PROPOSTAS DE ATIVIDADES
Exercício 1 Assunto: Poluição
Objetivo: Desenvolver o humor
Humor: Desenvolva uma peça de teatro com alguns colegas seus, usando o tema da poluição de forma engraçada.
Exercício 2
Assunto: O trânsito
Objetivo: Desenvolver o humor
Humor: a) Dramatize de quantas maneiras você pode atravessar a rua.
b) Componha uma música, com tom humorístico, sobre o namoro e os sinais de trânsito.
Exercício 3
Assunto: Escravidão no Brasil Texto:
O sistema de exploração de recursos naturais do Brasil exigia abundantemente emprego de braços. Os conquistadores da terra não queriam arcar com o ônus de utilizar nessa tarefa gente livre, cuja manutenção lhes absorvesse a maior parte do ganho. Por outro lado, a população de Portugal não era suficiente para atender a todos os setores de seus vastos domínios. O recurso era a escravidão. Com trabalhadores que pudessem ser sustentados com um mínimo de despesas de alimentação e de roupa estaria aberta a estrada da fortuna. Em fins do século XV os portugueses já importavam da África numerosos
escravos, muitos dos quais foram transferidos para o Brasil quando se iniciou a colonização. (Mathias apud Wechsler, 1993: 349)
Desenvolvendo as características criativas:
Fluência: O que significa escravidão? Diga tudo o que você pensar.
Humor: Dramatize a vida e as brincadeiras das crianças, filhos de escravos, de maneira humorística. Quais eram os seus divertimentos preferidos?
Analogias: Tente usar comparações ou usar metáforas usando os termos escravidão ou escravo. Exemplo: escravo dos desejos, escravo das horas, etc.
Exercício 4
Sinética é uma palavra que vem do grego e significa juntar ou combinar elementos aparentemente diferentes ou irrelevantes. Segundo Wechsler (1993: 279), este conceito foi desenvolvido por Williams Gordon (1961), como um modo de auxiliar a procura de soluções para um problema, apoiando-se no processo de pensar por meio de analogias e metáforas. Daremos um exemplo de como solucionar problemas de forma analógica:
Suponhamos que você é diretor ou coordenador de um programa universitário. Você recebe contínuas queixas dos alunos do seu programa, reclamando que não sabem em que matérias se matricular, qual o fluxo das disciplinas no seu currículo, os seus pré-requisitos. Para resolver esse problema, você junto com um grupo de colegas vai tentar criar analogias e metáforas para o problema.
Com o que se parece um estudante no primeiro semestre de um curso universitário? • Uma bolha de sabão voando?
• Um pirilampo em volta da luz? • Um filhote de animal perdido? • Uma rolha de cortiça no oceano?
Exercício 5
Analogia de fantasia
Esta analogia trabalha com aspirações, desejos, sonhos, tentando traçar paralelos do real com o imaginário. (Wechsler, 1993: 282)
Como seria:
• A escola ideal?
• O alimento que solucionaria a fome do país?
• A roupa que se adequaria às diversas estações do ano? • A extinção das doenças na Terra?
Exercício 6
Analogia simbólica
É um tipo de analogia que faz combinações entre elementos que parecem discrepantes entre si, mas que podem ter imagens semelhantes ou combinadas com o seu problema.(Wechsler, 1993: 282)
Você agora é um arquiteto encarregado de planejar um novo conjunto habitacional:
• Pense numa paisagem com múltiplos e diferentes elementos que não combinem entre si.
• Enfatize a desarmonia entre os elementos desse conjunto. • Desenhe ou represente esse cenário destacando diferenças.
• Use cores, sons, ritmos, formas, de maneira incomum e o mais variado possível, simbolizando sentimentos com formas.
• Visualize o mesmo cenário de maneira equilibrada e harmônica, como se estivesse tocando uma melodia.
Exercício 7
Técnica: Tempestade de idéias
Objetivo: Estimular a fluência em relação aos sentimentos. Liste todas as atitudes em que se pode sentir:
• Entediado • Feliz • Amedrontado • Entusiasmado • Desajeitado • Orgulhoso • Sozinho • Respeitado Exercício 8
Objetivo: Desenvolver a fluência
Peça aos participantes que toquem os cabelos uns dos outros. Após isso coloque a seguinte situação: imagine que os cabelos de todas as pessoas mudassem de cor, dependendo dos seus sentimentos, do seu estado de ânimo. O que poderia acontecer? Quais seriam as conseqüências? Escreva tudo o que você puder imaginar como resultado desta situação.
