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CAPITULO 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS

3.1. APRESENTAÇÃO DAS ATIVIDADES

3.1.2. ATIVIDADES DA EDUCADORA P2

3.1.2.2. Atividade 2: O que acontece nas balanças?

Módulo temático: Forças e Movimento

Esta atividade iniciou-se com a exploração do material que estava na mesa, isto é as balanças. É nesta momento contextualizado que surgem as primeiras ideias, trazendo conhecimento das crianças de contextos e situações vivenciadas no seu quotidiano, surgindo a função do objeto balança, assim como a finalidade da própria atividade a ser proposta.

A balança: É para pôr em cima comida para ver quanto é que pesa… para saber qual é o mais pesado…é para sabermos as coisas que são pesadas, para nós sabermos o que é pesado e o que é leve.

É nesta conversa inicial partilhada que surgem os primeiros conceitos, leve e pesado, do conhecimento e iniciativa das crianças, num verdadeiro clima de diálogo e partilha. Este momento é caracterizado por um vocabulário rico com base em vivências pessoais de cada um, o que permite a atribuição de sentido da própria atividade. Esta situação dá oportunidade para explorar as ideias prévias do grupo acerca de conteúdos. O ambiente criado desafia as crianças a envolver-se no próprio desenvolvimento da atividade.

Contextos de utilização da balança: casa de banho, cozinha, Modelo (várias secções) e veterinário.

O que se pode pesar: o nosso corpo, alimentos e fruta, farinha, açúcar, fermento (ingredientes), frutos secos, peixe, carne, queijo, animais e outros.

Tipos de balanças: para pôr lá os pés, com dois cestos, é tipo um computador, depois põe-se lá as coisas e depois tem lá o peso que nós pomos, e depois carrega nos botões e dá números e depois um autocolante e nós trazemos, balança grande para pesarem a cadelinha

É neste envolvimento do grupo e neste fazer sentido para o mesmo, que se dá o ponto inicial na ação educativa que os levará a novas formas de pensar e consequentemente a novas aprendizagens e (re)construção de outras (Sá, 2000). Surge da educadora uma questão que será mobilizadora de um novo percurso da atividade, assumindo como a primeira situação-problema:

P2- Vamos imaginar que vamos pôr um objeto aqui dentro e a balança faz assim, quer dizer o quê? (exemplifica na balança com um braço e cesto em baixo e outro em cima)

M- “Está a pesar e está pesado, porque está a descer” P2- E se não colocar nada?

L- “Fica quietinha. Não pesa nada”

Estas duas questões assumem-se como motor de um novo rumo nas respostas das crianças e adequação de outras. Surgem na conversa novos conhecimentos e experiências pessoais de cada um. Foram mostradas duas bolas, uma de golf e outra de ping-pong e o grupo regista as suas ideias prévias, esclarecendo a sua opinião, saberes e até dúvidas, que conduzirão à experimentação, observação e reflexão com outros.

As crianças vão conversando sobre as características das bolas e desenhando.

As crianças desenham e vão conversando, dando dicas as colegas do lado: pesa mais o golf, a balança fica para baixo.

Nota de campo 14 Fevereiro 2012

Neste momento as crianças para além de registarem a sua opinião pessoal conseguem integrar conhecimentos obtidos nas conversa e partilhas anteriores, já devidamente pensadas individualmente e comunicadas através do desenho.

O momento da experimentação permite a discussão de novas ideias, de manipular os materiais e de evidenciarem emoções experimentadas por cada um. As observações do que acontece quando refletido à luz do que inicialmente pensavam tornam-se momentos que assumem um carater individual, mas também social, como nos mostra a nota de campo seguinte:

As crianças batem palmas e gritam ehhhhh. Maçã, ehhhhh, e algumas levantam-se da cadeira, vão até à balança e manipulam, experimentam

A educadora introduz um novo desafio ao grupo:

P2- Já todos terminaram, agora vamos testar com a outra balança. E agora vamos ver o que é diferente. É uma balança que se chama digital. No modelo para pesar o peixe, a carne, o queijo, os legumes são digitais. Digitais porquê?

M-“aparecem números”

P2- Aparecem números. Vai-se colocar uma bola e vai aparecer uns números que vão ser as gramas. Então nós vamos saber quantos gramas é que tem cada bola.

As crianças colocam a bola de golf e olham para os números e dizem éh pá. A educadora pede para elas dizerem os números e vai registando no placard.

P2- pesa 46 gramas

As crianças registam na sua folha copiando do placard e olham em simultâneo para a balança. A balança vai passando pela mesa para todos poderem constatar, é pousada em três locais da mesa. Pegando na bola de ping-pong a educadora diz:

P2- Acham que vai pesar mais os menos? L- “Vai ser menor”

As crianças colocam a bola na balança e constatam que está zero e fazem alguns comentários: Não dá; está no 0; é muito leve, não dá para ver; não pesa nada (todas as crianças querem falar ao mesmo tempo). Vão registando no seu desenho.

