3.3 Conflitos Socioambientais
3.3.1 Atividades extrativistas
A caça é proibida nos parques e constitui atividade ilegal que persiste até os dias atuais. Constitui ameaça principalmente a espécies que têm território limitado e populações pequenas como as dos grandes carnívoros e aves de rapina. Os animais mais caçados são o porco do mato (Tayassu sp.) e queixada63 (Tayassu pecari), paca (Agouti paca), veado (Mazama americana), cateto (Pecari tajacu), eventualmente cutia (Dasyprocta azarae) e anta (Tapirus terrestris).
O hábito da caça (Figura II.7) na região é observado mais como uma atividade esportiva do que necessidade de proteína animal pelos caçadores. A atividade da caça, ao mediar a relação entre as pessoas e o ambiente constitui milenarmente uma atividade transformadora da paisagem. Integra tanto o metabolismo social de um grupo quanto as relações biológicas existentes nos ecossistemas. No entanto, é também uma atividade de
subsistência social, na qual de apropriação dos element (DA MATTA, 1986, p. 36) caça muito além das nece mensurado, mas existem grupos públicas, que não se arrisca nos municípios do entorno políticos eram frequentador
(a)
Figura II.7: Apreensão de mater
Setor de proteção do Parque
De 2010 a 2013, 10 secretário de planejamento Comercial desta cidade foi munição, equipamento e a proteção, empresários do exemplares de três cutias (D Há indício de turism Pantanal em um Žsafári‹ de pretéritos foi pesquisador do destruídos no PNI entre 2009 com barracas, colchão de c (inclusive femininas), car acampamento de caçadores l
Pela quantidade de encontrados tais como arma até onça pintada), agulha, utilizado para o acompanha necessitem de cuidado, pode Os animais silvestre Foz do Iguaçu, partem em legalização com documentos outra rota passaria por Cur Curitiba e Ponta Grossa (HE Iguaçu como uma das mai animais silvestres.
As estruturas de caç é uma plataforma de espe
ual o ato de alimentar-se se insere em conjunto entos da natureza, transformando assim os al 36). Este arraigamento cultural explica a perm ecessidades alimentares. Já o objetivo comer grupos de consumidores caracterizados por em scam a caçar, mas apreciam e demandam a prá no do parque que existiram locais que serviam
ores.
(b)
teriais de caça. (a) Parque Nacional do Iguaçu. (b) Parqu ue Nacional do Iguaçu e Setor de guarda-parques do Par
respectivamente.
2013, 10 a 12 caçadores foram presos por ano no nto do município de Foz do Iguaçu e ex-presi
foi preso em flagrante dentro do parque, ele e acompanhado de um funcionário. Em outr do município de Medianeira foram presos s (Dasyprocta azarae) e um quati (Nasua nasua) urismo de caça na região. Em 2010 ocorreu pr ‹de caça, um dos agenciadores presos era de Casc
r do Projetos Carnívoros do PNI. Os acampa 2009-2013 apresentavam qualidades de abrigo e casal, chuveiro rústico com água aquecida, pi caracterizando um conforto que, em geral,
es locais.
de gaiolas e alçapões para captura de aves e madilhas para captura de carnívoros vivos (jagu ha, seringa, estetoscópio, esfingomanômetro, nhamento de animal sob anestesia ou para pra odem indicar suspeita de tráfico de animais silve stres contrabandeados, depois de passar por cid
m direção ao Paraguai, Argentina e Uruguai ond ntos falsos, seguem para diversos países acim
uritiba seguindo para Foz do Iguaçu, resultando (HERNANDEZ; CARVALHO, 2006). Esses aut
ais importantes cidades brasileiras de onde é aça envolvem atrativos de fauna como saleiros spera do caçador a 6-7 m da presa. Também
unto de práticas culturais os alimentos em comidas rmanência da prática da ercial é difícil de ser empresários, autoridades prática. Correm histórias m carne de caça e onde
rque Nacional Iguazú. Fonte: arque Nacional Iguazú,
no PNI. Em 2011, o ex- presidente da Associação ele estava armado, com outra ação da equipe de sos em flagrante com
asua nasua).
