CAPÍTULO 2 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
2.1. Caminhos para a produção dos dados
2.1.3. Atividade 2: Trabalho de campo com fotografia
A atividade 2 foi desenvolvida na aula subsequente à apresentação dos desenhos. Enfatizamos explanações acerca dos elementos mais recorrentes nos desenhos da atividade 1, a exemplo da seca, do cacto e da praia (o mar), pois, estudantes que não participaram da atividade com desenhos integraram-se ao trabalho de campo e às demais práticas educativas. No quadro 4, indico os objetivos e procedimentos.
Fonte: Trabalho de campo, Julho de 2015.
Quadro 4– Atividade 2 : Trabalho de campo com fotografia LINGUAGENS: fotografia, escrita, oral.
OBJETIVO PEDAGÓGICO: Analisar e discutir características da Região Nordeste na paisagem local.
OBJETIVOS LÚDICOS:
Ampliar as linguagens, fazendo com que os estudantes busquem alternativas para expor seus pensamentos por meio da fotografia (ANTUNES, 2003)
Estimular a libertação de estereótipos acerca da Região Nordeste (ANTUNES, 2003). Estimular aprendizagens significativas, levando os estudantes a pensar, agir e sentir
por meio da fotografia (LEAL e ÁVILA, 2015)
Estimular descobertas (PEREIRA, 2005), acerca do tema região Nordeste na paisagem local.
RECURSOS NECESSÁRIOS: câmeras fotográficas, lápis, caderno, quadro negro ORGANIZAÇÃO DOS ESTUDANTES: duplas e/ou trios
TEMPO ESTIMADO: 200’ (quatro aulas) PROCEDIMENTOS:
Abordagem da sub-região Sertão a partir dos elementos recorrentes nos desenhos da atividade 1.
Trabalho de campo no entorno da escola. O professor dividirá a turma em duplas e/ou trios e disponibilizará câmeras fotográficas para que fotografem paisagens.
AVALIAÇÃO: Participação voluntaria e motivação no desenvolvimento, levantamento de hipótese e questões sobre aspectos percebidos durante o trabalho de campo e registrado por meio da fotografia. O professor deverá avaliar os elementos e concepções que os estudantes levantaram a partir da atividade de campo e a relação que os mesmos fizeram com os desenhos da atividade 1.
Elaboração: MEDEIROS, C. A. G (2016).
Destaquei no quadro-negro, tópicos para discussão, relacionados às características gerais das sub-regiões do Nordeste, frisando o sertão. Para as anotações dos estudantes, estipulei o tempo de 10 minutos, salientando que se necessário, poderíamos retomar a discussão na aula seguinte. Enquanto anotavam os tópicos, elaborei uma lista de presença para ter um controle de quem estava na aula, pois o professor de geografia não estava conosco
neste dia. Passado o tempo de registro, iniciamos a discussão dos tópicos, partindo da diferenciação de escalas (Brasil > Nordeste > Bahia > Santo Estevão > Caatinguinha), ou seja, País, Região, Estado, Município, Bairro. Iniciamos por este ponto, pois tanto na confecção, quanto nas apresentações, reverberaram incertezas sobre essas escalas, os alunos não conseguiam diferenciar Estado de Região, por exemplo. Em seguida, tratamos da influência do clima na formação das diferentes paisagens, destacando a região Nordeste. Exploramos adiante a subdivisão geográfica oficial da Região Nordeste: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio Norte e seguimos com um debate sobre a sub-região Sertão, onde localiza-se o município de Santo Estevão. A discussão foi baseada em perguntas, visando instigar os estudantes a pensarem sobre o conteúdo a partir de seus conhecimentos prévios. Esta metodologia contribuiu para a participação da maioria dos estudantes presentes na aula, buscando a todo momento apresentar exemplos cotidianos e problematizar os elementos recorrentes nos desenhos. Rareou o tempo, a duração da aula era 50 minutos, razão pela qual continuamos a atividade na aula seguinte.
