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CAPÍTULO II – DESCRIÇÃO DA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA

2.2. Fase de Intervenção

2.2.1. Atividades implementadas nas aulas de Português

Tendo em conta as dificuldades identificadas através dos instrumentos aplicados na fase de diagnóstico e, após analisados os resultados obtidos, a implementação das atividades de Português estabeleceu algumas finalidades que visavam diminuir os obstáculos diagnosticados.

Neste sentido, a ação pedagógica relacionada com o grupo de Português englobou atividades que desenvolvessem a competência da escrita e motivasse os alunos para a expressão escrita, uma vez que eram dois dos objetivos propostos no início da prática pedagógica.

Logo, desde cedo, foram delineados os objetivos e, após muita reflexão, decidiu-se criar uma sequência de atividades de escrita que levassem os alunos, não só a desenvolver as suas

competências de escrita, mas também, consciencializá-los e motivá-los para a prática da mesma, através da compreensão de todo o processo a ela inerente.

De entre as destrezas de uma língua, a mais trabalhada foi a escrita baseada em literatura específica sobre o tema.

Durante esta intervenção, decidiu-se, num primeiro momento, realizar uma atividade de produção escrita sem qualquer tipo de orientação. Esta atividade não pretendia ser conduzida, pois tinha o propósito de servir para avaliação da escrita, numa fase, ainda, sem qualquer tipo de orientação, e para poder, posteriormente, fazer a comparação com os textos produzidos na fase de pós orientação. No entanto, tinha o intuito de dar algumas instruções respeitantes ao que é normalmente solicitado nos exames, com a intenção de verificar se os alunos costumam escrever seguindo as indicações propostas.

Num segundo momento, procedeu-se à explicação dos processos e subprocessos de escrita; à importância dos mecanismos de coesão e coerência textuais; ao papel do funcionamento da língua; à aplicação das regras no discurso escrito e das regras de produção textual no texto argumentativo. E, num último momento, decidiu-se realizar uma atividade de produção escrita, com orientação, sobre todo o processo que a escrita implica. Pretendia-se comparar estas duas atividades (inicial e final) de forma a verificar se houve, ou não, evolução. Além disso, também se pretendia fazer uma comparação com os resultados obtidos na atividade diagnóstica.

Não obstante, as atividades de escrita levadas à aula tinham o propósito de desenvolver a capacidade de expressão escrita neste grupo de alunos.

Deste modo, a primeira atividade teve por base o excerto das falas da personagem Dâmaso Salcede e pediu-se aos alunos que, com base na leitura integral da obra Os Maias de Eça de Queirós, e apoiados nesse excerto, redigissem um texto expositivo-argumentativo onde refletissem sobre o estado da sociedade portuguesa comparativamente com a francesa. Foi-lhes pedido, igualmente, que fundamentassem o seu ponto de vista, recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e que ilustrassem cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

No segundo momento desta intervenção, explicou-se aos alunos a importância da gramática na coerência textual. Depois de se corrigir os primeiros trabalhos dos alunos, sentiu-se a necessidade de se explorar este tema nesta fase inicial, uma vez que se verificaram algumas falhas nos textos produzidos relativamente à coesão textual. Relembrou-se aos alunos a importância dos marcadores discursivos para melhorar a produção dos textos escritos. Explicou-se-lhes, igualmente, que escrever um texto é algo mais complexo que o simples juntar palavras e foram expostos os subprocessos da

escrita, nomeadamente planificação, redação e revisão. Após essa explicação, apresentou-se uma ficha informativa com os marcadores discursivos e pediu-se aos alunos para que, em casa, tentassem produzir um texto novo ou reproduzir um texto anteriormente realizado, porém, agora, com o recurso aos mesmos.

Neste sentido, a gramática trabalhada em sala de aula estava relacionada com cada aula, de acordo com os objetivos quer do programa da disciplina, quer do Projeto de Intervenção. Ao trabalhar a gramática de forma mais focalizada, pretendia-se consciencializar os alunos para a sua importância na estruturação frásica e textual e mentalizar os alunos para o facto de que escrever bem, de forma coesa e coerente, supõe um correto conhecimento da gramática da língua. Na verdade, de acordo com Carvalho (2005: 271), “a competência de escrita e o conhecimento linguístico estão profundamente associados”. Neste sentido, pretendia-se prover os alunos de ferramentas indispensáveis aquando da realização das suas produções textuais.

Na última parte da aula, foram analisados alguns textos juntamente com os alunos, para que os mesmos entendessem onde de facto erraram e porque erraram, dado que a maioria dos alunos nunca recebeu uma opinião imediata sobre os textos produzidos. Relembrou-se, de igual modo, a importância do texto argumentativo aos vários níveis, não só ao nível escolar. E, por fim, mostrou-se aos alunos dois textos modelo para que estes vissem a sua estruturação lógica.

Na quinta aula, apresentou-se aos alunos uma ficha informativa sobre os subprocessos da escrita: planificação, redação e revisão. E demonstrou-se, mais uma vez, a importância dos mecanismos de coesão e coerência textuais e do papel do funcionamento da língua e da aplicação das regras no discurso escrito. Também se voltou a consolidar as regras de produção textual do texto argumentativo, para que os alunos entendessem perfeitamente o que lhes era solicitado e pelo facto de Amor (1993:114) ter feito referência à gravidade dos termos ”imprecisos e ambíguos, em que se solicita aos alunos a própria produção”.

