5. ANÁLISE DA OFERTA DE RESPOSTAS SOCIAIS
5.2. R EABILITAÇÃO E INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
5.2.2. Atendimento/Acompanhamento e Actividades Sócio-culturais
Com respostas na área do Atendimento/acompanhamento e actividades sócio-culturais encontram-se somente entidades com fins lucrativos: a Associação de Surdos da Linha de Cascais, a Associação Nacional de Espondilite Anquilosante (ANEA), a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA), a Cooperativa Nacional de Apoio a Deficientes (CNAD) – Delegação da Linha do Estoril e a Associação Portuguesa de Deficientes – Delegação de Cascais.
O serviço prestado destina-se a informar, orientar e apoiar pessoas com deficiência, fomentando o desenvolvimento de competências essenciais à resolução dos seus problemas, bem como proporcionar o acesso a actividades de animação sócio-cultural.
Em Cascais, esta tipologia de atendimento teve início em 1996, com a abertura de respostas pela ANEA e pela Associação de Surdos da Linha de Cascais. Em 1999 iniciou actividade a APD e em 2003 e 2004 entraram em funcionamento as restantes respostas.
Apenas a ANEA faz atendimento durante todos os dias da semana, as restantes entidades têm um funcionamento limitado aos dias úteis. Os horários de abertura e encerramento praticados oscilam entre as 9.00 e as 20.00 horas, interrompendo o seu funcionamento para férias no mês de Agosto.
Quadro 65 – Horário de abertura e encerramento da Resposta Social Atendimento/Acompanhamento e Actividades Sócio-Culturais
Horário de Abertura Hora N.º 9h00 2 9h30 1 10h00 2 Total Geral 5 Horário de Encerramento Hora N.º 17h00 1 18h00 3 20h00 1 Total Geral 5
Fonte Inquérito CEDRU, 2005.
Os serviços prestados por estas entidades estão direccionados para o apoio a problemáticas muito específicas e procuram informar, aconselhar e apoiar as pessoas com deficiência e as suas famílias, promovendo simultaneamente actividades de animação sócio-cultural. Refiram-se, como exemplos, a Associação de Surdos da Linha de Cascais que possui um papel importante no ensino e utilização da linguagem gestual, enquanto a APSA divulga a Síndrome de Asperger, apoiando pais e professores. Em todas estas respostas, as acções de informação, apoio jurídico e de educação para a saúde são as mais
frequentes, esta última directamente relacionada com as características dos grupos-alvo de cada uma das instituições.
Quadro 66 – Serviços prestados na Resposta Social Atendimento/Acompanhamento e Actividades Sócio-Culturais (nº)
Serviços N.º
Acções de educação para a saúde 4
Acções de sensibilização 3 Actividades culturais/recreativas 2 Actividades de férias 3 Apoio jurídico 4 Apoio Psicológico 1 Cuidados de saúde 1
Fornecimento de alimentos diários 1
Informação 4
Orientação e apoio social 2
Fonte Inquérito CEDRU, 2005.
Nota: Em algumas situações coexistem na mesma Resposta Social múltiplos serviços.
As fontes de financiamento referenciadas para o regular funcionamento destas Respostas Sociais são díspares e de proveniência variada. As despesas de funcionamento da ANEA são suportadas pela Direcção-Geral de Saúde, através de um Acordo de Cooperação que abrange 40 utentes/mês, conjugado com as comparticipações dos utentes (12,5 euros).
A APSA depende de receitas próprias, resultantes das contribuições dos seus associados (5 euros) e de outras proveniências, como os donativos.
Por sua vez, a CNAD possui um protocolo com a Câmara Municipal de Cascais, estando também dependente da atribuição de subsídios eventuais.
A Associação de Surdos da Linha de Cascais aponta como fonte de financiamento exclusiva, subsídios eventuais a receber, o que denota uma certa incerteza na sua obtenção e, consequentemente, a possibilidade de existirem algumas dificuldades acrescidas para o seu eficaz e regular funcionamento. Estas duas associações exigem aos utentes um pagamento mínimo, embora de valor simbólico – 1 euro. A APD estabeleceu um Acordo de Cooperação com o Instituto de Segurança Social e um Protocolo com a Câmara Municipal de Cascais. Conta igualmente com Subsídios Eventuais, as comparticipações dos utentes (30 euros) e alguns donativos.
Quadro 67 – Fontes de financiamento na Resposta Social Atendimento/Acompanhamento e Actividades Sócio-Culturais (nº)
Fonte N.º
Subsídios Eventuais 3
Com Acordo de Cooperação 2
Protocolo com a CMC 2
Outros 3
Total 5
Fonte Inquérito CEDRU, 2005.
Nota: Em algumas situações podem coexistir na mesma Resposta Social múltiplas fontes de financiamento.
