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3 METODOLOGIA

3.4 Instrumentos de coleta de dados

3.4.2 Questionário

3.4.3.1 Protocolo da sessão de leitura livre

O protocolo de leitura livre (Anexo C) empregado nesta dissertação, como já foi informado, é o mesmo utilizado pelo grupo de pesquisa do LabEV na pesquisa Interleituras. Por ser livre, não existe atividade específica para ser desenvolvida durante a coleta. Espera-se que o sujeito utilize o computador e a internet em atividades leitoras movidas por seus próprios objetivos, de acordo com o que ele já está acostumado a fazer. Aqui explicitamos as partes desse protocolo.

No cabeçalho, além dos dados técnicos e internos à pesquisa, apresentamos ao sujeito a proposta pela qual deve acessar o computador e a internet. Na parte destinada à pré-leitura, que se estende até o item 3, o sujeito encontra espaço para evidenciar seus objetivos de leitura e suas hipóteses sobre o que pode encontrar.

Também há espaço destinado à ativação de conhecimentos prévios que o sujeito percebe no ciberespaço, ou motivados por aspectos disponíveis nas páginas consultadas. No bloco de leitura, formado pelo item 4, o sujeito tem espaço para explicitar suas reações sobre aspectos linguísticos, multimodais e de gênero, bem como demonstrar se possui ou não conhecimentos prévios sobre o suporte computacional e sobre o próprio ciberespaço e como isso afeta a sua leitura. Na parte de pós-leitura, que engloba os itens 5 e 6, devem ser evidenciadas facilidades, dificuldades e soluções que conseguiu encontrar o sujeito para os problemas de navegação. Também deve destacar elementos que contribuíram para o alcance dos objetivos de leitura, bem como esclarecer os procedimentos que o realizou para chegar à solução de possíveis dificuldades ou problemas ao longo da navegação.

Na última parte do protocolo, o sujeito conta com um espaço livre para apresentar e/

ou explicar qualquer tipo de aspecto que julgue relevante comentar e que não tenha sido, em sua opinião, contemplado pelo protocolo.

3.4.3.2. Protocolo das sessões de leitura guiada de imagens

De modo distinto do protocolo da sessão de leitura livre, este protocolo (Apêndice B) foi preenchido pelo sujeito informante mediante o desenvolvimento de atividades de leitura pré-estabelecidas. Para as duas atividades desenvolvidas foi utilizado o mesmo protocolo. Protocolo e atividade são duas instâncias distintas de uma mesma sessão de leitura. No protocolo, se rastreiam os procedimentos. No roteiro de atividade se propõe a tarefa objeto de observação.

O protocolo de leitura guiada de imagens é dividido em 16 tópicos, baseados na categorização de imagens que propomos na parte teórica desta dissertação e também em características relacionadas a imagens em geral de modo intrínseco (cores/ texturas/ planos) e extrínseco (quantidade de imagens e de hipertextos). De acordo com nossa categorização, as imagens no ciberespaço nunca estão separadas totalmente do elemento verbal e podem ser assim divididas: Grupo A:

imagens que apontam para procedimentos; Grupo B: imagens que são recursos tipográficos, os indicadores sublinhados de hipertextos, os elementos que expressam visualmente o que até pouco tempo era expresso verbalmente; Grupo C:

imagens inseridas em textos escritos, ou seja, uma fotografia no meio de uma reportagem, um vídeo que se relaciona com um texto escrito, por exemplo. Cada grupo foi contemplado neste protocolo, com a seguinte organização: Grupo A (1, 2, 10, 11, 12); Grupo B (1, 2, 4, 7, 8, 13, 14, 15, 16); Grupo C (1, 2, 5, 6, 7, 13, 14, 15, 16); características intrínsecas (9) e características extrínsecas (3).

O protocolo possui duas partes, sendo uma o cabeçalho e a outra a tabela de tópicos e relações que está em lilás no protocolo (cor estratégica para evocar tranquilidade). Cada tópico possui quatro divisões, a saber: facilidades, dificuldades, soluções encontradas para resolver as dificuldades e outras colocações.

3.4.4. Atividades de leitura guiada de imagens

Elaboramos duas atividades que foram estruturadas como leitura guiada de imagens. A primeira (Apêndice C - Leitura guiada de imagens: Prática leitora do

professor) tem como objetivo entender a prática leitora do sujeito informante Já a segunda atividade (Apêndice D– Atividade de leitura guiada de imagens: Prática docente) objetiva verificar a prática docente ao preparar uma aula com recursos da internet.

