A atividade policial visa o policiamento preventivo e ostensivo. O primeiro refere-se a prevenir o crime ou a infração dos cidadãos, de forma a garantir segurança à população. O segundo, já atua nos crimes e infrações de modo a punir aquele que provocou a desordem pública, mantendo a ordem e segurança da população.
Diante disso, verifica-se que os policiais estão a todo momento expostos a atividades de riscos e perigosas, já que lidam diariamente com criminosos em prol da segurança da população. Como visto na classificação das atividades perigosas é possível encaixar como tal a atividade policial.
O artigo 193 da CLT/1943 determina que o profissional que arrisca a vida deve receber um adicional de periculosidade. Com base no argumento do advogado, bem como com base no dispositivo legal da CLT, sabe-se que toda atividade em que o profissional arrisca a sua visa, cabe adicional de periculosidade.
A todo momento o policial arrisca sua vida no exercício de sua função, não podendo portanto, ser desconsiderado o adicional a essa classe da segurança pública. Ademais, cabe ao policial a conduta de sempre primar pela segurança e bem estar do cidadão, sendo omisso e até considerado culpado, quando não atuar com esses fins. Outro motivo significante ao reconhecimento do adicional de periculosidade, já que trata sem dúvida de atividade perigosa.
6 O NÃO PAGAMENTO DE ADICIONAL DE PERICULOSIDADE AOS POLICIAIS E O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA
Inicia-se esse questionamento, bem como o caminho de provar o direito ao adicional, apresentando o artigo 193 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT:
Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a:
I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica;
II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial.
§ 1º - O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. (BRASIL, 1943).
Como visto, o artigo descreve, conforme a regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as operações perigosas como aquelas que impliquem risco acentuado ao trabalhador, abarcando expressamente o roubo e outras espécies de violência física em atividades de segurança pessoal ou patrimonial. Com respaldo especialmente no inciso II, supracitado, é claro e evidente a caracterização da atividade perigosa realizada pelos policiais, havendo a necessidade de se questionar a Constituição Federal para promover a consagração do adicional de periculosidade como direito dos agentes de segurança pública.
Sérgio Pinto Martins define o adicional de periculosidade como “o acréscimo devido ao trabalhador que presta serviços em condições perigosas, na forma da lei”. (MARTINS, 2013, p. 179). Diante da legislação apresentada, dos argumentos e do conceito sobre o adicional de periculosidade, constata-se que os servidores de segurança pública também têm direito a ele, visto exercerem uma função de altíssimo risco de morte.
Outro ponto que merece ser discutido e comparado é a Lei Estadual de Minas Gerais n. 19.480/2011, que dispõe sobre a recomposição e o reajustamento dos símbolos, dos padrões de vencimento e dos proventos dos servidores do Poder Judiciário e dá outras providências. Com base na lei citada, os oficiais de justiça passaram a ter direito ao adicional de periculosidade, haja vista o trabalho prestado de caráter perigoso:
Art. 2º - O art. 13 da Lei nº 10.856, de 1992, passa a vigorar com a seguinte Oficial de Justiça e de Comissário da Infância e da Juventude (...)”. (MINAS GERAIS, 2011).
Pesquisando a Lei Estadual n. 19.480/2011, verifica-se que os policiais militares e corpo de bombeiros militares não provem do adicional de periculosidade, concluindo que referidas profissões não seriam suficientemente perigosas. Na contramão, observa-se que o oficial de justiça possui direito ao adicional, com a justificativa de atividade de risco. Todavia, as atividades consideradas perigosas realizadas pelos oficiais são sempre acompanhadas do apoio da polícia.
Logo, nada mais prudente do que igualar como perigosas ambas as atividades, bem como o direito ao adicional. Por sua vez, mostra-se porquê uma profissão que está ligada diretamente com a criminalidade não possui o direito ao adicional correspondente, já que há n atividade executada o risco iminente de morte dos servidores de segurança pública, constatando o altíssimo perigo dessa classe, como, portanto, o risco da atividade laboral, devendo aprovar o direito ao adicional.
Os oficiais de justiça fazem jus ao adicional de periculosidade, pois exercem atividades de riscos constantes. O que é controverso é que o oficial de justiça para cumprir a maioria de suas atividades, conhecidas como mandados dependem do apoio policial, haja vista a eminência de perigo da operação. Se há perigo na operação e há a necessidade de acompanhamento policial, significa que ambas as profissões exercem atividades perigosas, devendo ser, nos termos do princípio da isonomia, agregado o adicional também aos policiais, devendo a Constituição Federal recepcionar esse direito, nos termos do princípio constitucional.
O princípio da isonomia é um princípio constitucional, disposto no caput do artigo 5º, considerando que todos são iguais perante a lei. Adda Pellegrini conceitua:
A igualdade perante a lei é premissa para a afirmação da igualdade perante o juiz: da norma inscrita no art 5º, caput, da Constituição, brota o princípio da igualdade processual. As partes e os procuradores devem merecer tratamento igualitário, para que tenham as mesmas
oportunidades de fazer valer em juízo as suas razões. (CINTRA;
GRINOVER; DINAMARCO, 2010, p. 53).
