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11. A R ESPONSABILIDADE PELO R ISCO

11.1. Aspetos Gerais sobre a Responsabilidade Pelo Risco

A responsabilidade pelo risco, também conhecida como responsabilidade objetiva ou imputação sem culpa, é a situação na qual uma pessoa (o imputado) fica adstrita a ressarcir outra, por um determinado dano, independentemente de, ilicitamente e com culpa, o ter originado. Este é um tipo de responsabilidade realmente preocupante: por isso mesmo, só existe quando prevista na lei (é uma responsabilidade típica).

Este tipo de responsabilidade, ligada a atividades perigosas que, gerando danos, dariam azo a deveres de indemnizar, desenvolveram-se com base em duas linhas de fundamentação:

à A justiça distributiva: o risco deve estar associado à vantagem, o que significa, em termos gerais, que o risco corre por quem beneficia, no fim.

à A ilicitude imperfeita: o Direito pretende que não se verifiquem danos nenhuns, sendo a imputação objetiva um mecanismo apto a incentivar a adoção de medidas que possa prevenir esses mesmos danos.

11.2. A R

ESPONSABILIDADE DO A

A responsabilidade pelo risco encontra-se prevista no artigo 500º/1, do Código Civil. De acordo com a lei, podemos distinguir três pressupostos:

1. A comissão: alguém tem de ter encarregado outrem de uma comissão.

a. Alguns traços importantes: presença de liberdade de escolha do comitente, de uma incumbência de uma comissão, da aceitação livre dessa comissão, a existência de uma relação e a atuação do comissário por conta do comitente.

b. A divergência em torno da subordinação:

i. Doutrina tradicional: o comissário tem de estar subordinado ao comitente, tem de estar sujeito às suas ordens; senão houver subordinação, o comitente não poderá responder pelos danos.

ii. Posição da regência: não é necessário que haja subordinação, porque o comitente é o beneficiário ultimo da comissão - no universo do risco, o que realmente importa saber é se há ou não vantagens (quem recebe a vantagem, sujeita-se ao risco). As ordens só seriam relevantes se a responsabilidade fosse subjetiva - exatamente porque estando no universo do risco, a culpa é indiferente. Assim, existe comissão com subordinação e sem subordinação.

2. Danos, causalidade e imputação ao comissário: pressupõe a ocorrência de danos, que sejam causados pelo comissário, devendo estes ser imputáveis ao mesmo (obrigação de indemnizar).

a. Estão incluídos todos os tipos de danos, até os morais.

3. No exercício da função: limitar o risco da responsabilidade.

a. Interpretação restritiva: um nexo funcional entre os danos e a própria função da comissão – Antunes Varela.

b. Interpretação extensiva: basta que os danos sejam causados no exercício da função e não por causa da função. É a posição da regência.

Ainda quanto à responsabilidade do comitente, há um aspeto importante a notar:

respeita ao direito de regresso do comitente. Assim, nos termos do artigo 500º/1, o comitente que satisfizer a indemnização tem um direito de regresso sobre o comissário, de reembolso do que haja pago. Pergunta-se, qual a natureza deste direito?

à Sub-rogação: o comitente, ao pagar, adquiria os direitos do lesado contra o comissário (artigos 589º a 592º).

à Direito de regresso: um direito próprio contra o comissário.

De acordo com o artigo 500º, a responsabilidade do comitente é uma realidade autónoma.

Há que analisar, ainda, o problema da culpa. A expressão também culpa, patente do artigo 500º/3, remete para a aplicação do artigo 497º/2. De acordo com a regência, deve ser entendida em sentido amplo, abrindo a lei espaço para a verificação de vários cenários:

1. O dano poderá ser imputável a comissário e comitente

2. O dano poderá ser imputável ao comitente, a titulo de culpa, e ao comissário, a titulo de risco.

3. O dano poderá ser imputável ao comitente, a titulo de risco, por instituto diverso do do artigo 500º, e ao comissário, a titulo de ilicitude, culpa ou risco.