3.4.4.1. Prática Leitora

Esta atividade (Apêndice C) faz parte da sessão de leitura guiada de imagens e é apresentada ao sujeito com uma carta explicativa sobre a proposta de navegação. Ela é aplicada na segunda sessão de leitura. Sua divisão se centra em três partes: pré-leitura, leitura, pós-leitura.

Na primeira parte, a de pré-leitura, o objetivo é verificar algumas das estratégias utilizadas pelo sujeito ao entrar em contato com o computador e acessar a internet. Cabe esclarecer que o site que serviu de mote para a atividade foi um blog. A primeira motivação para essa escolha consiste em ser um material em que observamos algumas dificuldades que o sujeito poderia encontrar ao lê-lo, por exemplo, os três vídeos que aparecem na página inicial apresentam problemas diferentes que impedem sua visualização ou dificultam-na. Ao ter que lidar com essas dificuldades para realizar as atividades de leitura guiada, queremos verificar as estratégias específicas para navegar no ciberespaço ou mesmo que adaptações de estratégias utilizadas no meio impresso ocorrem para o virtual. Motivou-nos, também, eleger o blog por ser um dos veículos de comunicação mais dinâmicos e crescentes62 na internet, sendo por isso uma estrutura com grande probabilidade de que o sujeito da pesquisa já tenha utilizado ou acessado pelo menos uma vez.

Voltando-nos para as questões elaboradas, a primeira, por exemplo, permite verificar se o acesso à internet se dá por meio de menus ou de ícones do desktop.

No roteiro de atividade, é indicado um endereço eletrônico para começar a tarefa.

No caso de o sujeito preferir o roteiro impresso, ele digita o endereço eletrônico no campo da barra de ferramentas destinado à URL das páginas, ou em algum buscador, copiando da folha que lhe foi entregue. Se preferir o roteiro virtual, o sujeito digita novamente o endereço eletrônico, ou usa o mecanismo de copiar/ colar

62 De acordo com o diretor geral da Google no Brasil, a cada segundo é criado um novo blog. Para ver esses e outros dados sobre os instrumentos que a Google disponibiliza na internet, ver o blog oficial no Brasil da empresa:

http://googlebrasilblog.blogspot.com/2008/07/liberdade-e-responsabilidade-na.html

o endereço que aparece no arquivo na área de trabalho referente à atividade de leitura guiada.

A questão 2 verifica se o sujeito se prende a características mais imagéticas e multimodais, ou se aspectos relacionados com o ciberespaço de um modo geral chamam mais sua atenção. A terceira questão serve para verificar se as questões elaboradas por nós na parte de leitura desta atividade poderiam ter influenciado o sujeito na elaboração de sua própria proposta. Sabendo com antecedência as propostas que o professor utilizaria com o material da internet, supomos que suas escolhas para elaborar uma atividade mais adiante devem ser as mesmas ou afins às que utilizou na questão 3. Caso contrário, podemos supor que nossas questões com os materiais da internet acabaram influenciando as propostas didáticas dos sujeitos enquanto professores.

A questão 4 traz uma proposta de leitura do material acessado, no caso um blog, e pretende verificar se o sujeito tem conhecimentos sobre o veículo blog e sobre os possíveis gêneros que o blog pode abrigar, incluindo se o sujeito entende que um site é constituído por várias páginas (o que por vezes pode confundir o leitor).

Na segunda parte da atividade, elaboramos questões sobre compreensão tanto do blog, quanto de gêneros nele presentes. Também há questões para verificar as estratégias que o sujeito utiliza ao encontrar problemas no ciberespaço.

A leitura dos aspectos multimodais, sendo o foco de nossas investigações, foi contemplada em maior número de questões; no total, aparece em oito das doze elaboradas para esta atividade de leitura guiada.

As questões ‘a’ e ‘f’ verificam as estratégias quanto aos conhecimentos linguísticos do sujeito; ‘a’, ‘c’, ‘e’ e ‘g’ se centram nas estratégias de reconhecimento de blogs e de gêneros dentro deles; as questões ‘b’, ‘c’, ‘e’, ‘g’ e ‘h’ servem para investigar as estratégias utilizadas pelos sujeitos ao se depararem com problemas específicos do ciberespaço. Para exemplificar: os três vídeos mencionados na atividade apresentam problemas, pois o primeiro foi retirado pelo seu autor; o segundo não possui som e o terceiro, que tem cerca de 3 minutos de duração é o único que funciona, porém, a apresentação dos slides se dá de modo muito rápido.

