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Anexo 7 – Categorias pertinentes para a resposta às questões centrais de investigação

1. Uma sociedade envelhecida

1.1. Aspetos terminológicos

O ritmo do desenvolvimento humano foi sempre definido a partir de etapas. Assim, cada tribo ou sociedade cultural tem a suas fases específicas que permitem a passagem de um estádio a outro. Exemplo são os ritos de iniciação de algumas tribos ancestrais, o acesso à universidade, a entrada na idade adulta, as entregas de diplomas, as festas de noivado e de despedida de solteiro. A chegada à idade da reforma caracteriza-se, também, como uma fase deste desenvolvimento humano As próprias leis civis ajudam-nos a compreender esta noção dos limiares etários. Se a entrada na idade adulta surge pela capacidade da pessoa se tornar responsável pelos seus atos, atingindo a maior idade, a mesma conceção perdura na passagem da idade adulta à idade da velhice, através da chegada da reforma aos 66 anos, para o atual sistema nacional5 e na maioria dos casos. Assim, durante algum tempo interiorizou-se, socialmente, que a idade da reforma, ou os 65 anos6, equivalia à entrada na terceira idade, isto é, o acesso à categoria dos idosos, e com a                                                                                                                

5  No portal português da Segurança Social informa-se que tem direito à pensão de velhice o

beneficiário que tenha completado 66 anos em 2014 e 2015 conforme o limite definido pela Portaria 378-G/2013 de 31 de dezembro. Consultado em http://www.seg-social.pt, a 28/12/2015.    

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a pessoa idosa aquela que tem 65 ou mais anos para os países desenvolvidos e 60 ou mais anos para os países menos desenvolvidos. Neste

possibilidade de auferir de algumas regalias, entradas em museus gratuitamente, custos de viagens reduzidos, redução das taxas moderadoras, entre outras. Associada a esta passagem, e com a crescente longevidade humana no grupo etário dos idosos, emergiram várias expressões terminológicas para designar os idosos: “velhos”, “anciãos”, “pessoas idosas”, “reformados”, “seniores”, “terceira idade” e “quarta idade”.

Serrão (2006) propõe a designação de “séniores” para os homens e mulheres com mais de 65 anos, desligados de atividades profissionais formais, que mantêm a suas capacidades, saudáveis e ativos, abrangendo em termos etários três décadas, dos 65 aos 95 anos. Existem ainda três subtipos de homens e mulheres: i) idosos muito dependentes, com idades acima dos 85 anos e com dependência que resulta do envelhecimento natural ou patológico; ii) idosos dependentes, cuja dependência é resultante de uma doença crónica e que obriga a tratamentos médicos e iii) idosos independentes, os que mantêm as suas capacidades mas inativos, porque agarrados ao slogan “não faço nada, porque estou reformado”. No entanto, esta divisão, embora seja funcional e útil, não é consensual no debate da definição e delimitação da categoria de idoso.

Mauratti (2004) considera que, na construção da categoria idoso, devemos ter presente duas visões distintas. Por um lado, os discursos da velhice negativa, onde o idoso é encarado na sua fragilidade de doença, pobreza, solidão e dependência, conduzindo a um processo de exclusão social. No outro, o discurso dirigido aos que não se enquadram no bloco anterior e que são “potenciais segmentos específicos de consumo”. A velhice vista de modo positivo é uma oportunidade para a reflexão, lazer e atividades de aperfeiçoamento: universidades e turismo sénior. A autora enquadra o primeiro grupo na “quarta idade”, a idade em que se perde as capacidades essenciais e o segundo grupo na “terceira idade” que corresponderia à categoria de reformado. Paralelamente a estas representações surge o conceito de “envelhecimento ativo”, reforçado pela II Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, promovida pela ONU, em 2002. Na sua formulação está a implementação                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

contexto, a OMS também reconhece fases distintas no período da velhice, tomando como ponto de partida o aumento da esperança de vida e a longevidade da pessoa: idade madura (dos 60 aos 69 anos), idade avançada (dos 70 aos 89 anos) e a grande idade (a partir dos 89 anos). Na nossa investigação utilizaremos a referência cronológica 65 anos, como início do grupo etário da pessoa idosa ou da pessoa de idade avançada.

de medidas que promovam uma postura ativa perante o envelhecer e atenuem as atitudes discriminatórias em relação aos mais idosos, assim como, a criação de uma solidariedade intergeracional.

Diante desta realidade torna-se difícil determinar o início do processo sociobiológico envelhecimento. Se é mais ou menos consensual que aos 65 anos se inicia uma nova fase da vida, também é verdade que a idade cronológica não corresponde às etapas do processo de envelhecimento natural. Na velhice há muitos fatores a ter em conta, físicos, sociais, culturais e de saúde, de modo que, dentro da mesma idade cronológica podem ser observadas diferentes idades biológicas e subjetivas (Schneider & Irigaray, 2008).

Neste contexto diversificado de terminologia, parece-nos vantajoso assumirmos no nosso estudo o termo de “pessoas idosas” para nos referirmos a pessoa de idade avançada. Não só porque é o termo mais utilizado nos diversos estudos realizados7, mas também porque desta forma não se define uma determinada etapa cronológica ou um espaço específico de anos. Quanto aos ciclos da vida da pessoa idosa, assumimos o estabelecimento de fronteiras etárias recorrendo aos investigadores (Fonseca, Paúl, Martín & Amado, 2005 e Fonseca, 2004) que apresentam as seguintes grupos etários para a população idosa: idosos jovens (65-74 anos), idosos (75-84 anos) e muito idosos (com 85 ou mais anos). Independente da discussão em torno da idade cronológica e da idade funcional, no processo de envelhecimento, e que nos ajuda a perceber a distinção entre a terceira e a quarta idade, optamos, também, por caracterizar a quarta idade com a idade cronológica a partir dos 75 anos.

Por outro lado, há também uma fundamentação ético-personalista pela opção de “pessoas idosas”. Os idosos, apesar das suas fragilidades e idade, continuam a ser pessoas com dignidade, em tudo idênticas aos restantes ser humanos. A insistência no termo, “pessoas idosas”, em detrimento de outros utilizados como: utentes, clientes, séniores,                                                                                                                

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Alaphilippe e Bailly (2014, p.12 e 13) descreve a sondagem realizada em França pela TNS Sofres / Logica para a Notre Temps (2009) revelando que o termo “séniores” é pouco apreciado pelos franceses, embora amplamente referido pelos meios de comunicação social, sendo que a denominação mais utilizada pelos inquiridos é “idosos”. Também Osório (2007) refere que do ponto de vista sociológico, de acordo com os estudos dos vários observatórios nacionais da União Europeia, os próprios sujeitos preferem ser designados como “pessoas idosas”.

relembra-nos que o idoso institucionalizado é intrinsecamente uma pessoa, por isso, digno de ser respeitado e cuidado.

A portaria 67/2012 de 21 de março de 2012 uniformizou e integrou sob a mesma designação de Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI ) todas as modalidades e tipologias de alojamento para pessoas idosas. Este diploma considera como ERPI todas os estabelecimentos para alojamento coletivo, de utilização temporária ou permanente, em que sejam desenvolvidas atividades de apoio social e prestados cuidados de saúde. A nossa investigação centrar-se-á nos lares de idosos da Diocese de Lamego, por isso, também optamos pela utilização do termo clássico “lar de idosos” por considerarmos aquele que melhor identifica o nosso objeto de estudo.