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Atividade laboratorial – “O Epitélio Bucal”

Capítulo IV – Apresentação e análise de dados

4.1. Descrição da intervenção pedagógica

4.1.1. Atividades da intervenção pedagógica

4.1.1.2. Atividade laboratorial – “O Epitélio Bucal”

Contrariamente aos conhecimentos sobre a célula vegetal, no QI, uma boa parte dos alunos referiu uma relação entre a célula animal e o corpo humano declarando-a como parte da constituição do ser humano ou que “estava dentro de nós”.

O entusiasmo em saber que iriam manusear novamente o MOC manteve-se, contudo não conseguiram esconder a expressão de descontentamento aquando da entrega do protocolo, não estando, portanto, tão recetíveis ao seu preenchimento. Um dos alunos ainda questionou se era tão extenso como o da Elódea densa. A expressão mudou de imediato ao informar que, na verdade, distinguia-se do primeiro pelo facto de não incluir uma das etapas, como se constatará ulteriormente.

Entregue o protocolo (anexo 6), o professor-investigador apresentou à turma a personagem de uma cientista que tinha realizado uma inesperada descoberta e, diante disso, pretendia que a turma partilhasse da mesma experiência. Por conseguinte, leu-se o balão introdutório. Esta introdução variava em relação à primeira atividade laboratorial na medida em que não fornecia nenhuma pista sobre a observação. As questões orientadoras pretendiam saber o que os participantes sabiam sobre o aspeto das células e se elas também constituíam o ser humano como nas plantas: “Achas que as células são todas iguais? Porquê?”, “Nós, o ser humano, somos constituídos por células?”.

Tal como era esperado, tendo em conta os conteúdos abordados nas aulas anteriores, as respostas a estas questões demonstraram-se bastante satisfatórias, pois todos os grupos responderam de forma acertada e utilizaram termos cientificamente corretos. Apenas um deles não apresentou justificação na segunda questão (figura 8).

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Figura 8. Exemplos de registos de cada grupo.

Após completarem a primeira etapa, pediu-se que não prosseguissem para a próxima página do protocolo de modo a não desvendar o material vivo a ser observado, as células do epitélio bucal, desencadeando-se a discussão a seguir apresentada.

P: Então, o que acham que vamos observar? A1: Células.

A2: As células do ser humano?

P: Sim, vamos observar células do ser humano. Alguém me sabe dizer como iremos fazer com que isso aconteça?

A1: Oh professor, vamos ter de cortar a nossa pele? (risos)

P: Não, ninguém vai ter de cortar pele coisa nenhuma. Vamos usar células do nosso corpo sem que nos magoemos.

A3: Não, eu sei. Vamos ver os nossos cabelos!

P: Também não. Vamos usar células da mucosa bucal. Isto diz-vos alguma coisa? A4: Da nossa boca?

A5: Professor, não estou a ver como é que vamos fazer isso. P: Sim, muito bem, da nossa boca. Já veremos como fazer.

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A4: Das bocas de nós todos, professor? P: Não, só alguns é que o farão.

(Ouviu-se logo comentários do género: “Ai, eu não. Tira-se da tua!”)

P: Vá, deixem-me explicar. As células da mucosa bucal formam um tecido que reveste a parte interna nossa boca e são células frágeis, ou seja, podemos retirá-las sem nos magoarmos.

A6: E como vamos tirá-las?

P: Já vamos ver. Mas antes disso, vamos então trabalhar com células vegetais? Alunos: Não.

A4: Animais, nós somos animais. P: Ora.

Procedeu-se, então, à leitura dos materiais e procedimentos necessários à observação, explicando-se em especial a presença do corante (azul-de-metileno) para que fosse possível, deste modo, realçar os constituintes da célula animal. A fase de observação era constituída por duas etapas com diferentes ampliações, de 100x e 400x. Os resultados, quer em termos dos desenhos quer dos registos escritos, provaram- se bastante positivos, pois todos os grupos identificaram os constituintes da célula animal (figura 9). Apenas um dos grupos não apontou a existência do citoplasma, o que terá tido origem no corante dado que as suas respostas escritas denunciavam-no com expressões como “manchas azuis”.