As crianças colocam a bola na balança e constatam que está zero e fazem alguns comentários: Não dá; está no 0; é muito leve, não dá para ver; não pesa nada (todas as crianças querem falar ao mesmo tempo). Vão registando no seu desenho.

O grupo torna-se cada vez mais confiante nos seus saberes que vão sendo revelados e valorizados pela educadora, mas também pelos colegas.

As aprendizagens das crianças no decorrer da experimentação vão sendo divulgadas de diversas formas, mostrando a construção de significados das experiências cada vez mais fundamentados e complexos. Os desenhos a par dos diálogos evidenciam esses significados e conhecimentos no âmbito das ciências.

M- “Porque a maçã é maior e mais pesada e tem coisa lá dentro para nós comermos. Vai ficar em cima e outro em baixo”.

As figuras seguintes mostram o paralelo entre o pensar e o observável, ambos mediadores do conhecimento em construção.

Figura 8 – Ficha de registo de duas crianças: previsão e observação

A observação permite ir refinando a representação, integrando novos elementos, como é o caso do desenho correspondente ao pendente da balança, em que as crianças representam a inclinação correspondente ao peso do objeto (conforme o assinalado). Estes saberes que no decorrer da atividade se vão consolidando permitem a inclusão de experiências anteriores, bem como aprendizagens muito recentes, que agora começam a ser mobilizados num âmbito mais alargado. As crianças mostram-se incentivadas a questionar, contribuindo com explicações e até analisar tendo em conta outros aspetos por si sugerido.

P2- E na digital?

M- vai aparecer uns números que quer dizer que é pesado a maçã. P2- Qual será o número para a maçã e o número para as bolas? L- a maçã vai ser mais do que 0 e as bolas é 0.

M – é mesmo verdadeira? P2- é mesmo verdadeira

L- Olha podia ser de brincar. Se fosse de brincar não era pesada, porque não tem nada lá dentro, porque é de plástico. (sugere que se vá buscar a de plástico para ver, apontando para a cesta da fruta de plástico da área da casa).

A balança vai passando pelo grupo, as crianças vão experimentando e conversando. O mesmo procedimento aconteceu para as bolas. As crianças ao colocarem na balança olham para o ecrã digital, à medida que os números vão passando riem-se.

Nota de campo 14 Fevereiro 2012

Todo este processo e a motivação demostrada pelo grupo leva ao encadeamento de uma nova situação-problema que desafia a um rumo mais complexo das aprendizagens, um novo impulso no processo de aprendizagem.

P2- Agora vamos ver como conseguimos colocar a balança direita. Como é que acham que conseguimos?

L- Pomos mais bolas ali e tiramos a maçã P2- Mas não podemos tirar nada

L- Ah, (levanta-se da cadeira) temos que meter mais bolinhas

P2- Temos que meter mais bolinhas para a nossa balança ficar direitinha. Porquê? Porque metemos mais bolinhas?

L- Para ficar pesado

M- e cada uma pesa, fica com mais peso com mais bolinhas.

O grupo parece concordar com a ideia lançada, acenando com a cabeça a confirmar e dizendo que sim

P2- Podemos experimentar. Quantas estão lá dentro? Grupo- Duas

A educadora vai colocando mais bolas e as crianças vão contando em voz alta todos ao mesmo tempo

Grupo- 3, 4, 5, 6, 7…22 (o braço da balança e o cesto da maçã começa a subir) L- Já está a dar peso

Grupo- 23, 24, 25, 26 (nestes a educadora colocou muito pausadamente à espera de reações do grupo)

M- Já está direito

Grupo- Ficou direita

P2- E isso quer dizer o quê? M- Os dois têm o mesmo tamanho P2- Os dois têm o mesmo tamanho Grupo- não

M- os dois têm o mesmo peso

P2- E na outra balança o que vai acontecer? M- vai ter o mesmo peso, é que pesa o mesmo L- Fica igualzinho

M- Pois as bolas ficam iguais ao peso

Experimentaram na balança digital: Grupo- Eh pá, isso é muito. É igual, é mesmo

Neste tempo de pensar individual e coletivo confrontado com as evidências do observado levam o grupo a ter mais um momento de registo. Cada criança, por sua iniciativa, utiliza as balanças para experimentarem os objetos, conversarem, trocarem pontos de vista.

No momento final a sistematização dos conhecimentos surge numa negociação do grupo e educadora, com as balanças a serem colocadas na área da casa, como tinham sugerido, para poderem pesar os objetos e alimentos, para eles poderem fazer as suas experiências, enquanto brincam, numa amplitude do lúdico e do jogo, mas com aprendizagem.