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Manter o trabalho sobre dança e educação, somente teórico seria um desrespeito com a dança que esta em constante movimento e sempre ativa. Ainda mais com a pouca quantidade de livros e pesquisas feitas nesta área da consciência corporal trabalhada na dança e a sua relação com o processo de aprendizagem.

Os exercícios de dança no ambiente escolar, devem se preocupar muito além do trabalho técnico – não que a técnica não tenha a sua importância e não deva ser abordada de forma alguma na aula de dança na escola. A principal preocupação dessas atividades devem ser com relação ao desenvolvimento social, cultural, psicológico e físico da criança.

Trago algumas ideias de atividades - baseadas nos seguintes autores Dionísia Nanni (1995), Érica Verderi (2000) e Klaus Vianna (2008) - para auxiliar o dança-educador na escola, seguindo a proposta do trabalho com a consciência corporal. Essas atividades devem estar de acordo com a realidade de vida, as habilidades motoras e a faixa etária dos educandos.

O educador tem o dever de pesquisar e analisar as atividades que serão trabalhadas em sala, antes de leva-las a escola, se necessário fazendo a adaptação desejada. Este deverá respeitar o aluno e as suas capacidades, fazendo com que desenvolvam habilidades e superem os seus limites.

O gráfico abaixo trazido por Isabel A. Marques (2011), serve de auxilio para a elaboração e adaptação de atividades no contexto da dança.

 Estudando as partes do corpo – em três momentos.

1˚) Com o auxilio de uma musica curta que cite uma ou mais partes do corpo, peça para que as crianças dancem a musica mexendo apenas a parte do corpo escolhida/citada. Na segunda vez, mude a parte do corpo que deverá ser mexida. De acordo com a faixa etária e o desenvolvimento motor da criança, simplifique ou dificulte, escolhendo partes mais fáceis ou complicadas de movimentar.

2˚) Após este trabalho, peça para que elas apalpem no seu próprio corpo a parte que foi trabalhada, e contem como foi a experiência (se foi fácil ou difícil de mexer, o que sentiu, se teve que mexer outra parte também, o que achou da estética do movimento...).

3˚) Agora divida a turma em grupos e peça para cada grupo escolher os movimentos de três partes do corpo para montar uma pequena coreografia à ser apresentada aos outros grupos.

 Espelhando movimentos – em 4 momentos

1˚) Dividindo a turma em duplas, uma criança fica encarregada de dançar, enquanto a outra terá o papel de espelho da sua parceira. Depois de um tempo, os papeis deverão ser trocados, seguindo o mesmo princípio.

2˚) Terminado o primeiro momento, divida a turma em grupos de cinco crianças, onde a criança que estará executando os movimentos ficará no centro e as crianças espelho ficaram da seguinte forma, uma a frente, uma ao lado direito, outra ao lado esquerdo e a quarta atrás. Trocando os papeis depois de um determinado tempo.

3˚) Peça para que as crianças dancem na frente de um espelho.

4˚) Para finalizar, junte a turma e peça que comentem o que acharam do exercício lembrando de perguntar sobre o que sentiram das diferenças de perspectiva visitas.

 Imitação – em 3 momentos

1˚) No final da aula anterior a este trabalho, peça que as crianças observem um ou mais familiares deles à escolha do educador. Lembrando de observar principalmente as expressões corporais.

2˚) Peça para que a criança dance como este familiar dançaria.

3˚) Converse com as crianças sobre o que elas perceberam de diferente no corpo delas. Se não tiverem percebido, peça que elas dancem novamente prestando atenção no movimento e na postura do seu próprio corpo.

 Respondendo a sensação - em 1 momento

1˚) De olhos vendados, a criança deverá estar bem atenta. O educador citará uma parte do corpo onde a criança deverá tocar em si mesma. Criando então, um passo de dança com a parte do corpo escolhida. Em seguida repita escolhendo outra parte do corpo.

*A depender da relação com a turma e das restrições da escola, o trabalho pode ser feito com o educador tocando na parte do corpo em vez de falar.

 Tangram de corpos – em 3 momentos

1˚) Peça pra as crianças se dividirem em grupos e tenha desenhos de objetos no chão da sala, sendo um objeto para cada grupo. As crianças deverão compor este objeto encaixando o corpo no Tangram.

2˚) De forma simplificada peça para elas fazerem este mesmo objeto em pé, pedindo para que elas tentem demonstrar como este objeto dançaria, se pudesse dançar.

 Caminhando – em 4 momentos

1˚) Orienta às crianças a andarem pela sala de forma natural. Aos poucos vá introduzindo alguma musica à escolha do educador.