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Quanto ao uso da palavra como recurso à descrição do observado e do seu pensamento, os alunos em geral manifestaram uma melhora significativa indo ao encontro das expectativas do professor investigador:

Eu penso que vi um núcleo e montes de células onduladas que não são perfeitas; (…) que vi núcleos e citoplasmas azuis e também membrana célular;

(…) que vi várias células com nucleo, citoplasma e membrana;

(…) que vi células com manchas azuis vi o núcleo e a me[m]brana celular; (…) que vi muitas células com núcleo e com membrana celular.

Seguidamente fizeram novo registo utilizando a objetiva de 40x, cuja qualidade concorda com uma aprendizagem efetiva dos constituintes da célula (figura 10).

Figura 10.Exemplos de registo da observação com a objetiva de 40x.

A generalidade das respostas revelaram-se satisfatórias: Eu penso que vi o mesmo que [h]à bocado;

(…) vi na mesma o núcleo, o citoplasma e a membrana mas mais de perto; (…) vi as mesmas células e os mesmos constituintes.

No entanto, houve também respostas mais completas e descritivas, por exemplo:

Eu penso que o que vi é que em cada célula tem um núcleo um citoplasma e uma membrana à volta e que algumas células estão em cima umas das outras;

(…) que vi células desfeitas e duas inteiras deformadas com núcleos, membranas celulares e citoplasmas;

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(…) que vi duas células perfeitas com o núcleo no centro. Vi o citoplasma em azul e a membrana celular também;

(…) que existem células com os mesmos constituintes não têm forma definida. Terminada esta última fase da observação, as respostas às questões iniciais foram construídas em grande grupo, tendo o desenho sido remetido para trabalho de casa (figura 11).

Figura 11. Exemplo de registo relativo à parte final do protocolo da célula animal.

Tal como na atividade laboratorial relativa à célula vegetal, a aula seguinte desenrolou-se em torno da construção do esquema concetual, relembrando a função de cada constituinte (figura 12).

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Figura 12:Esquema concetual dos conceitos aprendidos sobre a célula.

Porque o número de aulas era escasso, optou-se por se abordar os seres unicelulares por intermédio de um vídeo que mostrava microrganismos presentes numa infusão. Foram trazidos para a aula alguns frascos previamente preparados como exemplo, explicando-se todo o procedimento. A reação dos alunos foi completamente diferente pois não esperavam que os microrganismos se movimentassem daquela forma vertiginosa (Aiii! Porque é que se estão a mexer? Estas células mexem-se?; Isto é mesmo verdade? Oh, não é possível!). Após a visualização do vídeo, foi desenvolvido um diálogo com a turma de que a seguir se apresenta excerto.

A1: Como é que isso acontece?

A2: São as células das ervas que aí pôs?

P: Não são as suas células, mas é devido às ervas que isto é possível. A1: Mas como?

P: Recordam-se daquele senhor de nome esquisito, o Leeuwenhoek, que vimos na primeira aula com a ajuda do friso cronológico?

A2: Tinham todos nomes esquisitos, professor.

P: O que construiu mais de 400 microscópios. O que tinha ele descoberto num pouco de água parada e suja?

A2: Descobriu as bactérias. (A maioria não se recordava)

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A3: São bactérias então, professor?

P: E não só, chamam-se microrganismos. Já vamos ver mais exemplos no manual. Os microrganismos surgem porque os seres vivos presentes na infusão, que são as ervas e outras plantas que pus, modificam o meio ambiente de tal maneira que permite o desenvolvimento de vida de outros seres vivos.

Recorrendo ao manual, a turma identificou um leque variadíssimo de microrganismos, como o Paramecium, Opalina, Pinnularia ou Colpidium, que se assemelhavam aos que observaram no vídeo. Posteriormente, estabeleceu-se um diálogo sobre a presença de microrganismos no nosso dia a dia, como na fruta que apodrece em casa, no queijo, na polpa de tomate, numa toalha de banho usada diversas vezes sem lavar, entre outros. Finalizou-se, determinando as diferenças entre seres unicelulares e seres pluricelulares.