É por isso que se questiona e defende o adicional de periculosidade aos servidores da segurança pública, embora não reconhecido constitucionalmente, procurando dar força a PEC n. 58/2015 para institucionalizar constitucionalmente essa garantia, já abrangida pela CLT.
Quando um trabalhador exerce uma atividade que o expõe a uma constante condição de risco, ele tem o direito de receber, além do salário, um adicional de periculosidade. O referido adicional em segurança do trabalho, por sua vez, é a indenização para um risco imediato, oriundo de atividades ou operações, em que a natureza e seus métodos de trabalhos configuram um contato permanente com risco acentuado. Os serviços policiais em geral geram atividades que lhes acarretam risco iminente de morte como, por exemplo, patrulhamento ostensivo, transporte de presos, entre outros.
O assunto embora polêmico, é bem recente e defasado de defensores.
Não obstante, o Senado Federal propôs em 2015 uma emenda à Constituição Federal, visando alterar o §9º do artigo 144, para incluir o adicional de periculosidade aos policiais. Essa proposta está consolidada na PEC n. 58/2015 de iniciativa do Senador Cássio Cunha Lima aprovada em 30/03/2016 pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) (BRASIL, 2015). A Proposta concederá adicional de periculosidade para os servidores policiais, já tendo recebido parecer favorável do relator, seguindo, agora, para dois turnos de discussão e votação no pagamento desse adicional, policiais que enfrentam ameaça à própria vida em seu trabalho continuarão a receber a mesma remuneração que servidores da carreira em funções administrativas. (RODRIGUES, 2016).
Desta feita, visualiza-se que o adicional para a classe da segurança pública é também uma tentativa do Senado Federal, que está buscando introduzir no texto constitucional esse direito. Como já tratado anteriormente, o Projeto de Lei n.
5492/2016 também tem a mesma finalidade para incorporar o direito ao adicional de periculosidade às carreiras policiais do país.
O referido projeto de lei foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, garantindo segundo Daciolo (BRASIL, 2016) correção da lacuna da lei, devendo reconhecer que os agentes de segurança exercem de fato atividade de risco.
7 CONCLUSÃO
A presente monografia objetivou apresentar a divergência existente entre norma constitucional e norma infraconstitucional, devendo balizar qual melhor aplicação do direito. Genericamente, lei constitucional sempre deve prevalecer sobre todas as outras normas infraconstitucionais do ordenamento jurídico brasileiro.
Nessa linha, mesmo a CLT tratando do adicional de periculosidade às atividades de risco, estas não se aplicam as atividades policiais, mesmo sendo as atividades policiais perigosas.
Isso porque, a norma quando divergente da CRFB/88 não foi recepcionada em relação aos policiais. E assim é constatada a situação do adicional às classes policiais. Atualmente não há que se falar em direito de adicional de periculosidade para os agentes de segurança pública, uma vez que o artigo 144 da CRFB/88 veda expressamente essa possibilidade. Sendo assim, a CLT/1943 aplica o adicional a todas as demais atividades perigosas do direito do trabalho, excetuando apenas os agentes de segurança pública.
Não obstante, o direito é dinâmico e deve evoluir e modificar seus conceitos e preceitos de acordo com a necessidade da evolução da sociedade. Se na antiguidade não se verificava perigo nas atividades policiais, hoje o cenário é detentora do adicional de periculosidade. Acontece, que as atividades exercidas por policiais federais e estaduais, embora sejam reconhecidas como atividade de risco, não fazem jus ao adicional de periculosidade, haja vista disposição constitucional contrária.
A Constituição Federal de 1988 impede o recebimento de qualquer adicional às carreiras policiais, ignorando a essência da atividade realizada. Desta feita, a CLT (BRASIL, 1943) fica impedida de imputar aos policiais o artigo 193, que dispõe sobre o adicional de 30% do valor do salário quando a atividade exercida for de cunho perigoso.
A Proposta de Emenda Constitucional n. 58 de 2015, objetiva garantir constitucionalmente esse direito e se fundamenta no princípio constitucional da isonomia, haja vista tratar a atividade policial de atividade perigosa, como visto no decorrer do trabalho.
Dadas as circunstâncias, e com base no princípio constitucional da isonomia, criou-se a PEC n. 58 de 2015, cujo objetivo é incluir os policiais no rol do direito ao adicional. Percebe-se que não se trata de alterar a atividade, pois a atividade exercida já é considerada perigosa, todavia, precisa-se alterar é a redação constitucional que proíbe o policial a esse adicional.
Por fim, registra-se que o direito ao adicional dos policiais, mesmo que este ainda não seja reconhecido pela legislação suprema, é absolutamente lógico, devido a natureza exercida por tais profissionais.
REFERÊNCIAS
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