Por último, quanto à natureza deste instituto, surgem vários teorias explicativas:

à Teoria da culpa in eligendo: o comitente será responsabilizado pela falta de cuidado na escolha do comissário.

à Teoria da representação: defende um vinculo de imputação, que deriva da comissão – o comissario faria repercutir, na esfere do comitente, determinados efeitos (os danos).

à Teoria da garantia: Antunes Varela e Menezes Leitão; o instituto procura garantir a indemnização do lesado (é o comitente devedor para efeitos externos – tendo, depois, direito de regresso).

à Teoria do risco: o comitente, que recebe os benefícios da comissão, deve também assumir os riscos provenientes da mesma – corresponde à essência da imputação objetiva.

à Teoria da ilicitude imperfeita: o legislador pretende que não haja danos, para terceiros, em virtude de vínculos de comissão; como, pela natureza das coisas, o comitente terá mais poder económico que o comissário e como (quase) tudo está na mão do comitente (escolha, ordens, motivação, etc), a lei impõe que seja este o responsabilizado – é um modo indireto de orientar condutas, que resulta numa ilicitude imperfeita.

11.2.1. A R

ESPONSABILIDADE DAS

P

ESSOAS

C

OLETIVAS

A responsabilidade das pessoas coletivas esta presente em vários preceitos: artigos 165º e 500º do CC e, ainda, 998º do Código das Sociedades Comerciais, com as devidas adaptações. Quanto à problemática da responsabilidade das pessoas coletivas é possível definir linhas evolutivas:

à Fase inicial: as pessoas coletivas não poderiam ser responsabilizadas, porque não poderiam ter culpa – que era um juízo psicológico e não um juízo de censura operado pelo Direito, como hoje se considera.

à Primeiro avanço: a necessidade de responsabilização conheceu um avanço – procurou-se faze-lo por via da responsabilidade delitual ou aquiliana e por via da responsabilidade obrigacional; por via da segunda seria simples, no entanto, por via da primeira, nem tanto. Assim, recorreu-se à responsabilidade do comitente.

à Novos problemas: a via do comitente não seria satisfatória, porque estaria ligado à ideia de pessoa coletiva enquanto incapaz e significaria introduzir requisitos, que lhe conferiram uma posição mais favorável, quando comparada com pessoas singulares.

à Nova fase: a pessoa coletiva responde pelos atos ilícitos dos titulares dos seus órgãos, desde que tenham agido nessa qualidade.

Tendo em conta a fase evolutiva ficcionada acima, a regência defende uma interpretação distinta do preceito constante do artigo 165º: não respeita a responsabilidade da pessoa coletiva (essa responde nos mesmos termos das pessoas singulares), mas antes quando esta haja através de representantes, escolhidos voluntariamente. Verifica-se, assim, uma responsabilidade pelo comitente.

11.3. A R

ESPONSABILIDADE DO

E

STADO E DE

O

UTRAS

E

NTIDADES

P

ÚBLICA

O Estado é uma pessoa coletiva. No entanto, nem sempre se lhe reconheceu responsabilidade pelos atos. Novamente, cabe traçar uma pequena evolução:

1. Inicialmente: o estado era entendido enquanto entidade soberana totalmente irresponsável – não respondia pelos danos que causava, uma vez que, sendo o precursor do bem comum, não geraria danos.

2. Nova fase: a responsabilização do Estado começou, então, através da responsabilização dos funcionários públicos (Constituição de 1822). O Estado, enquanto pessoa coletiva, respondia solidariamente com eles.

3. Entre 1997-2007: uma lei de que regulava exaustivamente a responsabilidade civil do Estado.

4. Atualmente:existe uma lei que regula a responsabilidade extracontratual do Estado e que se assemelha à responsabilidade das restantes pessoas coletivas. Será responsabilidade do Estado quando perante danos causados pelos demais órgãos.

Será, por outro lado, responsabilidade do comitente quando estejam em causa atos de comissários voluntariamente escolhidos.

Em termos gerais, esta é matéria de Direito Administrativo, mas cujo dogmática perante à responsabilidade civil do Direito das Obrigações.

