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1.2. Aprendizagem Significativa, Desenvolvimento e Atitudes

1.2.2. Atitudes

Diferentes autores e pesquisas, tais como a desenvolvida por Brito (1996), também apontaram a importância das atitudes na sala de aula. Da mesma forma, para a presente

Capítulo 1: O Ensino da Matemática e a Aprendizagem Significativa

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pesquisa, também as atitudes dos alunos são importantes; pois, pelo fato de serem aprendidas, merecem atenção dos professores no sentido de se desenvolver um trabalho eficiente e consistente na sala de aula, uma vez que é provável que, desse modo, obtenham um melhor desempenho por parte do aluno.

A consideração de fatores afetivos, na análise do ensino de Matemática foi destacada por inúmeros estudiosos, dentre eles Brito (1996), Gonçalves (1981) e Neves (2002).

Brito (1996) realizou uma extensa revisão da literatura especializada e mostrou que o tema Atitudes, em Psicologia, é amplo e complexo. A pesquisadora tem desenvolvido estudos que mostram o erro de se considerar que a maioria dos alunos apresenta atitudes negativas em relação à matemática.

A análise da literatura especializada mostrou que são muitos os conceitos de atitudes; mas, neste trabalho, entende-se, como Brito (1996), que, na perspectiva da cognição social, atitude é:

“uma disposição pessoal, idiossincrática, presente em todos os indivíduos, dirigida a objetos, eventos ou pessoas, que assume diferente direção e intensidade de acordo com as experiências do indivíduo. Além disso, apresenta componentes do domínio afetivo, cognitivo e motor.” (Brito, 1996, p. 11).

No trabalho docente, tem sido possível ouvir depoimentos de professores em escolas de São Paulo, os quais mostram a tendência de considerar que seus alunos demonstram ter “receio” e atitudes negativas em relação à Matemática. Pesquisas como as de Brito (1996) mostram que os alunos não apresentam, em princípio, atitudes negativas em relação à Matemática, em oposição à opinião de muitos professores em exercício e em contraposição ao que, com freqüência, é divulgado em meios de comunicação.

Segundo os professores, os alunos acabam desenvolvendo um sentimento de aversão, como assinala Gonçalez (1995):

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“Em um estudo preliminar realizado com os alunos de 2ª, 3ª e 4ª séries de uma Escola Estadual de Campinas, foi verificado que: a matéria de que eles mais gostam é a Matemática. Em oposição, é a que os deixam mais ansiosos pois os alunos revelam ter “medo” frente à realização de provas ou exercícios; a importância da explicação do professor cresce a cada série; a maioria gostaria de saber fazer as lições de Matemática; é crescente o mal estar dos alunos que erram os exercícios, sentem-se rejeitados pelo professor, desenvolvem uma auto-imagem negativa, acham-se “burros” e a alegria, o prazer, a satisfação são muito grandes ao acertarem os exercícios.”

( Gonçalves, 1985, pág. 5) .

O desenvolvimento de atitudes favoráveis em relação à matemática é um dos elementos que deve merecer atenção de professores que pretendem desenvolver um trabalho eficiente e consistente na sala de aula.

Brito e Gonçalez (1996) indicaram a probabilidade de que um alto nível de desempenho por parte do aluno esteja relacionado à sua atitude positiva em relação à matemática, ou ainda, que, embora não se consiga atingir um alto nível de desempenho, o aluno, que tem uma atitude positiva, apresentará desempenho melhor quando comparado àquele que possui atitude negativa.

Como citado no trabalho de Brito e Gonçalez (1996), Klausmeier (1977) mencionou que o conceito de atitudes é composto por cinco atributos definidores: 1) aprendibilidade: que diz respeito à forma de aprender, intencionalmente ou não; a se comportar em relação a um objeto, idéia ou pessoa de maneira favorável ou desfavorável; 2) estabilidade:

permanência, modificação ou desaparecimento das atitudes ao longo dos anos; 3)

significado pessoal - societário: destaca a importância de predisposição a um relacionamento amigável e amistoso; 4) conteúdo afetivo – cognitivo: relaciona emoções e o componente cognitivo; 5) orientação aproximação – evitamento: aproximação do objeto de estudo ou reação de fuga.

Brito (1996) relatou que:

“ ... as atitudes são adquiridas e não inatas e embora algumas atitudes sejam mais duradouras e persistentes que outras, elas não são estáveis e variam ao longo da vida dos indivíduos, de acordo com as circunstâncias ambientais. As atitudes são altamente

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suscetíveis às influências da cultura na qual o indivíduo está imerso”. (Brito, 1996, p.12).

Brito (1996) destacou como causa para o surgimento de atitudes negativas no aluno a falta de relação entre os conhecimentos, que são de domínio dele e o conteúdo formal a ser ensinado pela escola, a influência dos pais e dos amigos nas atitudes, bem como a influência que ele sofre em suas atitudes através das de seus professores.

As atitudes entendidas como um evento interno com componentes cognitivos, afetivos e motor são aprendidas e, segundo Brito (1996), sua compreensão pelos educadores matemáticos proporciona tanto ao professor quanto ao aluno melhor desempenho na disciplina, como também nas atividades a ela relacionadas.

No delineamento da presente pesquisa, foram consideradas de grande relevância as orientações de Brito e Gonçalez (1996) sobre atitudes (des) favoráveis com relação à Matemática. Ressaltaram a necessidade da construção de atitudes positivas por parte dos educadores, visando a favorecer a predisposição de alunos para aprender matemática através do desenvolvimento do autoconceito positivo, autonomia e prazer na resolução de problemas. O artigo das pesquisadoras destaca a importância de as escolas desenvolverem programas que abranjam o desenvolvimento de atitudes favoráveis em relação à matemática não apenas por parte do aluno, mas também dos professores. Cabe lembrar que atitudes de professores podem influenciar as dos alunos.

A manifestação favorável ou contrária a um objeto é uma idéia que se forma e, segundo Papert (1985), se a criança se desenvolver em um ambiente onde o adulto não lhe fale de matemática em diferentes momentos; quando ingressar na escola, manifestará ausência dos elementos básicos para aprender matemática.

Se o trabalho desenvolvido pelo professor não for adequado às necessidades desse aluno, poderá provocar-lhe uma atitude negativa não só em relação à matemática; mas, possivelmente, envolver a aprendizagem em geral. Esse sentimento favorável ou contrário é apontado como o componente afetivo das atitudes, que, de acordo com Brito (1996), refere- se às emoções: o objeto é percebido como agradável ou desagradável.

A proposta de utilização do Logo/Megalogo aponta para a possibilidade de incentivar atitudes positivas do aluno em relação à geometria no ensino de Matemática,

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apresentando situações de resolução de problemas na tela do computador, considerando-se as concepções de aprendizagem significativa e construção de conhecimentos.

A análise de Coll (1991) sobre contribuições da Psicologia à Educação indicou a relevância de se considerarem, a interação na sala de aula, os fatores da aprendizagem significativa e os trabalhos de Piaget, um dos mais renomados pesquisadores que influenciaram a orientação construtivista em Educação. Considerando-se que se pretendeu investigar o uso do Logo, como contribuição para uma aprendizagem significativa na perspectiva do construtivismo em geometria, que resultasse em melhor desempenho e atitudes mais positivas em relação à Matemática, serão delineados, no capítulo a seguir, elementos básicos da Teoria de Piaget e da proposta de Papert para uso do LOGO em sala de aula.

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