6- ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS DO ASSENTAMENTO SANTO ONOFRE
6.1- Caracterização da Área de Estudo.
O Assentamento Santo Onofre conta com 95 lotes de 15 hectares cada, conforme constatado no croqui do assentamento (Fig. 05) a área total soma 1.356.7555 ha, a área de preservação é de 80.2219 ha. No ano de 2005 foi realizado o sorteio das propriedades em reunião com representantes da SEDRAF (Secretaria de desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar); UTE (Unidade Técnica Estadual); EMPAER (Empresa Mato-Grossense de Pesquisa e Extensão Rural); Secretaria de Agricultura de Poconé; Sindicato Rural de Poconé e assentados, sendo que o sorteio foi efetuado pelos mesmos, forma esta adotada como regra para destinar o local das propriedades sem que haja reclusão quanto à obtenção da terra, ou reivindicação de troca por unidades consideradas mais atrativas ou férteis.
A princípio, os lotes não contavam com nenhuma infraestrutura, de acordo com relatos de moradores, houve assentados que mudaram para o
estabelecimento morando em barracos até as construções das casas terminarem, no caso em 2007.
A área de vegetação destinada a APP no assentamento é respeitada rigorosamente, sabendo que o Código Florestal brasileiro foi criado no ano de 1934 no governo de Getúlio Vargas na tentativa de ordenar o uso dos recursos naturais, determinando “[...] a obrigação de se preservar áreas sensíveis e de se manter uma parcela da vegetação nativa no interior das propriedades rurais. São as chamadas áreas de preservação permanente (APPs) e reserva legal.” (MAPA, 2011, p. 02).
Figura 05: Croqui do Assentamento Santo Onofre.
FOTO: SANTOS (2014).
O Código Florestal passou por reformulações ao longo de sua existência como nos anos de 1965, 1989, 1996, 1999, e por fim no ano de 2012. Com [relação à reserva legal em estabelecimentos rurais trata-se de:]
[...] uma área localizada no interior da propriedade ou posse rural que deve ser mantida com a sua cobertura vegetal original. Esta área tem a função de assegurar o uso econômico sustentável dos recursos naturais, proporcionar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos,
promover a conservação da biodiversidade, abrigar e proteger a fauna silvestre e a flora nativa. O tamanho da área varia de acordo com a região onde a propriedade está localizada. Na Amazônia, é de 80% e, no Cerrado localizado dentro da Amazônia Legal é de 35%. Nas demais regiões do país, a reserva legal é de 20%. (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2011, p. 03).
Em relação às áreas de preservação no Assentamento santo Onofre, constatou-se que existe sensibilização por parte dos moradores locais sobre o assunto, pode-se conferir que os locais destinados a preservação não estão sofrendo degradação, praticamente todos os lotes no assentamento contam com área de preservação ainda maior que o estipulado, que segundo eles, com o uso sustentável da natureza garante para as gerações futuras o direito de também usufruir do meio natural.
A vegetação típica nesta localidade é o Cerrado, que constitui o segundo maior Bioma da América do Sul com área total de 2.036.448 km compondo 22% do território brasileiro (Portal Ministério do Meio Ambiente). No estado de Mato Grosso a região de Cerrado ocupa 38,19% “recobrindo principalmente as depressões do Alto Paraguai-Guaporé, o sul e o sudeste do planalto dos Parecis.” (SCHWENK, 2005, p. 252). A autora destaca que a formação biogeográfica do Cerrado é classificada de acordo com seu desenvolvimento, são elas: Campo Limpo; Campo Sujo; Campo Cerrado e Cerradão. O quadro 11 a seguir apresenta a classificação do Cerrado brasileiro, a saber:
QUADRO 11: Classificação do Cerrado.
NOME CLASSIFICAÇÃO IBGE CARACTERÍSTICAS
Cerradão Savana Florestada ou Savana Densa
Troncos mais retos, desenvolvidos e copas densas. Campo Cerrado Savana Arborizada ou
Savana arbórea aberta
Constituição campestre, troncos e galhos retorcidos. Parque de
Cerrado
Savana Parque Encontrado em diversos
ambientes, desde os mais úmidos aos mais secos.
planaltos, planície de inundação e áreas úmidas.
FONTE: IBGE (2012)
Organizado por: SANTOS (2014).
