O cenário atual da Economia em Saúde apresenta papel extremamente relevante em todo o mundo. A assistência em saúde encontra-se sob crescentes pressões de custo, no âmbito público e privado mundial, provenientes principalmente dos avanços tecnológicos e longevidade conforme o Gráfico 1 (BUSS, 2014; IBGE, 2019).
A porcentagem de pessoas idosas (acima de 65 anos) nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) era de 16,2%, enquanto que, no Brasil, era de 8,0% - conforme dados do ano de 2015. Já em 2027, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que os idosos corresponderão a 12,3% da população brasileira, tendendo a aumentar as despesas futuras em saúde com o processo de envelhecimento da população (TESOURO NACIONAL, 2018).
Estudos realizados em alguns países demonstram o impacto da saúde na Economia.
Nos Estados Unidos da América, o financiamento é misto com predomínio da prestação privada de serviços, onde as despesas em assistência à saúde como percentual do Produto Interno Bruto (PIB) elevaram-se de 7% para 15%, entre 1970 e 2000 (HEALTH, 2017). Os Estados Unidos da América e a Noruega gastam ambos mais de US$ 7.000 per capita por ano;
a Suíça mais de US$ 6.000. Os países da OCDE, como um grupo, gastam em média cerca de US$ 3.600 (TESOURO NACIONAL, 2018).
GRÁFICO 1 - PROJEÇÃO DA POPULAÇÃO IBGE ATUALIZADA EM 2018
FONTE: IBGE, 2019
Uma análise comparativa, no ano de 2014, entre os países: Brasil, França, Itália, Portugal, Espanha e Reino Unido, pode ser visualizado na Tabela 2 (FIGUEIREDO, et.al., 2018).
TABELA 2 - GASTO PÚBLICO E PRIVADO EM SAÚDE EM ALGUNS PAÍSES (2014)
Indicadores Países
Brasil França Itália Portugal Espanha Reino Unido
Gasto público em saúde como porcentagem do PIB 3,8 9 7 6,2 6,4 7,6
Gasto privado em saúde como porcentagem do PIB 4,5 2,5 2,3 3,3 2,6 1,5
Fonte: Figueiredo JO, et. al. (2018)
Abaixo, no Gráfico 2, conforme informações da Secretaria do Tesouro Nacional (2018), podem ser analisadas as despesas totais em saúde no ano de 2015, no Brasil, em comparação com o Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos.
GRÁFICO 2 - DESPESAS TOTAIS EM SAÚDE (% PIB) - 2015
Fonte: Tesouro Nacional (2018)
No Brasil, o aumento dos custos com assistência em saúde também ocorrem e são provocados por diversos aspectos como: regulamentação governamental, alta competitividade, rápido avanço tecnológico, aumento dos custos dos serviços em saúde e a busca constante pela excelência na qualidade dos serviços (RAMOS, 2011; IESS, 2019).
Estudos divulgados pela Federação Nacional de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg) apontam que entre 1994 e 2000 os reajustes acumulados dos planos de saúde totalizaram 68,10%, mantendo-se inferior ao percentual de elevação divulgado pelo Dieese para o subgrupo “Assistência Médica”, 194,2%. No período entre 2000 e 2004, enquanto o IPC variou cerca de 36%, os custos de internação hospitalar cresceram 138%, e a inflação médica, em 2005, teria sido de 7 a 10% superior à variação do IPCA.
Os crescentes custos com assistência médica podem ser diretamente atribuídos a três fatores distintos: a inflação, a incorporação de tecnologias mais avançadas e a elevada taxa de utilização de recursos. (ALBUQUERQUE, FLEURY, FLEURY, 2011, p.44-45).
Em cumprimento à Lei nº 9.656 do Ministério da Saúde, no ano 2000, foi criada a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A ANS é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde responsável pelo setor de Planos de Saúde, que utiliza um conjunto de medidas e ações do Governo que envolve a criação de normas, o controle e a fiscalização de segmentos de mercado explorados por empresas para assegurar o interesse público.
Anteriormente à ANS, as Operadoras de Plano de Saúde Privados (OPSSs) definiam suas próprias regras de negócios. Com a criação da ANS propiciou o aparecimento de mecanismos de controle sobre a atuação das operadoras de saúde, sendo minimizadas as possibilidades de repassar ao cliente final os custos de ineficiência de gestão das operadoras de saúde. A proibição de exclusão de condições e moléstias determinadas, a padronização da cobertura mínima ampliaram as atribuições e o ônus financeiro das operadoras, que simultaneamente foram submetidas ao controle de preços pela ANS (ALBUQUERQUE, FLEURY, FLEURY, 2011).
A contribuição da comunidade científica para o desenvolvimento de novas tecnologias é favorável para a melhora na vida dos indivíduos, porém essa evolução é acompanhada pelo aumento dos custos em saúde, sendo que esses são repassados à sociedade (direta ou indiretamente), ao serviço público ou ao sistema privado. A tecnologia em saúde é considerada como um conjunto de medicamentos, equipamentos, dispositivos e procedimentos médicos e cirúrgicos usados no cuidado em saúde. Com a inovação tecnológica, esse cuidado em saúde é constantemente atualizado e de acordo com sua complexidade, pode gerar um impacto maior ou menor no custo (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009; LIMA, BRITO, ANDRADE, 2019).
A partir do momento em que uma tecnologia em saúde é registrada, sua utilização é autorizada no País e imediatamente surge uma nova demanda, que passa a ser foco de análise para incorporação ao rol de coberturas do setor de saúde suplementar e inicia-se uma pressão por parte da sociedade para a utilização dessas tecnologias pelos prestadores de serviços.
Porém, não é realizada uma análise prévia do impacto da incorporação da nova tecnologia no rol de procedimentos da ANS. Durante um ano, após a inclusão da nova tecnologia no rol de procedimentos da ANS, há um monitoramento do mercado para avaliar os possíveis impactos que sua introdução possa ter acarretado aos custos das operadoras de saúde. Um exemplo da incorporação tecnológica e do seu impacto nos custos são as cirurgias de joelho reembolsadas pelas seguradoras que apresentaram incremento de 224% no custo médio em quatro anos (CAMPOS, 2006; LIMA, BRITO, ANDRADE, 2019).
A Sinistralidade é o índice que mede o grau da utilização do plano através da relação entre os gastos com assistência médico-hospitalar (eventos cobertos) e a receita de contraprestações da operadora em um determinado período (ABRAMGE, SINAMGE, SINOG, 2019). A média da sinistralidade de 2014 a 2018 foi de 81,4%.
As OPPSs vivem uma grande pressão com os processos de judicializações da saúde, que são acompanhadas do desejo de longevidade dos indivíduos, aliado aos avanços tecnológicos e novas técnicas de tratamento, que embora não incluídas no rol de procedimentos da ANS, impactam negativamente na gestão econômico financeira.
Frente a esse cenário, todos os fatores mencionados levaram a um aumento da despesa assistencial das OPSSs e, para a manutenção no mercado, precisam melhorar o controle de seus custos, adotando estratégias que minimizem os gastos.