11.4. O

S

D

ANOS

C

AUSADOS POR

A

NIMAIS

A responsabilidade por danos causados por animais é particular, pelo especial estatuto dos animais: para o Direito, não são pessoas; não têm património, no entanto, podem causar danos. De notar que, por animais, deve entender-se o sentido histórico de animais: estarão excluídas plantas e micro-organismos.

Em termos gerais, verifica-se dois tipos de responsabilidade por danos causados por animais:

1. Alguém tem em seu poder um animal com o encargo de vigilância: aqui, um tipo de responsabilidade delitual, em que a culpa é presumida (493º/1). Poderá ser ilidida, mediante prova de que agiu sem culpa ou de causa virtual.

a. Exemplo: alguém que peça a outrem que lhe guarde o animal.

2. Alguém utiliza em seu próprio interesse quaisquer animais (502º), responde pelos danos que estes causaram, em função de um especial perigo que envolve a sua utilização: um caso de responsabilidade objetiva (pelo risco).

a. Pressupostos:

i. Utilização de animais por uma pessoa.

ii. No seu próprio interesse.

iii. Danos resultantes do perigo especial que envolve a utilização do animal: por exemplo, um cão, o perigo de morder ou arranhar;

não se engloba perigos não específicos do cão.

11.5. A

CIDENTES DE

V

IAÇÃO

Acidentes de viação é a expressão utilizada para designar a ocorrência de danos com intervenção de veículos – por norma, veículos motorizados, mas não necessariamente. O Direito intervém, no mundo da circulação por meio de transportes, a priori – o Código da Estrada, que prescreve as normas sobre as vias rodoviárias e as disposições aplicáveis aos veículos autorizados a circular; a posteriori – estabelecendo as regras de distribuição dos danos, humanos e patrimoniais, quando ocorrem acidentes.

Quanto à responsabilidade do condutor, podemos distinguir entre as imputações básicas e a aplicação da comissão.

As imputações básicas resultam do artigo 483º ou por violação de deveres específicos:

aquele que, usando um veículo automóvel, ilicitamente, com dolo ou negligência, viole um direito alheio, é obrigado a indemnizar (o mesmo se diga a respeito da violação de normas de proteção – normas do Código da Estrada).

A aplicação da comissão, por sua via, tem uma relevância especial na matéria dos acidentes de viação, afinal, na circulação de um veículo podemos distinguir três intervenientes, o proprietário do veículo, o condutor material do veículo e a pessoa por conta da qual se processe a condução. O que pode daí resultar?

à Coincidência – o veículo é conduzido pelo seu dono no seu interesse: as consequências dos danos que ele possa provocar são imputáveis a um agente único.

à Divergência: quando haja essa divergência a responsabilidade não pode ser só participada pelo proprietário ou só pelo condutor. Para resolver estas situações (artigos 501º e 503º/1) – deve haver uma comissão, com danos imputáveis ao comissário e causados por este no exercício da sua função (aplica-se o instituto da comissão no domínio dos acidentes de viação).

o Presunção de culpa do comissário (503º/3): presume-se que a culpa é do comissário – sendo a responsabilidade do comissário, quem responde é o comitente (artigo 500º); se, no entanto, não estava dentro

do exercício das suas funções, é o próprio comissário que responde pelo risco.

A opção legal pela solução descrita resulta de dois fatores: a postura e cuidado do condutor (proprietário) é muito diferente e tendencialmente maior, que a do condutor (comissário); para além disto, o condutor (comissário) é, em regra, um profissional da condução, pelo que, tendo mais conhecimento e experiência, é-lhe exigida uma maior diligência. Fica, assim, compreendido o sentido da presunção de culpa.

A consequência da presunção de culpa é, via artigo 500º, repercutida no comitente – em função deste aspeto, os tribunais têm feito uma interpretação restritiva e admitido que a culpa do condutor só se presume quando este o conduza por conta de outrem e não quando apenas conduz um veículo alheio.

