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3 METODOLOGIA

4.5 ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO AEE NA REDE

As orientações postuladas na Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) inspiram os sistemas públicos de ensino a organizar e implantar o Atendimento Educacional Especializado (AEE) como um serviço que se constitui em suporte nas instituições, com o objetivo de suplementar e complementar a aprendizagem do seu público: alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades.

Tendo em vista o direito à educação, a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, tornam-se necessárias a sistematização e organização dos serviços especializados, a fim de atender às diversas demandas dos alunos com deficiência matriculados na educação básica.

Compreende-se que se constitui como emergente a inclusão do aluno com deficiência na rede pública municipal. Portanto, ao incrementar as ações voltadas para as instituições de ensino através de outro serviço especializado - as salas multifuncionais, estas se efetivam no cenário educacional, como uma medida propositiva. A ampliação das condições do atendimento especializado na Rede Municipal de Ensino contribui para que as condições dos processos de ensino e aprendizagem sejam legitimadas, tornando efetivo o compromisso social e político com o desenvolvimento integral e escolar dos alunos com deficiência.

Percebe-se que, ao adentrar as questões específicas da inclusão do aluno com deficiência no Ensino Fundamental e Educação Infantil, torna-se emergente a promoção de programas e projetos para a formação inicial e continuada do docente e ao atendimento ao aluno em processo de inclusão. A preocupação em efetivar o atendimento educacional especializado, no município, insere-se nessa premissa do Governo Federal em consonância com a política estadual, além das orientações postuladas nos documentos oficiais.

Assim, para garantir o atendimento educacional especializado na rede de ensino, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN, Nº. 9394/96 anuncia em seus artigos 58, 59 e 60 do Capítulo V, a necessidade do apoio pedagógico aos alunos com deficiência. No entanto, não oferece detalhes sobre essa forma de apoio.

As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (2001) esclarecem que o serviço educacional de apoio especializado diversificado deverá ser oferecido em escola comum para responder às necessidades educacionais especiais do educando, pode-se ser desenvolvidos:

a) nas classes comuns, mediante atuação de professor da educação especial, de professores intérpretes das linguagens e códigos aplicáveis e de outros profissionais; itinerância intra e interinstitucional e outros apoios necessários à aprendizagem, à locomoção e à comunicação;

b) em salas de recursos, nas quais o professor da educação especial realiza a complementação e ou suplementação curricular, utilizando equipamentos e materiais específicos (BRASIL, 2001, p. 42).

De acordo com as bases legais em vigor, que fundamentam e sustentam a implantação de Centros de Atendimento Educacional Especializado, destacam-se: a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva (2008), o Decreto nº. 6.571/2008, que dispõe sobre a política de financiamento e do atendimento educacional especializado; a Resolução CNE/CEB nº. 4/2009 institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado - AEE, na Educação Básica; a Nota Técnica - SEESP/GAB/Nº9/2010 expressa as orientações para a organização de Centros de Atendimento Educacional Especializado. Outro documento, que expressa as orientações para a institucionalização da oferta do atendimento educacional especializado em Salas de Recursos Multifuncionais é a Norma Técnica - SEESP/GAP/Nº 11/2010.

As considerações sobre o atendimento educacional especializado, na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva (2008), mostram a necessidade de disponibilizar programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, técnicas e tecnologia assistida. Especifica que [...] “O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas” (BRASIL, 2008, p. 21).

Reiteram-se os objetivos propostos na Política Nacional da Educação Especial (2008, p.19) para os sistemas de ensino, firmando seus propósitos no acesso, na participação e aprendizagem dos alunos com deficiência e garantindo:

[...] Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; atendimento educacional especializado; continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; participação da família e da comunidade;

acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e articulação intersetorial na implantação das políticas públicas.

Em relação às formas de disponibilizar os serviços especializados, no que tange à função dos Centros de Atendimento Educacional Especializado, a Nota Técnica - MEC/SEESP/GAB/Nº. 9/2010, declara:

I. A oferta do Atendimento Educacional Especializado - AEE, de forma não substitutiva à escolarização dos alunos público alvo da educação especial, no contra turno do ensino regular;

II. A organização e a disponibilização de recursos e serviços pedagógicos e de acessibilidade para atendimento às necessidades educacionais especificas destes alunos; e

III. A interface com as escolas de ensino regular, promovendo os apoios necessários que favoreçam a participação e aprendizagem dos alunos nas classes comuns, em igualdade de condições com os demais alunos (BRASIL, 2010, p.2).

O Município do Jaboatão dos Guararapes iniciou a implantação do Centro de Atendimento Educacional Especializado - CAEE, na Regional Jaboatão/Centro, no Centro de Reabilitação e Educação Especial - CREE. Instituição que, no período de 1996 a 2010, manteve a escolarização dos alunos com deficiência no modelo de classes especiais.