u prisão de caçadores no ascavel e em momentos pamentos encontrados, go de alta complexidade , pia de granito, roupas al, não é comum em e outros equipamentos guatirica, outros gatos e ro, que tanto pode ser praticantes da caça que s silvestres.
cidades como Curitiba e onde muitos, depois da ima mencionados. Uma ando em apreensões em s autores indicam Foz do é escoado o tráfico de os e cevas e o jirau, que bém foram encontrados
silenciadores e miras a laser. Os acampamentos são mais encontrados próximos à região denominada 'Península', esta de domínio argentino localizada fora do PNIZ. Há indícios que alguns caçadores são argentinos, tendo em vista restos de embalagens de produtos da Argentina encontrados no local. Da mesma forma, já houve flagrantes de brasileiros no parque Argentino. As características de caça são semelhantes no PNIZ.
Alguns também praticam a pesca (Figura II.8), que pode ser caracterizada tanto pelo consumo pessoal da população dos municípios do entorno bem como para prática comercial. O foco da pesca é uma espécie endêmica localizada entre as Cataratas e a Usina Hidrelétrica de Salto Caxias, pouco conhecida, denominada 'surubim-do-Iguaçu' (Steindachneridion
melanodermatum) e apreciada na culinária local. A pesca é um fator importante para os dois
parques, uma vez que é praticada no elo entre eles, o rio Iguaçu.
Figura II.8: Exemplares do surubim-do-Iguaçu derivados de atividade de pesca e apreendidos pela equipe de
proteção do Parque Nacional do Iguaçu. Fonte: Setor de Proteção do Parque Nacional do Iguaçu.
O extrativismo da palmeira Euterpe edulis (Figura II.9), conhecida como palmito- jussara, é realizado principalmente para fins comerciais, de maneira intensa e sobre todas as populações da espécie, que tem característica agregada de distribuição. Pode caracterizar um problema biológico/ecológico pois é espécie-chave, facilitadora e sustenta grande quantidade de consumidores, como aves e roedores, gerando efeito em cadeia e alterações semelhantes ao efeito de borda.
Em 2013, operação conjunta entre equipe de proteção do PNI e polícia federal, prendeu quadrilha organizada de extração e comercialização de palmito na região, envolvendo municípios de Capanema, Realeza e Pato Branco. Consta que alguns indivíduos presos atuavam há mais de 15 anos nesta atividade.
Além das consequências ecológicas (Figura II.10a), configura-se um problema de saúde pública (Figura II.9b), pois o beneficiamento é realizado clandestinamente, sem condições de higiene e assepsia adequadas ao envasamento, sendo utilizadas estruturas de galinheiros e pocilgas abandonadas e água sanitária na industrialização. O produto era revendido a restaurantes da região.
Também existem ocorrências de argentinos cortando palmitos no PNI na região da Península e associação entre brasileiros e argentinos para comercialização de palmito. Na Argentina ocorre também extração de orquídeas.
(a) (b)
Figura II.9: Apreensão de palmito retirado ilegalmente. (a) Parque Nacional do Iguaçu. (b) Parque Nacional
Iguazú. Fonte: Setor de proteção do Parque Nacional do Iguaçu e de guarda-parques no Parque Nacional Iguazú.
(a) (b)
Figura II.10: (a) Floresta após corte de palmito por extrativismo. (b) Local de envasamento dos palmitos
evidenciando as más condições de higiene. Fonte: Setor de proteção do Parque Nacional do Iguaçu.
Aparentemente os grupos de caça, pesca e extrativismo são diferentes entre si, às vezes até concorrentes, pois a retirada do palmito é algo barulhenta e afugenta a fauna. Esses são os problemas mais enfrentados no dia-a-dia das instituições.