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Conquistar movimentos que proporcionem sentimentos de liberdade, espontaneidade, equilíbrio e locomoção é a proposta da psicomotricidade em idosos. Tendo como objeto de estudo o corpo humano e seu movimento, a finalidade das atividades psicomotoras é desenvolver um aspecto comunicativo do corpo com o ambiente, o que equivale a dar ao indivíduo a possibilidade de dominar seu corpo aperfeiçoando sua dominância lateral, orientação espaço-temporal, esquema e imagem corporal e a coordenação motora global. As atividades psicomotoras trazem benefícios para os idosos, tais como o alívio das dores musculares e articulares, que promove o relaxamento corporal superando as limitações funcionais.

Essas atividades são fundamentais para que o idoso aprenda a lidar com as transformações do corpo e com o estigma influenciado pela sociedade a respeito da sua capacidade funcional, prevenindo e mantendo em bom nível sua autonomia física e mental. A elaboração de um programa de atividades psicomotoras para a terceira idade deve proporcionar um preparo na capacidade funcional do idoso na execução das atividades da vida diária, ou seja, evitar a perda da autossuficiência nos idosos através da manutenção de sua saúde física e mental.

Particularmente, as atividades devem ser atraentes, diversificadas, com intensidade moderada, baixo impacto, realizadas de forma gradual, promovendo aproximações sociais, sendo desenvolvidas de preferência coletivamente, pois, tanto a ansiedade como o esforço aumenta os fatores de risco. Diante disso, é possível se alcançar níveis satisfatórios de desempenho fisico/motor, autoconfiança, satisfação, bem estar psicológico, autoestima e

interação social. O corpo tem o seu papel relevante no desenvolvimento da pessoa, bem como na aquisição dos processos cognitivos, não sendo de menor importância sua função de mediador na relação do outro com o mundo (HEINSIUS, 2010).

Sabe-se que fatores como pulsão, movimento, processo adaptativo e afeto influenciam positivamente na determinação do modo de ser, atuar, agir e sentir do idoso por estarem vinculados a uma ação cortical. Acredita-se que, ao mobilizar esses fatores por meio das atividades psicomotores, estar-se-á igualmente agindo sobre áreas que, embora já não atuem tão bem como na infância, estarão presentes e decisivas para a manutenção da integridade da pessoa humana quando em idade avançada. O movimento corporal é capaz de despertar também nos idosos emoções que vão desde desejos, prazeres e potencialidades, antes esquecidas ou adormecidas, proporcionando-lhes o rejuvenescimento, ensejando que seus corpos possam estar alegres, despertos e até mesmo mais ágeis. (AMANTINO, 2011)

Desta forma, podemos afirmar que os movimentos corporais, expressividade e sentimentos beneficiam a marcha, o equilíbrio, a estabilidade corporal e um melhor desempenho das atividades da vida diária, rompendo com o estigma que a sociedade impõe no modo de vida dos idosos e com o aspecto da incapacidade funcional. As atividades são fundamentais para o idoso superar as dificuldades presentes no corpo de modo que as atividades prazerosas de sociabilização fazem com que o equilíbrio energético emocional seja mobilizado para uma maior conscientização corporal (VELASCO, 2006).

À medida que o idoso percebe o seu próprio corpo, também pode perceber as outras pessoas, pois o prazer e a satisfação na realização das atividades fazem de um momento de exercícios um momento de descontração, onde a alegria e o vínculo afetivo superam as dores musculares e as angústias. Na verdade, forma-se uma nova família, em que os encontros são transformados em trocas de experiências e uma nova expectativa do ponto de vista social e cultural é formada. As atividades são apenas um pressuposto para o desencadeamento do resultado esperado, barreiras psíquicas são rompidas, a tristeza, o estresse, a depressão dão lugar a alegria, o amor e, enfim, a comunhão.

Por meio da psicomotricidade estamos promovendo a ressignificação do corpo, investindo nele e fazendo dele um meio de se reapropriar da vida, ou seja, contribuindo para restauração da autonomia funcional a fim de que o idoso sinta mais prazer em viver e, consequentemente, ter uma vida mais saudável, contribuindo, portanto, para o equilíbrio, marcha, a escuta de si, a livre iniciativa de explorar seu potencial criativo e trabalhar as relações interpessoais, promovendo uma oportunidade de autodescoberta e de valorização de sua vivência e de suas experiências (HEINSIUS, 2010).

A proposta psicomotora pode ser realizada no solo e no ambiente aquático, ambos com a mesma finalidade. Trabalhar os elementos psicomotores no solo através dos jogos lúdicos permitem uma melhor interação, desenvolvimento de habilidades motoras, diálogo, competitividade durante a execução dos jogos, sendo assim, a sociabilização é um dos fatores mais preservados nessas atividades. Na água, em decorrência do baixo impacto, a atividade em grupo também resgata o jogo, facilita a estimulação da compensação vestibular, pois, para que qualquer movimento do corpo possa ser realizado no meio aquático, há a necessidade de partir de uma posição inicial estável, exigindo do indivíduo reações de equilíbrio para a manutenção da simetria corporal. Os efeitos da turbulência também desafiam o equilíbrio e a coordenação dos pacientes. Na água, a estratégia do quadril, tornozelo e passo são ferramentas importantes para aprimorar essa estratégia de equilíbrio e, ao mesmo tempo, tirar possíveis compensações posturais decorrentes da perda de equilíbrio (PERRACINI, 2011).

Podemos caracterizar as atividades psicomotoras como uma nova oportunidade de resgatar no idoso a ação expressiva e eficiente. Além disso, é possível garantir o experimentar do seu corpo de forma mais prazerosa e harmônica, favorecendo transformações necessárias para a continuidade de uma vida saudável, além de propiciar o resgate da expressividade natural do ser humano, despertando a sensibilidade, a criatividade, trabalhando a memória, promovendo a sociabilização, a imaginação e possibilitando o desenvolvimento de movimentos leves e espontâneos invocando o estabelecimento das relações afetivas.

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