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ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO DE DOENÇAS

As pesquisas e os noticiários nos mostram todos os dias que as atividades físicas são importantes para uma vida saudável.

Para a maioria da população, os benefícios de uma prática desportiva regular, são unanimemente reconhecidos, quer seja uma criança, adolescente, adulto ou idoso. No entanto, e no que se refere à população com deficiência, a sensibilização para as vantagens advindas da prática de atividade física, surgiu ainda que muito recente, fruto da lenta, mas progressiva evolução que este fenômeno tem assistido (CARVALHO; FARKAS, 2005).

A população com deficiência intelectual é muitas vezes caracterizada por ter um estilo de vida sedentário onde a falta de atividade física, a dieta rica em gordura e a má condição física têm sido referenciados em diversos estudos (DRAHEIM; WILLIAMS; MCCUBBIN, 2002; TEMPLE e STANISH, 2008 apud SOUSA, 2010) como fatores influentes que marcam o aumento do risco de desenvolvimento de várias doenças.

Os objetivos dos programas de promoção da saúde para pessoas com deficiência, segundo alguns autores, ajudam a reduzir condições secundárias e ajudam a manter a independência funcional proporcionando oportunidades de lazer e prazer com fim a uma melhor qualidade de vida (CARMELI, et al. 2009 apud SOUSA, 2010).

Os indivíduos com deficiência intelectual estão em risco de mortalidade e morbidade por doenças crônicas incluindo as doenças cardiovasculares.

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Vários estudos têm mostrado altas taxas de obesidade neste tipo de população (RUBIN et al., 1998; YAMAKI, 2005 apud SOUSA, 2010).

Para vários autores, existe uma relação direta entre inatividade física e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Neste sentido, a prática de atividade física regular desempenha um papel fundamental na prevenção primária e secundária das doenças cardiovasculares (STANISH;

FREY; 2008 apud SOUSA, 2010).

A revisão de literatura promovida por Sousa (2010) mostra que a prática de atividade física regular para a pessoa deficiente como meio de reabilitação e integração, contribui para a aceitação das suas limitações:

✓ valoriza e divulga as suas capacidades físicas, ajudando-o a relativizar as suas incapacidades;

✓ reforça a sua autoestima, dando-lhe qualidade de vida;

✓ possibilita condições consideradas necessárias para a alteração da sua visão perante a vida;

✓ intensifica a vontade para a ação;

✓ disponibilidade para se aproximar dos outros, para comunicar, para conviver;

✓ combate eficazmente atitudes pessimistas e facilita a mediatização das suas capacidades, refletindo sobre as suas capacidades em desfavor das limitações (ALVES, 2000).

Segundo Auxter e Huetting (s.d apud SOUSA, 2010), a utilização de técnicas e estratégias de ensino mais apropriadas às necessidades dos indivíduos com Dl, conduz a uma maior participação e motivação para a prática desportiva, tais como:

1. Pesar as diferenças individuais quando se selecionam as atividades;

2. Apurar as atividades de acordo com as necessidades da pessoa com Dl;

3. Escolher atividades para conhecer o grau de interesse da pessoa;

4. Não menosprezar a capacidade desta população, pois existe uma

propensão para designar metas muito baixas para este tipo de população;

5. Selecionar atividades sensório-perceptivo-motoras para impulsionar um desenvolvimento específico e geral dos jovens, e incrementar

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competências recreacionais nos mais velhos, possibilitando a integração social;

6. Organizar o envolvimento no qual a atividade está incluída, tornando-a num desafio para o indivíduo favorecendo sempre o êxito;

7. Analisar as tarefas abrangidas na atividade para ter a certeza de que as componentes fundamentais à evolução no domínio da atividade são executadas com sucesso;

8. Criar um envolvimento de jogo seguro;

9. Ser tolerante com os curtos e demorados ganhos, e mais ainda com as pessoas;

10. Proporcionar um vasto leque de atividades que tenham significado social e recreacional para a vida adulta.

Para Fonseca (2002), a caracterização psicomotora do deficiente intelectual reduz-se a seis aspectos importantes:

1. Os elementos de desempenho são menos precisos e mais lentos, donde decorrem problemas de expressão e de processamento, que ao nível da psicomotricidade se expressam por dismetrias, dissincronias e dispraxias;

2. Na Dl, em geral, aparecem dificuldades para utilizar as componentes de execução e de performance, devido à disfunção na formulação de estratégias e no entendimento dos atributos necessários à solução dos novos e diferentes problemas;

3. Os déficits no desempenho cognitivo dependem da adaptabilidade dos contextos, bem como às características dos indivíduos com Dl;

4. O indivíduo com Dl parece manifestar dificuldades em tarefas não familiares que exijam o recurso às metacomponentes, devido a dificuldades de planificação e execução da decisão, frequentemente caracterizada por falta de flexibilidade. Tal ausência de plasticidade revela uma certa inércia psicomotora para produzir respostas a novos problemas e novas situações, daí que a decisão psicomotora seja restritiva na maioria dos casos;

5. As metacomponentes de inteligência, como a identificação, seleção e a organização de dados do problema, a estratégia unificada e sistemática de resolução e representação mental da informação, a focagem de atenção, o processamento de recursos de memória, monitorização da solução, a integração dos feedbacks da performance, entre outros, são estimulados

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inadequadamente, daí a diminuição da interconexão entre as componentes do ato mental;

6. Na Dl as componentes do processamento de informação e os fatores psicomotores parecem estar menos livres e menos alcançáveis, daí o surgimento da noção de disfunção na percepção de relações e disfunção sistêmica nos fatores psicomotores de tonicidade, de equilíbrio, de lateralidade, entre outros.

Enfim, sabendo que existe uma relação entre os benefícios dos exercícios físicos sobre os fatores de risco de doenças cardiovasculares (obesidade, hipertensão arterial, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) e sabendo que os indivíduos com Dl se caracterizam por ter baixos níveis de condição física e pouca participação em atividades desportivas, é importante e fundamental que se criem condições para que estes possam desenvolver a sua condição física e melhorar o seu estado de saúde (SOUSA, 2010).

A TERMINALIDADE ESPECÍFICA E A INSERÇÃO DE PESSOAS COM