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Às 5 horas da tarde no Paço da Boa Vista sob a Augusta Presidência de Sua Majestade Imperial, o Senhor Dom Pedro Segundo abriu-se a conferência, achando-se reunidos os Conselheiros de Estado abaixo-assinados, e os Ministros e Secretários de Estado, a saber: os Excelentíssimos Senhores José Carlos Pereira de Almeida Torres, dos Negócios do Império; Manoel Alves Branco, dos da Fazenda e encarregado interinamente dos da Justiça; Ernesto Ferreira França, dos Negócios Estrangeiros; e Jerônimo Francisco Coelho, dos da Marinha, e encarregado interinamente dos da Guerra.

Deu-se por aprovada a ata da conferência precedente. Em seguida o Senhor Ministro dos Negócios do Império declarou, que o Gabinete atual, não tendo achado na Câmara dos Deputados o apoio, de que

necessita, para bem dirigir os Negócios do Estado, havia mui respeitosamente proposto a Sua Majestade o Imperador a dissolução da mencionada Câmara, como medida indispensável nas circunstâncias atuais, dado que o mesmo Augusto Senhor continua a honrá-lo com a sua alta confiança; e que vinha submeter este objeto à discussão do Conselho de Estado por ordem do mesmo Augusto Senhor que queria ouvi-lo antes e deliberar definitivamente a tal respeito, como em sua sabedoria achasse mais acertado.

Discutida logo esta matéria, que foi tomada na devida consideração, todos os Conselheiros de Estado, que se achavam presentes, votaram contra a medida proposta. Eu, José Cesário de Miranda Ribeiro, do Conselho de Sua Majestade o Imperador, e do de Estado, e Secretário deste Conselho, tudo por mercê do mesmo Augusto Senhor escrevi esta ata, e também a assino. – José Joaquim de Lima e Silva – Honório Hermes Carneiro Leão – Visconde de Monte Alegre – Francisco Cordeiro da Silva Torres – Caetano Maria Lopes Gama – José Antônio da Silva Maia – Visconde de Abrantes – José Cesário de Miranda Ribeiro – Foram votos os Senhores Bispo de Anemúria e Vasconcelos – Miranda Ribeiro.

ATA DE 1º DE JUNHO DE 1844

Às 5 horas da tarde no Paço da Boa Vista sob a Augusto Presidência de Sua Majestade Imperial, o Senhor Dom Pedro Segundo abriu-se a conferência, achando-se reunidos os Conselheiros de Estado abaixo-assinados, e os Ministros e Secretários de Estado, a saber: os Excelentíssimos Senhores José Carlos Pereira de Almeida Torres, dos Negócios do Império; Manoel Antônio Galvão, dos da Justiça; Manoel Alves Branco, dos da Fazenda; Ernesto Ferreira França, dos Negócios Estrangeiros; Antônio Francisco de Paula e Holanda Cavalcante de Albuquerque, dos da Marinha; e Jerônimo Francisco Coelho, dos da Guerra.

Leu-se, e foi aprovada a ata da conferência precedente. Em seguida o Senhor Ministro do Império lembrou, que o fim desta reunião extraordinária constava do Aviso do dia antecedente, pelo qual Sua Majestade o Imperador houve por bem ordenar, que o Conselho de Estado consulte sobre a inteligência, que se deve dar a Constituição do Império à vista do que por ela se acha disposto nos artigos 17, e 101, parágrafo 5º, os quais não são entendidos de um mesmo modo por todos, e convém fixar-se o seu verdadeiro sentido, resolvendo a questão, que suscitam, a saber: Se a Câmara dos Deputados convocada imediatamente pelo Decreto do Poder Moderador para substituir a Câmara dissolvida vem funcionar somente no tempo da Legislatura, que restava a esta ou começar uma nova Legislatura? E acrescentou o mesmo Senhor Ministro, que da resolução desta questão estava pendente a desta outra – se a convocação da nova Assembléia Geral ordinária no dia 3 de junho do 3º ano da Legislatura deve ter lugar conforme a Constituição artigo 102, parágrafo 1º, embora esteja convocada a Câmara dos Deputados, que vem substituir a dissolvida?