Exercício 9
Objetivo: Desenvolver o humor Disciplina: Matemática
Suponhamos que o mundo fosse governado por um grande matemático e que fosse estabelecido que a comunicação seria toda através de números e operações matemáticas. Assim sendo, a comunicação se tornaria mais objetiva e deixaria menos dúvidas para possíveis interpretações. Escreva agora um vocabulário básico para este novo tipo de comunicação.
Bom dia = 33+22
Como vai você?--- Você está linda hoje.--- Quanto custa?--- Onde está o banheiro?---
Exercício 10
Objetivo: Desenvolver o humor
A letra x ficou superdesvalorizada no nosso alfabeto. Ela se tornou revoltada com essa situação e juntamente com sua numerosa família declarou guerra ao vocabulário da língua portuguesa. Durante esta revolta, que foi apoiada pelos professores de Português, foi decidido que durante uma semana, em todas as escolas, tudo o que se falaria teria a letra X como inicial de palavra. Você está vivendo na semana x agora. Como é seu vocabulário: Dê-me a borracha = Xexê xa boxaxa
Professora, posso tomar água? = Xexixa,xosso toxar axa? Preciso ir para casa---
Estou com fome---
Exercício 11
Objetivo: Desenvolver a fluência, o humor e a fantasia:
Imagine que você tem poder absoluto num país e quarenta e oito horas apenas para agir. O que você faria?
Exercício 12
Objetivo: Desenvolver a fluência, o humor e a fantasia
Invente alguns provérbios. Compare-os com uma lista de provérbios já existentes.
Exercício 13
Objetivo: Desenvolver o humor
Mude os versos de um poema, de trágicos para cômicos ou vice-versa.
Exercício 14
Objetivo: Desenvolver a fluência Dê o maior número de respostas:
• Por que é que a nova geração está “se perdendo”? • O que é que está errado nas “invenções modernas”? • O que está certo (ou errado) no mundo?
Exercício 15
Objetivo: Desenvolver a analogia
• Compare as formigas com os gafanhotos. • Compare dois homens famosos.
• Compare a vida na fazenda com a vida na cidade. • Compare o trabalho isolado com o trabalho em grupo. • Compare a leiteira com a padaria.
• Compare água e ar.
• Compare dois problemas de matemática. • Compare dois feriados.
• Compare o sol e a lua.
• Compare carne assada e torta de maçã.
Os exercícios, acima citados, são apenas alguns dos muitos procedimentos que o educador pode aplicar em sala de aula para favorecer a criatividade.
Começamos esta pesquisa apresentando as diversas teorias e abordagens que existem a respeito de criatividade. Com isso, demonstramos que cada linha teórica aborda a criatividade a partir de diferentes prismas e que os teóricos do assunto divergem ao definirem criatividade. Verificamos que existem muitos problemas e limitações na avaliação da criatividade, porém essas dificuldades advêm da própria complexidade do fenômeno.
É interessante observar que até hoje veiculam conceitos enraizados como “eu não nasci criativo” ou “não tenho esse dom” que são oriundos dessas teorias. Essas frases evidenciam que muitas pessoas ainda acreditam que a criatividade é um dom divino. Por meio desta pesquisa, desmistificamos essa idéia e comprovamos que todos nós possuímos potencial criativo e que, esse potencial, às vezes, não aparece porque está adormecido devido a toda uma repressão que sofremos da sociedade, de nosso ambiente social, e de nossa educação, no sentido de nos fazer adaptados ao “normal”, ao que é tradicional, ao que é esperado. Premidos também por uma necessidade de ser aceitos, somos muitas vezes levados a anular as nossas idéias, a limitar as nossas experiências e a bloquear o nosso crescimento. Entretanto, ressaltamos que a sociedade pode estimular a criatividade dando chances ao indivíduo de ter experiências em várias áreas, oferecendo interações sociais, oportunidades e privilégios que são determinados não pelo status social, família, raça, cor, credo ou partido político, mas antes pelas habilidades e atributos pessoais de cada um de seus membros.
Enfim, demonstramos que o ambiente é um fator de extrema relevância para o desenvolvimento da criatividade, pois um ambiente, em que a pessoa se sente ameaçada, criticada, não propicia o surgimento da criatividade e inibe os traços da pessoa criativa. Ressaltamos que o indivíduo criativo precisa ter auto-estima elevada para produzir algo de novo. Observamos que auto-estima está totalmente ancorada nas relações sociais mantidas pelo indivíduo e, de forma muito freqüente, podemos confirmar que uma atitude crítica dos pais e, mais tarde, dos professores para com as produções, respostas e idéias da criança, inibem a sua capacidade para pensar e criar, pois a criança passa a se perceber como incompetente e incapaz.
