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Capítulo I – Revisitando conceitos

Capítulo 3 – RESULTADOS DE PESQUISA

3.2 Análise do conteúdo jornalístico

3.2.1 Assuntos com mais destaque no ano de 2015

3.2.1 Assuntos com mais destaque no ano de 2015

Na televisão é necessário conquistar e reconquistar os telespectadores todos os dias, pois

a audiência é o que move o telejornalismo. Publicidade e investimentos, por exemplo, são

fundamentais para direcionar o sucesso ou insucesso de programas de televisão. Para conseguir

atender aos interesses do público, os telejornais utilizam estratégias. Uma delas é delimitar os

assuntos que farão sucesso no receptor.

Editorias fazem parte do telejornalismo e elas retratam especificamente o que acontece

na sociedade incluindo informações sobre esporte, saúde e educação. Elas são utilizadas

diariamente no jornalismo e não seguem uma ordem de prioridades – na prática, o que é mais

relevante no sentido e valor-notícia é a manchete, independentemente de sua editoria.

É o que McCombs (2009) explica como uma influência não deliberada e premeditada,

porque o que é veiculado é resultado da necessidade da mídia em selecionar e destacar poucos

tópicos em seus relatos como sendo as notícias mais salientes de determinado dia.

No entanto, é possível destacar que alguns temas são sempre mais predominantes no

telejornalismo, principalmente porque para conquistar a atenção do seu público, o telejornal dá

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preferência a assuntos emocionais com uma linguagem dramática (TEMER, NERY, 2009, p.

110).

No monitoramento do telejornal durante o ano de 2015, foi necessário criar as categorias

de análise para as editorias. Ou seja, separar os conteúdos veiculados por editorias. Essa

separação em 13 diferentes editorias, sendo corrupção, educação, Estado, política, lazer,

transporte, violência, saúde, cultura, esporte, economia e midiatização ajuda a mensurar os

resultados e comparar com a produção legislativa paranaense, afinal, o conteúdo das

proposições pode ter relação direta com as editorias mais divulgadas pelo telejornal. Ambas já

foram explicadas anteriormente.

Como explica McCombs (2009), há uma intensa competição entre os temas do cotidiano

que tentam entrar na agenda. Mas a sociedade não presta atenção em tudo ao mesmo tempo.

Por isto, os recursos de audiência do público nos noticiários são tão significativos para quem

estuda as relações de construção de políticas públicas através das teorias da montagem de

agenda. Mesmo assim, a atenção do público varia, de acordo com as pesquisas do autor, de dois

a seis temas.

E a repetição das notícias é fundamental para compreender quais temas terão mais

chances de entrarem na agenda pública. Isso significa que quanto maior for a exposição de uma

editoria ou tema no telejornal, maior será a chance de ele conseguir agendar a opinião pública.

Portanto:

Os mass media são professores cuja principal estratégia de comunicação é a

redundância. Uma e outra vez, nossos professores dos mass media repetem

tópicos, às vezes com grande ênfase, noutras épocas só de passagem. Em

primeiro lugar é a acumulação destas lições num período de oito semanas que

é refletida nas respostas dos estudantes cidadãos quando nós perguntamos

sobre os mais importantes temas que a nação enfrenta (MCCOMBS, 2009, p.

80).

No Gráfico 3 são demonstrados quantitativamente as editorias mais divulgadas no

telejornal estudado. Em primeiro lugar está a categoria trânsito/transporte com 15,8% das

notícias veiculadas. Na sequência está a violência (14,1%) e corrupção (13,6%). Ainda em

destaque as notícias do Estado, que somam pouco mais de 9% das notícias.

Gráfico 2 – Tema das reportagens

Dados com base no monitoramento realizada durante o ano de 2015 no Paraná TV 2ª Edição que destaca as

editorias das peças jornalísticas no telejornal.

Fonte: Autora

As editorias mais divulgadas pelo telejornal durante o ano de 2015 mostram uma

preocupação do telejornal estadual com a categoria trânsito e transporte. Como será apresentado

posteriormente, durante o ano de 2015 ocorreu o fim da integralização do transporte público da

região metropolitana de Curitiba, contribuindo com o aumento da produção de conteúdo sobre

a editoria. Outra constatação é que o tema transporte, com informações sobre trânsito em

rodovias e em cidades é uma fonte corriqueira utilizada pelo telejornal.

Sobre a corrupção, dois assuntos foram intensos durante o ano: o primeiro é a operação

Lava Jato e as diversas prisões na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Grande parte das

notícias divulgou o andamento da operação na capital paranaense, com as prisões e depoimentos.