É pedido ao sujeito que relacione os três vídeos. Como relaciona se não consegue verificar se os problemas encontrados podem ser solucionados? Umas das possibilidades é o sujeito verificar se, buscando o mesmo vídeo em sites específicos

de vídeos, a falta de som se repetirá. Dessa forma, ele só terá o visual para compreender o conteúdo do vídeo e o texto escrito (uma legenda, uma nota explicativa, etc). Da mesma forma irá proceder para verificar se o autor do vídeo o retirou somente da página acessada ou o retirou da internet. As questões que auxiliam a verificar a leitura dos aspectos multimodais são: ‘b’, ‘d’, ‘i’, ‘j’, ‘k’ e ‘l’

(relação texto-imagem, não necessariamente específica do ciberespaço), ‘f’ (verificar como o sujeito procede com o uso dos links) e ‘h’ (descrição das imagens).

Na terceira e última parte desta atividade, propomos verificar aspectos da leitura no ciberespaço que não tenham sido contemplados nas atividades e nos protocolos de registro dos procedimentos leitores. Também nesta etapa queremos perceber se o sujeito inclui os elementos multimodais em sua descrição e de que modo ele lida com tais elementos para alcançar seus objetivos de leitura.

3.4.4.2. Prática Docente

Esta atividade (Apêndice D) faz parte da sessão de leitura guiada de imagens e é apresentada ao sujeito com uma carta explicativa sobre a proposta de navegação, assim como acontece com a atividade anteriormente citada. Sua aplicação encerra as sessões de leituras. Na primeira parte temos o título

‘Estruturando a aula’, em que solicitamos informações de ordem técnica que permitam o desenvolvimento das atividades propostas pelo professor. Na segunda parte, que se intitula ‘Elaborando a proposta’, temos dois momentos: 1° - o professor busca uma imagem e prepara atividades de leitura com a imagem escolhida; 2° - o professor escolhe um gênero que permita a ele desenvolver atividades de leitura com foco na relação texto-imagem. Com esta última sessão de leitura, além de perceber como o professor transpõe os materiais da internet para a sala de aula, podemos também confirmar ou não comportamentos que percebemos nas outras sessões, viabilizando uma associação entre o perfil leitor do sujeito e sua atuação profissional na formação de leitores.

3.4.5. Gravações do GTKRecordMyDesktop

As gravações do processo leitor de nossos sujeitos, por meio do programa GTK-RecordMyDesktop, permite maior detalhamento das ações e estratégias

realizadas no ciberespaço. De acordo com Silva (2009, p.79), adotar tal metodologia de coleta contribui para um maior detalhamento dos dados.

O objetivo da combinação técnica/ software permitiu uma observação detalhada da leitura hipertextual, em seus mais diferentes processos, desenvolvida pelos sujeitos da pesquisa. Através da gravação das telas foi possível observar em detalhes a relação do leitor com o texto.

O resultado da gravação é um vídeo com extensão ‘.ogv’, própria para ser visualizada no Linux. Esse formato pode ser convertido no próprio Linux para uma extensão ‘.avi’, que é compatível com programas de assistência de vídeo de outros sistemas operacionais, como o Windows. Caso não haja a possibilidade de conversão do vídeo, ele também pode ser visualizado através do programa VLC.

Além de observar e descrever as imagens da gravação é necessário transcrever os sons emitidos por nosso sujeito informante.

3.5. Critérios de análise

A análise dos protocolos, bem como das gravações, se centrou no cruzamento de doze critérios. Ao analisar uma cena gravada, não nos apegamos a somente um critério, pois entendemos que isso pode nos levar a erros analíticos.