O AEE requer uma ampla variedade de recursos e serviços educacionais, visando atender a diversidade dos docentes e discentes nos estabelecimentos de ensino. Logo, a operacionalização pelos sistemas de ensino deve potencializar o serviço especializado previsto nos dispositivos das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial (2001, p.42): “[...] são os serviços educacionais diversificados oferecidos pela escola comum para responder às necessidades educacionais do educando”.

Assim, o serviço de apoio pedagógico especializado requer um sistema colaborativo entre professores que atuam em diferentes funções. Ou seja, aqueles que trabalham em classes comuns, salas de recursos, professores-intérpretes. Nesse caso, a modalidade de ensino Educação Especial passa a assumir dupla função: atender a todos os discentes com necessidades especiais que requerem atendimento educacional e apoiar os docentes sob cuja responsabilidade esses alunos se encontram.

O Decreto nº. 6.571/2008, que dispõe sobre a política de financiamento e do atendimento educacional especializado, reafirma a definição do AEE, em seu § 1º do Art. 1º considera que o serviço especializado assume um caráter complementar e

suplementar na realização das atividades diferentes das vivenciadas em sala de aula, mantendo-se de forma articulada com a proposta pedagógica do ensino comum.

Por isso, é importante asseverar que a oferta do AEE na rede de ensino é dever dos órgãos públicos, mas opcional para os educandos. O atendimento deve ocorrer em outro turno, preferencialmente na própria escola em que o aluno está matriculado, ou ainda em centro especializado que realize o atendimento educacional.

Assim, o Município do Jaboatão dos Guararapes possui em sua rede de ensino três dos programas instituídos pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI, Diretoria de Políticas de Educação Especial - DPEE: Programa Escola Acessível, Programa Salas Multifuncionais e Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.

O Programa Escola Acessível objetiva promover condições de acessibilidade ao ambiente físico, aos recursos didáticos e pedagógicos e à comunicação e informação nas escolas públicas de ensino regular. Procura, também, garantir a adequação arquitetônica: rampas, sanitários, vias de acesso, instalação de corrimão e de sinalização visual, tátil e sonora; aquisição de cadeiras de rodas, recursos de tecnologia, bebedouros e mobiliários acessíveis.

Em relação ao programa Escola Acessível, no município, também iniciado desde 2007-2011, tem-se a seguinte configuração: Jaboatão/centro: três escolas; Cavaleiro: quatro escolas; Curado: uma escola; Muribeca: uma escola; Prazeres: duas escolas; Praias: duas escolas; Guararapes uma escola, perfazendo um total de quatorze instituições.

Do total das quatorze instituições, em apenas, dez escolas foram efetivados a construção de rampas e adaptação de banheiros. Os principais empecilhos à promoção da acessibilidade estão vinculados às condições dos prédios, ou seja, são alugados; problemas no cadastro do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (SIMEC), portal operacional e de gestão do MEC, que trata do orçamento e monitoramento das propostas on-line do Governo Federal na área da educação; ausência de um plano de ação por escola, com as metas para acessibilidade.

O Programa - Salas multifuncionais - tem como finalidade apoiar a organização e a oferta do Atendimento Educacional Especializado - AEE, prestado

de forma complementar ou suplementar aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação, matriculados em classes comuns do ensino regular.

Nesse sentido, o sistema público federal disponibiliza às escolas públicas de ensino regular um conjunto de equipamentos de informática, mobiliários, materiais pedagógicos e de acessibilidade para a organização do espaço de Atendimento Educacional Especializado - AEE. Coube ao sistema municipal a seguinte contrapartida: disponibilização de espaço físico para implantação dos serviços nas salas multifuncionais ou centros especializados; organização dos equipamentos, mobiliários, materiais didáticos e pedagógicos de acessibilidade, bem como do professor para atuar no AEE.

No município em foco, algumas escolas são contempladas com o Programa Salas Multifuncionais, desde 2007. Atualmente, tem-se a seguinte distribuição, conforme Tabela 7, a seguir.

T a b e l a 7 - P r o g r a m a S a l a s M u l t i f u n c i o n a i s n o M u n i c í p i o d o J a b o a t ã o d o s G u a r a r a p e s

Jaboatão dos Guararapes, PE, 2012.

Regionais Nº de escolas 1 - Jaboatão / Centro 03 2 – Cavaleiro 05 3 – Curado 01 4 – Muribeca 01 5 – Prazeres 02 6 – Praias 03 7 – Guararapes 01 Total 16

Fonte: Secretaria Executiva de Educação

Das dezesseis escolas contempladas com o Programa, apenas duas puderam iniciar efetivamente o atendimento aos educandos com deficiência. Uma está localizada na Regional Praias e a outra na Regional Guararapes. No entanto, dessas duas, apenas uma escola - que se constitui o caso em estudo nesta pesquisa - mantém uma organização mais delineada, seguindo as orientações do

Ministério da Educação (MEC). A segunda teve o trabalho de atendimento especializado iniciado em uma sala para biblioteca, mas logo em seguida a professora que ministrava o atendimento pediu afastamento para tratamento de saúde. Faz-se necessária a melhoria na infraestrutura e um professor para efetivar os trabalhos da docência.