11.5.1. A R

ESPONSABILIDADE

P

ELO

R

ISCO

O artigo 503º/1 é um caso específico de responsabilidade pelo risco e tem como pressupostos: direção efetiva do veículo (controlo material do veículo, titulo de posse ou detenção) e utilização no próprio interesse (para evitar a imputação ao comissário). Figura-se, assim, uma situação de responsabilidade do comitente, se verificados os pressupostos legalmente previstos.

Novamente, subjaz ao preceito a ideia de ilicitude imperfeita: a lei dirige o risco contra quem tem a direção efetiva do veículo e contra a pessoa que pode prevenir os danos, tomadas medidas antecipadas e adequadas à prevenção.

11.5.2. O

S

B

ENEFICIÁRIOS DA

R

ESPONSABILIDADE

Havendo responsabilidade por danos causados por veículos, impera saber quem poderá beneficiar das competentes indemnizações: caberão, a partida, aos lesados. No entanto, há que atender ao artigo 504º - beneficiários da responsabilidade, definidos por lei.

11.5.3. A E

XCLUSÃO DA

R

ESPONSABILIDADE

Note-se que, apesar de a lógica da lei ser que não deve haver danos por indemnizar, no artigo 505º encontram-se previstos três casos de exclusão de responsabilidade:

à A aplicação do artigo 570º.

à A imputação do acidente ao lesado ou a terceiro.

à Caso de força maior estranha ao funcionamento do veículo: casos como desmoronamento da berma ou tornado.

11.5.4. A C

OLISÃO DE

V

EÍCULOS

O artigo 506º/1, que regula a colisão de veículos – poder-se-á verificar, por isso, uma situação em que, de facto, nenhum teve culpa, ou, simplesmente, de não se ter conseguido provar ou atribuir a qualquer um deles a causa do acidente. Assim, podem formular-se duas hipóteses:

à Ambos os veículos contribuíram para os danos: a responsabilidade é repartida na proporção em que o risco de cada um dos veículos houver contribuído para o dano.

à Apenas um deles lhes deu azo: a responsabilidade corre por quem, a qualquer titulo, responda pelo veículo causador.

Em caso de duvida, manda o artigo 506º/2: consideram-se as medidas de causa iguais.

11.5.5. A S

OLIDARIEDADE

O artigo 507º prevê uma regra de solidariedade quando a responsabilidade pelo risco recaia sobre várias pessoas: tem, este preceito, o objetivo de garantir que os danos resultantes sejam efetivamente ressarcidos.

Enquanto regras principais: devem aplicar-se as regras gerais das obrigações solidárias, sendo conjugado com o regime especial previsto no artigo 507º/2.

à Se todos respondem pelo risco, a indemnização reparte-se entre os responsáveis de harmonia com o interesse de cada um na utilização dos veículos.

à Se houver culpa de algum ou alguns deles, apenas os culpados respondem, os restantes têm o direito de regresso pelo contra eles.

à Havendo vários culpados, há que atentar na medida das culpas respetivas (497º/2 ex vi 507º/2).

11.5.6. L

IMITES

M

ÁXIMOS

:

O

S

EGURO

O

BRIGATÓRIO

O artigo 508º determina os limites máximos das indemnizações por acidentes de automóveis, baseadas no risco: visam, estes limites, equilibrar o funcionamento da responsabilidade e facilitar a operabilidade dos seguros – já que, no domínio da circulação automóvel, estes são obrigatórios. A matéria consta do Decreto-Lei 291/2007.

11.6. I

NSTALAÇÕES DE

G

ÁS E

E

LETRICIDADE

Nos termos do artigo 509º/1, requerem-se, para a responsabilização por instalações de gás e de eletricidade: a direção efetiva dessas instalações (posse ou detenção das instalações) e a utilização no interesse próprio.

Para além dos pressupostos, a lei afasta a responsabilidade quando a instalação esteja de acordo com as regras técnicas em vigor e em perfeito estado de funcionamento (509º/1), quando os danos derivem de causa de força maior (509º/2) e quando se trate de danos causados por utensílios de uso de energia (509º/3).

