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Atividade atual e satisfação com a escolha

CAPÍTULO 2-O QUE DIZEM OS EX-PROFESSORES DA REDE

2.5. Atividade atual e satisfação com a escolha

Também buscamos identificar se os participantes exercem alguma outra atividade profissional, se permanecem ou não na docência e se estão satisfeitos com a decisão. Apenas três disseram não exercer alguma profissão, os demais (doze) estão trabalhando. Oito sujeitos ainda permanecem na docência, na rede privada, no Instituto Federal de Brasília, em cursos de Pós-Graduação e no Ensino Superior. Três exercem uma atividade relacionada à formação em licenciatura, são elas: pedagoga, revisora de textos e técnica em Assuntos Educacionais no

Instituto Brasileiro de Museus vinculado ao Ministério da Cultura, com a educação nos museus. Não foi possível identificar se a o sujeito que atua como pedagogo leciona ou não, por isso, o enquadramos entre os que exercem atividade relacionada à docência. Dois exercem atividade diferenciada, na Polícia Civil. A tabela a seguir resume as informações aqui tratadas:

TABELA 04- Atividade atual dos ex-professores da SEEDF.

PROFISSÃO ATUAL FREQUÊNCIA

Não exerce 3

ATIVIDADE RELACIONADA À

DOCÊNCIA

Professor do ensino superior 3

Professor no Instituto Federal de Brasília (IFB)

2

Professor de pós-graduação 1

Revisor de textos 1

Técnica em Assuntos Educacionais

1

Professor e diretor de escola 1

Pedagogo (a) 1

ATIVIDADE NÃO RELACIONADA À

DOCÊNCIA

Policial Civil 2

Fonte: Elaboração própria com base nas respostas contidas nos questionários.

Pedimos também que elencassem as vantagens e desvantagens da profissão atual com relação ao trabalho na SEEDF. Apesar de cada sujeito ter apresentado explicações diferentes, conforme a atividade que exercem atualmente, reunimos os aspectos mais elencados por eles e a frequência com que apareceram:

TABELA 05- Vantagens do trabalho atual em comparação com a SEEDF.

VANTAGENS FREQUÊNCIA

Melhores condições de trabalho 3

Equipe com maior profissionalismo e comprometimento 2

Maior valorização 2

Trabalho coletivo 2

Afinidade com a nova profissão/função 2

Mais tempo para se dedicar à vida pessoal e à família 2

Não precisar levar trabalho para casa 2

Maior tranquilidade no emprego 1

Plano de carreira 1

Novas possibilidades de atuação profissional 1

Aposentadoria 1

Salário 1

Status 1

Não precisar se preocupar com “alunos-problema” 1

Trabalhar perto de casa 1

Incentivo à formação continuada 1

Maior autonomia 1

Fonte: Elaboração própria com base nas respostas contidas nos questionários.

TABELA 06- Desvantagens do trabalho atual em comparação com a SEEDF.

DESVANTAGENS FREQUÊNCIA

Aposentadoria 2

Trabalho burocrático/administrativo 2

Carga horária 1

Excesso de trabalho 1

Distância de alguma área da educação 1

Trabalho estressante 1

Estabilidade 1

Trabalhar longe de casa 1

Pouca expressividade do sindicato 1

Fonte: Elaboração própria com base nas respostas contidas nos questionários.

Apesar dos casos particulares nota-se um destaque em vantagens para as condições de trabalho, ambiente mais colaborativo e profissional, maior tranquilidade, possibilidade de maior de dedicação à vida pessoal e à família, valorização e respeito e não precisar levar trabalho para casa. Relevante notar que o salário não se mostrou como aspecto tão vantajoso, o que pode se relaciona com os achados de Cassettari et al (2014) e Lemos (2009), que identificam que apesar dos professores se queixarem das baixas remunerações, as condições de trabalho são mais determinantes na escolha por outra profissão. Quanto às desvantagens, destacam-se a possibilidade de reduzir o tempo para a aposentadoria na SEEDF, que foi perdida na troca de carreira e execução de trabalho burocrático e administrativo.

Os professores também foram perguntados se, no caso de não exercerem mais a docência, gostariam de retornar a ela. Das 11 respostas recebidas na questão, oito professores afirmaram ter esse desejo, e três responderam não querer. Portanto, a parcela dos que pensam em voltar é significativa. Justificam esse desejo por discursos como: acreditar na educação, poder ver o progresso dos alunos, gostar de dar aulas e sentir falta do trabalho realizado em sala de aula. Porém, três desses sujeitos afirmaram não desejar mais voltar à SEEDF, ou atuar na educação básica, com preferência pela atuação na educação superior. Desses, um sujeito já atua nesse nível. As falas dos que afirmaram não desejar voltar a exercer a profissão estão centradas na falta de crença de que as condições de trabalho melhoraram e no cansaço que poderia gerar somando-se às atividades realizadas atualmente. Essas conclusões são compatíveis com as contribuições de Lemos (2009) e Lapo e Bueno (2000, 2002, 2003), sobre

os motivos que levam os professores a não desejarem retornar à docência, ou a opção por ser professor atuando em outros níveis, sobretudo a educação superior.

Perguntamos também se eles estavam satisfeitos com a decisão de deixar a SEEDF.

O gráfico a seguir mostra os resultados:

Gráfico 10- Satisfação com a decisão de exoneração.

Fonte: Elaboração própria com base nas respostas contidas nos questionários.

Além disso, foram questionados sobre o motivo da resposta. As razões alegadas são, em sua maioria, as mesmas da pergunta anterior, relativas as vantagens e desvantagens. É relevante notar que, nesta amostra, a plena satisfação demonstrada pela opção “muito”, e a satisfação parcial demonstrada pela opção “mais ou menos” caminham quase juntas, tornando muito próximo os dois níveis. Quanto aos que estão satisfeitos com a escolha, 53%

(40%+13%) mostraram-se satisfeitos. Esse dado está em conformidade com as afirmações de Lemos (2009), ao constatar que a maioria dos professores de sua pesquisa estão satisfeitos com a decisão de exoneração.

É ainda relevante notar que apenas 1 sujeito ter afirmado não estar satisfeito com a decisão de se exonerar (corresponde a 7% do todo), este justificou sua resposta pela perda da estabilidade. Destaco uma das falas, que mostra um pouco da realidade da educação brasileira, que provoca a instabilidade dos profissionais e perpetua a evasão docente, por isso mostra-se preocupante:

Não foi uma decisão fácil sair da SEDF, principalmente porque deixei de ser professora do GDF para ser professora Federal. No fim das contas cheguei à conclusão de que ser professora no Brasil é muito ruim, não tem

40%

13%

40%

7%

VOCÊ ESTÁ SATISFEITO COM A SUA DECISÃO DE DEIXAR A

SEEDF?

Muito Sim Mais ou menos Não

pra onde correr. Atualmente eu estou pensando em deixar a docência, tentar algum trabalho administrativo. (Sujeito 2)

Os dados analisados nesse eixo nos permitem constatar que a Secretaria necessita de ações de melhoria da realidade do trabalho dos seus professores, pois outras carreiras e áreas tem demonstrado maior capacidade de corresponder às necessidades e anseios dos seus profissionais, como percebido nessa amostra, com parte significativa satisfeita com a decisão de exoneração (53%) e pouca quantidade com baixo nível de satisfação (13%).