1) movimento com o cursor do mouse

Corresponde à forma como o sujeito movimenta o cursor de acordo com o gênero discursivo e com a extensão do texto. Pode ser rápido ou lento;

aleatório como se perdido em meio aos links ou ordenado de forma sequencial, como se o sujeito acompanhasse com a ponta dos dedos as linhas impressas em um livro; clicado ou repousado;

2) gêneros consultados

Mesmo não sendo o foco de nosso trabalho o estudo dos gêneros, é relevante observá-los para perceber como o sujeito os lê e que novidades e adaptações eles recebem de acordo com o novo suporte, a extensão dos textos, os aspectos multimodais, dentre outros;

3) idiomas das páginas acessadas

Uma vez que o sujeito pode manifestar estratégias distintas de leitura em língua materna e estrangeira, cabe considerar esse critério em nossas análises;

4) estratégias de busca

Pauta-se no tipo de buscador (geral ou especializado) e no modo como o sujeito busca informação (utiliza ou não buscador/ sente necessidade de fontes impressas ou não/ usa ou não filtros de busca);

5) estratégias de seleção de resultados de busca

Entendemos fazer parte do processo de busca, mas se apresenta como estratégia distinta, que requer seleção das páginas que serão lidas dentre as opções que aparecem na lista do buscador; seleção esta que deve estar de acordo com os objetivos da busca.

6) estratégias de leitura

Dependentes de seus objetivos de leitura, o sujeito pode utilizar-se de estratégias, tais como inferências, scanning, skimming, resumos;

7) estratégias de acesso

Se o sujeito utiliza menus, ícones ou outras formas de acesso;

8) frequência de acesso aos links Ininterrupta ou esporádica;

9) modo de acesso aos links

Aleatório sem necessariamente se ater aos objetivos de leitura ou objetivo, tentando resolver as questões de atividades propostas;

10) tratamento das imagens das categorias A, B e C

Consiste em perceber como as características de cada categoria influenciam na construção dos sentidos, como se dá a leitura tendo em vista a multimodalidade presente no ciberespaço;

11) leitura unidirecional e/ ou multidirecional

Tendo em vista os processos de leitura já mencionados na parte teórica, procuramos perceber como o sujeito os aplica ao navegar no ciberespaço, se lê de modo unidirecional ou multidirecional;

12) ausência ou presença da fala do sujeito enquanto navega

Verificar com que objetivo o sujeito se expressa oralmente e com que frequência.

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

Para iniciar a apresentação e análise dos dados coletados, esclarecemos que, ainda que a sequência deste texto siga a ordem prevista no capítulo metodológico, como definimos que seria mais adequado ao atendimento de nossos objetivos: entrevista, questionário, sessão de leitura livre, sessão de leitura guiada e sessão de atividade docente, a aplicação seguiu outra ordenação.

A entrevista e o questionário foram aplicados uma semana após a aplicação da sessão de leitura livre. Isso se justifica devido ao fato de, no dia marcado para a entrevista/ questionário, o sujeito informante ter manifestado não estar bem para responder o questionário. Foi, portanto, acordado entre sujeito e pesquisador que, para não perder o tempo e para deixar o sujeito mais cômodo, a etapa da sessão de leitura livre seria aplicada naquele dia. Avaliamos que isso não representou um risco ao desenvolvimento do estudo, pois a leitura livre não dependia da aplicação dos outros instrumentos. Poderia ter sido prejudicial a realização das leituras guiadas antes da livre, já que nelas se explicitam certos parâmetros que poderiam influenciar de alguma forma na prática habitual de leitura virtual do sujeito que se procurava captar na leitura livre.

A sequência das coletas foi executada, então, da seguinte maneira:

apresentação do termo de consentimento livre e esclarecido sendo realizada no mesmo dia da aplicação da sessão de leitura livre (nossa primeira coleta de dados);

uma semana depois, aplicamos a entrevista e o questionário; na semana seguinte, realizamos a sessão de leitura guiada de imagens e, quinze dias após, executamos a última coleta de dados com a sessão de atividade docente. Após as coletas, e tendo realizado uma análise prévia do material coletado, foi marcado um encontro (quarenta e cinco dias depois da última coleta) para esclarecer os pontos ambíguos e verificar a coerência de nossas análises.

Lembramos que esta dissertação se centra em uma metodologia de estudo de caso. Desse modo, não podemos generalizar os resultados aqui obtidos. Nossas conclusões levam a descrever um cenário de leitura específico, a levantar hipóteses sobre possíveis tendências, procedimentos. Também respondem nossos problemas de pesquisa, mas não servem como generalizações para a atual realidade da compreensão leitora em meio virtual, pois o contingente populacional abrangido neste trabalho é limitado a um sujeito específico.

