GESTÃO DE PLANEJAMENTO
VI- RESULTADOS E INFERÊNCIAS
8 Assumir relações de interface internas e externas
GESTÃO DE PLANEJAMENTO
9 Influenciar no (re)planejamento organizacional X
6.3 Aspectos subjetivos
Os aspectos subjetivos estudados envolvem o sentido do controle dos processos de trabalho para o Fiscal, a capacidade de iniciativa e de tomar decisões, criatividade e habilidades pessoais, determinar-se por si mesmo e a autorealização no trabalho por meio da criatividade e uso de conhecimentos.
6.3.1 O sentido do controle dos processos de trabalho
O controle dos processos de trabalhos é percebido pelo Fiscal como um elemento que mantém sua autoridade, que é um meio de poder realizar o seu trabalho da melhor maneira possível, pois quanto mais “engessado” pior é o resultado do trabalho.
Também foi referenciado esse controle como um elemento na luta pela manutenção da sua autoridade, sendo um marco que o diferencia das demais carreiras existentes dentro do órgão, pois se identifica como o cargo de maior responsabilidade dentro do órgão, com base principalmente nessa autoridade.
Nesse sentido a sua autonomia é vista como um elemento importante para a valorização da carreira e do cargo, pois o excesso de normas prescritivas o transformaria em um “apertador de botões”.
6.3.2 A capacidade de iniciativa e de tomar decisões
A capacidade de tomar decisões e ter iniciativa são características inerentes ao desenvolvimento das atividades, dado os elementos imprevistos no processo de trabalho.
Foi verificado que todos os respondentes tinham a atitude para ter iniciativa e disposição para tomar decisões, o que pareceu ser uma característica recorrente aos que atuam no cargo, principalmente ao mencionarem a necessidade do uso do
Chega-se à conclusão de que capacidade de iniciativa e de tomar decisões fazem parte do perfil do AFRFB estudado, o que demonstrou a existência de uma atitude voltada para um comportamento autônomo.
6.3.3 Criatividade e uso e desenvolvimento de habilidades pessoais
O uso da criatividade esteve presente nas narrativas dos entrevistados, e todos acreditam que usam a criatividade no trabalho, sendo normal para a busca de ferramentas e métodos de trabalho mais adequados a um bom resultado para a organização.
A utilização e desenvolvimento das habilidades pessoais se apresentaram como “experiência”, conhecimentos acumulados, na característica de mais de um curso superior da maioria, como elemento que auxilia o desenvolvimento do trabalho.
O curso de Direito é o segundo curso mais citado, e a sua importância para o trabalho foi identificada pela consideração dessa área de conhecimento muito importante no relacionamento direto com o contribuinte e com os seus advogados, além de auxiliar na ampliação da interpretação da legislação tributária.
A atualização dos conhecimentos foi mostrada como uma coisa normal do trabalho, uma exigência natural da atividade, pela necessidade de se estar sempre fazendo estudos técnicos para resolver questões de trabalho.
Conclui-se que a mobilização de conhecimentos acumulados e a busca de novos conhecimentos são inerentes às atividades técnicas dos Fiscais, assim como o uso da criatividade para a busca de elementos que ajudem a melhorar os métodos de trabalho.
6.3.4 Determinar-se por si mesmo
Como visto no capítulo 5, é uma característica no processo de trabalho do Fiscal o uso do próprio convencimento para agir no seu trabalho, portanto sua atividade está relacionada ao uso da própria razão, ou da autodeterminação.
6.3.5 Autorealização no trabalho
Todos os respondentes demonstraram que gostam do trabalho, em virtude da
“liberdade” que a atividade lhes dá, principalmente por envolver questões tão
técnicas.
Além da liberdade existe a referência a uma função social da atividade que dá muito orgulho e aumenta a sensação do dever cumprido ao se atingir as metas de fiscalização.
Outro elemento é o ambiente de trabalho que todos creditaram como muito bom para se trabalhar, existindo muita cooperação entre os colegas.
Surgiu também a alusão à importância de se fazer um bom trabalho, pois a atividade de fiscalização é o trabalho essencial do AFRFB, o que dá ao seu trabalho a importância de assegurar o status do cargo.
Podemos concluir que a sensação de autorealização é muito presente no discurso dos entrevistados.
6.4 Como se dá a autonomia do AFRFB
A partir da análise das informações e dos resultados, serão feitas inferências para se verificar como ocorre a autonomia no trabalho do AFRFB, que executa a atividade de fiscalização na DRF-Vitória, com base nos elementos do conceito adotado para a pesquisa.
Em relação aos aspectos organizacionais, verificou-se que o AFRFB que executa as fiscalizações não influencia efetivamente as mudanças dos seus processos de trabalho, o que afastou as características de uma autonomia no sentido lato, da definição de Kovács (2006).
Outra limitação verificada está relacionada a pouca flexibilidade para agir fora do que está prescrito, presente na definição de Rosenfield (2004),o que reduz a possibilidade da “ação transgressora” nesse sentido, em razão das restrições legais da atividade de fiscalização.
Por outro lado, em relação à execução das atividades, existe a transferência de poder e autoridade para o AFRFB executar as fiscalizações, com liberdade para
escolher os métodos e agir perante eventos, denotando forte autonomia em relação à execução da fiscalização.
A partir do recebimento da ação fiscal, o AFRFB tem pleno controle das suas atividades, o que lhe dá pleno poder de decisão sobre os elementos de trabalho, mas existem elementos que fazem parte da estruturação formal da organização, tais como o estabelecimento de metas, definição de indicadores de gestão e participação no planejamento estratégico da organização, que não estão ao alcance do seu poder decisório e nem na sua zona de influência direta.
A análise dos elementos subjetivos permite a conclusão de que existe uma atitude de agir autônomo entre os entrevistados, pois eles entendem que é uma característica inerente ao cargo o uso da autoridade e poder, para o exercício de suas atividades de trabalho, o que lhes exige a tomada de decisão regularmente.
A análise favorece a confecção de um quadro de avaliação dos níveis em que estão presentes os elementos do conceito adotado, para facilitar a avaliação de como ocorre a autonomia no trabalho do AFRFB, como podemos no quadro 24 , a seguir.
ELEMENTO DA DEFINIÇÃO NÍVEL
Baixo Médio Alto
Capacidade que o trabalhador possui de tomar decisões. X
Capacidade de realizar intervenções no processo de trabalho. X
Controle dos elementos do processo de trabalho. X
Poder, autoridade e liberdade para agir em relação ao trabalho prescrito. X
Poder, autoridade e liberdade para agir em relação aos eventos. X
Uso da criatividade, conhecimentos e habilidades pessoais. X
Participação nas decisões organizacionais sobre o processo de trabalho. X Quadro 24: Análise dos elementos do conceito adotado
O conceito exige, ainda, a análise do sentido dado pelo trabalhador ao controle que ele tem sobre o seu processo de trabalho, e ficou demonstrado que essa autonomia está ligada à valorização da carreira de Auditoria Fiscal, sendo uma essência do cargo, além de trazer para ele o sentimento de uma autorealização, tanto pelo domínio do seu processo de trabalho como pelo significado dado à sua atividade, como algo importante para a sociedade.