Nesta, contamos com a participação do professor de Geografia da turma. Mediei uma aula expositiva e dialogada com intervenções do professor e participações dos estudantes. Iniciamos com uma discussão sobre a influência do clima na formação de diferentes paisagens, retomando a aula anterior. Tratamos dos seguintes tópicos da sub-região Sertão: localização, clima, vegetação, relevo e economia. O professor contribuiu com questões sobre políticas publicas, indústria da seca e imigração (retirantes). Perspectivas midiáticas sobre o Nordeste e os nordestinos também emergiram nas falas.
Durante esta aula, o professor achou pertinente a utilização do mapa da região Nordeste. Fixou-o no quadro-negro e solicitou que eu indicasse aos alunos a localização da sub-região Sertão evidenciando os municípios de Santo Estevão (BA), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) para falarmos da produção de frutas em pleno Sertão Nordestino, evidenciando que os fatores climáticos não são determinantes para o cultivo de certas culturas. Alguns estudantes ficaram surpresos quando explicamos que é possível produzir uva ou maçã no sertão. A participação dos estudantes foi instigante, suas questões acaloraram o debate.
Tratamos também da vegetação (caatinga), de sua rica biodiversidade. Era perceptível, mirando a janela da sala de aula, que esta não permanece seca durante o ano inteiro. Desenhei um climograma com características do clima semiárido no quadro negro. Nesse momento, o professor solicitou que eu desenhasse o climograma do clima equatorial, propiciando comparações e uma discussão com os estudantes acerca das chuvas regulares e
mal distribuídas. Tal movimento, instigou os estudantes a retomarem tanto saberes cotidianos quanto conceitos trabalhados pelo professor em unidades anteriores. A participação do professor e dos estudantes foi intensa, diversos relatos com exemplos de suas vivências foram compartilhados. Alguns estudantes não participaram, demonstraram desânimo e timidez. Mas os que participavam sentiam-se desafiados em procurar respostas às perguntas lançadas por mim e pelo professor, como também para as dúvidas que surgiam. Ao final, realizamos um exercício sobre os tópicos discutidos durante a aula.
No dia da realização do trabalho de campo, a previsão do tempo atmosférico indicava possibilidade de chuva no período da tarde. Caso isto acontecesse, a saída de campo no entorno da escola seria inviabilizada. O tempo estava nublado quando cheguei na escola, mas optei por fazer a saída de campo mesmo assim, pois o roteiro planejado não incluía locais longínquos à escola, e, em caso de chuva, retornaríamos prontamente. Chegando na sala de aula, organizei as câmeras digitais sobre a mesa e notei a agitação e os questionamentos dos estudantes:
Estudante 1: Nossa, quantas câmeras! Estudante 2: São todas suas, professora? Estudante 3: Nós vamos usá-las?
Ressalto que na aula anterior, avisamos aos estudantes sobre o trabalho de campo e solicitamos que trouxessem boné e protetor solar. Por isso, alguns deles relacionaram as câmeras com o trabalho de campo:
Estudante 4: Nós vamos tirar foto no trabalho de campo, professora?
Dividimos a turma em duplas e/ou trios. O professor da disciplina sugeriu aos estudantes juntarem-se aos colegas de mais afinidade. Nosso roteiro incluiu áreas próximas ao entorno da escola, e, no decorrer do percurso, tanto eu quanto o professor problematizamos características da paisagem que suscitavam a atenção dos estudantes pelo caminho: o solo, o relevo, a vegetação, a paisagem que foi modificada ou elementos que os estudantes elencavam
como parte da economia. Pelo fato de alguns estudantes residirem próximo à área do roteiro de campo, ou já conhecerem o percurso, estavam motivados em continuar fotografando ou nos mostrando detalhes relacionados ao que estávamos estudando: o pé de mandacaru, o pasto que teve sua construção oriunda de devastação da vegetação natural, o pé de juá, o pé de jurema, o pé de umbu, a paisagem vista do alto da ladeira, o céu com nuvens indicando chuva (que serão apresentados no capítulo de apresentação e discussão dos dados).