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4 DESENVOLVIMENTO E ANÁLISE DA PROPOSTA

4.3 ATIVIDADES REALIZADAS PARA EXECUÇÃO DO PROJETO

4.3.3 Atividade 3: Palestra com a Nutricionista

OBJETIVOS

- Participar da palestra, realizando questionamentos sobre o tema Alimentação; - Elaborar dois cardápios a partir das informações obtidas na palestra;

- Confeccionar uma maquete de cada cardápio sugerido pela nutricionista; - Pesquisar o valor nutricional dos alimentos modelados.

CONTEÚDOS - Obesidade; - Desnutrição; - Hábitos alimentares; - Grupos alimentares; - Organização de cardápio; - Interpretação de imagem.

Uma das etapas da execução do projeto está relacionada com a busca de fontes de informações, que complementem e ampliem o conhecimento sobre o tema. Dentre as ações definidas, está a inserção de uma palestra proferida por uma nutricionista especializada na área de estudo, uma vez que o professor não apresenta conhecimento suficiente para responder às questões fomentadas.

Assim, os alunos assistiram à palestra no laboratório de informática da escola, conforme mostra a figura 13.

Figura 13 - Palestra com a nutricionista Fonte: Arquivos da Autora

No primeiro momento, a nutricionista apresentou as consequências de maus hábitos alimentares para a saúde da criança, tais como a desnutrição e a obesidade.

Durante a palestra observou-se que os alunos envolveram-se com muita empolgação, de modo que, à medida que a nutricionista abordava o tema, eles intervinham, contando situações ocorridas na família e, em alguns momentos, até questionando as informações, visto que,

[...] formar para a vida significa mais do que reproduzir dados, denominar classificações ou identificar símbolos. Significa: saber se informar, comunicar-se, argumentar, compreender e agir; enfrentar problemas de diferentes naturezas; participar socialmente, de forma prática e solidária; ser capaz de elaborar críticas ou propostas; e, especialmente, adquirir uma atitude de permanente aprendizado (BRASIL, 1998, p.9).

Assim, verificou-se que as informações passaram a ter outro sentido para os alunos, sendo que essa fase do projeto mostrou-se, por sua vez, um verdadeiro instrumento educativo, na perspectiva do aprender a aprender.

No segundo momento da palestra, conforme a figura 14, a nutricionista sugeriu a elaboração de dois modelos de cardápios focados nos grupos alimentares e nas vitaminas contidas nos alimentos, bem como a quantidade necessária em cada refeição.

Figura 14 - Nutricionista explicando a proporção dos grupos de alimentos Fonte: Arquivos da Autora

Conforme expresso na fala dos alunos, tais como: “Nossa! Meu prato tem mais arroz e feijão! Preciso então, comer mais salada! ” (ALUNO B). “Meu prato é bem colorido, mas não gosto de carne! ” (ALUNO G). Percebe-se o desconhecimento de informações sobre a proporção adequada de alimentos que compõe uma refeição. Diante dessas dúvidas, a nutricionista salientou a importância dessa distribuição para o desenvolvimento da criança. Esse momento foi fundamental para que os alunos compreendessem a importância de manter hábitos alimentares saudáveis.

Após concluída a palestra, a professora relembrou que uma das finalidades dessa atividade era saber como organizar os alimentos para termos cardápio nutritivo. Dessa forma, a partir da sugestão dos dois cardápios apresentados pela nutricionista, solicitou-se aos discentes que escolhem um deles, para confeccioná-lo como maquete, utilizando massa de modelar, como mostra a figura 15.

Figura 15 - Alunas confeccionando a maquete Fonte: Arquivos da Autora

Observou-se que os discentes se preocuparam em organizar, nos pratos, a quantidade de alimentos moldados, conforme a orientação da nutricionista. Essa atitude fez com que a professora questionasse sobre o porquê daquela distribuição e, prontamente, uma das alunas respondeu: “Olhe, professora, a metade (indicou com a mão por cima do prato, fazendo referência à quantidade, ou seja, a metade), deve ser de verduras e as outras de mistura e carne12” (ALUNA M). A resposta da

aluna converge para a afirmação de Martins (2001) sobre a verdadeira aprendizagem, a qual ocorre pela assimilação significativa de conhecimento teórico, originando-se da prática e retomando a ela, para ser aplicada na vida.

Assim, verifica-se que a contextualização e a interdisciplinaridade dinamizam o trabalho pedagógico, tornando o ensino de matemática interessante e motivador, ou seja, despertando no aluno a vontade em aprender. Com isso, ao caracterizar o ambiente escolar como um organismo vivo, o qual estabelece conexão entre o universo da matemática e de ciências com a realidade, permite-se ao aluno deficiente intelectual deixar de ser apenas um ouvinte, copista e repetidor de conteúdo.

Logo, quando a ação pedagógica favorece a participação dos alunos em seu processo de ensino e aprendizagem, a deficiência deixa de ser um obstáculo. Pode- se observar esse aspecto no diálogo entre os alunos: “Mas quais vitaminas tem o nosso prato? ” (ALUNO R). O colega respondeu, “Deve ter todas” (ALUNO E).

Diante da dúvida, a professora sugeriu realizar uma pesquisa sobre o valor nutricional dos alimentos dispostos nos pratos, utilizando o seu computador. Percebeu-se que os alunos ficaram muito curiosos e interessados, conforme mostra a figura 16, pois nunca haviam utilizado um computador para pesquisa em sala de aula,

Figura 16 - Alunos pesquisando o valor nutricional Fonte: Arquivos da Autora

Para Nogueira (2008), os alunos que trabalham com projetos não precisam receber as informações já estruturadas pelo professor. Entretanto, devem buscar as informações por outros instrumentos, ou seja, por meio de recursos tecnológicos.

Assim, os alunos ao realizarem a pesquisa dos valores nutricionais dos alimentos, tiveram oportunidade de verificar como o conhecimento matemático é amplo e está inserido em outras áreas do conhecimento. Dessa maneira, Morin (2003) explana que na busca por respostas para a questão investigada, o aluno, com certeza, irá transitar por várias áreas do conhecimento, as quais possam fornecer subsídios para entendimento daquele fragmento de realidade.

Nesse contexto, o professor torna-se um orientador, de modo a auxiliar os alunos a acessar novas fontes e escolher as informações mais apropriadas. Portanto, na atividade de pesquisa realizada, percebeu-se que seria mais interessante estudar as vitaminas de cada alimento. Desse modo, utilizaram-se as informações pesquisadas para identificar as vitaminas contidas em cada alimento modelado anteriormente, por meio de plaquinhas.

Portanto, pode-se ressaltar que um projeto interdisciplinar é considerado um sistema sem fronteiras, pois torna possível que a matemática se relacione com outras disciplinas. Por isso, é fundamental que as escolas propiciem atividades aos alunos, nas quais eles possam perceber essa globalidade.