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Atitudes no Contexto da Teoria da Ação Racional

2.5 TEORIA DA AÇÃO PLANEJADA E ESFORÇO DISCRICIONÁRIO NO

2.5.1 Atitudes no Contexto da Teoria da Ação Racional

Segundo Menezes (2006, p. 46), “os primeiros estudos formais sobre o constructo ‘atitude’ advieram com Charles Darwin, em 1872, que o caracterizou como um conceito mais associado à expressão física de uma emoção”. Em conexão com Menezes (2006), Lima e Correia (2013) reforçam que a atitude se constitui em um dos conceitos mais antigos no âmbito da Psicologia Social, chegando mesmo a

ser considerada como o elemento que lhe concedeu identidade. Thomas e Znaniecki (1918) foram mais longe ao definirem a Psicologia Social como o estudo das atitudes.

Mas, o que vem a ser atitude? Para Fishbein e Ajzen (1975), há pouca concordância sobre o que vem a ser atitude, como ela é formada ou modificada e qual regra, se é que existe alguma, exerce influência na determinação do comportamento. Os autores consideram que o conceito de atitude se encontra envolvido por um embaraçoso grau de ambiguidade e confusão, incorporando outros conceitos como atração, atribuição, preferência e intenções comportamentais. Esses e outros conceitos têm sido geralmente rotulados de atitude.

Lima e Correia (2013) ressaltam a dificuldade em se construir um consenso teórico, contudo, é possível afirmar que se aceita geralmente que as atitudes representam avaliações psicológicas positivas ou negativas em relação a fatos, pessoas, acontecimentos, comportamentos, e que a atitude é dotada de direção e intensidade (BEM, 1970; AJZEN; FISHBEIN, 1975; FAZIO, 1990; EAGLY; CHAIKEN, 1993; OLSON; ZANNA, 1993; PETTY, WEGENER; FABRIGAR, 1997; WOOD, 2000; FISHBEIN; AJZEN, 2010).

Apresenta-se no Quadro 13 uma síntese de algumas definições clássicas de atitude.

Quadro 13 - Definições Clássicas de Atitude

REFERÊNCIA DEFINIÇÃO

Thomas e Znaniecki (1918, p. 22)

“Por atitudes entendemos um processo de consciência individual que determina atividades reais ou possíveis do indivíduo no mundo social”.

Allport (1935, p. 784)

“Atitude é um estado de preparação mental ou neural, organizado através da experiência, e exercendo uma influência dinâmica sobre as respostas individuais a todos os objetos ou situações com que se relaciona”.

Rosenberg e Hovland (1960, p. 3) “Atitudes são predisposições para responder a determinada classe de estímulos com determinada classe de respostas”.

Abelson (1976, p. 41)

“Atitude face a um objeto consiste no conjunto de scripts relativos a esse objeto. Essa perspectiva combinada com uma teoria abrangente acerca da formação e da seleção dos scripts daria o significado funcional ao conceito de atitude que outras definições não possuem”.

Jaspars (1986, p. 22)

“As atitudes são vistas geralmente como predisposições comportamentais adquiridas, introduzidas na análise do comportamento social para dar conta das variações de comportamento em situações aparentemente iguais. Como estados de preparação latente para agir de determinada forma,

REFERÊNCIA DEFINIÇÃO

representam os resíduos da experiência passada que orientam, enviesam ou de qualquer outro modo influenciam o comportamento”.

Ajzen (1988, p. 4)

“Atitude é uma predisposição para responder de forma favorável ou desfavorável a um objeto, pessoa, instituição ou acontecimento”.

Eagle e Chaiken (1993)

“atitude é um constructo hipotético referente à ‘tendência psicológica’ que se expressa em uma avaliação favorável ou desfavorável de uma entidade específica”.

Fonte: Adaptado de Lima e Correia (2013, p. 203)

Dentre as definições apresentadas no Quadro 13, aquela trazida por Eagle e Chaiken (1993) possibilita uma compreensão mais ampla do que vem a ser atitude a partir de seus conceitos-chave: constructo hipotético, tendência psicológica e julgamento avaliativo.

