Abrange as atividades que fornecem amplamente para toda a economia, e devem ser consideradas como atividades facilitadoras e fornecedoras de infra-estrutura básica. Os bens e serviços fornecidos às atividades do núcleo não se diferenciam daqueles fornecidos para o restante da economia.
As seguintes categorias de atividades econômicas estão compreendidas nesta categoria: transportes; armazenagem; comunicações, inclusive telecomunicações; energia elétrica; gás; água tratada; serviços das administrações públicas (segurança, justiça, etc.).
Tanto as atividades parcialmente articuladas (agrupadas no item anterior, sob o número III) quanto as de suporte não-dedicado só podem ser consideradas parcialmente no cálculo, obviamente (em razão da não indicação do destino).
Sob a forma de quadros, são apresentadas as articulações das subcategorias criadas, para efeito de tabulação especial do agronegócio, com as versões mais recentes da CNAE. No quadro 6 são harmonizadas com a os anos de 2003 a 2006. No quadro 7, com a CNAE Versão 2.0, para o ano de 2007 em diante.
Quadro 6 – Articulação do Agronegócio com a CNAE 1.0
CATEGORIAS DEFINIÇÃO CNAE 1.0 / IBGE
Centrais (Núcleo)
Produção e venda de Produtos Agropecuários
Seção A: Agricultura, pecuária, silvicultura e exploração vegetal;
Seção B: Pesca. Interdependentes Relação com o núcleo não
está baseada em dependência unilateral Interdependentes a montante Produção de bens consumidos principalmente pelo núcleo Rações (15.56-3); Fertilizantes (24.13-9); Medicamentos veterinários (24.53-9); Inseticidas (24.61-9); Herbicidas (24.63-5); Outros
defensivos agrícolas (24.69-4);
Aluguel de equipamentos e máquinas agrícolas (71.21-8).
Interdependentes a jusante
Processam e transacionam produtos do núcleo
Indústrias Alimentar e de Bebidas (15); Indústria do Fumo (16); Indústria de Fiação e tecelagem (17- Parte das fibras naturais); Indústria
do Couro (19 - Parte); Indústria da Madeira (20 – Parte); Indústria da Celulose (21.1); Produção de
Álcool (23.40-0);
Partes do Comércio Varejista e Atacadista (51 e 52). Interdependentes de investimento (do núcleo) Produção de máquinas e equipamentos típicos ao processo de produção do núcleo
Indústria de Máquinas e Equipamentos para a Agricultura e a Criação de Animais (29.31-9);
Indústria de Tratores Agrícolas (29.32-7); Comércio atacadista de máquinas, aparelhos e
equipamentos agropecuários (51.61-6). Articulação
Parcial
Produção de bens e serviços de usos difusos (a qualquer
ramo de atividade)
Ferramentas (28.43-6);Construção ((45); Armazenagem(63.12-6); Atividades Financeiras, de
seguros e afins (65); Educação (80); Saúde e Serviços sociais (85);
Indústria de Construção e reparação de embarcações e estruturas flutuantes (35.1-4);
Representação e agentes comerciais de máquinas, embarcações e aeronaves (51.14-4). Suporte
não-dedicado
Facilitadoras e fornecedoras de
infra- estrutura básica
Seção I: Transporte, Armazenagem e Comunicações; Seção E: Eletricidade, Gás e Água tratada; Seção L: Administração Pública (segurança, justiça,
etc.). Fonte: Elaboração própria
O confronto entre as categorias das versões 1.0 e 2.0 da CNAE, relacionadas nos quadros 6 e 7 respectivamente, associadas às subcategorias criadas para configurar o agregado alternativo do agronegócio, para efeito de tabulações especiais, evidenciará as mudanças ocorridas entre essas duas edições.
Quadro 7 – Articulação do Agronegócio com a CNAE 2.0
CATEGORIAS DEFINIÇÃO CNAE 2.0 / IBGE
Centrais (Núcleo)
Produção e venda de Produtos Agropecuários
Seção A: Agricultura, pecuária, silvicultura; exploração vegetal e pesca.