Mostramos que é essencial que o aluno sinta no ambiente escolar o estímulo necessário para ter a coragem de se arriscar; para poder expressar suas idéias e mostrar que elas têm valor. Cientes dessa necessidade, apresentamos, nesta pesquisa, algumas sugestões de como o educador pode valorizar as idéias de seus educandos e tornar o ambiente escolar o mais agradável possível.
Ao discorrermos sobre as fases do processo criativo mostramos a importância e o seqüenciamento dos passos envolvidos no processo criativo, indicando o engano que existe em se encarar a criatividade como um produto repentino. Deixamos claro que para que esta ocorra, é necessário muito esforço e dedicação. No que se refere ao produto criativo, provamos que este é possível de ser mensurado e investigado. Salientamos que existem diferentes visões ou critérios para a consideração da produção criativa, e para que uma obra possa ser considerada criativa ou não, além de o produto ser avaliado, a sociedade na qual o indivíduo esta inserido também precisa ser.
Apesar de muito se falar em criatividade, constatamos que pouco tem sido feito no sentido de favorecer o seu desenvolvimento. Sendo assim, cremos que a escola necessita ampliar os seus objetivos educacionais estabelecendo novos processos de ensino- aprendizagem, visto que já ficou provado que o comportamento criativo é aprendido, portanto pode ser estimulado. É primordial que a escola elabore propostas cujo objetivo central seja preparar aulas na produção de idéias originais.
Nesta pesquisa, trazemos algumas propostas de atividades que poderão ser utilizadas pelo educador para estimular a criatividade de seus educandos. Cremos que a figura do professor é de suma importância no processo ensino-aprendizagem, pois os melhores professores são aqueles que percebem o potencial de seus educandos e os incentivam no aflorar de novas idéias. O professor é efetivamente uma peça central, que tem um imenso poder e influência sobre o aluno, podendo contribuir tanto para o crescimento e expansão de suas habilidades, além de exercer influência significativa na construção de um autoconceito positivo, como, pelo contrário, exercitar o seu poder no sentido de dificultar este crescimento, prejudicando o aluno no processo de descoberta de si mesmo, de suas habilidades e potenciais.
Ao tratarmos de inteligência e criatividade vimos que existem maneiras ou estilos preferenciais de aprender e pensar que afetam o pensamento e o comportamento criativo e
que a criatividade não pode ser confundida com inteligência. Percebemos que a inteligência humana é muito mais complexa do que o tem sido medida pelos testes de inteligência, uma vez que existe um grande número de habilidades mentais que não são medidas por esses testes. Comprovamos que para ocorrer a realização criativa é preciso criatividade e inteligência conjuntamente.
Apontamos, nesta pesquisa, algumas diferenças entre o aluno criativo e o aluno “inteligente”. Verificamos que o aluno considerado “inteligente” é mais conformista e se preocupa em responder às expectativas da sociedade. Ao passo que, o aluno criativo é inconformista, concentra-se mais em suas idéias e não está preocupado em ser aceito pelos outros. Enfatizamos que alguns educadores ainda possuem um conceito equivocado a respeito de inteligência, pois consideram como “inteligentes” os alunos que obtêm notas altas nas avaliações. Desse modo, preferem os alunos “inteligentes” por serem também obedientes e passivos aos criativos por serem questionadores.
Salientamos que para termos alunos críticos e criativos, precisamos favorecer as habilidades de pensamento, ou seja, precisamos oferecer oportunidades para o aluno comparar, criticar, levantar hipóteses, julgar, avaliar. Cremos que, com essas habilidades bem desenvolvidas, os educandos serão capazes de fazer diferentes associações e, conseqüentemente, criarão novas alternativas para a resolução de problemas.
Ao discorrermos sobre as variáveis influenciadoras na criatividade, tentamos oferecer um panorama dos diversos elementos que podem influenciar a criatividade. Enfatizamos que existem bloqueios, tanto externos quanto internos, que afetam a manifestação do potencial criativo. Vimos que a mulher criativa tem muito a superar, devido à sua repressão dentro da sociedade. Gostaríamos de ressaltar que todas essas barreiras que afetam o surgimento da criatividade não devem desanimar e sim ajudar no caminho em frente.
Depois de apresentarmos toda a base teórica que consideramos ser necessária para a compreensão desse fenômeno tão complexo que é a criatividade, passamos à análise do
corpus, em que comprovamos a falta de criatividade, na maioria das redações, uma vez que
não apresentaram as características consideradas criativas como a fluência, o humor e a analogia. Vale ressaltar que essas redações foram consideradas não originais levando-se em conta apenas esses critérios. Talvez, se os critérios e a proposta de redação fossem outros,
esses alunos que se mostraram menos criativos pudessem revelar um grau maior de criatividade e vice-versa.
