a investir na região, ampliando a oferta de bens e serviços turísticos. As limitações descritas para a mensuração dos efeitos do PRODETUR/NE I na atividade turística e no desenvolvimento socioeconômico não se contrapõem à importância que o Programa teve para o Nordeste, mas reforça a necessidade de aprofundar as pesquisas nessa área, a fim de que se possa ter informações mais seguras com o objetivo de subsidiar a formulação das políticas públicas para o setor.
Finalizada a primeira fase do PRODETUR/NE I, O BNB reconheceu que embora ele seja “um instrumento alimentador neste processo do desenvolvimento é, todavia, insuficiente para viabilizar o crescimento e as expectativas estabelecidas anteriormente” (TELES, 2005, p.40). Para o BNB, isso se deve à própria conjuntura, englobando aspectos como o uso racional dos recursos públicos, a capacidade de investimentos da iniciativa privada, as condições de natureza macroeconômica e social do Brasil e do mundo.
Na avaliação dos gestores públicos, o PRODETUR/NE I constituiu-se num marco na atividade turística do Nordeste. Os números alcançados são marcantes, resultando no
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aumento do fluxo turístico, receita turística e impacto no PIB, aumento da arrecadação tributária, aumento da atividade turística e o conseqüente aumento do número de estabelecimentos, aumento do número de empregos, aumento do desembarque de passageiros nacionais e internacionais.
A atuação do PRODETUR NE I, de acordo com Pedrosa e Freitas (2005, p. 11) foi determinante na estruturação e modernização da acessibilidade e infraestrutura dos serviços básicos dos diversos destinos turísticos nordestinos, incidindo no crescimento da atividade turística no Nordeste. No caso específico da evolução do fluxo turístico para as capitais e estados nordestinos, conforme aponta Teles (2005, p. 6) os índices alcançaram um crescimento surpreendente de 210,4% e um crescimento médio anual de 10,0%, no período compreendido entre 1996/2004, conforme se pode observar na Tabela abaixo:
Tab. 5 - Evolução do Fluxo Turístico no Nordeste.
ANOS CAPITAIS ESTADO FE Relação (%)
FC/FC