O artigo 510º, por conseguinte, ainda resquício de uma época em que se considerava que a responsabilização das companhias pudesse prejudicar o desenvolvimento, impõe limites à responsabilidade.

11.7. R

ESPONSABILIDADE DO

P

RODUTOR

O produto defeituoso pode originar danos muito graves, que ultrapassam o valor contratual, porque atingem o consumidor final: existiria, na cadeia produtiva, um problema de causalidade e de vicio (problemas de prova). Para tanto, tentou resolver-se o problema ao nível jurídico: surgiu, por isso, a responsabilidade do produtor.

O regime da responsabilidade do produtor encontra-se regulado pelo Decreto-Lei 383/89 – esclareça-se, desde logo, que se trata de um tipo de responsabilidade objetiva (é independente da culpa) - a regência considera, no entanto, um caso de responsabilidade subjetiva (se o produtor tem de responder pelos danos é porque não cumpriu os “deveres” inerentes ao lançamento de um produto no mercado). No entanto, é possível a exclusão de responsabilidade:

nos termos do artigo 5º, que enuncia as provas a fazer pelo produtor, excluindo a responsabilidade.

Ainda a propósito do diploma, será fundamental tecer algumas considerações:

à Quando um facto culposo do lesado tiver concorrido para o dano, pode o tribunal, tendo em conta as circunstancias, reduzir ou excluir a indemnização (artigo 7º/1);

à São ressarcíveis os danos resultantes da morte ou de lesão pessoal e os danos em coisa diversa do produto defeituoso (artigo 8º/1/1ª parte).

à Em caso de morte ou lesão de varias pessoas, o ressarcimento total não pode ultrapassar o montante de 50 milhões de euros (artigo 9º/1).

11.8. A R

ESPONSABILIDADE

A

MBIENTAL

O Direito do Ambiente, atualmente, uma dimensão autónoma do Direito, é o sector normativo que se ocupa da prevenção, da manutenção e da reparação dos factores ambientais relativos ao Planeta Terra.

Não é desde sempre que o Direito do Ambiente se afirmou como vertente autónoma do Direito: inicialmente, foi surgindo enquanto solução para problemas concreto, mas não se autonomizando; eventualmente, acabou por nascer enquanto disciplina jurídica autónoma e particular. Efetivamente, enquanto a maior parte das disciplinas jurídicas têm natureza antropocêntrica, o Direito do Ambiente centra-se na Natureza. Ainda, contrariamente à responsabilidade civil, cuja principal preocupação é o ressarcimento de danos já produzidos, a principal preocupação da responsabilidade ambiental é a prevenção de danos.

Para além disto, podem formular-se princípios fundamentais do Direito do Ambiente:

à Princípio da prevenção: as providencias não se limitam à reparação de danos, mas procuram impedir a ocorrência de danos ambientais.

à Princípio da causa: pelos danos ambientais, respondem quem os causar.

à Princípio da repartição comunitária: na falta ou insuficiência do causador, os danos sejam repercutidos na sociedade, por via dos orçamentos de Estado.

à Princípio da cooperação: a defesa do ambiente é tarefa do Estado e da sociedade, exigindo autoridade e meios de concertação.

à Princípio da integração: exige uma escala planetária de realização.

A responsabilidade ambiental vem regulada na Lei da Responsabilidade Civil Ambiente, Decreto-Lei 147/2008, de 29 de Julho. A LRCA aponta, sumariamente, para os cinco problemas essenciais da responsabilidade ambiental:

à A dispersão dos danos: desincentiva o lesado de demandar o poluidor.

à A complexidade causal: impede a responsabilidade.

à A latência das causas: o dano só surge muito depois do facto.

à Dificuldade técnica de provar que uma causa é apta a produzir o dano.

à A garantir financeira da capacidade do poluidor para suportar custos de reparação.

12. R ESPONSABILIDADE PELO S ACRIFÍCIO

A responsabilidade pelo sacrifício pressupõe uma conduta que o Direito admita, como lícita, mas que conduza à prática de determinados danos que permitam ao lesado adquirir um direito à indemnização. Assim, podemos definir dois pressupostos:

à Permissão de causar um dano, de natureza excecional, através da inobservância de direitos subjetivos ou de interesses juridicamente alheios.