Por ser um constructo hipotético, as atitudes não são variáveis diretamente observáveis, são variáveis latentes que indicam a situação em que a pessoa se encontra e o seu comportamento, podendo apenas ser inferidas. Para Fishbein e Ajzen (1975, p. 8), “as atitudes não podem ser observadas diretamente, mas têm de ser inferidas pela consistência dos comportamentos observados”. Por exemplo, como citado em Lima e Correia (2013), se uma pessoa requisita constantemente filmes de artes marciais em uma locadora (comportamento), pode-se inferir que essa pessoa gosta de artes marciais (atitude).

O componente tendência psicológica da definição de Eagle e Chaiken (1993) permite distinguir a atitude de outros constructos hipotéticos, a exemplo de traços de personalidade e emoção. Lima e Correia (2013, p. 203) explicam que tendência psicológica é “um estado interior com alguma estabilidade temporal”. Diferencia-se de traços de personalidade – mais estáveis – e de estados emocionais – mais passageiros. No exemplo anterior, inferir que a pessoa possui uma atitude violenta seria um erro porque ser violento se caracteriza como um traço de personalidade, não uma atitude. A atitude corresponde à favorabilidade ou desfavorabilidade, gostar ou não gostar de artes marciais, o que se constitui no julgamento avaliativo do objeto artes marciais.

As atitudes expressam-se por meio de respostas avaliativas que podem ser segmentadas em três dimensões. Aceitam-se normalmente que essas dimensões são de origem cognitiva, afetiva e comportamental (conativa) (ALLPORT, 1954;

FISHBEIN; AJZEN, 1975; MENEZES, 2006; LIMA; CORREIA, 2013). A dimensão cognitiva refere-se, segundo Lima e Correia (2013, p. 204), “aos pensamentos, ideias, opiniões, crenças, que ligam o objeto de atitude aos seus atributos [...] e que experimentam uma avaliação mais ou menos favorável”. A dimensão afetiva associa-se às respostas avaliativas motivadas por sentimentos e emoções em direção ao objeto (MENEZES, 2006, LIMA; CORREIA, 2013), e as respostas conativas referem-se aos comportamentos, ou às intenções orientadas ao comportamento. São voltadas para a ação.

Lima e Correia (2013) exemplificam as três dimensões da atitude utilizando uma situação: a manipulação genética de cereais. Atitude pela dimensão cognitiva poderia ser resolverá o problema da fome no mundo (Positiva). A atitude pela dimensão afetiva poderia ser isso me assusta (negativa), e a atitude pela dimensão comportamental poderia ser não assinaria um abaixo-assinado contra a manipulação

genética de cereais (positiva). A essas três dimensões denomina-se Modelo

Tripartite (KATZ; STOTLAND, 1959; ROSEMBERG; HOVLAND, 1960), porém, alguns entendem que o componente comportamental não se constituiria em um componente da sua estrutura (BAGOZZI; BURN KRANK, 1979; 1985) e outros, ainda, consideram a atitude como um constructo unidimensional (AJZEN; FISHBEIN, 1980).

Importante destacar, conforme apontado por Lima e Correia (2013, p. 204), que “quase tudo pode ser objeto de atitude”. De fato, ao se deparar com algum objeto, situação, pessoa ou comportamento, é natural que o indivíduo construa internamente uma avaliação positiva ou negativa com algum grau de intensidade. Os autores citam, por exemplo,

atitudes em relação a entidades abstratas (democracia) ou constructos (testes de múltipla escolha), [...] objetos específicos (o cão da vizinha), ou gerais (cães), [...] comportamentos (praticar musculação), ou classes de comportamentos (praticar esportes). (LIMA; CORREIA, 2013, p. 204)

Atitudes organizacionais referem-se àquelas cujo ambiente é a organização, por exemplo, atitude em relação à empresa, atitude em relação à chefia, aos colegas, aos subordinados. Nesse contexto, se insere a atitude face ao EDT, sendo que as crenças que o indivíduo desenvolve acerca do objeto se constituem em elementos privilegiados para a formação da atitude.