4.1. A entrevista

A entrevista foi realizada com câmera digital de gravação de áudio e vídeo e teve duração de 46 minutos. Tanto para preservar a identidade do sujeito, como para deixá-lo mais à vontade, o pesquisador decidiu virar a câmera para a parede e se importar somente com a gravação da voz. Temos em mente que a gravação das imagens enriquece ainda mais a coleta de dados, pois os gestos, as expressões (e mesmo os gestos e expressões que não foram feitos pelo sujeito) contribuem para o entendimento do discurso. No entanto, o pesquisador preferiu que a entrevista fosse mais descontraída, como uma conversa, sem coerções explícitas (gravação de imagem). Observamos que expressões e gestos de pi01 foram naturais e não demonstraram nervosismo. Raras vezes o sujeito sorria antes de expressar fatos de sua realidade de trabalho, tanto como uma forma de ironizar a situação a ser narrada, como para deixar claro que parece ser uma situação irreal ou que deveria acontecer somente no âmbito da imaginação.

Com relação à atuação profissional, nosso sujeito informante ministra aulas de ELE no ensino fundamental, oitavo e nono anos, e para os três anos do ensino médio, na rede pública estadual do Rio de Janeiro. Na rede particular, trabalha com turma de terceiro ano preparatório para o vestibular. Na rede estadual, pi01 possui 24 turmas em duas escolas e sente que o trabalho com o espanhol é sem orientação, “até porque a obrigatoriedade da lei 11.161 é relativamente nova”. Na rede pública, não há planejamento anual. “No particular é diferente, pois os alunos precisam da língua estrangeira para ingressar na universidade”. Desse modo, percebemos que a rede particular fornece todo o apoio pedagógico e disponibiliza todos os recursos, o que nem sempre acontece no público.

Sobre os recursos disponibilizados para as aulas, pi01 relatou que nas escolas da rede estadual nas quais trabalha, é necessário fazer uma reserva da sala de vídeo com pelo menos duas semanas de antecedência e, dependendo da escola,

“não há muitos equipamentos e nem sempre todos funcionam como deveriam”.

Segundo pi01, esses fatores dificultam o trabalho tendo em vista que cada turma possui somente um tempo de aula por semana. Em uma das escolas da rede estadual, há uma sala de vídeo equipada com vários recursos; em outra escola, existe uma sala de vídeo, sem data show nem computador, mas com televisão, rádio, DVD e VHS. Na rede particular, “a sala de aula já é interativa todas possuem

equipamentos multimídia”, bastando ao professor solicitar, sem antecedência, que o inspetor abra o armário do computador.

O sujeito descreveu o laboratório de informática de uma das escolas públicas em que trabalha. O laboratório é utilizado para lançamento de notas online por parte dos professores. Para usá-lo em aulas de ELE, pi01 afirmou que devido ao grande número de alunos (entre 40 e 60 por turma) as aulas seriam inviáveis, mesmo que fossem formadas duplas para trabalharem juntas em cada computador. Não há máquinas suficientes para todos os alunos e o espaço é reduzido. Metade da sala tem acesso livre para todos os alunos e professores. A outra parte fica vedada e está sendo reorganizada para que, futuramente, seja possível ministrar aulas nesse espaço.

Sobre sua visão de TICs, pi01 informou como tecnologias das que mais faz uso: o computador e a internet. Explicitou que, apesar de fazer parte das principais redes sociais, não utiliza as tecnologias para lazer, e sim como auxiliar ao trabalho que exerce em sala de aula. Nesse sentido, computador e internet servem a pi01 como fonte de materiais para as aulas, tais como reportagens, história em quadrinhos, imagens, vídeos.

Ao comparar a leitura de materiais impressos com a leitura no ciberespaço, pi01 considerou que ler na tela e em meios impressos são práticas diferentes. A leitura que ele realiza em meios virtuais é mais superficial e rápida se comparada com a que realiza em meio impressos. Relatou que se perde facilmente acessando links. O papel, para pi01, exige um ritual; “ler no papel é algo quase místico, que exige concentração e permite uma leitura detalhada”. O sujeito reconheceu que

Ao comparar a leitura de materiais impressos com a leitura no ciberespaço, pi01 considerou que ler na tela e em meios impressos são práticas diferentes. A leitura que ele realiza em meios virtuais é mais superficial e rápida se comparada com a que realiza em meio impressos. Relatou que se perde facilmente acessando links. O papel, para pi01, exige um ritual; “ler no papel é algo quase místico, que exige concentração e permite uma leitura detalhada”. O sujeito reconheceu que