A capacidade de resposta, no âmbito desta Resposta Social, aumentou significativamente nos últimos anos. Como consequência, foi expressivo o acréscimo de população que a ela recorre, atingindo-se, em 2003, os 760 utentes. Este valor aumentará significativamente com a contabilização dos utentes da
CNAD, que iniciou o seu funcionamento apenas em 2003 e da APSA, que iniciou o seu funcionamento em 2004.
Figura 63 – Evolução do número de utentes na Resposta Social Atendimento/Acompanhamento e Actividades Sócio-Culturais, 2001-2003 650 760 705 600 620 640 660 680 700 720 740 760 780 800 2001 2002 2003 Anos U te n te s
Fonte Inquérito CEDRU, 2005.
Em termos genéricos, os utilizadores desta Resposta Social são adultos e idosos, com uma tipologia de deficiência que varia consoante os propósitos e âmbitos de actuação das diferentes associações (motora, mental, auditiva e visual).
A população-alvo de atendimento possui origens muito diferenciadas. Enquanto a APSA, com sede no Estoril, tem um âmbito de actuação nacional, prestando apoio a utentes provenientes de todo o território português, a Associação de Surdos da Linha de Cascais e a ANEA têm a sua área de acção centrada em Cascais e concelhos limítrofes. Os utentes da CNAD – Delegação da Linha do Estoril e da APD – Delegação de Cascais são exclusivamente residentes do Concelho de Cascais.
Quadro 68 – Funções dos recursos humanos na Resposta Social Atendimento/Acompanhamento e Actividades Sócio-Culturais Função N.º Ajudante/Auxiliar 1 Animador 1 Contabilista/ROC/TOC 2 Fisioterapeuta 2 Coordenador/Chefe de Serviços 2 Administrador/Director 2 Secretária/Ajudante Administrativa 2 Animador 1 NR 1 Total Geral 14
Fonte Inquérito CEDRU, 2005.
O quadro de recursos humanos desta Resposta Social é composto maioritariamente por mulheres. A afectação horária a tempo inteiro representa 71% das situações registadas, existindo uma situação contratual estável para cerca de metade dos indivíduos que possuem contrato sem termo. Não obstante, cerca de 36% dos funcionários estão precariamente vinculados contratualmente às instituições, quer através de contratos com termo, quer através de recibos verdes.
O número máximo de recursos afectos não ultrapassa os 6 elementos por equipamento. Em duas situações existe apenas um funcionário, sendo por vezes o presidente/delegado a realizar o atendimento em exclusividade (casos da APSA e da Associação de Surdos da Linha de Cascais). As restantes
funções são realizadas por fisioterapeutas, pelo secretariado e por escriturários. Os quadros da direcção e fisioterapeutas são os que possuem maiores níveis de habilitação.
Quadro 69 – Habilitações dos recursos humanos na Resposta Social Atendimento/Acompanhamento e Actividades Sócio-Culturais
Habilitações N.º %
1º Ciclo do ensino básico 1 7
2º Ciclo do ensino básico 1 7
Secundário 3 21 Bacharelato 1 7 Licenciatura 4 29 Licenciatura incompleta/frequentar 3 21 NR 1 7 Total Geral 14 100
Fonte Inquérito CEDRU, 2005.
Os constrangimentos ao funcionamento desta resposta ultrapassam largamente as potencialidades que poderão e deverão ser exploradas. Contudo, a solução para muitos deles passa pela concretização de investimentos já previstos e passíveis de virem a arrancar no curto prazo.
A título de exemplo, refiram-se algumas dessas situações. A APSA, actualmente com sede no domicílio da Presidente de Direcção, necessita de espaço próprio, com maiores dimensões, para o exercício da sua actividade. A Associação aponta ainda como constrangimentos à sua acção a falta de meios financeiros e humanos. Apesar disso, está prevista a criação de um Centro de Apoio, no curto prazo, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, de diversas empresas e dos próprios associados.
Em fase de construção estão as novas instalações da ANEA, que pretende assim melhorar as condições de atendimento e a capacidade de resposta junto da população. As fontes de financiamento previstas passam pela Câmara Municipal de Cascais, pelo Ministério da Saúde, por empresas privadas e associados. Quanto à Associação de Surdos da Linha de Cascais aponta como principal entrave à sua acção a falta de equipamento/mobiliário e de instalações adequadas. A exiguidade do espaço faz com que não estejam reunidas as melhores condições para o convívio e a ocupação de tempos livres no local, tornando difícil a permanência dos associados. A não programação de investimentos por parte desta Associação, no curto prazo, está relacionada com a falta de verba, quer para aquisição de equipamento, quer para a abertura de novos serviços. A APD refere como principais constrangimentos a exiguidade de recursos financeiros. No futuro pretendem proceder à ampliação de instalações e construir um Lar.