Interdependentes Relação com o núcleo não
está baseada em dependência unilateral Interdependentes a montante Produção de bens consumidos principalmente pelo núcleo
Rações (10.66-0); Adubos e Fertilizantes (20.13-4); Medicamentos veterinários (21.22-0); Inseticidas (20.51-7); Herbicidas (20.51-7); Outros
defensivos agrícolas (20.51-7);
Aluguel de equipamentos e máquinas agrícolas (77.19-5).
Interdependentes a jusante
Processam e transacionam produtos do núcleo
Indústria Alimentar (10) e de Bebidas (11); Indústria do Fumo (12); Indústria de Fiação e tecelagem (13- Parte das fibras naturais); Indústria
do Couro (15 - Parte); Indústria da Madeira (16 – Parte); Indústria da Celulose e Papel (17); Produção
de Álcool e de Biocombustíveis (19.3); Partes do Comércio Varejista (47) e Atacadista (46). Interdependentes de investimento (do núcleo) Produção de máquinas e equipamentos típicos ao processo de produção do núcleo
Indústria de Máquinas e Equipamentos para a Agricultura e a Criação de Animais (28.32-1;
28.33-0);
Indústria de Tratores Agrícolas (28.31-3); Comércio atacadista de máquinas, aparelhos e
equipamentos agropecuários (46.61-3).
Articulação Parcial
Produção de bens e serviços de usos difusos (a qualquer
ramo de atividade)
Ferramentas (25.43-8), Construção (41 a 43); Armazenagem (52.1); Atividades financeiras, de
seguros e afins (64 a 66); Educação (85); Saúde e serviços sociais (86 a 88);
Indústria de Construção e reparação de embarcações e estruturas flutuantes (30.11-3; 33.17-1); Representação e agentes comerciais de máquinas,
embarcações e aeronaves (46.14-1). Suporte
não-dedicado
Facilitadoras e fornecedoras de
infra- estrutura básica
Transporte, Armazenagem e Correio (Seção H); Comunicações (Seção J);
Eletricidade e Gás (Seção D); Água tratada (Seção E); Administração Pública - segurança, justiça, etc.
(Seção O) Fonte: Elaboração própria
A proposta de uma estrutura de classificação para o estudo de cadeias produtivas não tem por objetivo limitar a criatividade dos pesquisadores na definição dos seus
objetos de pesquisa, mas organizar suas escolhas de modo a se obter resultados com maior importância para a compreensão dos negócios considerados.
Afinal, entende-se que pesquisas que não são comparáveis ou que oferecem grande dificuldade de comparação não cumprem, de modo integral, a meta de transmitir novos conhecimentos sobre o seu objeto de investigação (Campos e Silva, 2006).
As classificações de referência usadas na análise do sistema produtivo apresentam essa preocupação e representam uma escolha (trade-off) entre a permanente mutação do sistema produtivo, fruto das inovações, e a comparabilidade intertemporal das estatísticas e informações levantadas.
Obviamente, tais escolhas refletem, também, considerações práticas determinadas pelo uso das estatísticas. No caso do estudo de cadeias produtivas, ou complexos industriais ou das ‘redes de negócios’, a classificação proposta permite que se compatibilize o arbítrio do pesquisador com alguns princípios básicos de classificação. Visto que o uso continuado destes princípios por instituições estatísticas ou outros organismos os consolidam como garantias tanto de produção de informações ininterruptas como, simultaneamente, a sua comparabilidade no tempo e no espaço.
Tal fato ocorre com o Guide (WIPO, 2003) que focaliza as indústrias intensivas em propriedade intelectual, assim como para outras áreas que já possuem classificações especiais definidas (energia, turismo, tecnologia da informação e de comunicação, por exemplo, como já mencionadas). O mesmo se sucede com as iniciativas de elaboração de classificações especiais da cultura, como alvo de discussões futuras e evidenciadas pela divulgação de informações econômicas sobre essas atividades e os gastos das famílias com cultura e lazer (OECD, 2006).
A ampliação do uso e sua discussão vão permitir uma melhor definição dos grupos propostos, com o objetivo precípuo de alcançar um acordo que estabeleça uma convenção quanto à forma de organização dessas informações.