O Cerrado possui outras nomenclaturas de acordo com a variação de autores, conforme IBGE (2012), os principais são Humboldt que apresentou o termo “Estepe”; Chevalier e Guénot utilizou o nome “Savana” e o Projeto Radam Brasil no levantamento de 1973-1987 com o termo “Savana (Cerrado)”. Assim:
O termo Savana (Sabana, em espanhol) é derivado do termo indígena caribenho Habana (COLE, 1963, 1986; MARCHIORI, 2004) e, conforme vários autores, entrou na literatura fitogeográfica através de Fernández de Oviedo y Valdés (1851-1855), que o utilizou para se referir aos “lhanos” da Bacia do Orinoco, no norte da América do Sul. [...] resolveu-se adotar o termo Savana como prioritário e Cerrado como sinônimo regionalista, por apresentar uma fitofisionomia ecológica homóloga à da África e à da Ásia. (IBGE, 2012, p. 108-109).
A respeito do Pantanal, a vegetação é considerada complexa, ou seja, possui formação variada ao longo da região pantaneira em quatro áreas, são elas: as permanentemente alagadas (planície do Pantanal); áreas com solos alagadiços durante a cheia não secando completamente na vazante; áreas inundadas periodicamente e as áreas de relevo mais alto que não alagam (planalto da BAP). Assim:
O Pantanal constitui-se em uma área de contato, resultado da convergência de quatro grandes domínios: as Florestas Amazônica e Atlântica, os Cerrados e o Chaco. [...] Em geral as condições físicas do Pantanal favorecem a diversidade, pois muitas espécies podem ser levadas pelas inundações para um outro habitat e a ele se adaptar [...]. (SCHWENK, 2005, p. 263).
Portanto, a vegetação pantaneira está relacionada a fatores hidrotopográficos e fertilidade do solo além da ação antrópica que influência diretamente no ambiente. Para Pott (1995), as formações principais são: campestre; aquáticas, savanas (gramíneas-lenhosas) e arbóreas, podendo ser encontradas entre poucos metros de diferença em um mesmo espaço. Entretanto, as vegetações predominantes no Pantanal são as campestres e savânicas que
variam de acordo com a fertilidade do solo. Em área não inundável prevalece a presença de Cerradão (árvores com maior porte e densidade), como é o caso do Assentamento Santo Onofre.
Apesar da variedade, a “vegetação é mais disciplinada em áreas arenosas, em que, via de regra, há campo onde é inundável. Já nas argilosas tende a haver mais arbustos.” (POTT, 1995, p. 06). O solo argilo-arenoso é caracterizado pobre em regiões mais profundas, no entanto, superficialmente é fértil devido a decomposição de material orgânico oriundos das regiões elevadas.
O assentamento Santo Onofre está localizado onde antes era uma fazenda com prática pecuarista, por isso, cerca de 13 lotes já contavam com pasto formado, facilitando a criação de gado, pois, a formação de pasto requer gastos com desmate e aragem do solo, sementes, além da mão-de-obra e o tempo para crescimento da pastagem, tais fatores dificultam o trajetória produtiva na propriedade rural, pois, são antagônicas a condição econômica dos assentados, por se tratarem de famílias com baixa renda, por isso, os estabelecimentos que não contavam com pastagem formada optaram em cultivar a terra.
Diante da pesquisa documental da escritura pública de compra e venda constatou-se que, a posse da terra para fins de Reforma Agrária se deu através da compra da fazenda São Benedito, os proprietários outorgantes vendedores Quintino Marques e esposa Leozilza Rondom Marques e outros , esse “outros” (grifo nosso) é porque a fazenda já havia sido passada como herança aos seus três filhos, a compra aconteceu em 15 de dezembro de 2005, sendo o outorgado comprador os próprios assentados, o interveniente da compra foi o Fundo de Terras e da Reforma Agrária através do Crédito Fundiário financiado pelo Banco do Brasil. A figura 06 a seguir mostra a linha de seqüência da negociação da terra para implantação de PA.
FIGURA 06 : Sequência de Negociação da Terra para Implantação de PA.
FONTE: Escritura Pública de compra e venda de imóvel. Organizado por: SANTOS (2014
O Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) é aplicado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) com objetivo de proporcionar a compra de terras por meio de financiamento para aqueles que não a tem ou queiram aumentar seu estabelecimento rural. Conforme informações do portal MDA, para ter acesso ao crédito fundiário além de ser um trabalhador do campo é preciso estar enquadrado em alguns requisitos, a sabe: filhos de agricultores ou estudantes de escolas agrotécnicas; comprovar experiência rural de cinco anos nos últimos quinze anos; apresentar renda anual de acordo com a exigida na linha de financiamento.
As linhas de financiamento do PNCF são direcionadas conforme a necessidade dos beneficiários, sendo três disponibilizadas de acordo com o quadro 12 abaixo: Outorgado comprador: Os próprios assentados