5. RESULTADOS
5.3. Atividades antrópicas: efeitos e impactos no carste
As áreas cársticas estão cada vez mais expostas a inúmeras atividades humanas, por apresentarem valores associados não apenas à riqueza de água, mas também a atração turística, atividades mineradoras, agricultura, entre outras (KEPA, 2001).
As atividades humanas, sendo elas diretas ou indiretas, mesmo acontecendo em áreas não cársticas podem ocasionar consequências nas áreas cársticas, por meio de poluentes transportados de um sistema para outro (WILLIAMS, 1993; URICH, 2002).
A atividade turística se destaca bastante na área de estudo, por proporcionar meios para atrair recursos financeiros, provocando sérias consequências no carste. No entanto são encontradas outras atividades que geram efeitos e impactos no carste (Figura 37).
Figura 37 - Atividades antrópicas, seus efeitos e impactos no carste da área de estudo com base em Ford e
Williams, 2007 e Hardt, 2008.
Atividade s Humanas Efe itos Impactos no carste
Desmatamento Perda da biota, erosão, empobrecimento dos solos,
assoreamento nos rios evapotranspiração reduzida
Empobrecimento do solo e processos erosivos
Agricultura Aumento do fluxo de erosão e descarga de lixo na
água Degradação do solo e erosão
Pastagem Empobrecimento do solo e retirada da cobertura
vegetal
Degradação e empobrecimento dos solos
Pavimentação Aumento do escomapmento superficial e
compactação do solo
Dificuldade na infiltação de água no solo e aumento do escomanto superficial
Turismo e recreação Descarga de lixo na água além do uso Deterioração da qualidade da
água
Residências e estabelecimentos comerciais
Desmatamento, compactação do solo e modificação da estrutura do solo
Cobrimento do endocarste e epicarste resultando em colapso por influência da pressão exercida pelas construções
Lixo Poluição e contaminação Deterioração da qualidade da
água e aterros
Barramentos Inundação das margens do rio e assoreamento
Diminuição do volume de água do rio pelo aumento da evaporação e mudança na vazão dos sistema
Fogueiras Elimina a ação da biota do solo Empobrecimento do solo por
falta de fixação de nutrientes
Captação de água Redução do fluxo curso d'água
Reduzir o fluxo do rio, seca em determinados pontos do curso d'água e diminuição do volume de água
Pisoteio de gado Compactação so solo
Dificuldade na infiltação de água no solo, aumento do escomanto superficial e processos erosivos
Represamento de água Secas em determinados pontos do rio
Aumento da quantidade de água que exerce pressão, resultando em deslizamentos. Fonte: Elaborado pelo autor.
Através da realização dos trabalhos de campo, notou-se várias ações antrópicas na área de estudo. A atividade que mais se destaca é o desmatamento, responsável pela retirada da cobertura vegetal, e pela introdução de outras atividades como a agricultura, pecuária, construção de moradias entra outos. Além de todos os problemas gerados na biota, processos erosivos, arenização entre outros, há o empoblecimento do solo.
A agricultura e a pecuária, são atividades responsáveis pela retirada da cobertura vegetal e contribuem nos processos erosivos, embobrecimento e degradação dos solos, e aumento de lixo na água.
A pavimentação e construções residênciais e comerciais, contribuem no aumento de lixo, além da compactação do solo e escomento supercial, proporcionando processos erosivos. Tais atividades acarretam dificuldades na infiltração da água. O endocarste e epicarte são cobertos com coberturas pedológicas que são compactadas através construções que exercem peso e consequentemente pressão, gerando o colapsos no carste.
As atividades turísticas, além de proporcionarem o desmatamento e construções, geram várias outras consequências, como a produção de lixo e principalmente a deterioração da água. De acordo com Bigarella (2007) as áreas cársticas caracterizam-se por sua vulnerabilidade e fragilidade natural, e a partir do momento que a água é afetada, compromete todo o equilíbrio do carste, pois a principal característica de uma paisagem cárstica é a presença de drenagem.
Outras atividades como barramentos, captação e represamento de água foram observadas, e como consequência há a inundação em certas áreas e escassez em outras, levando o assoreamento de rios, redução do fluxo de água e secas em determinados pontos dos rios.
No carste, os efeitos dessas atividades acabam por influenciar na redução do volume de água por consequência da evaporação. Há áreas com seca em determinados pontos devido a redução do fluxo dos rios, e por fim pode ocorrer deslizamentos resultantes da pressão do aumento da quantidade de água, além da construção de represas em locais impróprios sem o mínimo de infraestrutura.
Atividades como pisoteio de gado e restos de fogueira, principalmente nas margens do rio Sobrado, também foram encontradas na área de estudo. Essas atividades eliminam toda a biota, empobrecem e compactam o solo, gerando no carste, seu empobrecimento por falta de fixação de nutrientes, dificuldade de infiltração da água e aumento do escoamento superficial.
Nota-se inúmeras atividades humanas que comprometem a paisagem cárstica da área de estudo, dessa forma, como sugestão, Kohler (1989) destaca a execução de planejamentos que sejam racionais a utilização de áreas cársticas, com foco em sua preservação, principalmente em áreas de recarga para se evitar toda e qualquer tipo de poluição do endocarste.
Durante os trabalhos de campo, observou que na área do Azuis estavam sendo realizados trabalhos referentes a sua preservação, onde os estabelecimentos comerciais foram intimados a regularizarem suas situações referentes as questões ambientais. Em suas proximidades foi proibida a entrada de veículos, e como forma de “amenizar” essa situação um novo estacionamento está sendo criado, porém para isso, desmatamentos, pavimentação e novas construções estavam sendo realizadas no local. O acesso ao rio Azuis foi delimitado por cercas e está sendo cobrado um valor.