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Atividades econômicas, modos de vida, ocupação dos habitantes

3 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

3.2 O MUNICÍPIO DE MAZAGÃO: O DISTRITO DO CARVÃO

3.2.3 Atividades econômicas, modos de vida, ocupação dos habitantes

A comunidade do Distrito do Carvão possui um enraizamento histórico camponês, com seu modo de vida e práticas culturais. A comunidade vive basicamente da agricultura de subsistência extensiva, atividade esta que, praticamente, apenas satisfaz às necessidades básicas de sua alimentação. Utilizando-se de baico nível tecnológico, e limitando o cultivo a pequenas áreas. Para a limpeza do terreno é feita a derrubada e posterior queimada, o que acarreta o mau aproveitamento dos recursos do solo, esgotando-o em pouco tempo (RABELO et al., 2005).

O atendimento à saúde é deficitário, devido, segundo Rabelo et al. (2005), a baixa densidade demográfica e as distâncias em que se encontra dos núcleos populacionais, que dispõem de recursos médicos. Nos casos de emergência, os pacientes são encaminhados ao posto de saúde de Mazagão Velho e o Hospital de Mazagão Novo (sede municipal), e nos casos mais graves, para os municípios de Santana ou Macapá. Diante dessa precariedade de acesso aos recursos médicos convencionais, a população local tem se destacado no uso de recursos da fauna e flora (gorduras, cascas, folhas, raízes, ervas, entre outros) para preparação de medicação caseira, além de rezas e benzeduras. Também tem destaque a participação das parteiras tradicionais, que continuam a ser as principais agentes dessa prática de atendimento.

No setor do atendimento educacional a comunidade dispõe de educação infantil (Escola Municipal Dona Benta), ensino fundamental (Escola Estadual Fagundes Varela) e de ensino médio (Escola Família Agrícola do Carvão). A população escolar de 7 a 14 anos cuja salvaguarda legal é assegurada na legislação vigente, que estabelece a responsabilidade do município e do Estado e dos pais na permanência dessa população na escola apresenta uma participação efetiva em sala de aula que pode ser considerada relativamente baixa, se considerar-se os fatores que nessa região interferem no processo educacional, com destaque para a necessidade da participação na atividade produtiva como forma de ajudar na obtenção da renda familiar, além do descompasso existente entre os conteúdos trabalhados na sala-de- aula e a realidade do cotidiano do aluno, que na maioria das vezes se constitui em forte desestímulo à permanência do aluno na escola (RABELO et al., 2005).

No tocante ao setor produtivo o padrão característico é o de subsistência, onde predomina o uso da mão-de-obra familiar e de baixo uso de recursos tecnológicos. É um sistema produtivo, cujas atividades são definidas segundo os condicionantes naturais e com respostas decorrentes de vetores sociais do que econômicos. A lógica deste sistema produtivo

é baseada na estratégia de sobrevivência para garantir a permanência da unidade familiar e nessas condições o extrativismo é um dos elementos principais deste sistema produtivo, juntamente com as atividades agrícolas e de pequenas criações (RABELO et al., 2005).

O extrativismo representa um papel muito importante no regime alimentar da comunidade, sendo a pesca uma das suas principais atividades, juntamente com a extração seletiva de madeira, extração de palmito e coleta do açaizeiro (Euterpe oleraceae Mart.) nos ambientes de floresta de várzea. De forma menos significativa, tem-se a utilização da andirobeira (Carapa guianensis Aubl.) para a produção de óleo e coleta de outras espécies frutíferas próprias da várzea. No cerrado, são utilizadas várias espécies como ervas medicinais e espécies para carvão e lenha e na terra-firme castanheira da Amazônia (Bertholletia excelsa Bonpl.) e sapucaeiria (Lecythis pisonis Cambess.).

Em pequenas proporções, incluem-se também como produção extrativista a caça de animais silvestres e a coleta de outros frutos comestíveis, destacando-se o taperebazeiro (Spondias mombin L.). A maioria desses produtos extrativos é destinada à comercialização, com exceção da caça e do peixe, que atende principalmente o consumo familiar (RABELO et al., 2005).

A atividade agrícola consiste principalmente no cultivo da mandioca para a produção de farinha, e no de hortaliças, em pequena escala. Esse último é desenvolvido em áreas sob a influência da várzea e no cerrado, com o uso de técnicas envolvendo adubação mineral e orgânica, irrigação e defensivos. Tem-se uma área média de aproximadamente 1,5 tarefa/ano por propriedade ocupada com roça (bananeira, mandioca, milho, melancia, cana-de-açúcar, macaxeira, abacaxizeiro, entre outros). Em condições domésticas verifica-se ainda, a presença de algumas culturas perenes na forma de pequenos sítos (limoeiro, mangueira, cupuaçúzeiro, entre outros) (RABELO et al., 2005) (Fotografia 2).

Fotografia 2 - Registro da fabricação artesanal de farinha.

Fonte: Rabelo et al. (2005).

A criação de gado é uma das principais atividades desenvolvidas nesse Distrito, realizada por pequenos criadores principalmente com a criação extensiva de búfalos, mas também de gado bovino, carneiros e cavalos, se bem que em menor escala. A pastagem utilizada é eminentemente natural, aproveitando-se das áreas de campos inundáveis que, além de abundantes, oferecem boas condições de forragens e baixos custos de manutenção (Fotografia 3).

De maneira geral, a unidade domiciliar do pequeno produtor rural do Carvão, contém um quintal, onde são feitos cultivos domésticos de plantas frutíferas, medicinais, etc. Em alguns casos já se observa a presença de cultivos mais intensivos que se destinam essencialmente à comercialização.

Fotografia 3 - Cultivo de abacaxi (a), pecuária bubalina extensiva (b) e roçado de mandioca (c).

Fonte: Rabelo et al. (2005).

Como demonstra Quadro 1, no Distrito do Carvão a agricultura representa 62,29% do volume total da renda bruta, seguida pelo extrativismo com 14,08% e a criação de pequenos animais com 6,39%. A participação de outras fontes de recursos na composição da renda familiar chega a 17,24% do total da renda bruta que soma R$ 6.260,80 (COT/IEPA, 2003 apud RABELO et al., 2005), sendo que a dominância aqui vem de produtos oriundos da mandioca (farinha, tucupi e goma) seguido pelo cultivo de abacaxi.

Núcleo populacional

Contribuição percentual por atividade Renda bruta familiar/ano

(R$) Agricultura Extrativismo Pequenos.

Animais

Outras rendas

Carvão 62,29 14,08 6,39 17,24 6,260,80

Quadro 1 – Formação da renda familiar anual (monetária+auto-consumo) no Distrito do Carvão-AP.

Fonte: COT/IEPA (2003) apud RABELO et al. (2005).

a b

3.2.4 Clima

O clima do Distrito do Carvão, segundo a classificação de Koopen, é do tipo Af, clima tropical úmido, o qual é caracterizado principalmente por uma elevada taxa pluviométrica anual aliada à pequena amplitude anual de temperatura (SUDAM, 1984).

A temperatura média anual oscila em torno dos 27oC, sendo a temperatura máxima em torno de 31 oC e a temperatura mínima em torno dos 23 oC. A precipitação média anual é de 2.500 mm, sendo o trimestre mais chuvoso, de março a abril e, o mais seco, de setembro a novembro. A umidade relativa anual é de 85% e a insolação média anual de 2.200 horas (SUDAM, 1984).