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Capítulo III – Atividades Desenvolvidas na IGEC

3. Atividades desenvolvidas no âmbito do Programa da Atividade Internacional

(I) Leitura e mobilização de informações relacionadas com a SICI e as EE

A mobilização de informações e documentos relacionados com a Atividade Internacional foi, desde logo, sugerida pelo Dr. H que nos enviou para o email institucional alguns sites para começarmos a tomar contacto com as várias temáticas. De entre os sites sugeridos, comecei por consultar a página da SICI, visando compreender, de um modo geral, a história, a missão, os objetivos e as atividades desenvolvidas. Em continuação a este trabalho, explorei com maior profundidade o site da IGEC, no que diz respeito à atividade internacional, entrecruzando informações exploradas no site da SICI e as ideias expressas no portal da IGEC, como por exemplo, as atividades realizadas, os países-membros e o papel da organização no âmbito das atividades da SICI.

Em relação às EE, consultei as informações disponibilizadas pelo site da IGEC acerca da história, objetivos e missão, a organização e gestão pedagógica destas escolas (órgãos representativos de gestão), a organização dos programas disciplinares, a avaliação dos alunos desde o ciclo primário até ao secundário e as atividades incumbidas à IGEC no âmbito das EE, entendendo o seu papel junto das secções portuguesas. Consultei, por último, o site oficial das EE como forma de completar as informações previamente absorvidas com a consulta do site da IGEC.

Adquirir informações acerca da SICI e das EE foi-se revelando, a longo prazo, uma mais- valia para contextualizar as duas atividades que desenvolvi no âmbito da Atividade Internacional: a planificação das inspeções à secção linguística das EE e a observação de três entrevistas de seleção, com vista à escolha de um docente em regime de mobilidade para as EE. Essencialmente, permitiu-me atuar com conhecimento nas atividades propostas, ficando também a conhecer o modo de funcionamento das EE, numa perspetiva internacional. Ainda do ponto de vista da

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caracterização da organização, considerei importante esta consulta inicial para conhecer com algum pormenor o campo de atuação da IGEC no âmbito das EE e da SICI.

(II) Planificação das inspeções à secção linguística das EE de Bruxelas II e Luxemburgo I

Uma das funções do Dr. H incide na avaliação dos professores pertencentes à secção portuguesa das EE, um processo que geralmente se realiza em dezembro e para as inspeções de secção linguística, que geralmente têm lugar em junho. Nesse sentido, o Dr. H propôs-nos que apresentássemos propostas de planificação às secções portuguesas das EE de Bruxelas II e Luxemburgo I, a realizar em quatro dias, nas seguintes datas: de 1 a 4 de dezembro e 6, 8, 9 e 10 junho.

Para tal, disponibilizou-nos os horários dos professores e proporcionou-nos, também, todas as indicações necessárias acerca das reuniões, dos almoços, do tempo de observação de aulas, do tempo de chegada à escola, dos intervalos entre observações e reuniões, entre outros aspetos, que devíamos ter em conta no momento da planificação das duas avaliações. Foi ainda necessário efetuar a planificação das deslocações internacionais necessárias e mesmo as deslocações dentro das próprias cidades.

Assim sendo, organizámos as agendas de trabalho, atendendo a todos os aspetos supramencionados, no sentido de encaixar as reuniões de trabalho e as observações de aulas em momentos viáveis para a concretização da avaliação da secção portuguesa das EE. Nesse sentido, sempre que necessário, reformulámos a planificação de trabalho, alcançando um plano de trabalho mais próximo da realidade profissional do Dr. H.

A realização desta tarefa suscitou muitas dúvidas, quer pela necessidade de conciliar permanentemente os horários dos agentes intervenientes na avaliação (professores, contabilistas, diretores-adjuntos, entre outros), quer pela responsabilidade de organizar ações de planeamento de inspeção que seja concretizável na prática das EE. No entanto, considero que esta tarefa constituiu um excelente exercício de planeamento e organização de agendas de trabalho, também de raciocínio lógico, unindo esforços para que todas as reuniões de trabalho e observações de aulas (atendendo aos tempos de observação e de intervalo entre sessões) se encaixassem em harmonia em quatro dias de trabalho nas escolas. Além disso, revelou-se ainda um exercício que me transmitiu algum conhecimento do modo como os professores da secção portuguesa das EE são avaliados, privilegiando-se a triangulação de informação, envolvendo vários intervenientes como os diretores, os pais, os colegas, contabilistas, entre outros. Em termos de competências colocadas em prática, além da capacidade de organização e planeamento, também considero que

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evidenciei um nível bastante considerável de responsabilidade e concentração pela natureza do trabalho realizado.

(III) Observação de entrevistas para a escolha de docentes para as EE

Com vista à escolha e mobilidade de dois docentes – um de matemática e outro de geografia - a decorrer na IGEC, convidaram-nos a assistir ao processo de condução das entrevistas, na qualidade de observadoras. A permanência no espaço da entrevista dependeu sempre da concordância dos entrevistados. Foi, assim, possível assistirmos a uma entrevista de um professor interessado em lecionar matemática na EE de Bruxelas e duas entrevistas de interessados em lecionar geografia em inglês para a EE de Luxemburgo.