à A imposição de um dever de indemnizar.

Dada a natureza deste tipo de responsabilidade, a mesma tem caracter típico: só se verifica nos casos previstos legalmente. Assim sendo, poderá ser agrupada em três grupos de casos:

1. O Estado de Necessidade (339º): permite destruir ou danificar coisa alheia com o fim de remover o perigo atual de um dano manifestamente superior, do agente ou de terceiro.

a. Indemnização: é integral e recai sobre o agente, quando o perigo for provocado por sua culpa (qualquer circunstancialismo imputável)

exclusiva; poderá ser equitativa, cabendo ao agente e, ainda, aos que tiraram proveito do ato ou contribuíram para o estado de necessidade.

2. A lesão ao direito de propriedade: 1333º/1, 1347º/3, 1348º/2, 1349º/3, 1367º, 1554º.

3. O incumprimento de contratos: quando seja permitido o não cumprimento do contrato. São exemplos – 81º/2, 1102º/1, 1172º, 1229º.

Em termos da natureza do instituto, podemos delimitar que a responsabilidade pelo sacrifício é uma responsabilidade sem ilicitude e sem culpa, mas não é indiferente à produção de danos. É, por isso, um caso de ilicitude imperfeita e, para a avaliação do nexo de causalidade, há que aplicar a teoria do escopo da norma.

13. A O BRIGAÇÃO DE I NDEMNIZAR

Em termos etimológicos, o efeito de indemnizar é “tornar sem dano” – ou seja, apagar o dano. Dentro do sistema da responsabilidade civil, a indemnização pode traduzir-se em:

obrigação de indemnizar, o objeto da obrigação de indemnizar (corresponde à prestação) e a situação jurídica que se consubstancia num fenómeno de responsabilidade (depois de confirmada a imputação).

A obrigação de indemnizar, em termos gerais, é uma das modalidades das obrigações e afirma-se como vínculo creditício: tem como fonte um facto jurídico em sentido estrito, em que os sujeitos são o(s) autor(es) do dano (devedor) e o(s) lesado(s) (credor; o conteúdo é ditado pelo que é necessário indemnizar e o objetivo é apagar o dano.

Quanto à classificação:

à Sujeitos: poderá ser plural (parciária ou solidária) ou singular.

à Tipo de imputação: poderá ser delitual, pelo risco ou pelo sacrifício.

à Espécie do dano.

à Conteúdo: específica (quando implique a entrega de um bem – é preferencial 566º/1) ou pecuniária (quando envolva a restituição em valor – opera como exceção à regra, 566º).

à Escopo: relaciona-se com a anterior, podendo ser reconstitutivo ou compensatório.

Quanto à indemnização: pode ter natureza provisória (quando os danos não hajam ainda sido calculados) ou natureza definitiva; pode ser em renda (pagamento em prestações) ou à cabeça (pago de uma vez só); pode ser compensação integral (no valor do dano) ou compensação restrita (em função de negligência ou da situação do caso concreto – 494º; ainda noutros casos – 498º, 508º, 510º, 399º/2, 568º; em caso de concurso com a culpa do lesado – 570º a 572º).

Há que atender, em matéria de indemnização, ao caso particular da compensatio lucri cum damno: quando a indemnização deve ter em conta o “lucro” derivado do dano. Exemplo: A danifica um bem de B, que valia 500€; apesar disso, os destroços valem 50€, devendo apenas a B uma indemnização no valor de 450€. Por outro lado, pode o responsável exigir ao lesado, no

Há que atender, em matéria de indemnização, ao caso particular da compensatio lucri cum damno: quando a indemnização deve ter em conta o “lucro” derivado do dano. Exemplo: A danifica um bem de B, que valia 500€; apesar disso, os destroços valem 50€, devendo apenas a B uma indemnização no valor de 450€. Por outro lado, pode o responsável exigir ao lesado, no