Das quarenta redações recolhidas, apenas quinze apresentaram idéias originais. Consideramos esse número baixo em vista das vinte e cinco não originais que recebemos. Ao analisarmos as cinco redações consideradas mais comuns, nos deparamos com a falta de originalidade. Todas encaminhavam para o lugar comum: tinham como tema “ser um jogador de futebol”, “ser atriz”, “ser modelo”, “ser presidente do Brasil”. Como já dissemos, esses foram os temas mais apresentados pela maioria dos alunos da sala. Consideramos que não está na escolha do tema a falta de originalidade, mas sim nas idéias apresentadas por esses alunos, uma vez que apenas reproduziram o que é tradicional, o que a sociedade espera que eles reproduzam. Observamos que esses alunos valorizam os bens materiais, são consumistas e reproduzem esses valores sem questionar. As habilidades de fluência, humor e analogia não foram encontradas. Os alunos utilizaram um vocabulário simples e constatamos a presença de alguns clichês, o que tirou toda a originalidade dos textos. Segundo Rocco (1981: 246), “a presença do clichê denuncia ainda a incapacidade
de senso crítico, visto que o indivíduo acaba por se mostrar insensível e incapaz de diferenciar a seqüência estereotipada daquela, original”.
Para a autora, podem ser muitas as causas de tal problema, mas possivelmente possamos atribuí-lo ao sistema escolar atual que freqüentemente trabalha à base de respostas prontas; talvez à própria vida nas imensas cidades que transformadas elas mesmas em grandes clichês acabam por bloquear o mecanismo da observação e, conseqüentemente, da imaginação criadora. Sem dúvida, conforme atestam as redações, esses alunos fazem-se entender, são claros, porém longe se mostram de uma expressão verbal que seja reflexo de um nível de pensamento, por exemplo, abstrato, nível em que, a partir de verificações calcadas no real, pudessem passar livremente, através de determinadas construções verbais mais elaboradas, à reflexão, à criação de hipóteses, a partir do conjectural e do possível.
Ao analisarmos as oito redações consideradas mais originais, percebemos que algumas habilidades consideradas criativas aparecem em maior proporção do que outras. O humor foi a habilidade mais encontrada, o que nos surpreendeu, pois apesar da crise social, econômica que assola o país, esse fato não tem sufocado o humor de nossos alunos, pelo contrário a maioria tem deixado transparecer em suas redações uma pitada de humor. A
habilidade de fluência apareceu em menor proporção do que o humor. Já, a analogia foi a habilidade menos encontrada, o que nos deixou bastante preocupados em relação ao processo ensino-aprendizagem, uma vez que essa habilidade é considerada, por todos os autores abordados nesta pesquisa, de extrema importância, pois o uso do pensamento analógico é essencial para fazer novas associações. A partir desses dados, julgamos ser necessário que os educadores apliquem atividades que favoreçam o surgimento das habilidades de fluência e analogia, já que foram as menos encontradas.
Com a análise dessas redações, nos certificamos de que todos os seres humanos são lingüisticamente criativos e por meio de sua língua materna essa criatividade se manifesta. Observamos que o ser humano é capaz de utilizar palavras adequadas, fazer certas escolhas lexicais que garantem a eficácia da interação. Enfim, constatamos que o ser humano possui capacidade de interagir socialmente por meio da língua criativamente. Acreditamos que se essa habilidade não se manifesta é porque está adormecida, no entanto pode ser despertada por meio de atividades adequadas. Preocupados com essa deficiência, oferecemos nesta pesquisa algumas propostas de como aflorar o pensamento criador do educando.
Cabe ao educador desmistificar a concepção de criatividade, ainda presente nos meios educacionais, segundo a qual ser criativo tem a ver somente com as dimensões artísticas e tecnológicas, desprezando assim, o que torna o ser humano verdadeiramente humano: o uso criativo desse maravilhoso sistema que é a linguagem.
De acordo com o levantamento que fizemos, partindo da pergunta que orienta esta pesquisa, a qual questiona como podemos desenvolver o potencial criador dos educandos, já que a educação brasileira valoriza a memorização do conhecimento e o “não pensar”, podemos responder que é possível aproveitar o potencial humano para tornar a escola mais criativa propondo exercícios que estimulem as habilidades consideradas criativas. Desse modo, acreditamos que a escola irá conseguir atrair os educandos, amenizando assim os gravíssimos problemas de evasão e repetência que a escola brasileira tem se defrontado ao longo de sua história.