O segundo assunto de corrupção que o telejornal também dedicou grande parte do seu tempo a

divulgar foi a operação que investigou as fraudes na Receita Estadual de Londrina, com fraude

em licitação e exploração sexual. O Gaeco acusou o primo do governador Beto Richa, Luiz Abi

Antoun de coordenar as fraudes no governo estadual. Com relação as duas operações, a análise

qualitativa ajudará a compreender os trâmites e relações com a construção legislativa no Estado

posteriormente.

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Além dos temas, outro fator essencial para a compreensão do poder de interferir na

agenda é o tempo gasto para expor o conteúdo. Assunto delimitado no próximo item.

3. 2.2 Tempo de exibição

Todo o conteúdo veiculado, independentemente de sua editoria, respeita o limite

temporal do telejornal, no caso específico do Paraná TV 2ª edição, entre 20 a 40 minutos de

informação diária. Para o público poder receber todas as manchetes do dia, no entanto, as

notícias geralmente são rápidas – característica esta do telejornalismo. Geralmente, as notícias

do telejornalismo brasileiro seguem uma média de 1minuto a 1 minuto e 30 segundos

O tempo é um dos recursos mais importantes no telejornalismo. É tão decisivo tanto

porque o espaço da grade horária em que um telejornal ocupa na emissora obedece um padrão

específico, com patrocinadores e assuntos, quanto porque quanto mais tempo ocupar, maior

será a visibilidade do tema para a audiência.

Como Lippmann (2010) explica, quando a audiência está em casa, ela tende a estar

preocupada apenas com seus assuntos privados, sendo o tempo e a atenção limitados para serem

gastos com informações selecionadas pela televisão naquele momento. Assim, se o editor

escolhe que uma notícia renderá mais tempo para sua audiência receber aquele conteúdo, maior

será a chance de que a opinião do veículo seja afirmada pelos telespectadores.

No telejornalismo o usual é mostrar ao mundo o que acontece no próprio mundo de uma

maneira acelerada, a cada dia sendo construída uma imagem de novidade, mesmo que o assunto

esteja repetido.

O tempo menos utilizado no telejornal monitorado foi para reportagens com mais de

três minutos, ou seja, para aquelas reportagens mais aprofundadas e que tem caráter mais

informativo. E isto não é algo incomum, afinal, reportagens de televisão seguem um ritmo

acelerado da informação e usualmente variam com tempos inferiores a três minutos. Tempo é

um valor notícia muito precioso aos editores e repórteres de televisão.

Mas como na maioria dos telejornais, os conteúdos variam entre os tempos de 0 a 1

minuto, de 1 a 2 minutos e de 2 a 3 minutos. O Gráfico 3 apresenta as porcentagens dos

conteúdos analisados durante o ano de 2015 do Paraná TV 2ª Edição.

Gráfico 3 – Tempo de reportagem do conteúdo veiculado

Dados com base no monitoramento realizada durante o ano de 2015 no Paraná TV 2ª Edição que destaca o tempo

de duração das peças jornalísticas no telejornal.

Fonte: Autora

McCombs (2009) destaca que a constante repetição de informações divulgadas nos

noticiários. É essa repetição diária de notícia, como explica a teoria da agenda-setting, que

aumenta a chance de agendar a opinião pública. Isso pode acontecer com maior ou menor ênfase,

dependendo do quanto o tema se torna relevante ao público ou o quanto a imprensa quer que o

tema seja relevante ao público.

Observar então se o telejornal repete diariamente as informações é uma das estratégias

para perceber as intencionalidades dos temas apresentados. Quanto maior a repetição, há uma

tendência a mais em conseguir sucesso na montagem da agenda. E isso é denominado de troca

de saliência – que é um dos dados apresentados na tabela metodológica como item importante

para compreensão da construção e políticas públicas e a relação com a mídia.

Durante o monitoramento, o Paraná TV 2ª Edição utilizou esse recurso com frequência.

Quase metade (41,1%) das notícias veiculadas são continuação de reportagens exibidas em dias

anteriores. É neste ponto que uma das características de análise pode ser observada, sendo

possível afirmar que o telejornal busca agendar a opinião pública com base na saliência das

notícias com frequência alta. Se o efeito do agendamento dura por cerca de 8 semanas na agenda

midiática, como sugere a teoria da agenda-setting, será possível verificar apenas na pesquisa

qualitativa dos estudos de caso.

O Gráfico 4 demonstra a porcentagem de notícias com e sem continuação de outras

divulgadas em dias anteriores.

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Gráfico 4- Repetição de notícias

Dados com base no monitoramento realizada durante o ano de 2015 no Paraná TV 2ª Edição que demonstra se a

notícia tinha ou não relação com conteúdo divulgado anteriormente pelo próprio telejornal.

Fonte: Autora