2˚) De tempo em tempo, mude o ritmo e peça para as crianças acompanharem a mudança no seu próprio caminhar.

3˚) Acrescente emoção ao caminhar, mudando essas emoções em alguns momentos.

4˚) Converse se eles perceberam, por conta das mudanças de ritmos e emoções, as diferenças do corpo durante essa caminhada.

Utilize a sua criatividade e os seus estudos para criar novas atividades. A repetição destas são importantes para o aprendizado in-corporado da criança. Porem, não podemos deixar as aulas cair na mesmice, fazendo com que as crianças percam o interesse na aula.

CONCLUSÃO

A partir da pesquisa aqui feita, podemos concluír que a arte tem o papel fundamental da expressão e impressão de sentimentos diversos. Diante da sua história na educação brasileira, percebemos que arte educação começou a ser discutida e respeitada há poucas décadas, após anos e anos de luta. Com a criação do PCN o professor teve mais liberdade em sala, mas sem esquecer dos assuntos à serem trabalhados e dos seus deveres como arte-educador.

A arte-educação através do trabalho de criação, apreciação e reflexão, nos garante um aprendizado mais pleno, onde a criatividade, o discernimento critico, o conhecimento de culturas e historias diversas – incluindo a nossa –, são algumas das habilidades e dos conhecimentos apreendidos pelos alunos.

A dança pode ser vista, ao longo da sua historia, como parte da educação social do homem. Mas sendo aceita somente há pouco tempo na escola, como parte da educação adquirida neste ambiente. Vista além do seu papel de lazer e distração, como ferramenta importante no desenvolvimento educativo, físico, cognitivo e psicológico do ser humano. Sendo a consciência critica, habilidades percepto-motoras e a consciência corporal alguns benefícios, dentre muitos outros, adquiridos através desta arte.

Com os movimentos, as técnicas e a percepção dentro da dança, construímos uma consciência corporal, onde podemos conhecer a nós mesmos, a história pessoal e o tempo e a cultura em que estamos inseridos dentro da sociedade. Temos uma visão mais critica de nós dentro desta história, dentro desta sociedade e da cultura social e histórica em que nos encontramos. Sendo a partir de então, um sujeito ativo dentro da sociedade com um auto poder de discernimento critico e maior autonomia.

Perante as conclusões a cima citadas, entendemos que a dança faz-se necessária dentro do currículo escolar e que o dança-educador deve trabalhar com a consciência corporal de maneira atenciosa. O estudo corporal e literário, de movimentos

e do desenvolvimento infantil, entre outros, é imprescindível para a atuação deste profissional.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: arte. 2. ed. Rio de janeiro: DP&A EDITORA, 2000.

CÂNDIDO, PEF; MATTOS, DJS. Bioenergética: fundamentos e técnicas corporais. Bueno Aires, ano 14, n˚ 131, 2009. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd131/bioenergetica-fundamentos-e-tecnicas-corporais.htm CAVASIN, CR. A dança na aprendizagem. Santa Catarina: ICPG, [data desconhecida]. Disponível em: http://www.posuniasselvi.com.br/artigos/rev03-01.pdf DUARTE JUNIOR, JF. Por que arte-educação? 6 ed. Campinas, SP: Papirus, 1991 FARO, AJ. Pequena historia da dança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1986

MARQUES, I. Ensino de Dança Hoje: textos e contextos. São Paulo, Cortez, 1999. MARQUES, MG. Consciência corporal: o que é? Belém: Revista ensaio geral, v.1,

n.1, 2009. Disponível em:

http://www.revistaeletronica.ufpa.br/index.php/ensaio_geral/article/viewFile/98/28

NANNI, Dionísia. Dança Educação – Princípios, Métodos e Técnicas. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 1995.

______________. Dança Educação – Pré-Escola à Universidade. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 1995.

OSSONA, Paulina. A educação pela dança. São Paulo: Summus, 1988.

SOUZA, EPM. A busca do auto-conhecimento através da consciência corporal : uma nova tendência [dissertação de mestrado] Campinas: UNICAMP, Faculdade de Educação Física, Programa de Pós-Graduação em Educação Física; 1992. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000062174&fd=y

SANTIAGO, LS. Balé de pé no chão [vídeo documentário]. TV Câmara, 2013.

Disponível em:

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/tv/materias/OLHARES/440769-BALE-DE-PE-NO-CHAO---A-DANCA-AFRO-DE-MERCEDES-BAPTISTA.html

TINHORÃO, JR. Os sons dos negros no Brasil, cantos, danças, folguedos: origens. São Paulo: Editora 34, 2008.

VERDERI, EB. Dança na escola. 2 ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2000. VIANNA, Klauss. A dança. Quarta edição, São Paulo: Summus, 2005.

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