Nessa rede de ensino, pode-se salientar que os principais empecilhos para a implantação dos serviços especializados estão atrelados à falta de infraestrutura, acessibilidade nas vias públicas e a locação de espaços físicos nas instituições escolares. Outra dificuldade identificada se refere aos materiais enviados pelo MEC dos quais, pela falta de estrutura nas escolas, alguns foram roubados e até mesmo utilizados para outros fins.

No que concerne ao Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade, este contempla a formação de gestores e educadores, a fim de transformar os sistemas educacionais em sistemas inclusivos. Nele destacam-se as seguintes ações: realizar seminário nacional de formação dos coordenadores municipais e dirigentes estaduais; prestar apoio técnico e financeiro e orientar a organização da formação de gestores e educadores dos municípios polos e de abrangência; disponibilizar referenciais pedagógicos para a formação regional.

Em suma, a organização e implantação dos serviços especializados na rede municipal em Jaboatão dos Guararapes têm caminhado de forma bastante tímida. É possível verificar nos discursos boa vontade e intervenção através de medidas paliativas como: a construção de rampas ou aquisição de alguns materiais para os alunos com deficiência visual ou paralisia cerebral. Também a ação imperativa da Justiça, celebrando Termo de Compromisso entre Educação e Ministério Público de PE, a fim de garantir às regionais poderem dispor ao menos de duas escolas com acessibilidade, formação para os docentes e recursos multifuncionais. Assim, a efetivação do princípio da inclusão escolar para a inserção dos alunos com deficiência no ensino regular com qualidade, ratifica a assertiva de Bueno (2008), ou seja, a educação inclusiva é um objeto político a ser alcançado.

Se, por um lado, tem-se um diminuto progresso diante dos resultados apresentados nas matrículas dos alunos com deficiência, constatado durante o percorrer deste trabalho, por outro, tem-se um crescente número populacional que, efetivamente, se configura além dos espaços escolares. Existe uma grande maioria de pessoas com deficiência nos diversos contextos brasileiros entre crianças, jovens

e adultos que precisam, no mínimo, ter suas necessidades essenciais atendidas. Outros já apresentam, também, grandes dificuldades em sua própria constituição de pessoa humana, que possivelmente aumentarão as estatísticas desse segmento.

Conforme Ferreira e Ferreira (2004, p.39) afirmam:

Numa sociedade, grupo social ou nas instituições, assim como nas políticas, não se pode ignorar que as deficiências existem e são ao mesmo tempo agravadas e negadas pela construção social que as acompanha e que coloca a diversidade na posição de ilegitimidade no contexto das relações humanas.

Em relação à Educação Especial no Município, constata-se que se precisa avançar na ampliação dos atendimentos educacionais e nas políticas voltadas aos alunos com deficiência. Atualmente, as dificuldades enfrentadas em relação à inclusão dos alunos com deficiência nas classes regulares permeiam o perfil do profissional de apoio sem qualificação para o atendimento; a forma como ele é selecionado; o professor da sala regular que, por não ter formação apropriada para o atendimento; não dá qualquer assistência aos alunos inclusos; as péssimas condições de trabalho e a interlocução entre AEE e o ensino comum.

No caso AEE à pessoa com deficiência na escola, indaga-se como as necessidades individuais e coletivas desse segmento vêm se construindo e sendo gerenciadas à medida que gestores, pais, docentes e discentes encontram-se nesse movimento intenso e adverso das práticas pedagógicas inclusivas. Explicita-se que não se está fragmentando o olhar sobre um aspecto da escola, mas a intenção é analisa-se o contexto inter-relacional das práticas desenvolvidas na instituição e a implicação com os seus atores sociais.

Diante de uma das maiores dificuldades, que a escola está enfrentando em relação aos profissionais, na atuação junto aos alunos com deficiência, este estudo visa compreender de que maneira as práticas pedagógicas são efetivadas no cotidiano escolar.

Entende-se que os acontecimentos que emergem do dia a dia podem trazer indícios essenciais para a identificação de determinados conflitos e possíveis encaminhamentos que redirecionam os fazeres e saberes dos sujeitos, que estão envolvidos com a educação dos alunos em processo de inclusão. Nessa possibilidade de se encontrarem nas práticas pedagógicas os conhecimentos dos sujeitos sobre o que pensam, sabem e fazem diante do processo de inclusão dos alunos com deficiência é que se encaminha esta pesquisa.