A primeira entrevista decorreu no dia 28 de abril, contando com a presença de três inspetores, com funções bastante definidas. Em primeiro lugar, a Dr.ª HC – ligada à atividade internacional das EE – procedeu à colocação das questões iniciais, relacionadas com 1) as motivações e razões de candidatura da entrevistada; 2) contribuições que pode dar à EE do ponto de vista dos conhecimentos e competências que possui e o que espera receber em troca da escola e 3) o significado que o ensino da matemática tem para a entrevistada e o modo como consegue fazer aprender os alunos. Apelando a situações hipotéticas, a Dr.ª HC apresentou, também, dois cenários à entrevistada: no caso de ser selecionada para a EE e perante uma escola que manifesta culturas e tradições muito diferentes, como seria a sua postura com esta diferença cultural e, ainda, como atuaria com os diversos intervenientes educativos (pais, direção e outros órgãos) e se lhe fosse atribuída uma turma com distúrbios comportamentais e baixo nível de aproveitamento escolar, evidenciando ainda a sua postura e modo de atuação para corresponder a uma turma com estas características.

Seguiu-se o Dr. LP que colocou questões relativas ao domínio da matemática, pretendendo aferir os conhecimentos científicos, com recurso ao seu currículo. Explorou o seu percurso profissional, incidindo em questões que versaram na experiência na docência em turmas de ensino regular, num programa de formação profissional em que participa e na sua carreira como docente universitária. Num momento de apelo à prática, o inspetor solicitou à entrevistada que apresentasse exemplos de como introduziria a matéria da integração e da função exponencial.

Pouco antes de dar a palavra à Dr.ª CB, o inspetor pediu que a professora, em breves linhas, provasse porque considera que é a pessoa indicada para o lugar na EE e que

146 domina os conteúdos lecionados na EE em questão. Por último, a Dr.ª CB introduziu-se na conversa, iniciando uma conversação em Francês, bastante breve, acerca de um projeto que a entrevistada revelou que participava, no âmbito da música e da sua possível ida para a EE, visando apreciar os conhecimentos da língua francesa.

A segunda e terceira entrevistas ocorreram no dia 6 de maio, visando selecionar um professor de geografia para lecionar em Inglês, em Luxemburgo. Estiveram presentes, nesta entrevista, a Dr.ª HC, o Dr. H e a Dr.ª IB. Ambas as entrevistas seguiram um tronco comum de questões, não fazendo, por isso, referência às entrevistas em separado.

À semelhança da primeira entrevista, as duas entrevistas realizadas também incidiram, inicialmente, na abordagem aos motivos de candidatura dos entrevistados e o significado de ensinar geografia, mais concretamente, o modo como motivam os alunos para a aprendizagem da disciplina. Seguiram-se questões mais específicas, em relação ao programa de geografia, fazendo-se menção ao ensino desta disciplina ter que ir ao encontro de várias nacionalidades e padrões culturais distintos, sendo que a pergunta incidiu em compreender como seria a atuação dos entrevistados para irem ao encontro dos alunos individualmente, tendo em conta tanta diversidade cultural. Também procurou-se compreender de que forma seria a integração dos candidatos num grupo de professores que comunicam em inglês, mas que lecionam noutras línguas para trabalharem métodos de trabalho e questões pedagógicas.

Sucede-se a Dr.ª IB que intervém especificamente para aferir os conhecimentos de geografia dos entrevistados. Pediu um comentário crítico ao programa de geografia da EE, e solicitou aos entrevistados, neste âmbito, que recorressem ao programa de geografia português e aos princípios didáticos das EE, fazendo uma breve apreciação comparativa. Continuando, os inspetores também tentaram compreender o que poderia ser mais desafiante em relação aos objetivos de aprendizagem, do ponto de vista do desenvolvimento do aluno e, num caso concreto, a inspetora pediu que selecionasse uma unidade do programa de geografia e tendo em conta os princípios pedagógicos e os objetivos de aprendizagem dissesse como poderia desenvolver essa matéria em três ou quatro aulas. Procuraram entender, ainda, questões relacionadas com a introdução do tema das novas tecnologias em sala de aula, com a metodologia de trabalho utilizada e estratégias de ensino implementadas. Os elementos e questões de avaliação foram coincidentes nas duas entrevistas, aferindo-se a sua opinião não só quanto às formas de

147 avaliação utilizadas na EE, mas também a opinião dos intervenientes face ao exame final que se aplica nas EE.

A averiguação de conhecimentos em inglês ficou a cargo do Dr. H que questionou os entrevistados em relação ao nível de inglês e à confortabilidade em falar com outros indivíduos nesta língua; solicitou aos entrevistados que fizessem uma pequena apresentação pessoal e profissional e por fim pediu que inventariassem conceitos e palavras-chave que utilizariam na introdução do tema das energias renováveis, bem como que explicassem que materiais usariam e que leituras solicitaram aos alunos.

A possibilidade de estarmos presentes nestas entrevistas já tinha sido abordada há algum tempo, pelo que sempre foi uma atividade em que quis participar desde muito cedo. Considero, por isso, que foi uma experiência muito enriquecedora que me permitiu compreender a complexidade do processo de escolha de um docente para lecionar nas EE e de, alguma forma, participar neste processo, exprimindo a nossa opinião em relação aos candidatos que foram entrevistados. Entendi, também, o nível de exigência e entrega profissional que se solicita aos candidatos, pelas questões lançadas, em prol de um ensino que se coaduna com padrões culturais muito distintos em sala de aula.