Entrou logo em discussão esta matéria, e duas opiniões se apresentaram opostas. Mostrou-se por uma parte, que segundo a Constituição do Império artigo 17 cada Legislatura deve durar 4 anos, e cada Sessão anual quatro meses: daqui sustentou-se:

1º Que dissolvida a Câmara dos Deputados, a outra, que é convocada imediatamente, tem de preencher o tempo, que faltar, para ser satisfeito aquele preceito Constitucional.

2º Que esta inteligência é a que deve seguir-se, por nascer da letra da Constituição no artigo 101, parágrafo 5º, onde em seguida as palavras – e dissolvendo a Câmara dos Deputados, nos casos, em que o exigir a salvação do Estado – dispõe ela o seguinte – convocando imediatamente outra, que a substitua – : ora a Câmara substituta está restritamente ligada as mesmas funções, que competiam à substituída, e não pode exercê-las por mais ou menos tempo, do que cabia a esta.

3º Que a convocação decretada pelo artigo 101, parágrafo 5º da Constituição é da competência do Poder Moderador, e somente relativa à Câmara dos Deputados; mas pela mesma Constituição artigo 101, parágrafo 1º, compete ao Poder Executivo convocar a nova Assembléia Geral Ordinária: e a seguir-se outra inteligência, que não seja a que se tem sustentado, confundir-se-iam estas duas atribuições diversas, cada uma das quais compete assim Poder distinto, que não depende do outro, nem deve achar estorvo nos atos, que lhe são próprios.

Neste sentido votaram os Senhores Lopes Gama, Silva Torres, Maia, e Lima e Silva. Ponderou-se por outra parte:

1º Que, se cada Legislatura segundo a Constituição deve durar quatro anos, não respeitaram este preceito aqueles Senhores Conselheiros, que davam menor duração à Câmara novamente convocada,

esquecendo, que assim contra a regra estabelecida teríamos uma Legislatura de menos tempo, sem que se desse o caso da dissolução, único meio constitucional, por que pode ter lugar este acontecimento.

2º Que a Constituição do Império prescreve, é verdade, para cada Legislatura a duração de quatro anos, mas esta regra, que é limitada pelo que se acha disposto no artigo 101, parágrafo 5º, da mesma Constituição, não prevalece no caso de ser dissolvida a Câmara dos Deputados.

3º Que o artigo 102, parágrafo 1º da Constituição dando ao Poder Executivo a atribuição de convocar a nova Assembléia-Geral ordinária do dia 3 de junho do 3º ano da Legislatura existente, estabelece a regra, que ordinariamente se deve guardar, mas que também não se pode entender sem a limitação indicada de onde se vê, que tal disposição não favorece, antes destrói a inteligência contrária, porque, se não existir a Legislatura naquela época, o que só pode dar-se pelo fato de ter sido dissolvida a Câmara dos Deputados, torna-se impraticável.

Destes e outros argumentos concluiu-se que a Câmara dos Deputados convocada, imediatamente, para substituir a que foi dissolvida, vem começar uma nova Legislatura: e neste sentido votaram os Senhores Visconde de Abrantes, Visconde de Monte Alegre, Bispo de Anemúria, Carneiro Leão, Vasconcelos e Miranda Ribeiro. Eu, José Cesário de Miranda Ribeiro, do Conselho de Sua Majestade o Imperador e do de Estado e Secretário deste Conselho, tudo por mercê do mesma Augusto Senhor, escrevi esta ata, e também a assino. – José Joaquim de Lima e Silva – Visconde de Abrantes – Visconde de Monte Alegre – Honório Hermeto Carneiro Leão – José Antônio da Silva Maia – Caetano Maria Lopes Gama – Francisco Cordeiro da Silva Torres – José Cesário de Miranda Ribeiro – Foi voto o Senhor Vasconcelos – Miranda Ribeiro.