A escolha do texto argumentativo surgiu pela importância que lhe é atribuída na escola, talvez por ser um dos tipos de texto com maior presença nos exames nacionais e pela dificuldade que os alunos revelam sentir ao construírem textos deste género. Apesar de a argumentação ser uma constante no discurso oral dos diferentes interlocutores, verifica-se que os alunos manifestam muitas dificuldades sempre que necessitam de passar à produção do texto escrito. Aliás, a questão da produção textual, especialmente a produção escrita em sala de aula, constitui um dos principais motivos de preocupação para os professores de línguas, mais precisamente de língua materna.

Na última parte da aula, e após se ter fornecido mais orientações respeitantes à prática de bem escrever, solicitou-se que os alunos redigissem, com base na leitura integral da obra Os Maias de Eça de Queirós, mais concretamente, no Capítulo III, um texto expositivo-argumentativo, onde relacionassem a educação da obra Os Maias, de Eça de Queirós com a da atualidade. Nesta atividade voltou-se a pedir aos alunos que fundamentassem o seu ponto de vista, recorrendo no mínimo, a dois argumentos e que ilustrassem cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. Esta é uma instrução retirada dos exames nacionais, por isso foi trabalhada e relembrada durante a intervenção. Este último ponto é muitas vezes esquecido pelos alunos o que acaba por os penalizar bastante. Além disso, foi-lhes pedida a apresentação, juntamente com o texto escrito, do plano previamente realizado. Esta atividade com orientação pretendia servir de comparação com os textos produzidos sem orientação.

Pretendia-se, com esta atividade que os alunos dividissem o seu texto argumentativo em três partes distintas: a introdução, apresentando o tema, a tese, os objetivos e intenções do discurso; o desenvolvimento, explicitando a tese a partir de reformulação, de exemplos, argumentos, contra- argumentos e refutação dos contra-argumentos; e, por fim, a conclusão focando os aspetos mais importantes.

A última intervenção nas aulas de Português foi direcionada para a reflexão conjunta sobre o processo de escrita. Neste sentido, pretendia-se aferir a perceção e avaliação que os alunos fizeram do seu desempenho e do da estagiária enquanto professora e sobretudo pretendia-se verificar a mudança, existente ou não, nas conceções de escrita que os alunos tinham em relação à fase inicial e atingir um dos objetivos propostos inicialmente, a saber: “desenvolver a consciência de uma aprendizagem processual e autorregulada”. Para o efeito, apresentaram-se aos alunos os critérios de correção disponibilizados pelo GAVE para os exames nacionais em http://www.gave.min- edu.pt/np3/np3/451.html, com uma ligeira adaptação ao nível da pontuação e pediu-se-lhes que se fixassem nos mesmos para que entendessem onde costumam errar. No seguimento desta apresentação, apresentaram-se, de forma anónima para não criar situações delicadas, alguns trabalhos dos alunos para que, em conjunto, fossem analisados de acordo com as propostas de correção do GAVE.

Enfatizou-se o facto de os discentes se encontrarem no décimo primeiro ano e de os exames nacionais estarem cada vez mais perto. Depois de atentarem nos critérios, nas suas especificidades e na correção conjunta de alguns trabalhos, pediu-se-lhes que analisassem as suas próprias produções de acordo com os mesmos critérios. Crê-se que esta atividade foi muito importante uma

vez que os consciencializou das dificuldades existentes para se manterem no maior nível de desempenho.

Toda esta Intervenção Pedagógica teve por base a leitura e análise da obra Os Maias, de Eça de Queirós. O objetivo foi sempre levar para a sala aula atividades motivadoras com as quais os alunos não estavam tão familiarizados, sobretudo nas aulas de língua materna, pois pretendia-se, para além de se atingir os objetivos do Projeto de Intervenção, fomentar o gosto e, sobretudo, a compreensão da obra em estudo.

Assim, tentou-se levar para as aulas alguns vídeos diretamente relacionados com a obra Os Maias e com o próprio escritor, Eça de Queirós. No entanto, estes recursos audiovisuais tinham dois propósitos: o primeiro era servir de introdução e motivação à temática abordada em sala de aula e o segundo era levar os alunos a compreenderem tais temáticas de uma forma mais lúdica, de forma a poderem, depois, realizar as atividades sobre a mesma, essencialmente as que diziam respeito à expressão escrita.

Ao levar-se à sala de aula atividades mais lúdicas, sobretudo sobre temas menos atrativos para esta faixa etária, ajuda-se a despertar a sua atenção, indo ao encontro dos seus interesses de forma a incentivá-los e, ao mesmo tempo, permite ao professor verificar se os alunos são capazes de perceber a mensagem que o recurso audiovisual transmite.

Nas aulas de Português foram tidas em linha de conta todas as destrezas de uma língua, nomeadamente, a compreensão oral, a compreensão escrita, a expressão oral e a expressão escrita. É na aula de Português que o professor insere os alunos nos diferentes contextos comunicativos e lhes dá novos conhecimentos, aumenta o seu léxico e a capacidade de interpretar textos nos diferentes contextos, além de lhes estimular a criatividade e o juízo crítico. Os textos são o apoio do professor de Português, pois através deles ensinará os conteúdos gramaticais e suscitará discussões de caráter argumentativo e crítico. Neste sentido, pretendeu-se desenvolver, em todas as aulas, competências no domínio da escrita, da leitura, da oralidade e da gramática, ou seja, procurou-se fazer com que os alunos fossem capazes de utilizar cada vez melhor a sua língua, na interação social. Em suma e relacionando as atividades exploradas tanto com o Projeto de Intervenção referido como com o público-alvo, pode concluir-se que as atividades realizadas no âmbito da disciplina de Português surtiram o efeito pretendido - desenvolver a competência da escrita dos alunos, através de uma planificação prévia. Crê-se que as mesmas suscitaram a consciencialização dos discentes para a importância que os subprocessos da escrita têm no resultado final das suas produções textuais.